{"id":18592,"date":"2007-06-26T20:50:36","date_gmt":"2007-06-26T20:50:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18592"},"modified":"2007-06-26T20:50:36","modified_gmt":"2007-06-26T20:50:36","slug":"indigenas-e-a-globalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18592","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas e a Globaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>&Agrave;s vezes t&ecirc;m-se a impress&atilde;o de que tudo j&aacute; foi escrito e falado sobre os estragos que a Globaliza&ccedil;&atilde;o provoca em comunidades &eacute;tnicas, que por raz&otilde;es diversas, perderam durante um tempo a solidez de sua Cultura. <\/p>\n<p><\/span><span>Meu nome &eacute; Marcos, sou Educador nas disciplinas de L&iacute;ngua Portuguesa e Literatura Brasileira, L&iacute;ngua Espanhola e &Eacute;tica e Cidadania. H&aacute; dois anos estou como diretor do Col&eacute;gio Estadual da Aldeia Ind&iacute;gena Caramuru Paragua&ccedil;u, em Pau Brasil, sul da Bahia. <\/span>Sempre atuei ligado &agrave;s Cebs, Movimentos Sociais e Estudantis. Assim como Jo&atilde;o Pedro St&eacute;dile e o Procurador da Rep&uacute;blica de Bras&iacute;lia, Luiz Ant&ocirc;nio de Souza, defino-me como um Socialista Crist&atilde;o. E creio que foi por este perfil e por pertencer ao quadro efetivo da Educa&ccedil;&atilde;o do Estado da Bahia, que fui convidado pelas lideran&ccedil;as do Povo Patax&oacute; H&atilde; h&atilde; h&atilde;e para atuar na dire&ccedil;&atilde;o desta Unidade Escolar. <\/p>\n<p>Desde o dia 08 de abril de 2005 tenho convivido com esta Comunidade Ind&iacute;gena, muitas vezes chocando-me com os efeitos nefastos que a Globaliza&ccedil;&atilde;o j&aacute; causou neste outrora peda&ccedil;o da Terra Sem Males. Aqui, como em qualquer lugar onde a for&ccedil;a da programa&ccedil;&atilde;o rede-global tenha chegado, os &iacute;dolos s&atilde;o: os protagonistas das Novelas deste canal de televis&atilde;o e os cantores que ela promove e sustenta no estrelato. Por isso &eacute; muito comum encontrar nesta comunidade estudantes ind&iacute;genas que nunca tenham ouvido falar de Tupac Amaru, Chic&atilde;o Xucuru, do Ex&eacute;rcito Zapatista, integrado por &iacute;ndios mexicanos, nem da complexidade que foi o assassinato de Galdino Jesus dos Santos. Inversa e proporcionalmente, h&aacute; meninas &iacute;ndias f&atilde;s incondicionais de grupos musicais como o KLB e Calcinha Preta e rapazes que mesmo trabalhando na R&aacute;dio &ldquo;Comunit&aacute;ria&rdquo; da Aldeia, s&oacute; enxergam fazer sucesso se tocarem as Bandas de &ldquo;Arrocha&rdquo; e de forr&oacute;s depreciativos &agrave; Mulher, como a &ldquo;Saia Rodada&rdquo;. <\/p>\n<p><span>Frei Betto, o nosso conhecido escritor e frade dominicano, j&aacute; definiu a globaliza&ccedil;&atilde;o como a Globo-coloniza&ccedil;&atilde;o. E &eacute; de fato e cada vez mais. Na &uacute;ltima festa junina do nosso Col&eacute;gio Ind&iacute;gena, o nome da Quadrilha principal era &ldquo;P&eacute; na Jaca&rdquo;(???!). <\/span>Aliado &agrave; for&ccedil;a nefasta da Rede Globo de Televis&atilde;o e suas esfor&ccedil;adas &ldquo;clones&rdquo; e concorrentes mais pr&oacute;ximas, est&aacute; a lentid&atilde;o dos Governos brasileiros, mandato ap&oacute;s mandato, de criar alternativas reais de material did&aacute;tico que seja reparador do papel do &iacute;ndio, do negro, das mulheres e das minorias todas, na hist&oacute;ria deste pa&iacute;s. Materiais que sejam de v&iacute;deo e &aacute;udio, textos bem escritos e ilustrados, m&uacute;sicas de artistas destas minorias, talentos&iacute;ssimos, e que n&atilde;o t&ecirc;m espa&ccedil;o em Faust&atilde;o, Gugu e Raul Gil. Mas que precisam aparecer e ser protagonistas, para que jovens, como os ind&iacute;genas de Pau Brasil, possam ver-se e saber que &eacute; poss&iacute;vel ter talento, fazer sucesso, sem precisar copiar: pessoas sem qualquer compromisso com sua hist&oacute;ria e coisas degradantes, que transformam sexualidade em erotiza&ccedil;&atilde;o e sensualidade em total vulgaridade. Tudo o que temos de tentativa de revers&atilde;o da Globo-coloniza&ccedil;&atilde;o, est&aacute; ainda em fitas VHS. <\/p>\n<p>Estaremos conversando sobre a realidade deste mundo em que tenho vivido nos &uacute;ltimos 800 dias, sempre na tentativa de que criemos um grupo pensante via revista Vira&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m por e-mail, mensagens no celular ou at&eacute; cartas. O mais importante ser&aacute; sermos uma alternativa &agrave; grande m&iacute;dia e demonstrar para toda uma juventude ind&iacute;gena, nordestina e brasileira, que &eacute; poss&iacute;vel que todos entendam e gostem de uma &ldquo;micro-s&eacute;rie&rdquo; como A PEDRA DO REINO, desde que haja explicita&ccedil;&atilde;o de seu contexto, sua linguagem e sua fundamenta&ccedil;&atilde;o, feita por educadores comprometidos com o Brasil Real, de que falava o mulato Machado de Assis, primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. E oxal&aacute;, consigamos, ao menos, iniciar algo realmente inovador, numa soma sensata de esfor&ccedil;os de quem ainda enxerga a possibilidade de criarmos a Terra Sem Males (mito Guarani para a idealiza&ccedil;&atilde;o do Para&iacute;so). <\/p>\n<p><em>* Prof. Marcos Bispo Santos, diretor do Col&eacute;gio Estadual da Aldeia Ind&iacute;gena Caramuru Paragua&ccedil;u, em Pau Brasil, (BA)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Agrave;s vezes t&ecirc;m-se a impress&atilde;o de que tudo j&aacute; foi escrito e falado sobre os estragos que a Globaliza&ccedil;&atilde;o provoca em comunidades &eacute;tnicas, que por raz&otilde;es diversas, perderam durante um tempo a solidez de sua Cultura. 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