{"id":18534,"date":"2007-06-19T15:05:06","date_gmt":"2007-06-19T15:05:06","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18534"},"modified":"2007-06-19T15:05:06","modified_gmt":"2007-06-19T15:05:06","slug":"democracia-da-rede-globo-nao-resiste-a-menor-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18534","title":{"rendered":"Democracia da Rede Globo n\u00e3o resiste \u00e0 menor an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>A defesa da democracia feita a todo o momento pela Rede Globo &eacute; na verdade uma grande mentira &#8211; e uma hipocrisia. Na pr&aacute;tica, os diretores da V&ecirc;nus Platinada n&atilde;o adotam esta postura, como demonstra um fato ocorrido nestes dias. Integrantes da chapa 2, Luta Fenaj, que se op&otilde;em &agrave; atual diretoria da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es da entidade (16 a 18 de julho), foram &agrave; sede da emissora para apresentar aos jornalistas que l&aacute; trabalham a plataforma desta corrente, que, por sinal, passa pela defesa intransigente da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Na entrada da emissora, na rua Von Martius, no Jardim Bot&acirc;nico, os integrantes, entre os quais o candidato a presidente da chapa, Dorgil Marinho, dirigente do Clube de Imprensa de Bras&iacute;lia, n&atilde;o receberam autoriza&ccedil;&atilde;o para entrar. Os jornalistas queriam aproveitar a passagem de Dorgil pelo Rio para ir &agrave; Rede Globo, como foram em outras empresas jornal&iacute;sticas para exercer o prosaico direito de divulgar entre seus pares as suas propostas. <\/p>\n<p><\/span><span>Depois disso, os jornalistas do Luta Fenaj protocolaram uma carta para o diretor geral da Rede Globo, Calos Henrique Schroeder, com o pedido formal de autoriza&ccedil;&atilde;o para o ingresso nas reda&ccedil;&otilde;es da empresa. Foi lembrado no pedido que faz parte da democracia o contato de candidatos de uma chapa sindical com a sua base. <\/p>\n<p><\/span><span>Schroeder simplesmente n&atilde;o deu nenhum tipo de resposta, a forma que a Rede Globo encontra para negar pedidos que n&atilde;o agradam a empresa. Este mesmo Schroeder agiu do mesmo modo quando do tr&aacute;gico epis&oacute;dio que resultou no assassinato do jornalista Tim Lopes. Nenhum tipo de resposta foi dado aos jornalistas que quiseram aprofundar a quest&atilde;o e n&atilde;o aceitaram a vers&atilde;o oficial da Rede Globo sobre o caso do rep&oacute;rter. Isto &eacute; democracia? Isto &eacute; liberdade de imprensa? A Rede Globo deu toda a cobertura &agrave;s homenagens pelo quinto ano da morte de Tim Lopes, inclusive divulgando com maior estardalha&ccedil;o outdoors em v&aacute;rios bairros do Rio, uma realiza&ccedil;&atilde;o da Fenaj e do Sindicato dos jornalistas cariocas. E quem teria bancado a campanha publicit&aacute;ria? <\/p>\n<p><\/span><span>Em outros tristes epis&oacute;dios em que jornalistas foram assassinados, a Fenaj n&atilde;o teve o mesmo tipo de procedimento como no caso de Tim Lopes. Recentemente, at&eacute; lan&ccedil;ou uma nota condenando o assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbom Filho, de 37 anos, mas colocou em d&uacute;vida sua condi&ccedil;&atilde;o de jornalista. Luiz Carlos foi morto a tiros por denunciar, em reportagens, a pedofilia praticada por vereadores de uma cidade no interior de S&atilde;o Paulo. Esquizofrenicamente, a diretoria da Fenaj chegou a dizer textualmente que &quot;Luiz Carlos Barbom Filho, apesar de se auto-intitular, n&atilde;o era jornalista de fato e de direito&quot; e que &quot;o jornal de sua propriedade, Realidade, foi fechado pois nunca esteve regularizado&quot;. Se dependesse da diretoria da Fenaj, a opini&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o saberia o motivo pelo qual o jornalista fora assassinado. <\/p>\n<p><\/span><span>Quando jornalistas da pr&oacute;pria Rede Globo questionam a emissora, como aconteceu recentemente com o rep&oacute;rter Rodrigo Viana, que denunciou a cobertura facciosa das &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, a dire&ccedil;&atilde;o obriga seus funcion&aacute;rios a assinarem uma nota de defesa da empresa, nota esta que acabou sendo firmada pela atual diretora da Fenaj, Beth Costa, uma das editoras do Jornal Nacional. <\/p>\n<p><\/span><span>Quando uma sindicalista adota esse procedimento, compromete a pr&oacute;pria diretoria sindical da entidade a que pertence, at&eacute; porque para assinar um documento dessa natureza a sindicalista provavelmente consultou a dire&ccedil;&atilde;o da Fenaj. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Bombardeio midi&aacute;tico conservador<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>&Eacute; importante a opini&atilde;o p&uacute;blica ser informada sobre o fato, sobretudo neste momento em que a TV Globo quase diariamente faz uma verdadeira lavagem cerebral para induzi-la a acreditar que a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o do canal da RCTV, na Venezuela, &eacute; um ato arbitr&aacute;rio contra a democracia e a liberdade de imprensa. A Rede Globo n&atilde;o &eacute; imparcial; defende interesses econ&ocirc;micos poderosos, os seus em particular. Querem os diretores, como Schroeder ou Ali Kamel, evitar que o p&uacute;blico brasileiro seja informado de que v&aacute;rios canais de televis&atilde;o nacionais, alguns deles afiliados &agrave; Globo, ter&atilde;o que ter renovadas as suas licen&ccedil;as para continuar ocupando o espectro eletro-eletr&ocirc;nico, as tais ondas hertezianas, como preferem alguns. <\/p>\n<p><\/span><span>Diferentemente da legisla&ccedil;&atilde;o venezuelana, aqui no Brasil a renova&ccedil;&atilde;o passa pelo Congresso, cujos integrantes evitam tamb&eacute;m colocar o tema em discuss&atilde;o. Se por acaso algu&eacute;m lembrar ou questionar a necessidade de ao menos se discutir a mat&eacute;ria, os bar&otilde;es da m&iacute;dia conservadora colocar&atilde;o esta figura fora do circuito informativo. Em outras palavras, quem exigir algum tipo de debate sobre o tema vai cair no ostracismo, sobretudo na Rede Globo. Querem um exemplo concreto? O ex-senador Saturnino Braga, quando era deputado, nos anos 60, presidiu a Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito sobre o grupo Time-Life, o tal que favoreceu ilegalmente a Globo, ajudando a emissora da fam&iacute;lia Marinho a dar a sua arrancada. A consolida&ccedil;&atilde;o, vale sempre lembrar, aconteceu no per&iacute;odo ditatorial em que a V&ecirc;nus Platinada tornou-se na pr&aacute;tica um &oacute;rg&atilde;o oficial dos generais de plant&atilde;o que comandavam o pa&iacute;s a ferro e fogo. Saturnino deixou de aparecer na tela da Globo durante mais de 30 anos, mesmo no per&iacute;odo em que foi prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Foi a vingan&ccedil;a. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Debate que n&atilde;o pode ser evitado<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Diante destes e muitos outros fatos, que passam pela manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o mais recente e em outros per&iacute;odos, como o caso Proconsult (elei&ccedil;&atilde;o no Estado do Rio de Leonel Brizola em 1982), a elei&ccedil;&atilde;o presidencial de 1989 e a de 2007, a constante criminaliza&ccedil;&atilde;o do movimento social, em particular do MST, a cobertura sobre a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o do canal da RCTV na Venezuela e os espa&ccedil;os concedidos a figuras que demonstram seu &oacute;dio contra o Presidente Hugo Ch&aacute;vez, com mentiras e meias verdades, podemos afirmar, sem medo de cometer injusti&ccedil;a, que a Rede Globo n&atilde;o &eacute; democr&aacute;tica. Seu jornalismo se caracteriza pela manipula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e pela ado&ccedil;&atilde;o do esquema do pensamento &uacute;nico. De vez em quando, numa tentativa de demonstrar que d&aacute; espa&ccedil;o para o outro lado, apresenta uma ou outra opini&atilde;o contr&aacute;ria a um determinado fato, mas que basicamente n&atilde;o afeta no computo geral. <\/p>\n<p><\/span><span>Esta &eacute; uma realidade que pol&iacute;ticos e alguns sindicatos de jornalistas e mesmo a atual diretoria da Fenaj n&atilde;o enfrentam. Preferem silenciar ou, de vez em quando, tamb&eacute;m lan&ccedil;ar notas oficiais que n&atilde;o passam de ret&oacute;rica. Na pr&aacute;tica, como no caso Tim Lopes, por exemplo, vestiram at&eacute; a camisa da Rede Globo, a empregadora do rep&oacute;rter assassinado. <\/p>\n<p><\/span><span>Outras Globos existem no Brasil e na Am&eacute;rica Latina, como a RCTV, que n&atilde;o foi fechada, como afirmam a todo o momento articulistas not&oacute;rios, mas apenas n&atilde;o teve o canal aberto renovado, mas continua com direito de funcionar como TV a cabo, via sat&eacute;lite ou na Internet. <br \/><\/span><span>Este patronato est&aacute; preocupado, isto sim, com a quebra do monop&oacute;lio exercido por algumas fam&iacute;lias na &aacute;rea midi&aacute;tica aqui no Brasil e ainda pelo fato de que, apesar das restri&ccedil;&otilde;es do conservadorismo, a quest&atilde;o da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute; ganhando a cada dia novos espa&ccedil;os de discuss&atilde;o e de apoio. Ou seja, parte consider&aacute;vel da opini&atilde;o p&uacute;blica come&ccedil;a a entender que n&atilde;o se pode aprofundar o processo democr&aacute;tico sem a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, para evitar que vers&otilde;es sobre determinados fatos virem verdades absolutas. <\/p>\n<p><\/span><span>O processo de discuss&atilde;o seguir&aacute; adiante, independente da vontade dos big-shots midi&aacute;ticos. O &oacute;dio a Ch&aacute;vez, um dos poucos governantes latino-americanos que enfrenta o poder do monop&oacute;lio midi&aacute;tico, vai aumentar. Por&eacute;m, quer queiram ou n&atilde;o Condoleezza Rice e os papagaios de pirata do Departamento de Estado norte-americano, a hist&oacute;ria n&atilde;o acabou, muito menos a discuss&atilde;o sobre a democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia pode ser detida. <\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p><span>&Eacute; por a&iacute; que se explica a postura da Rede Globo de Televis&atilde;o e de figuras menos votadas nos mais diversos setores. <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em><\/p>\n<p>*&nbsp;M&aacute;rio Augusto Jakobskind &eacute; jornalista e escritor. Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus, rep&oacute;rter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente da R&aacute;dio Centen&aacute;ria de Montevideo, al&eacute;m de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989 a 2004) e editor em portugu&ecirc;s da revista cubana Prisma (1988 a 1989). Atualmente &eacute; correspondente do seman&aacute;rio uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato. &Eacute; autor, entre outros, dos livros Am&eacute;rica Que N&atilde;o Est&aacute; na M&iacute;dia (Adia, 2006), Dossi&ecirc; Tim Lopes &#8211; Fant&aacute;stico\/Ibope (Europa, 2004), A Hora do Terceiro Mundo (Achiam&ecirc;, 1982), Am&eacute;rica Latina &#8211; Hist&oacute;rias de Domina&ccedil;&atilde;o e Liberta&ccedil;&atilde;o (Papirus, 1985) e Cuba &#8211; apesar do bloqueio, um rep&oacute;rter carioca em Cuba (Ato Editorial, 1986).<br \/><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><em><br \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A defesa da democracia feita a todo o momento pela Rede Globo &eacute; na verdade uma grande mentira &#8211; e uma hipocrisia. 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