{"id":18518,"date":"2007-06-14T11:12:05","date_gmt":"2007-06-14T11:12:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18518"},"modified":"2014-09-07T02:53:28","modified_gmt":"2014-09-07T02:53:28","slug":"tvs-publicas-reproduzem-preconceitos-raciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18518","title":{"rendered":"TVs p\u00fablicas reproduzem preconceitos raciais"},"content":{"rendered":"<p><span>A cr&iacute;tica dos movimentos sociais e das entidades que tratam da quest&atilde;o racial sobre a aus&ecirc;ncia da cultura afro-descendente na televis&atilde;o brasileira &eacute; recorrente e oportuna. Diversos estudos demonstram como as TVs comerciais exploram os preconceitos constru&iacute;dos historicamente na sociedade brasileira, afirmando-os e reproduzindo-os. Na teledramaturgia, o negro representado em posi&ccedil;&otilde;es subalternas &eacute; constante e, no jornalismo, a aus&ecirc;ncia de apresentadores negros tamb&eacute;m &eacute; evidente. <\/p>\n<p>No entanto, uma pesquisa recente vem questionar tamb&eacute;m a responsabilidade das TVs p&uacute;blicas na inser&ccedil;&atilde;o do afro-descendente e de sua cultura no imagin&aacute;rio social. A Funda&ccedil;&atilde;o Cultural Palmares, ligada ao Minist&eacute;rio da Cultura, divulgou estudo em que aponta, com base nas programa&ccedil;&otilde;es da TV Cultura de S&atilde;o Paulo, da TVE Brasil do Rio de Janeiro e da TV Nacional, da Radiobr&aacute;s (com sede em Bras&iacute;lia), a enorme disparidade existente entre euro-descendentes, afro-descendentes e indio-descendentes, tanto nos temas tratados na programa&ccedil;&atilde;o quanto no pr&oacute;prio corpo de jornalistas.<\/p>\n<p><\/span><span>Considerando as tr&ecirc;s emissoras, os temas sobre ra&ccedil;a ou cultura negra n&atilde;o ultrapassaram 17,6% dos programas n&atilde;o-ficcionais, sendo que destes, apenas 0,9% era destinado a promover a cultura afro-descendente. Esta sub-representa&ccedil;&atilde;o contrasta com a diversidade racial e com o pluralismo cultural presente na sociedade brasileira.<\/p>\n<p><\/span><span>Nos dados aferidos pela Funda&ccedil;&atilde;o, observa-se que a TV Cultura de S&atilde;o Paulo, dentre as emissoras pesquisadas, &eacute; quem dedica mais espa&ccedil;o &agrave; cultura afro-descendente e, mesmo assim, de forma insuficiente. Incluindo os programas que trataram de forma parcial ou total a tem&aacute;tica ra&ccedil;a ou cultura negra, n&atilde;o se chegou a 25% da programa&ccedil;&atilde;o semanal da TV paulista. A TV Nacional de Bras&iacute;lia vem em seguida, com quase 20%. O caso mais preocupante &eacute; o da TVE Brasil do Rio de Janeiro que, segundo a pesquisa, n&atilde;o chega a destinar 12% da sua programa&ccedil;&atilde;o &agrave; tem&aacute;tica negra, mesmo que de forma subjacente. Em todas elas, no entanto, verifica-se a predomin&acirc;ncia de programas que tratam apenas parcialmente da cultura afro-descendente. Apenas uma pequena parcela, que n&atilde;o chega a 10% (na m&eacute;dia das tr&ecirc;s emissoras), &eacute; dedicada exclusivamente &agrave; tem&aacute;tica racial ou &agrave; cultura negra.<\/p>\n<p><\/span><span>Quando se trata da presen&ccedil;a de apresentadores e jornalistas negros na programa&ccedil;&atilde;o, a disparidade se mant&eacute;m. Apesar de constatar que os afro-descendentes s&atilde;o escalados inclusive em espa&ccedil;os de maior evid&ecirc;ncia, a pesquisa demonstra que as TVs p&uacute;blicas ainda n&atilde;o conseguem superar o padr&atilde;o das TVs comerciais.<\/p>\n<p><\/span><span>Para Dilma de Mello Silva, professora de cultura brasileira da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes da USP, al&eacute;m da presen&ccedil;a escassa, os temas ligados &agrave; cultura negra s&atilde;o tratados de maneira &ldquo;espetacularizada&rdquo;, como no caso da &Aacute;frica, quando se opta pelo sensacionalismo e pela explora&ccedil;&atilde;o da fome e de outras mazelas no continente. Segundo a professora, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o est&atilde;o em sintonia com a sociedade brasileira como um todo, que &eacute; racista. &ldquo;A televis&atilde;o apenas enfatiza os preconceitos, reproduzindo estere&oacute;tipos negativos&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p><\/span><span>Beth Carmona, diretora-executiva da TVE Brasil, uma das emissoras pesquisadas pela Funda&ccedil;&atilde;o Palmares, defende que esta n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o espec&iacute;fica da televis&atilde;o, mas da sociedade brasileira como um todo. &ldquo;N&atilde;o que a TV esteja certa, mas ela expressa o que h&aacute; na sociedade&rdquo;. Para Carmona, os preconceitos presentes na sociedade se refletem, inclusive, na mentalidade dos jornalistas. &ldquo;N&atilde;o podemos esquecer que jornalismo se faz em equipe, n&atilde;o de uma &uacute;nica cabe&ccedil;a. Temos que mudar a mentalidade do jornalismo brasileiro&rdquo;.<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>Caminhos e desafios<\/strong><\/span><span><br \/>Segundo a diretora-executiva da TVE, existem iniciativas que buscam a inser&ccedil;&atilde;o dos afro-descendentes na programa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;H&aacute; alguns movimentos nesse sentido. Todos os anos, a TVE faz a Semana da Consci&ecirc;ncia Negra, carregando toda a programa&ccedil;&atilde;o com temas da cultura afro-descendente. No hor&aacute;rio nobre temos uma &acirc;ncora negra, e h&aacute; muitos outros na equipe de jornalistas. Acredito que estamos mais avan&ccedil;ados do que a pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o Palmares sugere, mas sabemos que ainda &eacute; insuficiente e que a resposta passa pelo corpo de profissionais&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Comunicadores e ativistas concordam que a TV p&uacute;blica tem papel fundamental na afirma&ccedil;&atilde;o e na valoriza&ccedil;&atilde;o da cultura afro-descendente. Apesar das iniciativas pontuais das emissoras de car&aacute;ter p&uacute;blico, uma maior igualdade racial nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o ainda parece distante de efetivar-se plenamente. Por isso, parece imprescind&iacute;vel que o Estado tamb&eacute;m assuma a responsabilidade de garantir eq&uuml;idade na m&iacute;dia brasileira, na elabora&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, e na exposi&ccedil;&atilde;o de temas e de pessoas com diferentes matrizes raciais.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; o que defende Dilma de Mello e Silva, ou seja, a id&eacute;ia de que o Estado deve garantir, por meio de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas espec&iacute;ficas, o direito democr&aacute;tico de que todo segmento populacional tenha seus semelhantes ocupando postos relevantes na sociedade. Para a professora, conseguir traduzir boas inten&ccedil;&otilde;es em resultados concretos passa por uma defini&ccedil;&atilde;o de prioridades. &ldquo;Cabe ao Estado promover pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que assegurem a presen&ccedil;a dos negros na TV. Uma possibilidade seria a implementa&ccedil;&atilde;o de cotas. Mas &eacute; fundamental que as TVs p&uacute;blicas estimulem novos talentos e a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos que contemplem a cultura afro-descendente, inclusive direcionando recursos para isso&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18103\">Para ter acesso &agrave; pesquisa, clique aqui.<\/a>&nbsp;<\/p>\n<p><span>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;permitida a reprodu&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte original.<\/span>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Palmares revela que, mesmo nas emissoras consideradas p\u00fablicas (TV Cultura, TVE e TV Nacional), h\u00e1 enorme disparidade no tratamento dado a brancos e negros, tanto nos temas tratados na programa\u00e7\u00e3o quanto na composi\u00e7\u00e3o do corpo de jornalistas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[283],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18518"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18518"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18518\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27740,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18518\/revisions\/27740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}