{"id":18553,"date":"2007-06-21T15:06:05","date_gmt":"2007-06-21T15:06:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18553"},"modified":"2007-06-21T15:06:05","modified_gmt":"2007-06-21T15:06:05","slug":"foco-no-conteudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18553","title":{"rendered":"Foco no conte\u00fado"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Nesta entrevista ao e-forum, o jornalista Juliano Maur&iacute;cio de Carvalho &ndash; doutor em Comunica&ccedil;&atilde;o Social, mestre em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, vice-coordenador do Curso de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho (Unesp), al&eacute;m de membro do Conselho Deliberativo do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC) &ndash; discorre sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de TV por assinatura no Brasil.&nbsp;<\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>O tema surge em fun&ccedil;&atilde;o do an&uacute;ncio sobre uma nova licen&ccedil;a para servi&ccedil;os de TV por assinatura que est&aacute; sendo estudada pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). Juliano defende que antes de o governo tomar qualquer decis&atilde;o, seja discutida e criada uma legisla&ccedil;&atilde;o que possa incluir nas novas plataformas de servi&ccedil;os em audiovisual &ldquo;todo mundo que sempre quis estar e nunca esteve nesta converg&ecirc;ncia&rdquo;. Leia a seguir:<\/em><\/p>\n<p><\/span><span><strong>Qual &eacute; o cen&aacute;rio, hoje, da regulamenta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de TV por assinatura no Brasil?<br \/><\/strong><\/span><span>Juliano Carvalho &ndash; H&aacute; uma distor&ccedil;&atilde;o. Sempre foi uma grande incoer&ecirc;ncia termos uma regula&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita, detalhada, notadamente com os canais de acesso p&uacute;blico, os direitos do usu&aacute;rio (assinante) e o princ&iacute;pio de participa&ccedil;&atilde;o da sociedade, que s&atilde;o defendidos na Lei do Cabo, e nunca termos estendido isso &agrave;s outras tecnologias. Quem tem cabo, recebe os canais da cidade, quem tem por outra tecnologia n&atilde;o recebe.<\/p>\n<p><\/span><span>A Lei do Cabo foi uma grande conquista, e &eacute;, sem d&uacute;vida, a melhor legisla&ccedil;&atilde;o de TV por assinatura que n&oacute;s temos no mundo. Por outro lado, n&oacute;s nunca conseguimos no regulamento do MMDS nem na portaria do DTH resolver este problema. Hoje, qualquer legisla&ccedil;&atilde;o ter&aacute; que dialogar com as outras plataformas digitais, por exemplo, com a internet. No cabo, a gente tinha uma estrutura f&iacute;sica, cujo limite &eacute; o munic&iacute;pio. N&oacute;s t&iacute;nhamos um momento hist&oacute;rico no Brasil, em 1994. Hoje, o cen&aacute;rio &eacute; muito distinto, a tecnologia evoluiu e n&oacute;s n&atilde;o pens&aacute;vamos em fazer a TV a cabo conversar t&atilde;o nitidamente com a internet como n&oacute;s fazemos hoje com a tecnologia.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>A Anatel est&aacute; propondo um grupo para discutir uma padroniza&ccedil;&atilde;o para esse servi&ccedil;o. Isso &eacute; positivo?<br \/><\/strong><\/span><span>Juliano Carvalho &ndash; Perfeito. &Eacute; fun&ccedil;&atilde;o da Anatel fazer tamb&eacute;m esse trabalho. A quest&atilde;o &eacute; como a Anatel conduzir&aacute; esse processo. Temos que discutir quem pode participar deste grupo e qual o crit&eacute;rio para participa&ccedil;&atilde;o da sociedade. Muito embora possa estar assegurada a participa&ccedil;&atilde;o deste debate, que a Anatel chama de t&eacute;cnico, como &eacute; que se dar&aacute; o processo para legitimar o processo que a Anatel vai elaborar. Haver&aacute; audi&ecirc;ncia ou consulta p&uacute;blica?<\/p>\n<p><\/span><span>Se pegarmos o exemplo do grupo gestor da TV Digital, a composi&ccedil;&atilde;o com a sociedade civil estava boa, mas o processo decis&oacute;rio estava equivocado. Assim, uma vez que as propostas estejam consolidadas, como a Anatel encaminhar&aacute; isso para a regula&ccedil;&atilde;o? Isso n&atilde;o pode ser uma normatiza&ccedil;&atilde;o inferior &agrave; lei ordin&aacute;ria? Vai desembocar numa proposta que ser&aacute; encaminhada ao minist&eacute;rio, ou vai baixar uma resolu&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><\/span><span>Na minha opini&atilde;o, duas coisas t&ecirc;m que orientar esse novo servi&ccedil;o: primeiro, que seja via lei ordin&aacute;ria, porque a for&ccedil;a de uma lei &eacute; diferente de uma portaria da Anatel, porexemplo, caso o governo escolha essa op&ccedil;&atilde;o. Segundo, que a Anatel fa&ccedil;a a proposta, mas n&atilde;o regule. Que isso seja uma regula&ccedil;&atilde;o do Estado, do Congresso Nacional, e n&atilde;o de &oacute;rg&atilde;o regulador. O que est&aacute; se desenhando &eacute; que possa vir uma regula&ccedil;&atilde;o muito moderna, mas na forma de uma portaria na Anatel. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Neste caso, qual seria o problema?<br \/><\/strong><\/span><span>Juliano Carvalho &ndash; O problema disso &eacute; que se trocar a dire&ccedil;&atilde;o da Anatel, pode trocar a norma, ou fazerem emendas &quot;ao apagar das luzes&quot;, em qualquer momento, como n&oacute;s j&aacute; vimos em diversos momentos da hist&oacute;ria. Se pegarmos a portaria que antecedeu a Lei do cabo, ela foi no apagar das luzes do governo Sarney. A portaria que regulamentou TV por assinatura por UHF, que foi a primeira modalidade de TV por assinatura, tamb&eacute;m foi ao apagar das luzes do governo Sarney, quando o ACM era ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p><\/span><span>O problema, se deixar acontecer por regulamento, portaria, resolu&ccedil;&atilde;o, independente do &oacute;rg&atilde;o &ndash; se minist&eacute;rio ou Anatel &ndash; isso pode ser alterado a qualquer momento sem nenhum outro crit&eacute;rio que n&atilde;o seja o de atender aos interesses pol&iacute;ticos de quem est&aacute; naquela fun&ccedil;&atilde;o.<br \/><\/span><span><br \/>Ent&atilde;o, n&oacute;s queremos assegurar aquilo que foi conquistado na Lei do Cabo, porque, na vis&atilde;o do FNDC, ela &eacute; modelo. Notadamente nos aspectos de assegurar os canais p&uacute;blicos, inclusive com amplia&ccedil;&atilde;o para outros que vieram depois, e assegurar os direitos do usu&aacute;rio. Depois, os outros princ&iacute;pios, de envolver o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade, eu acho que vai depender muito mais do espa&ccedil;o regulat&oacute;rio do que estar no texto da lei. No momento atual, esse texto tem que ser enxuto, e a sociedade tem que ser ouvida na elabora&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o, da regula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Essa discuss&atilde;o deve ser feita previamente, ent&atilde;o.<br \/><\/strong><\/span><span>Juliano Carvalho &ndash; O FNDC sempre criticou o que chama de &ldquo;situa&ccedil;&atilde;o de fato&rdquo;, que &eacute; quando os empres&aacute;rios montam os servi&ccedil;os, e depois &eacute; que vem a lei, ent&atilde;o eles entram sem concorr&ecirc;ncia nenhuma. O que est&aacute; acontecendo agora, &eacute; que embora existam operadoras de TV por assinatura, existem v&aacute;rios servi&ccedil;os que ainda n&atilde;o est&atilde;o regulamentando ou ainda n&atilde;o existem, mas est&atilde;o a&iacute; propensamente, em fun&ccedil;&atilde;o das tecnologias. O &oacute;rg&atilde;o regulador, neste caso, &eacute; a Anatel, mas o Estado montar um grupo de trabalho para pensar uma melhor proposta n&atilde;o est&aacute; errado. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>O FNDC defende a regula&ccedil;&atilde;o por conte&uacute;do, o que significa isso?<br \/><\/strong><\/span><span>Juliano Carvalho &ndash; Significa que queremos saber do conte&uacute;do veiculado. Queremos assegurar conte&uacute;do de canal comunit&aacute;rio, direitos do usu&aacute;rio. N&atilde;o importa qual for a tecnologia, n&oacute;s temos que assegurar isso. E para fazer isso, temos que mudar a legisla&ccedil;&atilde;o, mas isso n&atilde;o pode significar a perda do que n&oacute;s j&aacute; conquistamos na Lei do Cabo. N&atilde;o &eacute; correto que, do ponto de vista regulat&oacute;rio, criemos uma nova legisla&ccedil;&atilde;o que inclua todas as tecnologias e o cabo fique sozinho numa lei, por mais moderna que ela seja. N&atilde;o faz sentido do ponto de vista regulat&oacute;rio. A partir da l&oacute;gica da converg&ecirc;ncia, n&oacute;s precisamos construir uma lei geral. <\/p>\n<p><\/span><span>A perspectiva de democratiza&ccedil;&atilde;o via regula&ccedil;&atilde;o, que &eacute; o que o F&oacute;rum defende, tem que pressupor a jun&ccedil;&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o. A Lei do Cabo &eacute; um bom modelo, mas a gente tem que ter proposta al&eacute;m, que discuta inclusive como se pode pensar em direitos do usu&aacute;rio, que canais ser&atilde;o contemplados com essa nova legisla&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, como vamos equacionar a quest&atilde;o dos canais comunit&aacute;rios, dos universit&aacute;rios, no caso do sat&eacute;lite? <\/p>\n<p><\/span><span>A quest&atilde;o, para a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; discutir quem vai ter melhor compet&ecirc;ncia, melhor efic&aacute;cia, melhor proposta de neg&oacute;cio para esse mercado, quem vai engolir quem. O foco, para n&oacute;s, &eacute; democratizar o conte&uacute;do. As empresas de telefonia, os radiodifusores, as operadoras de TV por assinatura s&atilde;o for&ccedil;as econ&ocirc;micas muito distintas e, prestando o mesmo servi&ccedil;o, a m&eacute;dio e longo prazo, isso pode significar um enfrentamento desigual do ponto de vista do mercado audiovisual brasileiro. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>A entrada das Teles no servi&ccedil;o de TV por assinatura inviabiliza o neg&oacute;cio das operadoras que j&aacute; existem?<br \/><\/strong><\/span><span>Juliano Carvalho &ndash; O problema do enfrentamento desigual no audiovisual brasileiro se resove pensando em toda a cadeia produtiva, com todos os suportes de TV por assinatura sob nova regula&ccedil;&atilde;o, TV digital com converg&ecirc;ncia, com Web, R&aacute;dio digital. Esse &eacute; o nosso argumento econ&ocirc;mico. Vai haver uma mudan&ccedil;a na cadeia produtiva. Hoje, a audi&ecirc;ncia que o You Tube tem, a produ&ccedil;&atilde;o caseira de v&iacute;deo, vai invertendo o modo de produ&ccedil;&atilde;o do audiovisual. Se a gente n&atilde;o considerar isso, a gente vai fazer a leitura sempre olhando para a Rede Globo, olhando para a Embratel. <\/p>\n<p><\/span><span>A propriedade da Telef&ocirc;nica, da Embratel, assim como a da Rede Globo, n&atilde;o &eacute; problema nosso, a n&atilde;o ser no sentido da renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o. Agora, o que vai trafegar ali interessa &agrave; sociedade. Porque a&iacute; &eacute; que entra a produ&ccedil;&atilde;o de subjetividades, que tem impacto do ponto de vista &eacute;tico, seja de entretenimento, seja jornal&iacute;stico, seja o que for. Ent&atilde;o, n&oacute;s temos que mexer na lei das Teles, pra dizer claramente que as opera&ccedil;&otilde;es em telecomunica&ccedil;&atilde;o, quando trafegam entretenimento e conte&uacute;do &ndash; que n&atilde;o seja simplesmente interpessoal, como a conversa ao telefone, ou tr&aacute;fego de dados meramente comercial ou atendimento de transporte de informa&ccedil;&otilde;es &ndash; t&ecirc;m que ser discutido &agrave;s claras da regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Quando a gente pensa em converg&ecirc;ncia, qual &eacute; a diferen&ccedil;a entre telefone e televis&atilde;o? Nenhuma. As plataformas conversam, ent&atilde;o a l&oacute;gica &eacute; que as regras devem ser de participa&ccedil;&atilde;o da sociedade. Se as teles, com seu poderio econ&ocirc;mico, querem entrar no neg&oacute;cio, ent&atilde;o vamos discutir a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. Vamos fazer todo o debate de telefonia para tudo o que for transmiss&atilde;o de dados que n&atilde;o envolva s&oacute; a voz, mas envolva conte&uacute;do, entretenimento. Vamos discutir no &acirc;mbito da Lei Geral de Comunica&ccedil;&atilde;o Eletr&ocirc;nica de Massa, ou seja qual o nome que venha ter essa legisla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00f3rum Nacional pela Democratiza\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o defende lei para os servi\u00e7os de TV por assinatura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[289,290],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18553"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18553\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}