{"id":18512,"date":"2007-06-13T14:45:53","date_gmt":"2007-06-13T14:45:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18512"},"modified":"2007-06-13T14:45:53","modified_gmt":"2007-06-13T14:45:53","slug":"imprensa-discute-o-futuro-dez-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18512","title":{"rendered":"Imprensa discute o futuro, dez anos depois"},"content":{"rendered":"<p>O 60&ordm; congresso anual da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais (WAN, na sigla em ingl&ecirc;s) terminou na quarta-feira (6\/6), com um sabor de antiguidade: as recomenda&ccedil;&otilde;es sobre inova&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas e gest&atilde;o inovadora repetem, com mudan&ccedil;as sutis, tudo o que vem sendo dito nos encontros internacionais da m&iacute;dia impressa h&aacute; dez anos. Al&eacute;m disso, foi divulgado o resultado de uma pesquisa que &quot;revela&quot; um fato conhecido desde antes do estouro da &quot;bolha&quot; da internet &ndash; que a rede mundial de computadores se consolida como o principal meio de informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>No sum&aacute;rio executivo do estudo intitulado &quot;Moldando o futuro dos jornais&quot;, o cap&iacute;tulo dedicado &agrave; chamada m&iacute;dia digital come&ccedil;a afirmando que, para os consumidores de informa&ccedil;&otilde;es, as novas tecnologias expandiram as op&ccedil;&otilde;es dos meios tradicionais como publica&ccedil;&otilde;es, r&aacute;dio e televis&atilde;o para uma ampla variedade de escolhas, como a internet, podcasts (que permitem a qualquer pessoa publicar &aacute;udio e v&iacute;deo na rede, atualizando constantemente o conte&uacute;do), blogs, TV interativa, mensagens curtas de texto e multim&iacute;dia pelo celular, pelo computador ou por telas outdoor internas, nos trens do metr&ocirc; e nos elevadores, r&aacute;dio digital e outros meios ainda em fase de experimenta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O documento observa que o cen&aacute;rio da m&iacute;dia mudou para sempre, lembrando que os jornais agora n&atilde;o competem apenas com outros jornais locais, o que tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; novidade h&aacute; mais de dez anos. O estudo divulgado no encontro de 2007, na Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, acrescenta ao que j&aacute; se sabia que os jornais enfrentam n&atilde;o apenas seus concorrentes tradicionais, mas tamb&eacute;m outros protagonistas, como sites de empresas e de outras institui&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de portais de internet locais e internacionais, como o Yahoo! e Google. Segundo o estudo realizado para a Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais, a m&iacute;dia tradicional est&aacute; perdendo a luta pela aten&ccedil;&atilde;o do leitor, agora acumulando fun&ccedil;&otilde;es de espectador, ouvinte e eventualmente autor. <\/p>\n<p><strong>Mais do mesmo<\/strong><\/p>\n<p>As conclus&otilde;es do estudo sobre tend&ecirc;ncias da m&iacute;dia digital indicam a conveni&ecirc;ncia de os jornais buscarem um posicionamento que lhes permita atender as m&uacute;ltiplas demandas do p&uacute;blico, oferecendo seu conte&uacute;do em distintos formatos, para acompanhar o leitor em suas diversas necessidades ou conveni&ecirc;ncias. O problema &eacute; que esse cen&aacute;rio j&aacute; estava descrito na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo passado. Os jornais n&atilde;o se mexeram, e o espa&ccedil;o foi ocupado por concorrentes de outros setores. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m foi discutida durante o encontro da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais a necessidade de estrat&eacute;gias inovadoras para enfrentar o longo per&iacute;odo de perdas. No entanto, uma an&aacute;lise das recomenda&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;as na gest&atilde;o indicam que os jornais, em praticamente todo o mundo, est&atilde;o somente agora despertando para ferramentas de gest&atilde;o que s&atilde;o comuns em outros setores da economia que lidam com consumo massivo. <\/p>\n<p>Como exemplo, o trabalho aponta o caso de um jornal americano que circula numa regi&atilde;o cuja popula&ccedil;&atilde;o &eacute; formada em 53% por hisp&acirc;nicos, e que descobriu que apenas 3% das fotos e das cita&ccedil;&otilde;es que publica se referem a indiv&iacute;duos de origem hisp&acirc;nica. O estudo recomenda que, antes de expandir seu conte&uacute;do para outros meios, os jornais procurem conhecer melhor seus p&uacute;blicos. Obviamente. <\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio do tom apresentado pelos jornais que cobriram ou reproduziram relatos das ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias sobre o encontro mundial de diretores da imprensa mundial, a perspectiva n&atilde;o &eacute; otimista. As an&aacute;lises s&atilde;o muito parecidas com o que resultava de confer&ecirc;ncias semelhantes, dez anos atr&aacute;s. <\/p>\n<p>Um levantamento realizado pela Harris Interactive, empresa de pesquisa e consultoria que acompanha h&aacute; anos o mercado de m&iacute;dia, em conjunto com a consultoria Innovation, afirma que as fontes de informa&ccedil;&otilde;es online v&atilde;o superar as redes de televis&atilde;o como m&iacute;dia preferencial nos pr&oacute;ximos cinco anos, e que os jornais podem recuperar posi&ccedil;&atilde;o se conseguirem integrar a distribui&ccedil;&atilde;o online de informa&ccedil;&otilde;es como parte do que oferecem ao p&uacute;blico. <\/p>\n<p>No entanto, a maioria das inova&ccedil;&otilde;es apresentadas durante a confer&ecirc;ncia se referia a redesenho, websites, jornalismo c&iacute;vico, infogr&aacute;ficos, suplementos e revistas tem&aacute;ticas. Ou seja, mais do mesmo que vem sendo feito h&aacute; pelo menos uma d&eacute;cada, sem resultados a comemorar. <\/p>\n<p><strong>Falta de tempo<\/strong><\/p>\n<p>Em termos de gest&atilde;o editorial, especialidade da Innovation, as recomenda&ccedil;&otilde;es beiram a candura. Diz o estudo que os jornais devem &quot;melhorar significativamente seu produto impresso tradicional aumentando a objetividade das coberturas, com reportagens e an&aacute;lises mais profundas e mais informa&ccedil;&otilde;es que sejam diretamente relevantes para a vida de seus leitores, desenho mais elaborado e mais `visual&acute; e texto mais envolvente&quot;. <\/p>\n<p>A empresa de consultoria apenas n&atilde;o explica como fazer esse jornal dos sonhos com jornalistas mal pagos, submetidos a regimes insanos de trabalho, sem a m&iacute;nima perspectiva de carreira e com investimentos rid&iacute;culos em qualifica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A consulta da Harris, feita a 8.749 adultos em sete pa&iacute;ses &ndash; Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Alemanha, It&aacute;lia, Espanha, Austr&aacute;lia e Inglaterra &ndash; mostra que para 35% a 39% deles o notici&aacute;rio de televis&atilde;o em canais abertos ou a cabo &eacute; a fonte prim&aacute;ria de informa&ccedil;&otilde;es, com um grande crescimento da prefer&ecirc;ncia pelo notici&aacute;rio online. Apenas na Espanha os jornais ainda t&ecirc;m competitividade. <\/p>\n<p>Questionados sobre suas previs&otilde;es para os pr&oacute;ximos cinco anos, os entrevistados apresentaram a perspectiva de substitui&ccedil;&atilde;o da TV pela internet como fonte prim&aacute;ria de informa&ccedil;&otilde;es, desenhando um cen&aacute;rio ainda mais desalentador para os jornais. <\/p>\n<p>Mas h&aacute; quem veja otimismo na realidade apontada pelo estudo. Douglas Griffen, que trabalha para a Harris e a Innovation, comentou que &quot;apesar do decl&iacute;nio na circula&ccedil;&atilde;o, os editores de jornais devem vislumbrar um desafio e uma oportunidade em estender suas marcas online&quot;. A mesma frase foi dita anos atr&aacute;s pelo diretor-geral da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais, Thimoty Balding. Questionados por que n&atilde;o l&ecirc;em jornais diariamente, cerca de 50% dos entrevistados afirmaram que n&atilde;o t&ecirc;m tempo e que essa fun&ccedil;&atilde;o &eacute; substitu&iacute;da pela maior facilidade de acesso ao notici&aacute;rio online. <\/p>\n<p><strong>Modelo oposto<\/strong><\/p>\n<p>Na interpreta&ccedil;&atilde;o do otimista Douglas Griffen, os editores e donos de jornais precisam aumentar a credibilidade da imprensa e associar a suas extens&otilde;es online a import&acirc;ncia que os leitores ainda d&atilde;o aos jornais. No entanto, as recomenda&ccedil;&otilde;es que acompanham as conclus&otilde;es do encontro parecem ir na contram&atilde;o de seu apelo. <\/p>\n<p>M&aacute;rio Garcia, o designer que simbiliza a transforma&ccedil;&atilde;o da maioria dos jornais latino-americanos em clones do USA Today, resume o desafio dos jornais &agrave; velha toada que vem sendo seguida h&aacute; duas d&eacute;cadas, e que tem afastado das reda&ccedil;&otilde;es os melhores redatores e os mais qualificados analistas. Para Garcia, &quot;continuamos a lidar com um importante fator: tempo. Quantas coisas uma pessoa normal pode fazer durante o curso de 24 horas? Esse &eacute; o nosso desafio&quot;, acrescenta, claramente defendendo seu modelo de reportagens curtas, cheias de infogr&aacute;ficos e com textos objetivos e sucintos. <\/p>\n<p>Citado entre as personalidades da Confer&ecirc;ncia da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais, Garcia parece apontar para um modelo oposto ao que defende Griffen. Pretendendo projetar o futuro, os jornais d&atilde;o a impress&atilde;o de que est&atilde;o presos num c&iacute;rculo do tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 60&ordm; congresso anual da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Jornais (WAN, na sigla em ingl&ecirc;s) terminou na quarta-feira (6\/6), com um sabor de antiguidade: as recomenda&ccedil;&otilde;es sobre inova&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas e gest&atilde;o inovadora repetem, com mudan&ccedil;as sutis, tudo o que vem sendo dito nos encontros internacionais da m&iacute;dia impressa h&aacute; dez anos. 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