{"id":18526,"date":"2007-06-19T11:55:19","date_gmt":"2007-06-19T11:55:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18526"},"modified":"2007-06-19T11:55:19","modified_gmt":"2007-06-19T11:55:19","slug":"emissoras-recusam-reivindicacoes-de-feministas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18526","title":{"rendered":"Emissoras recusam reivindica\u00e7\u00f5es de feministas"},"content":{"rendered":"<p>S&Atilde;O PAULO &ndash; Tudo parecia caminhar para um consenso, at&eacute; os interesses comerciais se imporem. Em abril passado, ap&oacute;s uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica convocada pela Procuradoria dos Direitos do Cidad&atilde;o em S&atilde;o Paulo, entidades do movimento feminista e emissoras de televis&atilde;o aceitaram abrir um di&aacute;logo para debater as formas de representa&ccedil;&atilde;o da mulher na m&iacute;dia. A audi&ecirc;ncia foi resultado de uma representa&ccedil;&atilde;o entregue pelas entidades ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF) solicitando direito de resposta nas TVs. De acordo com as organiza&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de muitos perfis de mulher serem invis&iacute;veis &agrave; m&iacute;dia, aquele que &eacute; refor&ccedil;ado as retrata de forma estereotipada. Teve in&iacute;cio ent&atilde;o uma s&eacute;rie de encontros das entidades com cada uma das emissoras, para discutir sua grade de programa&ccedil;&atilde;o. Participaram desta rodada Bandeirantes, Gazeta, Globo, MTV, Cultura, Record, SBT e Rede TV! <\/p>\n<p>Na &uacute;ltima quinta-feira (14), todas se reuniram no MPF em S&atilde;o Paulo para um acordo extra-judicial, mediado pela procuradoria. As organiza&ccedil;&otilde;es feministas abriram m&atilde;o do direito de resposta solicitado inicialmente e apresentaram &agrave;s emissoras uma proposta alternativa, baseada no seguinte trip&eacute;:<\/p>\n<p>&#8211; um calend&aacute;rio de cobertura de pautas e campanhas institucionais, que dessem visibilidade a datas e temas importantes para as mulheres, como a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, da desigualdade de g&ecirc;nero no trabalho e da mortalidade materna. <\/p>\n<p>&#8211; um ou dois programas para discutir um tema de interesse m&uacute;tuo &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es e emissoras<\/p>\n<p>&#8211; uma mesa de di&aacute;logo permanente, que j&aacute; havia sido proposta na audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, de forma que as organiza&ccedil;&otilde;es pudessem contribuir constantemente no debate sobre a representa&ccedil;&atilde;o da mulher na TV. A mesa tamb&eacute;m seria um espa&ccedil;o de retorno para as emissoras de como a sociedade recebia sua programa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&ldquo;Percebemos que uma semana de direito de resposta, de certa forma, assustava as emissoras; isso interromperia sua programa&ccedil;&atilde;o de forma brusca. Ent&atilde;o, para atingir o objetivo de resgatar a auto-estima da mulher e de faz&ecirc;-la se sentir representada da melhor forma, fizemos uma proposta para compatibilizar a programa&ccedil;&atilde;o de cada emissora, seu p&uacute;blico, e nossa reivindica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, explicou a psic&oacute;loga Raquel Moreno, do Observat&oacute;rio da Mulher, uma das entidades envolvidas no processo. Segundo ela, durante as reuni&otilde;es, muitas emissoras se mostraram aberta a esta proposta.<\/p>\n<p>No momento de selar o acordo diante do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, no entanto, as emissoras recuaram. Representadas pela Abert (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras e R&aacute;dio e Televis&atilde;o) e pela Abra (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores) elas afirmaram que n&atilde;o aceitam nenhuma &ldquo;interfer&ecirc;ncia externa&rdquo; na organiza&ccedil;&atilde;o da sua programa&ccedil;&atilde;o. Falando em nome da Bandeirantes e da Rede TV!, o assessor da Abra disse que a prerrogativa da organiza&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o &eacute; das emissoras.<\/p>\n<p>&ldquo;O di&aacute;logo com a sociedade civil &eacute; fundamental e tem que ser estimulado. Mas ningu&eacute;m pode interferir no que as emissoras desejam. Por isso elas n&atilde;o v&ecirc;em como acatar um direito de resposta ou qualquer monitoramento da programa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, explicou Walter Vieira Ceneviva.<\/p>\n<p>Rodolfo Machado, assessor da Abert &ndash; que na ocasi&atilde;o representava a Globo, o SBT, Gazeta, Rede Mulher, Rede Vida, Record e Grupo Abril &ndash;, tamb&eacute;m disse que as emissoras n&atilde;o acatariam nenhum dos pedidos. &ldquo;Queremos manter o di&aacute;logo com a sociedade civil, mas sem passar pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico. Nos sentimos sobre a mira de algo que querem nos impor que temos condi&ccedil;&otilde;es de acatar sem um procedimento administrativo&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o das associa&ccedil;&otilde;es foi corroborada individualmente por cada uma das emissoras. &ldquo;A Globo j&aacute; tem um canal de comunica&ccedil;&atilde;o com o telespectador para receber sugest&otilde;es e trabalhar de forma volunt&aacute;ria com a programa&ccedil;&atilde;o. Sempre estivemos abertos, mas vamos receber e utilizar ou n&atilde;o sugest&otilde;es de acordo com o interesse da Globo&rdquo;, disse Juliana Martins. &ldquo;N&atilde;o pretendemos assinar nenhum documento que nos obrigue a fazer alguma coisa. Os conte&uacute;dos s&atilde;o relevantes, temos apre&ccedil;o em receber o material. Mas tudo ser&aacute; analisado no aspecto do interesse da emissora e nunca de forma compuls&oacute;ria&rdquo;, concordou Marin&ecirc;s Rodrigues, superintendente de programa&ccedil;&atilde;o da Gazeta. &ldquo;Est&atilde;o usando o MP para intimidar as emissoras. N&atilde;o aceitamos inger&ecirc;ncia e fiscaliza&ccedil;&atilde;o constante, como se isso fosse Cuba ou Venezuela&rdquo;, retrucou Alexandre Barros, da Bandeirantes.<\/p>\n<p><strong>Concess&otilde;es p&uacute;blicas<\/p>\n<p><\/strong>De acordo com a Procuradoria dos Direitos do Cidad&atilde;o, a id&eacute;ia n&atilde;o &eacute; promover inger&ecirc;ncia alguma na programa&ccedil;&atilde;o das emissoras, que s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas, mas chegar a um ponto comum de interesses. &ldquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal veda qualquer forma de preconceito contra a mulher. Sabemos que na TV h&aacute; v&aacute;rios grupos estigmatizados. Buscamos aqui um acordo que valorize imagem da mulher na televis&atilde;o&rdquo;, explicou a procuradora Adriana Fernandes. <\/p>\n<p>&ldquo;Buscamos um espa&ccedil;o de compatibiliza&ccedil;&atilde;o. Se um movimento procura o Minist&eacute;rio P&uacute;blico &eacute; porque n&atilde;o est&aacute; se sentindo representado. As mulheres adaptaram ao m&aacute;ximo seu pedido; agora estamos vendo como conciliar interesses. Se o discurso do di&aacute;logo se concretizasse na pr&aacute;tica, n&atilde;o precisar&iacute;amos estar aqui. J&aacute; sabemos o que as emissoras fazem em termos de programa&ccedil;&atilde;o. A id&eacute;ia agora &eacute; fazer mais, levando em conta o interesse das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil&rdquo;, completou a procuradora In&ecirc;s Virg&iacute;nia.<\/p>\n<p>A MTV foi mais flex&iacute;vel, e se disp&ocirc;s a realizar campanhas de interesse das mulheres e programas que discutissem assuntos importantes para a igualdade de g&ecirc;nero. A emissora j&aacute; trabalha da mesma forma em parceria com organiza&ccedil;&otilde;es de defesa dos direitos da crian&ccedil;a e do adolescente. No entanto, tamb&eacute;m se recusou a assinar qualquer documento que estabelecesse como esta parceria pode ser estabelecida. A TV Cultura acaba de trocar sua dire&ccedil;&atilde;o e se comprometeu a realizar uma reuni&atilde;o em agosto com as entidades para discutir como melhor contemplar a quest&atilde;o feminina em sua programa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Na opini&atilde;o das entidades feministas, h&aacute; um receio das emissoras em se abrir um precedente deste tipo. Outros movimentos se sentiriam, com raz&atilde;o, legitimados a procurar o Minist&eacute;rio P&uacute;blico para reivindicar outra forma de representa&ccedil;&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Como n&atilde;o houve acordo de in&iacute;cio, a Procuradoria dos Direitos do Cidad&atilde;o se reunir&aacute; separadamente com cada uma das partes. Ao t&eacute;rmino da reuni&atilde;o, as organiza&ccedil;&otilde;es decidiram apresentar uma nova proposta: a sugest&atilde;o de quatro temas para campanhas e de dois temas para programas, que ficariam &agrave; escolha das emissoras. Seria necess&aacute;rio, no entanto, que elas assumissem o compromisso de veicul&aacute;-los.<\/p>\n<p><span>&ldquo;Isso &eacute; o m&iacute;nimo que elas podem fazer. Quando nos reunimos, acreditamos na boa vontade demonstrada. Mas hoje vimos a prova de que as emissoras n&atilde;o est&atilde;o realmente abertas. <\/span>Nos sentimos desrespeitadas. Fizeram ao vivo o que fazem conosco diariamente na televis&atilde;o. Isso s&oacute; mostra que nossa reivindica&ccedil;&atilde;o &eacute; leg&iacute;tima e que seguiremos lutando por isso&rdquo;, concluiu a jornalista Terezinha Vicente Ferreira, da Marcha Mundial das Mulheres.<\/p>\n<p>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tentativa de acordo promovida pela Procuradoria dos Direitos do Cidad\u00e3o foi frustrada depois que TVs negaram pedido de veicular pautas, programas e campanhas propostas por entidades do movimento de mulheres. MTV e TV Cultura se mostram mais abertas ao di\u00e1logo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[284],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18526"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18526"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18526\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}