{"id":18598,"date":"2007-06-27T13:13:31","date_gmt":"2007-06-27T13:13:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18598"},"modified":"2007-06-27T13:13:31","modified_gmt":"2007-06-27T13:13:31","slug":"o-audiovisual-real-e-as-estrategias-virtuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18598","title":{"rendered":"O audiovisual real e as estrat\u00e9gias virtuais"},"content":{"rendered":"<p>N&atilde;o passou despercebido a muitos setores da atividade audiovisual o fato de que tr&ecirc;s filmes estrangeiros ocuparam sozinhos, nos &uacute;ltimos dias, cerca de 80% de todas as salas de exibi&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Na semana passada, Shreck 3 estava em 705 salas, Piratas do Caribe 3 em 582 e O Homem Aranha 3, em 325. Considerando-se que o pa&iacute;s tem 2.050 salas de exibi&ccedil;&atilde;o, isto significa que para todos os demais filmes (brasileiros e estrangeiros) restavam apenas 438 salas. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o desempenho nas telas da maior parte dos filmes brasileiros tem sido p&iacute;fio. J&aacute; n&atilde;o se fala dos chamados filmes &quot;m&eacute;dios&quot; e &quot;pequenos&quot; (document&aacute;rios voltados para nichos estreitos etc). Tome-se uma produ&ccedil;&atilde;o de grande porte, com participa&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a da Globo Filmes, como Inesquec&iacute;vel. A distribuidora contava com 1,5 milh&atilde;o de espectadores. O filme foi visto por 40 mil.<\/p>\n<p>N&atilde;o falta quem cobre neste momento uma mobiliza&ccedil;&atilde;o maior por parte do setor cinematogr&aacute;fico para que esta situa&ccedil;&atilde;o seja revertida. Muito se tem discutido sobre isso na esfera das entidades cinematogr&aacute;ficas e tamb&eacute;m no &acirc;mbito do governo. A quest&atilde;o de fundo, no entanto, est&aacute; mais al&eacute;m e apenas ganha certa visibilidade com essa distor&ccedil;&atilde;o. O que est&aacute; por ser convenientemente entendido &eacute; a r&aacute;pida modifica&ccedil;&atilde;o nos modelos de neg&oacute;cio que derivam da multifaceta&ccedil;&atilde;o do produto audiovisual.<\/p>\n<p><strong>Cachorros grandes<\/p>\n<p><\/strong>N&atilde;o &eacute; mera coincid&ecirc;ncia, por exemplo, que os tr&ecirc;s blockbusters citados tenham em comum o fato de serem &quot;parte 3&quot;. Em Hollywood, o termo &quot;filme&quot; est&aacute; rapidamente sendo substitu&iacute;do por &quot;franchise&quot;. &Eacute; neste, muito mais do que naquele, que pensa hoje a ind&uacute;stria. Treze Homens e Um Novo Segredo, a terceira parte de Ocean&rsquo;s Eleven, &eacute; o exemplo desta semana.<\/p>\n<p>Claro que essa n&atilde;o &eacute; uma boa not&iacute;cia para a cria&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica e muito menos para a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual em geral, incluindo-se a televis&atilde;o. Nem do ponto de vista art&iacute;stico, nem industrial. A produ&ccedil;&atilde;o audiovisual tornou-se ref&eacute;m de mitos criados e propagados por marqueteiros, que na maioria das vezes n&atilde;o entendem nem de arte nem de ind&uacute;stria, mas sabem como vender os seus servi&ccedil;os. N&atilde;o se deve a outra raz&atilde;o os meros 40 mil espectadores de Inesquec&iacute;vel, nem &agrave; mediocridade generalizada das &quot;partes 3&quot;. <\/p>\n<p>A ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica n&atilde;o est&aacute; sabendo como se comportar, por exemplo, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pirataria que pode ser estimulada pelas transmiss&otilde;es de televis&atilde;o digital terrestre, que come&ccedil;am dia 2 de dezembro no Brasil. Tem raz&otilde;es de sobra para estar atormentada. A ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica n&atilde;o conseguiu combater a pirataria e est&aacute; definhando por causa disso.<\/p>\n<p>Na quarta-feira (20\/6), o ministro H&eacute;lio Costa, das Comunica&ccedil;&otilde;es, chegou a dizer, em coletiva &agrave; imprensa, que o governo brasileiro estava tomando provid&ecirc;ncias para bloquear a grava&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do veiculado pela TV Digital, para conter a pirataria. No dia seguinte, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, encarregou-se de desmenti-lo. O assunto ser&aacute; tratado na pr&oacute;xima reuni&atilde;o do Comit&ecirc; de Desenvolvimento do SBTVD, e a briga vai ser de cachorro grande. A primeira coisa que o governo ter&aacute; que fazer &eacute; tomar medidas impopulares no momento em que est&aacute; pedindo &agrave; sociedade para aderir ao novo sistema. <\/p>\n<p><strong>Sem erro<\/p>\n<p><\/strong>As produtoras internacionais est&atilde;o pressionando as emissoras brasileiras por garantias de que o seu produto n&atilde;o seja pirateado e as emissoras repassam esta press&atilde;o para o governo. A verdade, por&eacute;m, &eacute; que ningu&eacute;m tem a menor id&eacute;ia &ndash; nem no Brasil nem em qualquer outro pa&iacute;s &ndash; de como evitar a generaliza&ccedil;&atilde;o da copiagem e distribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-autorizada do conte&uacute;do audiovisual com qualidade digital. <\/p>\n<p>A eventual descoberta de uma solu&ccedil;&atilde;o para isso pode ser decisiva para evitar que ao cinema esteja reservado o triste destino da ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica. O que existe de seguro &eacute; que n&atilde;o se pode agir digitalmente pensando analogicamente. Tudo o que era poss&iacute;vel fazer para se evitar a pirataria no mundo anal&oacute;gico &ndash; controlando a circula&ccedil;&atilde;o de c&oacute;pias, at&eacute; evitando a entrada de c&acirc;meras cinematogr&aacute;ficas nos cinemas &ndash; j&aacute; n&atilde;o faz o menor sentido. Assim como n&atilde;o faz sentido pensar na produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de filmes da mesma maneira como isso era feito vinte anos atr&aacute;s. <\/p>\n<p>Se o presidente da Rep&uacute;blica fosse falar sobre o assunto, poderia dizer, sem medo de errar, que jamais na hist&oacute;ria deste pa&iacute;s o conhecimento da tecnologia esteve t&atilde;o distante do conhecimento dos modelos de neg&oacute;cio que ela imp&otilde;e e da adequa&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do &agrave; sua maneira de comercializ&aacute;-lo. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o passou despercebido a muitos setores da atividade audiovisual o fato de que tr&ecirc;s filmes estrangeiros ocuparam sozinhos, nos &uacute;ltimos dias, cerca de 80% de todas as salas de exibi&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. 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