{"id":18570,"date":"2007-06-25T14:27:22","date_gmt":"2007-06-25T14:27:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18570"},"modified":"2014-09-07T02:53:29","modified_gmt":"2014-09-07T02:53:29","slug":"conferencia-de-comunicacao-vai-discutir-modelo-para-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18570","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o vai discutir modelo para o pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">Mais de 250 pessoas, de 20 estados diferentes, participaram nos dias 21 e 22 de junho, em Bras&iacute;lia, do Encontro Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, promovido pelas comiss&otilde;es de Direitos Humanos e Minorias e Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inform&aacute;tica da C&acirc;mara e organizado em parceria com a sociedade civil. O objetivo principal do evento era delinear as bases para a constru&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que, na opini&atilde;o de parlamentares, pesquisadores e representantes dos movimentos sociais e entidades voltadas &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o pode significar uma inflex&atilde;o no hist&oacute;rico de baixa abertura do Estado brasileiro &agrave; participa&ccedil;&atilde;o social na elabora&ccedil;&atilde;o, acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o setor. <\/p>\n<p>Durante dois dias, e tendo como pano de fundo um novo modelo para o setor, foram debatidos temas centrais para as comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s e o formato desejado para a confer&ecirc;ncia. A carta final do Encontro (<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18124\">dispon&iacute;vel clicando aqui<\/a>), dirigida ao presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, afirma como fundamental que a confer&ecirc;ncia se constitua como um processo e inclua, entre outros elementos:<\/p>\n<p>&#8211; a incorpora&ccedil;&atilde;o como compromisso de todos os poderes da Rep&uacute;blica, especialmente o Executivo Federal;<br \/>&#8211; a ado&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da ampla e democr&aacute;tica participa&ccedil;&atilde;o como forma de trazer as contribui&ccedil;&otilde;es das diferentes representa&ccedil;&otilde;es da sociedade organizada, incluindo a realiza&ccedil;&atilde;o de etapas estaduais e regionais antes da etapa nacional;<br \/>&#8211; o compromisso de, a partir do debate com m&eacute;todos democr&aacute;ticos, construir linhas gerais para um novo momento nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para as comunica&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>&ldquo;Os movimentos do campo e cidade acreditam que &eacute; importante, de fato, investir na democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. Por isso defendemos a realiza&ccedil;&atilde;o de uma confer&ecirc;ncia que possa ser ampla, democr&aacute;tica, que garanta a participa&ccedil;&atilde;o de todos os atores e que possa servir como marco para a formula&ccedil;&atilde;o de novas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, com participa&ccedil;&atilde;o social&rdquo;, disse Marina Santos, membro da coordena&ccedil;&atilde;o nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), na abertura do Encontro na &uacute;ltima quinta (21\/6).<\/p>\n<p>&ldquo;A participa&ccedil;&atilde;o &eacute; chave do &ecirc;xito da confer&ecirc;ncia. Por isso ela n&atilde;o poder&aacute; ser feita a toque de caixa, sob o risco de fazermos uma mera reforma dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, completou Rosane Bertotti, secret&aacute;ria de comunica&ccedil;&atilde;o da CUT (Central &Uacute;nica dos Trabalhadores). &ldquo;Este &eacute; um processo que se reveste de significado &iacute;mpar, pelo qual os tr&ecirc;s poderes podem recolher contribui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil para construir um modelo que avance na democracia, na inclus&atilde;o social e na concretiza&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do professor Ven&iacute;cio Lima, da Universidade de Bras&iacute;lia, as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, historicamente, s&atilde;o um grupo que tem lutado pela democratiza&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea, tendo como base a defesa do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, mas que se configuram como &ldquo;n&atilde;o-atores&rdquo;, porque at&eacute; hoje n&atilde;o est&atilde;o presentes na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas. Para ele, &eacute; fundamental que no processo da confer&ecirc;ncia se d&ecirc; espa&ccedil;o a essas vozes. <\/p>\n<p>A mesma avalia&ccedil;&atilde;o tem o Intervozes, uma das organiza&ccedil;&otilde;es que atuou junto &agrave;s comiss&otilde;es da C&acirc;mara para garantir a realiza&ccedil;&atilde;o do Encontro. &ldquo;O importante &eacute; garantir que todas as etapas do processo sejam feitas, com a realiza&ccedil;&atilde;o das confer&ecirc;ncias locais e estaduais. S&oacute; assim todas as pessoas e grupos que desejem poder&atilde;o contribuir com a constru&ccedil;&atilde;o das resolu&ccedil;&otilde;es&rdquo;, afirmou Jo&atilde;o Brant, coordenador da entidade, que defendeu que a data proposta pelo ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, para a realiza&ccedil;&atilde;o da confer&ecirc;ncia nacional &eacute; invi&aacute;vel. &ldquo;Uma confer&ecirc;ncia em agosto pr&oacute;ximo pode ser tudo, menos uma confer&ecirc;ncia. &Eacute; imposs&iacute;vel cumprir todas as etapas em dois meses. Por isso, se o ministro quiser fazer um evento, um semin&aacute;rio, que fa&ccedil;a, mas &eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;pria pol&iacute;tica do governo chamar esse evento de confer&ecirc;ncia&rdquo;, disse.<\/p>\n<p><strong>Tem&aacute;rio<br \/><\/strong>Os eixos e o tem&aacute;rio da Confer&ecirc;ncia Nacional ainda n&atilde;o est&atilde;o delimitados, mas tr&ecirc;s aspectos parecem se desenhar como norte dos debates a serem travados. O primeiro &eacute; a necessidade de regula&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea, inadi&aacute;vel para que se contemple o momento de transi&ccedil;&atilde;o e converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica que vivemos.<\/p>\n<p>&ldquo;O novo paradigma da comunica&ccedil;&atilde;o busca a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. A&iacute; se abre uma grande possibilidade para a efetiva democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse o presidente da C&acirc;mara dos Deputados, Arlindo Chinaglia. &ldquo;Com a digitaliza&ccedil;&atilde;o, poderemos constatar uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de televis&atilde;o, que permita superar o modelo de fei&ccedil;&atilde;o olig&aacute;rquica e de fins meramente lucrativos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; vital que a programa&ccedil;&atilde;o televisiva deixe de priorizar o mero entretenimento, para investir maci&ccedil;amente em atividades culturais e educativas, para fomentar o esp&iacute;rito cr&iacute;tico e participativo do cidad&atilde;o&rdquo;, afirmou o deputado. <\/p>\n<p>&ldquo;A confer&ecirc;ncia tem que resgatar todos os princ&iacute;pios da comunica&ccedil;&atilde;o como um bem e um servi&ccedil;o p&uacute;blico, para que lembremos que mesmo a gest&atilde;o privada tem deveres a prestar &agrave; sociedade&rdquo;, acrescentou Edgard Rebou&ccedil;as, professor da Universidade Federal da Pernambuco.<\/p>\n<p>Um segundo aspecto seria a constru&ccedil;&atilde;o e garantia de uma legisla&ccedil;&atilde;o que inclua mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o e controle social da comunica&ccedil;&atilde;o. Na avalia&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), na medida em que h&aacute; uma hipertrofia do sistema p&uacute;blico e aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas para o setor, poucos falam e muitos ouvem. &ldquo;Estamos, no entanto, caminhando para um novo momento hist&oacute;rico do pa&iacute;s, onde a democracia deixar&aacute; de ser restrita a um servi&ccedil;o comercial de poucos&rdquo;, analisa Celso Schr&ouml;eder, secret&aacute;rio executivo do FNDC.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; preciso que a comunica&ccedil;&atilde;o seja encarada como uma pol&iacute;tica p&uacute;blica. Esse avan&ccedil;o de vis&atilde;o j&aacute; vem produzindo fatos concretos, como esse encontro e duas a&ccedil;&otilde;es do governo, que foram o F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas e a constru&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o fatos que constituem preliminares importantes para uma confer&ecirc;ncia nacional de comunica&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da com a participa&ccedil;&atilde;o de baixo para cima&rdquo;, defende Jos&eacute; Roberto Garcez, presidente da Radiobr&aacute;s. <\/p>\n<p>Por fim, a urg&ecirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o de uma m&iacute;dia alternativa, impressa e eletr&ocirc;nica, que fa&ccedil;a o contraponto &agrave; hegemonia dos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m estar&aacute; no tem&aacute;rio da Confer&ecirc;ncia Nacional. A luta dos movimentos sociais &eacute; para que a liberdade de express&atilde;o seja um direito garantido a todos, e n&atilde;o uma benesse dos grupos que hoje det&ecirc;m a propriedade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio quebrar a coluna vertebral da ditadura da m&iacute;dia. Temos claro que os monop&oacute;lios da comunica&ccedil;&atilde;o hoje representam uma redu&ccedil;&atilde;o da democracia&rdquo;, afirmou Rosane Bertotti, da CUT. &ldquo;Todos conhecem a criminaliza&ccedil;&atilde;o que a m&iacute;dia comercial desenvolve. Neste momento, as r&aacute;dios comunit&aacute;rias sofrem mais uma campanha difamat&oacute;ria, que coloca as emissoras como piratas. Em paralelo, temos um Estado repressor, que a cada minuto fecha uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria&rdquo;, critica Joaquim Carvalho, da Abra&ccedil;o.<\/p>\n<p>Na conclus&atilde;o do deputado federal Luiz Couto, presidente da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara, ficou clara a necessidade de se fazer uma &ldquo;grande revolu&ccedil;&atilde;o no sistema&rdquo;, para que n&atilde;o tenhamos fam&iacute;lias que dominam os meios e imp&otilde;em &nbsp;um tipo de programa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; a que a sociedade precisa. &ldquo;Para que comecemos um novo processo em que a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seja propriedade de poucos, mas um direito de todos&rdquo;, encerrou.<\/p>\n<p>Uma comiss&atilde;o pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia foi formada por entidades nacionais ligadas ao tema. Mais informa&ccedil;&otilde;es est&atilde;o dispon&iacute;veis na p&aacute;gina da C&acirc;mara Federal: <a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/\">www.camara.gov.br<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">*<br \/>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>CONFIRA A CARTA APROVADA NO ENCONTRO&nbsp;<\/p>\n<p><\/u><\/strong><span><strong>POR UMA LEG&Iacute;TIMA E DEMOCR&Aacute;TICA CONFER&Ecirc;NCIA NACIONAL DE COMUNICA&Ccedil;&Otilde;ES<br \/><\/strong><\/span><span><strong>CARTA ABERTA AO PRESIDENTE LUIZ IN&Aacute;CIO LULA DA SILVA <\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>&Eacute; not&oacute;ria a import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o de valores e opini&otilde;es, no fomento e na produ&ccedil;&atilde;o das culturas e nas rela&ccedil;&otilde;es de poder. Por isso, a compreens&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito humano &eacute; condi&ccedil;&atilde;o fundamental para que este processo social seja voltado &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da emancipa&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres, na consolida&ccedil;&atilde;o de uma efetiva democracia e na constru&ccedil;&atilde;o de um Pa&iacute;s justo e soberano. <\/p>\n<p><\/span><span>No Brasil, ainda h&aacute; um grande caminho a percorrer para que a comunica&ccedil;&atilde;o cumpra este papel. O modelo vigente &eacute; marcado pela concentra&ccedil;&atilde;o e a hipertrofia dos meios em poucos grupos comerciais, cujas outorgas s&atilde;o obtidas e renovadas sem controle da sociedade e sem crit&eacute;rios transparentes. O predom&iacute;nio da m&iacute;dia comercial marca tamb&eacute;m a fragilidade dos sistemas p&uacute;blico e estatal, que s&oacute; agora est&atilde;o entrando na pauta de preocupa&ccedil;&atilde;o de Estado com o debate sobre a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o. Este quadro vem sendo mantido pela aus&ecirc;ncia do debate e pela exclus&atilde;o do interesse p&uacute;blico na elabora&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de regula&ccedil;&atilde;o que organizam a &aacute;rea. Historicamente, as decis&otilde;es relativas &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil t&ecirc;m sido tomadas &agrave; revelia dos leg&iacute;timos interesses sociais, quase sempre apoiadas em medidas administrativas e criando situa&ccedil;&otilde;es de fato que terminam por se cristalizarem em situa&ccedil;&otilde;es definitivas.<\/p>\n<p><\/span><span>A necessidade de corrigir tais distor&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas emerge justamente na hora em que a converg&ecirc;ncia digital torna cada vez mais complexo o processo de produ&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o e consumo das informa&ccedil;&otilde;es. Frente a isso torna-se urgente a redefini&ccedil;&atilde;o de um novo e leg&iacute;timo marco institucional para as comunica&ccedil;&otilde;es, haja vista que a legisla&ccedil;&atilde;o para as comunica&ccedil;&otilde;es carecem de revis&atilde;o seja pela necessidade de sua atualiza&ccedil;&atilde;o, seja por falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica dos princ&iacute;pios constitucionais ou, ainda, por sua&nbsp; inadequa&ccedil;&atilde;o &agrave; no&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o como direito humano e social.<\/p>\n<p><\/span><span>Isso inclui o debate sobre a comunica&ccedil;&atilde;o em toda a sua complexidade, envolvendo todos seus setores, bem como a interface destas &aacute;reas com a cultura, a educa&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, as tecnologias e a cidadania. Ressaltamos aqui que n&atilde;o se trata apenas da reflex&atilde;o sobre os meios, a cadeia produtiva e os sistemas, mas sim, das diversas formas pelas quais o conte&uacute;do, enquanto conhecimento, cultura, lazer e informa&ccedil;&atilde;o &#8211; inclusive comercial -, s&atilde;o produzidos, difundidos, assimilados e usufru&iacute;dos pela popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Diante de todos estes pontos, n&oacute;s, parlamentares, pesquisadores, trabalhadores e representantes dos movimentos sociais e de entidades voltadas &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, presentes ao Encontro Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, convocado pelas comiss&otilde;es de Ci&ecirc;ncia Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica e de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara dos Deputados, vemos na realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&otilde;es &#8211; leg&iacute;tima e democr&aacute;tica &#8211; a oportunidade concreta para enfrentarmos este debate. <\/p>\n<p><\/span><span>A Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&otilde;es pode constituir um marco hist&oacute;rico de mudan&ccedil;a da rela&ccedil;&atilde;o passiva da popula&ccedil;&atilde;o com a m&iacute;dia, significando uma inflex&atilde;o no hist&oacute;rico de baixa abertura do Estado brasileiro &agrave; participa&ccedil;&atilde;o social na elabora&ccedil;&atilde;o, acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o setor. <\/p>\n<p><\/span><span>Para que a Confer&ecirc;ncia cumpra este papel, &eacute; fundamental que ela se constitua como processo e inclua, entre outras coisas: <\/p>\n<p>&#8211; <\/span><span>A sua incorpora&ccedil;&atilde;o como compromisso dos poderes da Rep&uacute;blica, especialmente do Executivo Federal com todos seus &oacute;rg&atilde;os relacionados ao setor; bem como o Congresso Nacional, o Judici&aacute;rio e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico;<br \/><\/span><span>&#8211; <\/span><span>A ado&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da ampla e democr&aacute;tica participa&ccedil;&atilde;o como forma de trazer as contribui&ccedil;&otilde;es das mais v&aacute;rias representa&ccedil;&otilde;es da sociedade organizada para o debate da Confer&ecirc;ncia;<br \/>&#8211; <\/span><span>O mais amplo envolvimento da popula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o de etapas estaduais e regionais antes da etapa nacional; <br \/>&#8211; <\/span><span>A inclus&atilde;o da sociedade civil no processo de organiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia, garantindo inclusive meios materiais para esta participa&ccedil;&atilde;o; e<br \/>&#8211; <\/span><span>O compromisso de, a partir do debate com m&eacute;todos democr&aacute;ticos, construir linhas gerais para um novo momento nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para as comunica&ccedil;&otilde;es; entendendo que qualquer mudan&ccedil;a substancial nas pol&iacute;ticas vigentes deva ser feita somente a partir das delibera&ccedil;&otilde;es da Confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><\/span><span>Tais preceitos n&atilde;o s&atilde;o uma novidade resultante de elabora&ccedil;&atilde;o deste Encontro Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, mas a reafirma&ccedil;&atilde;o de formatos de constru&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;m marcando a realiza&ccedil;&atilde;o das confer&ecirc;ncias promovidas por este governo. J&aacute; no caso da comunica&ccedil;&atilde;o, estranhamos o an&uacute;ncio do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es sobre a realiza&ccedil;&atilde;o de um evento que est&aacute; sendo chamado de &ldquo;confer&ecirc;ncia nacional&rdquo; j&aacute; para o m&ecirc;s de agosto de 2007. O car&aacute;ter sinalizado pelo Minicom contrasta com os procedimentos adotados por este governo em outras confer&ecirc;ncias, pois inviabiliza a constru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e a organiza&ccedil;&atilde;o de etapas pr&eacute;vias estaduais e regionais preparat&oacute;rias que garantam a legitimidade da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>Esperamos que a coer&ecirc;ncia e o respeito &agrave;s experi&ecirc;ncias relativas &agrave;s confer&ecirc;ncias sejam a t&ocirc;nica da constru&ccedil;&atilde;o deste processo no setor da comunica&ccedil;&atilde;o. Do contr&aacute;rio, este governo corre o risco de promover aparentes processos democr&aacute;ticos enquanto perpetua o alijamento dos cidad&atilde;os brasileiros da defini&ccedil;&atilde;o sobre os rumos deste instrumento fundamental &agrave; democracia em nosso Pa&iacute;s. <\/p>\n<p><\/span><em><span>Encontro Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o: na luta por democracia e direitos humanos<br \/><\/span><span>Bras&iacute;lia, 22 de junho de 2007<\/span><\/em><span><font face=\"Times New Roman\">&nbsp;<\/font><\/span><span><font face=\"Times New Roman\">&nbsp;<\/font><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro Nacional realizado em Bras\u00edlia definiu as bases para a constru\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Pleito de parlamentares, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e movimentos sociais \u00e9 por processo participativo e representativo.  <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[137],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18570"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18570"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27741,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18570\/revisions\/27741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}