{"id":18565,"date":"2007-06-22T16:43:59","date_gmt":"2007-06-22T16:43:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18565"},"modified":"2007-06-22T16:43:59","modified_gmt":"2007-06-22T16:43:59","slug":"na-america-latina-falta-compromisso-publico-as-tvs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18565","title":{"rendered":"Na Am\u00e9rica Latina, falta compromisso p\u00fablico \u00e0s TVs"},"content":{"rendered":"<p>Raz&otilde;es para n&atilde;o renovar a concess&atilde;o da RCTV o governo venezuelano tem de sobra. Basta ler os v&aacute;rios artigos publicados nesta Carta Maior. H&aacute; dados consistentes que, por si s&oacute;, justificam o rompimento de qualquer contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o p&uacute;blico. Para n&atilde;o ser redundante, n&atilde;o vou voltar aos fatos j&aacute; descritos pelos demais articulistas. Cabe aqui uma an&aacute;lise do papel da televis&atilde;o na Venezuela e, por extens&atilde;o, em quase toda a Am&eacute;rica Latina. Trata-se de uma tentativa de entender as raz&otilde;es do alarde feito em torno da decis&atilde;o soberana do governo presidido por Hugo Ch&aacute;vez.<\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio do que ocorreu na Europa, a televis&atilde;o latino-americana, de forma geral, nunca teve como refer&ecirc;ncia emissoras p&uacute;blicas fortes. Estas, quando existiram, foram sempre complementares ao modelo comercial hegem&ocirc;nico. Para o p&uacute;blico, o r&aacute;dio e depois a televis&atilde;o se confundem com empreendimentos comerciais operados por organiza&ccedil;&otilde;es privadas, destitu&iacute;das de qualquer compromisso com a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Tal situa&ccedil;&atilde;o impediu que se formasse na sociedade uma massa cr&iacute;tica capaz de impedir as empresas de radiodifus&atilde;o de se utilizarem das concess&otilde;es em benef&iacute;cio pr&oacute;prio. Articulados, quase sempre, com os grupos pol&iacute;ticos mais conservadores, os concession&aacute;rios tornaram-se, na pr&aacute;tica, atores pol&iacute;ticos decisivos para a vida institucional dos seus respectivos pa&iacute;ses. Ocuparam os espa&ccedil;os de partidos e de outras organiza&ccedil;&otilde;es sociais, realizando eles pr&oacute;prios a intermedia&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a sociedade. Combinaram, com sucesso, poder econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>O caso venezuelano rompe com esse padr&atilde;o de domina&ccedil;&atilde;o latino-americano. Come&ccedil;ando pela demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a feita por ocasi&atilde;o da frustrada tentativa de golpe de Estado de 2002 e t&atilde;o bem retratada no document&aacute;rio irland&ecirc;s &ldquo;A revolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; televisionada&rdquo;. As contribui&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia para golpes no continente n&atilde;o s&atilde;o novidade, mas, salvo engano, a televis&atilde;o nunca havia feito esse tipo de trabalho de forma t&atilde;o desabrida como ocorreu na Venezuela. O poder havia chegado &agrave; cabe&ccedil;a dos radiodifusores.<\/p>\n<p>A rea&ccedil;&atilde;o do governo foi exemplar. N&atilde;o cassou a concess&atilde;o imediatamente, o que poderia ter feito, j&aacute; que lhe sobravam raz&otilde;es. Simplesmente aguardou o final do per&iacute;odo concedido e n&atilde;o renovou a outorga, ato altamente leg&iacute;timo e comprovadamente legal.<\/p>\n<p>Mas o per&iacute;odo entre a pr&aacute;tica golpista da TV e a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o deu ao governo o respaldo mais importante de que ele necessitava: o popular. Ao longo dos &uacute;ltimos anos, a comunica&ccedil;&atilde;o alternativa cresceu e se consolidou (apesar de j&aacute; ter sido decisiva para abortar o golpe de Estado) e permitiu a amplia&ccedil;&atilde;o da massa cr&iacute;tica, acima mencionada. A confian&ccedil;a no governo, representada materialmente por a&ccedil;&otilde;es sociais universalistas, aumentou e est&aacute; servido de contraponto concreto &agrave;s vazias impreca&ccedil;&otilde;es da TV comercial.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; uma disputa f&aacute;cil. A TV tornou-se um dos mais eficientes instrumentos de luta ao congregar em si, al&eacute;m dos poderes econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico, a for&ccedil;a da domina&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica e a tem usado, particularmente na Am&eacute;rica Latina, com grande sucesso.<\/p>\n<p>No Peru, nos anos 1990, o ent&atilde;o assessor presidencial Vladimiro Montesinos foi condenado pela justi&ccedil;a por ter pago humoristas da TV para ridicularizarem, em seus programas, pol&iacute;ticos da oposi&ccedil;&atilde;o. Na Venezuela, at&eacute; transmiss&otilde;es esportivas foram usadas para atacar o presidente da Rep&uacute;blica. Um importante jogador de beisebol, tamb&eacute;m chamado Ch&aacute;vez, quando batia na bola era saudado pelos locutores que diziam algo como: &ldquo;esse Ch&aacute;vez sim bate na bola, n&atilde;o &eacute; como o outro que bate no povo&rdquo;.<\/p>\n<p>S&atilde;o exemplos de que a luta simb&oacute;lica ultrapassou os limites antes demarcados de um certo respeito &agrave;s figuras p&uacute;blicas e representativas da sociedade. Talvez esteja a&iacute; outra raz&atilde;o do gradativo aumento do apoio popular &agrave; decis&atilde;o do presidente Hugo Ch&aacute;vez e da grita internacional da m&iacute;dia conservadora contra ela.<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;<\/font>reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raz&otilde;es para n&atilde;o renovar a concess&atilde;o da RCTV o governo venezuelano tem de sobra. Basta ler os v&aacute;rios artigos publicados nesta Carta Maior. H&aacute; dados consistentes que, por si s&oacute;, justificam o rompimento de qualquer contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o p&uacute;blico. 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