{"id":18590,"date":"2007-06-26T17:29:50","date_gmt":"2007-06-26T17:29:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18590"},"modified":"2007-06-26T17:29:50","modified_gmt":"2007-06-26T17:29:50","slug":"classificacao-nao-e-controle-de-conteudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18590","title":{"rendered":"&#8220;Classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 controle de conte\u00fado&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Publicada no in&iacute;cio deste ano, a portaria n&ordm; 264 &ndash; que estabelece as novas regras para a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa na programa&ccedil;&atilde;o de TV &ndash; &eacute; considerada um avan&ccedil;o por entidades de defesa da crian&ccedil;a e do adolescente, por emissoras educativas, pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico e outras institui&ccedil;&otilde;es ligadas ao tema. A norma cria a autoclassifica&ccedil;&atilde;o, no qual as emissoras de TV s&atilde;o respons&aacute;veis por definir a faixa et&aacute;ria recomendada para determinado programa. Em entrevista, o Secret&aacute;rio Nacional de Justi&ccedil;a do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, Antonio Carlos Biscaia, aborda a import&acirc;ncia da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa na prote&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a e do adolescente e&nbsp;os questionamentos apresentados pela Abert com rela&ccedil;&atilde;o a algumas regras da portaria, e reitera a forma democr&aacute;tica como a legisla&ccedil;&atilde;o foi constru&iacute;da ao longo dos dois &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p><strong>A portaria atual que regula a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa no Brasil est&aacute; sendo questionada por algumas emissoras de TV. Como foi o processo de elabora&ccedil;&atilde;o dessa lei?<br \/>Ant&ocirc;nio Carlos Biscaia<\/strong> &#8211; Primeiro &eacute; importante assinalar que a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa est&aacute; prevista no texto da Constitui&ccedil;&atilde;o e no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente. &Eacute; dever do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a normatizar essa classifica&ccedil;&atilde;o indicativa. A partir de 2003, o Minist&eacute;rio iniciou, da forma mais democr&aacute;tica poss&iacute;vel, diversas audi&ecirc;ncias com institui&ccedil;&otilde;es e entidades que t&ecirc;m alguma rela&ccedil;&atilde;o com o tema: r&aacute;dio, televis&atilde;o, a Abert (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o) e as entidades civis relacionadas com os direitos da Defesa da Crian&ccedil;a e do Adolescente e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico. E a partir da&iacute; foi elaborada uma portaria, a 264 com 90 dias de prazo para vig&ecirc;ncia em 13 de maio de 2007. Essa Portaria representa&nbsp; um avan&ccedil;o porque consagra a auto-classifica&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o havia na regulamenta&ccedil;&atilde;o anterior. Na semana anterior &agrave; vig&ecirc;ncia integral da mencionada Portaria, a Abert solicitou a reabertura da discuss&atilde;o do tema e apresentou uma pauta de itens para reavalia&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio. N&oacute;s recebemos tamb&eacute;m uma carta aberta ao ministro da Justi&ccedil;a, assinada por mais de 100 entidades e pessoas, defendendo a portaria integralmente. A carta &eacute; assinada pela Pastoral da Crian&ccedil;a e do Adolescente, ex-ministros da Justi&ccedil;a, Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras Educativas, pelo presidente da Comiss&atilde;o dos Direitos Humanos da C&acirc;mara dos Deputados e assim por diante.<br \/><strong><br \/>Quais s&atilde;o os principais pontos que est&atilde;o sendo questionados pela Abert?<br \/><\/strong>Aquilo que &eacute; ponto essencial: n&atilde;o querem que a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa estabele&ccedil;a vincula&ccedil;&atilde;o hor&aacute;ria, querem que apenas se estabele&ccedil;a a faixa et&aacute;ria. Ou seja, apenas que se diga se o programa &eacute; livre ou n&atilde;o, mas n&atilde;o que, em conseq&uuml;&ecirc;ncia disso, ele n&atilde;o poder&aacute; ser veiculado nesse ou naquele hor&aacute;rio. A outra pondera&ccedil;&atilde;o &eacute; a que refere ao fuso-hor&aacute;rio. Os hor&aacute;rios das regi&otilde;es do Pa&iacute;s t&ecirc;m diferen&ccedil;a de duas e at&eacute; tr&ecirc;s horas, e que o programa, segundo eles t&ecirc;m dificuldade de ter um hor&aacute;rio diferente. Da mesma maneira, est&atilde;o questionando uma exig&ecirc;ncia de que haja a indica&ccedil;&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa em Libras (L&iacute;ngua Brasileira de Sinais). Eles querem que isso s&oacute; seja implantado depois da implanta&ccedil;&atilde;o do Sistema Brasileiro de TV Digital. N&oacute;s vamos analisar todas as pondera&ccedil;&otilde;es das partes e tomar uma decis&atilde;o final. <\/p>\n<p><strong>At&eacute; que essa decis&atilde;o seja tomada, a portaria est&aacute; suspensa?<br \/><\/strong>N&atilde;o. Apenas o Minist&eacute;rio baixou uma outra portaria adiando por 45 dias a vig&ecirc;ncia dos artigos 15, 20 e 21 (que s&atilde;o objeto de questionamento pela Abert). O artigo 19 j&aacute; havia sido suspenso por determina&ccedil;&atilde;o judicial liminarmente pelo Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (&eacute; o que estabelece a vincula&ccedil;&atilde;o entre faixa et&aacute;ria indicada e hor&aacute;rio para veicula&ccedil;&atilde;o do programa). Vamos analisar as quest&otilde;es porque n&oacute;s tivemos uma posi&ccedil;&atilde;o de transig&ecirc;ncia de abertura democr&aacute;tica, que n&atilde;o foi um recuo, foi mais uma vez uma demonstra&ccedil;&atilde;o de que aceitamos pondera&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p><strong>Alguns ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o atribuem&nbsp;&agrave; portaria n&ordm; 264 uma forma de controle por parte do governo com rela&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do televisivo.<br \/><\/strong>Isso n&atilde;o tem a menor proced&ecirc;ncia. A edi&ccedil;&atilde;o da Portaria n&atilde;o significa de forma alguma qualquer les&atilde;o ao direito constitucionalmente assegurado de livre manifesta&ccedil;&atilde;o de express&atilde;o. A classifica&ccedil;&atilde;o indicativa &eacute; uma recomenda&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; impositiva. Mas, para que ela produza efic&aacute;cia, em primeiro lugar, &eacute; necess&aacute;rio que as emissoras divulguem se aquele programa &eacute; adequado ou inadequado para determinada faixa et&aacute;ria. Essa recomenda&ccedil;&atilde;o deve ser veiculada. Diante dessa recomenda&ccedil;&atilde;o &eacute; que os pais v&atilde;o exercer o poder familiar. Se a crian&ccedil;a, por exemplo, tem oito anos de idade, o pai deve ter condi&ccedil;&otilde;es de avaliar se o programa a ser exibido deve ou n&atilde;o ser assistido por seu filho. N&oacute;s sabemos que o papel mais importante &eacute; da fam&iacute;lia no sentido de cumprir aquilo que significa forma&ccedil;&atilde;o dos seus filhos. E o papel do Estado, do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a em especial, &eacute; apresentar a recomenda&ccedil;&atilde;o para permitir que isso seja feito. Agora, a n&atilde;o regulamenta&ccedil;&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa pode at&eacute; configurar uma prevarica&ccedil;&atilde;o dos agentes respons&aacute;veis. N&oacute;s temos que tomar uma posi&ccedil;&atilde;o.&nbsp; <\/p>\n<p><strong>Qual a perspectiva do governo de que a portaria esteja integralmente em vigor?<br \/><\/strong>At&eacute; final do m&ecirc;s, teremos estas quest&otilde;es decididas. A &uacute;nica decis&atilde;o que ficar&aacute; pendente &eacute; aquela referente ao artigo 19 (que vincula exibi&ccedil;&atilde;o hor&aacute;ria com a faixa et&aacute;ria), que depende de decis&atilde;o da Justi&ccedil;a. Das pondera&ccedil;&otilde;es apresentadas pelas entidades, algumas poder&atilde;o ser acatadas, desde que n&atilde;o afetem a ess&ecirc;ncia da portaria. Aquilo que afetar a ess&ecirc;ncia, em princ&iacute;pio, n&atilde;o ser&aacute; modificado. Todas as sugest&otilde;es ser&atilde;o analisadas e a palavra final ser&aacute; do ministro. A partir dessas pondera&ccedil;&otilde;es, ser&aacute; editada uma nova portaria que ter&aacute; aplica&ccedil;&atilde;o imediata.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira a entrevista com o Secret\u00e1rio Nacional de Justi\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[296],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18590"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18590"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18590\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}