{"id":18513,"date":"2007-06-13T14:50:25","date_gmt":"2007-06-13T14:50:25","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18513"},"modified":"2007-06-13T14:50:25","modified_gmt":"2007-06-13T14:50:25","slug":"jornal-deve-indenizar-juiz-acusado-na-operacao-anaconda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18513","title":{"rendered":"Jornal deve indenizar juiz acusado na Opera\u00e7\u00e3o Anaconda"},"content":{"rendered":"<p>Saiu a primeira condena&ccedil;&atilde;o por dano moral causado ap&oacute;s a Opera&ccedil;&atilde;o Anaconda, da Pol&iacute;cia Federal. O jornal O Estado de S. Paulo foi condenado a pagar 500 sal&aacute;rios m&iacute;nimos (R$ 190 mil), acrescidos de juros de 12% ao ano, ao juiz Ali Mazloum, da 7&ordf; Vara Criminal Federal de S&atilde;o Paulo. <\/p>\n<p>A empresa tamb&eacute;m est&aacute; obrigada a publicar a senten&ccedil;a no jornal e no site, no prazo de 10 dias, depois do tr&acirc;nsito em julgado. Caso contr&aacute;rio, dever&aacute; pagar multa di&aacute;ria de R$ 50 mil. A determina&ccedil;&atilde;o &eacute; do juiz Jomar Juarez Amorim, da 25&ordf; Vara C&iacute;vel Central da Capital paulista. O jornal pode recorrer ao Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo. <\/p>\n<p>O advogado Eduardo Ribeiro de Mendon&ccedil;a, que representa o juiz, vai recorrer da decis&atilde;o ao Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo. Ele quer aumentar o valor da condena&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A senten&ccedil;a foi motivada por reportagem publicada na edi&ccedil;&atilde;o de 20 de dezembro de 2003, quando o jornal apontou que a Pol&iacute;cia Federal e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal teriam encontrado documentos que comprovariam uma suposta remessa de d&oacute;lares ao L&iacute;bano. A reportagem apontou o nome do juiz Ali Mazloum. <\/p>\n<p>O juiz que resolveu o caso entendeu que houve julgamento precipitado por parte do jornal. Ele afirmou, ainda, que na tentativa de produzir jornalismo investigativo, um importante instrumento da democracia, o jornal caiu na inconseq&uuml;&ecirc;ncia e na leviandade. <\/p>\n<p>Hist&oacute;rico Em 2003, Ali Mazloum foi denunciado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal pelos crimes de forma&ccedil;&atilde;o de quadrilha, amea&ccedil;a e abuso de poder. A den&uacute;ncia tornou-se p&uacute;blica depois da Opera&ccedil;&atilde;o Anaconda, em 30 de outubro, quando a Pol&iacute;cia Federal anunciou um esquema de venda de senten&ccedil;as judiciais. <\/p>\n<p>A Anaconda foi deflagrada com base em uma rede de grampos telef&ocirc;nicos, montada com autoriza&ccedil;&atilde;o judicial, que teria captado neg&oacute;cios e acertos entre ju&iacute;zes, advogados, delegados e agentes federais. Oito acusados foram condenados. O juiz Ali Mazloum foi inocentado. O Supremo Tribunal Federal concedeu Habeas Corpus que livrou Mazloum de dois processos criminais. <\/p>\n<p>O ent&atilde;o ministro Carlos Velloso entendeu que a den&uacute;ncia contra o juiz era, al&eacute;m de inepta, cruel. &ldquo;Ela (den&uacute;ncia) foi formulada contra um magistrado que n&atilde;o tinha contra ele qualquer acusa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; formulada com essa vagueza, que se viu, submeteu o magistrado &mdash; como dito hoje pelos jornais pelo seu ilustre advogado &mdash; a um calv&aacute;rio&rdquo;, afirmou o ent&atilde;o ministro. <\/p>\n<p>A 2&ordf; Turma do STF extinguiu a&ccedil;&atilde;o penal que o acusava de abuso de poder. Segundo o ministro Gilmar Mendes, a den&uacute;ncia limitou-se &#39;a reportar, de maneira pouco precisa, os termos da representa&ccedil;&atilde;oformulada pelos policiais rodovi&aacute;rios federais envolvidos. Em outras palavras, a den&uacute;ncia n&atilde;o narra em qualquer instante o ato concreto do paciente que configure amea&ccedil;a ou abuso de autoridade&#39;. <\/p>\n<p>Leia o final da senten&ccedil;a Julgo procedente o pedido e condeno o r&eacute;u no pagamento de quinhentos sal&aacute;rios m&iacute;nimos vigentes nesta data, acrescidos de juros morat&oacute;rios de doze por cento ao ano (C&oacute;digo Civil, arts. 406 e 407; C&oacute;digo Tribut&aacute;rio Nacional, art. 161, &sect; 1&ordm;), contados desde o fato (S&uacute;mula 54 do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a; C&oacute;digo Civil, art. 398), apreciado o m&eacute;rito com fundamento no art. 269, inc. I, do C&oacute;digo de Processo Civil. Condeno o r&eacute;u tamb&eacute;m na obriga&ccedil;&atilde;o de providenciar a publica&ccedil;&atilde;o desta decis&atilde;o nos mesmos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o (jornal e site), com id&ecirc;ntico destaque, no prazo de dez dias, a partir do tr&acirc;nsito em julgado, sob pena de multa di&aacute;ria de cinq&uuml;enta mil reais, na forma dos arts. 75 da Lei n&ordm; 5.250\/67 e 461 do C&oacute;digo de Processo Civil. Condeno o r&eacute;u no reembolso das custas e despesas atualizadas e no pagamento de honor&aacute;rios advocat&iacute;cios (Lei 8.906\/94, art. 23), ora fixados em quinze por cento sobre o total devido. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saiu a primeira condena&ccedil;&atilde;o por dano moral causado ap&oacute;s a Opera&ccedil;&atilde;o Anaconda, da Pol&iacute;cia Federal. O jornal O Estado de S. 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