{"id":18511,"date":"2007-06-12T20:04:37","date_gmt":"2007-06-12T20:04:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18511"},"modified":"2007-06-12T20:04:37","modified_gmt":"2007-06-12T20:04:37","slug":"a-luta-renhida-pela-diversidade-cultural-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18511","title":{"rendered":"A luta renhida pela diversidade cultural na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Os problemas hist&oacute;ricos de desigualdade e exclus&atilde;o na Am&eacute;rica Latina refletem-se nos campos da comunica&ccedil;&atilde;o e da cultura de modo semelhante e perverso: um pequeno n&uacute;mero de megagrupos, quase sempre em alian&ccedil;as com conglomerados transnacionais, controla, de maneira oligop&oacute;lica, expressiva parcela da produ&ccedil;&atilde;o e da circula&ccedil;&atilde;o de dados, sons e imagens. Os tit&atilde;s buscam rentabilidade a qualquer pre&ccedil;o, beneficiando-se das desregulamenta&ccedil;&otilde;es neoliberais, das omiss&otilde;es deliberadas dos poderes p&uacute;blicos e dos desn&iacute;veis tecnol&oacute;gicos entre pa&iacute;ses ricos e perif&eacute;ricos. Em fun&ccedil;&atilde;o de seus interesses mercantis, boa parte da produ&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica n&atilde;o leva na devida conta identidades, tradi&ccedil;&otilde;es e anseios socioculturais dos povos. O que prevalece, geralmente, s&atilde;o apelos convulsivos ao consumo, elevado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de inst&acirc;ncia m&aacute;xima de organiza&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A ascens&atilde;o do espanhol como segundo idioma da globaliza&ccedil;&atilde;o, o atrativo de um continente com 560 milh&otilde;es de habitantes, a car&ecirc;ncia por tecnologias avan&ccedil;adas e a aus&ecirc;ncia de legisla&ccedil;&otilde;es antioligop&oacute;licas t&ecirc;m levado conglomerados de infotelecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; principalmente norte-americanos &ndash; a incrementarem seus neg&oacute;cios. Isso acontece por meio de aplica&ccedil;&otilde;es diretas ou acordos e joint ventures com empresas e investidores locais. <\/p>\n<p><\/span><span>Trata-se de uma das regi&otilde;es mais rent&aacute;veis ao escoamento de bens e servi&ccedil;os multim&iacute;dias. As proje&ccedil;&otilde;es da consultoria Price Waterhouse Coopers para o quadri&ecirc;nio 2004-2008 indicam expans&atilde;o de 6,3% nas receitas de informa&ccedil;&atilde;o e entretenimento. N&atilde;o &eacute; casual que a taxa de expans&atilde;o da publicidade latino-americana supere os &iacute;ndices dos produtos internos brutos da maioria dos pa&iacute;ses. Enquanto o PIB subiu, na m&eacute;dia, 5,3% em 2006, os investimentos publicit&aacute;rios cresceram em torno de 8%. <\/p>\n<p><\/span><span>Entendamos bem o cen&aacute;rio adverso com que nos deparamos. As corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia qualificam-se como atores de primeira linha no processo de reprodu&ccedil;&atilde;o do capital em dimens&atilde;o planet&aacute;ria. Elas ap&oacute;iam-se em tecnologias de ponta, poderio financeiro, know-how gerencial, influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica, capacidade industrial, suporte log&iacute;stico e esquemas globais de distribui&ccedil;&atilde;o. Do ponto de vista ideol&oacute;gico, fixam as premissas do discurso neoliberal, que transfere para o mercado a regula&ccedil;&atilde;o das aspira&ccedil;&otilde;es sociais ao mesmo tempo em que desqualifica ou neutraliza contesta&ccedil;&otilde;es ao status quo. A m&iacute;dia, assim, atua tanto por ades&atilde;o &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o capitalista quanto por deter a capacidade &uacute;nica de interconectar o planeta, atrav&eacute;s de sat&eacute;lites e redes infoeletr&ocirc;nicas. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>L&oacute;gicas comerciais<br \/><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span>A concentra&ccedil;&atilde;o patrimonial e tecnoprodutiva &eacute; particularmente grave na Am&eacute;rica Latina, onde players internacionais (News Corporation, Viacom, Time Warner, Disney, Bertelsmann, Sony-Columbia) t&ecirc;m alian&ccedil;as estrat&eacute;gicas com grupos multim&iacute;dias regionais, v&aacute;rios deles controlados por dinastias familiares. Com as desregulamenta&ccedil;&otilde;es e privatiza&ccedil;&otilde;es na d&eacute;cada de 1990, dinamizou-se essa jun&ccedil;&atilde;o de atores nacionais &ndash; sobretudo do Brasil, da Argentina e do M&eacute;xico &ndash; e internacionais. As diretrizes de regionalizaliza&ccedil;&atilde;o traduzem-se em cole&ccedil;&otilde;es de joint ventures, aquisi&ccedil;&otilde;es, fus&otilde;es, reparti&ccedil;&otilde;es acion&aacute;rias e acordos operacionais, geralmente concebidos e implementados por holdings transnacionais (particularmente norte-americanas). <\/p>\n<p><\/span><span>As quatro maiores empresas nas &aacute;reas de m&iacute;dia e entretenimento ret&ecirc;m 60% do faturamento total dos mercados e das audi&ecirc;ncias. Se compararmos o desempenho sofr&iacute;vel da maioria dos pa&iacute;ses latino-americanos no com&eacute;rcio internacional com o que os gigantes midi&aacute;ticos arrecadam no nosso continente, concluiremos que o grosso do faturamento &eacute; sugado por pot&ecirc;ncias estrangeiras. Os Estados Unidos ficam com 55% das rendas mundiais geradas por bens culturais e comunicacionais; a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, com 25%; Jap&atilde;o e &Aacute;sia, com 15%; e a Am&eacute;rica Latina, com apenas 5%. <\/p>\n<p><\/span><span>Os principais grupos de comunica&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o (Globo do Brasil; Televisa do M&eacute;xico; Cisneros da Venezuela; Clar&iacute;n da Argentina) t&ecirc;m parcerias com grupos transnacionais para explorar, sinergeticamente, os setores tornados convergentes pela digitaliza&ccedil;&atilde;o: televis&atilde;o aberta e paga, r&aacute;dio, m&iacute;dia impressa, internet, celulares, filmes, v&iacute;deos, DVDs, CDs, livros, jogos eletr&ocirc;nicos, softwares, seriados e desenhos animados, etc. Com isso, al&eacute;m de monopolizar os mercados nacionais, racionalizam custos e obt&ecirc;m mais-valia em ramos conexos e na economia de escala.<\/p>\n<p><\/span><span>A depend&ecirc;ncia aos cart&eacute;is acentua-se em face dos insuficientes investimentos dos governos em tecnologias e produ&ccedil;&atilde;o cultural. Um dado eloq&uuml;ente: embora o acesso &agrave; internet na Am&eacute;rica Latina cres&ccedil;a, semestralmente, a uma taxa m&eacute;dia de 25%, somente 6% da popula&ccedil;&atilde;o est&atilde;o conectados. O descompasso nas apropria&ccedil;&otilde;es e nos usufrutos tecnol&oacute;gicos constitui um paradoxo frente ao car&aacute;ter estrat&eacute;gico da comunica&ccedil;&atilde;o, seja para a forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o p&uacute;blica, seja para o consolida&ccedil;&atilde;o do mercado interno (mais servi&ccedil;os, receitas e empregos), ou para o desenvolvimento do audiovisual nacional, ou ainda para as condi&ccedil;&otilde;es de competitividade no plano externo. <\/p>\n<p><\/span><span>A preval&ecirc;ncia das l&oacute;gicas comerciais na m&iacute;dia latino-americana manifesta-se no reduzido mosaico interpretativo dos fen&ocirc;menos sociais; na escassa variedade argumentativa, em raz&atilde;o de enfoques que reiteram temas e &acirc;ngulos de abordagem; na supremacia de g&ecirc;neros sustentados por altos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia e patroc&iacute;nios (telenovelas, telejornais, reality shows); nas baixas influ&ecirc;ncias p&uacute;blicas nas linhas de programa&ccedil;&atilde;o; no desapre&ccedil;o pelos movimentos sociais nas pautas e coberturas; na incontorn&aacute;vel disparidade entre o volume de enlatados adquiridos nos Estados Unidos e a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual nacional.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Diversifica&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Os mais indulgentes diriam que, apesar dos pesares, aumentou a oferta multim&iacute;dia e h&aacute; recep&ccedil;&otilde;es diferenciadas. De fato, seria miopia enxergar apenas manipula&ccedil;&otilde;es no que a m&iacute;dia difunde, ou supor que todas as audi&ecirc;ncias submergem na passividade cr&ocirc;nica. Entretanto, devemos examinar atentamente importantes os lados da quest&atilde;o: a) os usos dependem de acessos e capacidades de discernimento marcadamente desiguais; b) quem comanda a dissemina&ccedil;&atilde;o dos bens simb&oacute;licos? c) quem define o que vai ser produzido e divulgado? d) como acreditar no valor absoluto da liberdade de escolha quando verificamos que 85,5% das importa&ccedil;&otilde;es audiovisuais da Am&eacute;rica Latina prov&ecirc;m dos Estados Unidos? Se duas dezenas de corpora&ccedil;&otilde;es respondem por dois ter&ccedil;os das informa&ccedil;&otilde;es e dos entretenimentos mundiais, evidentemente a descentraliza&ccedil;&atilde;o se inscreve mais na &oacute;rbita das exig&ecirc;ncias mercadol&oacute;gicas do que propriamente nas diferen&ccedil;as qualitativas de conte&uacute;dos. <\/p>\n<p><\/span><span>Em face da concentra&ccedil;&atilde;o monop&oacute;lica e transnacional das ind&uacute;strias culturais, a possibilidade de interfer&ecirc;ncia do p&uacute;blico (ou de fra&ccedil;&otilde;es dele) nas programa&ccedil;&otilde;es depende n&atilde;o somente da capacidade criativa e reativa dos indiv&iacute;duos, como tamb&eacute;m de direitos coletivos e controles sociais sobre o desmedido poder da m&iacute;dia. <\/p>\n<p><\/span><span>De que adianta p&ocirc;r em relevo os downloads gr&aacute;tis de filmes e v&iacute;deos na web ignorando-se que a avalanche imag&eacute;tica tem proced&ecirc;ncia definida: as produ&ccedil;&otilde;es de Hollywood det&ecirc;m 85% do mercado cinematogr&aacute;fico global e 77% das programa&ccedil;&otilde;es televisivas da Am&eacute;rica Latina. Portanto, a diversifica&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica guarda estreita proximidade com a comercializa&ccedil;&atilde;o em grandes quantidades lucrativas. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Vislumbrando horizontes <\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Fica claro que diversidade nada tem a ver com os prazeres sensoriais proporcionados pela Disney ou com o g&aacute;udio da Sony ao anunciar o lan&ccedil;amento de cinco mil itens por ano. Muito menos com modismos compulsivos. Diversidade pressup&otilde;e revitalizar manifesta&ccedil;&otilde;es do contradit&oacute;rio, confrontar pontos de vista, debater as interse&ccedil;&otilde;es entre progresso, t&eacute;cnicas e tecnologias. Diversidade se assegura com interc&acirc;mbio e coopera&ccedil;&atilde;o horizontal entre as culturas de povos, cidades e pa&iacute;ses. Diversidade se alcan&ccedil;a com o acesso do conjunto da sociedade a m&uacute;ltiplas abordagens sobre acontecimentos e informa&ccedil;&otilde;es de interesse coletivo. <\/p>\n<p><\/span><span>Entre as medidas ao alcance de governos comprometidos com a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o: <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** legisla&ccedil;&otilde;es que impe&ccedil;am a oligopoliza&ccedil;&atilde;o; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** revis&atilde;o de normas para concess&atilde;o ou renova&ccedil;&atilde;o de canais de r&aacute;dio e TV, pois as licen&ccedil;as pertencem ao patrim&ocirc;nio p&uacute;blico e n&atilde;o a grupos privados; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** mecanismos democr&aacute;ticos de fiscaliza&ccedil;&atilde;o das empresas concession&aacute;rias; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** amplia&ccedil;&atilde;o da cota obrigat&oacute;ria de programa&ccedil;&atilde;o nacional, regional, comunit&aacute;ria e educativa nas emissoras de TV; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** &agrave; semelhan&ccedil;a do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fust) existente no Brasil, estipular um percentual de taxa&ccedil;&atilde;o sobre o lucro das concession&aacute;rias de r&aacute;dio e TV, a fim de criar um fundo para programas de incentivo ao audiovisual nacional; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** patroc&iacute;nios a novas m&iacute;dias, r&aacute;dios e televis&otilde;es comunit&aacute;rias e projetos de comunica&ccedil;&atilde;o popular (como na Bol&iacute;via de Evo Morales e na Venezuela de Hugo Ch&aacute;vez); <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas para a comunica&ccedil;&atilde;o virtual sem fins mercantis, em sintonia com medidas que favore&ccedil;am a universaliza&ccedil;&atilde;o dos acessos a tecnologias, atrav&eacute;s de desenvolvimento de infra-estruturas de rede em banda larga, do barateamento de custos teleinform&aacute;ticos, da multiplica&ccedil;&atilde;o de telecentros e pontos de acessos em comunidades carentes e de forma&ccedil;&atilde;o educacional condizente.<\/p>\n<p><\/span><span>Tais interven&ccedil;&otilde;es englobam regulamenta&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis a ve&iacute;culos alternativos e comunit&aacute;rios (como no Chile de Michelle Bachelet e na Venezuela de Ch&aacute;vez); leis de incentivo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica nacional (como na Argentina de N&eacute;stor Kirchner); e linhas de apoio &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos voltados &agrave; defesa da cidadania e &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o de tradi&ccedil;&otilde;es culturais (como no Equador de Rafael Correa e na Nicar&aacute;gua de Daniel Ortega). <\/p>\n<p><\/span><span>S&atilde;o vi&aacute;veis a&ccedil;&otilde;es conjugadas de &oacute;rg&atilde;os estatais de fomento no &acirc;mbito de blocos regionais (Mercosul, Pacto Andino). Isso poder&aacute; influir na forma&ccedil;&atilde;o de novos eixos para projetos compartilhados de comunica&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o cultural. &Eacute; o que se observa nos recentes acordos de coopera&ccedil;&atilde;o audiovisual firmados pelos governos de Chile, Argentina, Bol&iacute;via, Venezuela, Equador e Nicar&aacute;gua &ndash; todos vedam financiamentos a grandes empresas, que s&atilde;o lucrativas e devem recorrer a bancos privados (ou ent&atilde;o que paguem juros de mercado nos empr&eacute;stimos obtidos em ag&ecirc;ncias governamentais).<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Press&otilde;es organizadas<br \/><\/strong><br \/><\/span><span>Ao definirem novas pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, os governos progressistas da Am&eacute;rica Latina devem estar cientes de que marcos regulat&oacute;rios das concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV s&atilde;o t&atilde;o indispens&aacute;veis quanto a inclus&atilde;o dos sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o e das ind&uacute;strias culturais nos eixos estrat&eacute;gicos de desenvolvimento e na agenda dos acordos de integra&ccedil;&atilde;o regional. <\/p>\n<p><\/span><span>O processo de mudan&ccedil;as ainda est&aacute; se desenhando; por certo haver&aacute; tens&otilde;es, dificuldades e obst&aacute;culos. Os conglomerados resistir&atilde;o a perder &aacute;reas de influ&ecirc;ncia ou a se submeter a san&ccedil;&otilde;es legais. Basta ver a opera&ccedil;&atilde;o de guerra desencadeada contra o governo Ch&aacute;vez por n&atilde;o renovar, dentro da lei venezuelana, a licen&ccedil;a da RCTV, que apoiou abertamente o fracassado golpe de estado em 2002. A grande m&iacute;dia revidar&aacute; toda vez que tentarmos salientar, como fez lucidamente o economista Luiz Gonzaga Belluzzo (Carta Capital, junho de 2007), que &quot;os titulares do direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento s&atilde;o os cidad&atilde;os em geral e n&atilde;o as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e seus propriet&aacute;rios&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>Os governos eleitos pelo voto popular e comprometidos com transforma&ccedil;&otilde;es sociais substantivas devem zelar, cada vez mais, pela preval&ecirc;ncia do interesse p&uacute;blico sobre as ambi&ccedil;&otilde;es comerciais e monop&oacute;licas.<\/p>\n<p><\/span><span>As determina&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas em v&aacute;rios pa&iacute;ses parecem apontar na dire&ccedil;&atilde;o de maiores e necess&aacute;rias interfer&ecirc;ncias governamentais nos rumos do setor. &quot;A comunica&ccedil;&atilde;o deve ter um n&iacute;tido sentido social e de servi&ccedil;o p&uacute;blico. &Eacute; preciso refor&ccedil;ar o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, fortalecer a pluralidade comunicacional e facilitar o acesso dos cidad&atilde;os &agrave; tecnologia&quot;, resume com clareza a presidente chilena, Michelle Bachelet. <\/p>\n<p><\/span><span>O ministro da Comunica&ccedil;&atilde;o da Venezuela, William Lara, salienta a mudan&ccedil;a de enquadramento no caso das concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o (mudan&ccedil;a que os governos de Bol&iacute;via e Equador tamb&eacute;m planejam fazer): &quot;Os canais privados de r&aacute;dio e televis&atilde;o sempre foram aliados de setores do poder econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico. Agora devem estar abertos a todos os setores do pa&iacute;s&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>Na abertura do V Encuentro Mundial de Intelectuales y Artistas en Defensa de la Humanidad, realizado em maio de 2007 na cidade boliviana de Cochamba, o presidente Evo Morales disse que jornalistas e intelectuais devem ajudar o governo a criar &quot;consci&ecirc;ncia popular sobre a import&acirc;ncia de os meios de comunica&ccedil;&atilde;o defenderem os valores da vida, e n&atilde;o os valores do capital, do ego&iacute;smo e do individualismo&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span>O desafio de longo prazo remete &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de alternativas n&atilde;o contaminadas pela febre da mercantiliza&ccedil;&atilde;o &ndash; alternativas que n&atilde;o podem prescindir de press&otilde;es organizadas por parte de segmentos reivindicantes da sociedade civil, bem como do empenho sistem&aacute;tico por parte de poderes p&uacute;blicos afinados com o ideal de democratiza&ccedil;&atilde;o. Teremos que demonstrar capacidade de articular m&uacute;ltiplas a&ccedil;&otilde;es e cobrar medidas que assegurem emiss&otilde;es descentralizadas, din&acirc;micas participativas e compromissos duradouros com uma comunica&ccedil;&atilde;o mais plural.<br \/><\/span><\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os problemas hist&oacute;ricos de desigualdade e exclus&atilde;o na Am&eacute;rica Latina refletem-se nos campos da comunica&ccedil;&atilde;o e da cultura de modo semelhante e perverso: um pequeno n&uacute;mero de megagrupos, quase sempre em alian&ccedil;as com conglomerados transnacionais, controla, de maneira oligop&oacute;lica, expressiva parcela da produ&ccedil;&atilde;o e da circula&ccedil;&atilde;o de dados, sons e imagens. 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