{"id":18505,"date":"2007-06-12T12:12:29","date_gmt":"2007-06-12T12:12:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18505"},"modified":"2007-06-12T12:12:29","modified_gmt":"2007-06-12T12:12:29","slug":"canais-publicos-presentes-na-tv-a-cabo-podem-desaparecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18505","title":{"rendered":"Canais p\u00fablicos presentes na TV a cabo podem desaparecer"},"content":{"rendered":"<p>O an&uacute;ncio da Anatel, na &uacute;ltima semana, de que criar&aacute; um grupo de estudos destinado &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de uma nova licen&ccedil;a para o servi&ccedil;o de TV por assinatura, p&otilde;e em risco a exist&ecirc;ncia dos canais comunit&aacute;rios, universit&aacute;rios, legislativos e outros previstos na lei do cabo. Desconsidera os debates sobre o marco regulat&oacute;rio e abre caminhos para as operadoras de telefonia e o capital estrangeiro.<\/p>\n<p>Se as operadoras j&aacute; existentes de TV por assinatura migrarem para o Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Eletr&ocirc;nica de Massa (SCEMa) &#8211; a nova licen&ccedil;a anunciada pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) na &uacute;ltima semana -, os canais comunit&aacute;rios e os demais canais previstos na lei do cabo podem estar com os dias contados, considera James G&ouml;rgen, coordenador de projetos do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunica&ccedil;&atilde;o (Epcom). Conforme a Anatel, a licen&ccedil;a pretende abranger qualquer servi&ccedil;o de TV por assinatura, independentemente da tecnologia utilizada &#8211; DTH, MMDS ou cabo &#8211; e abarcar finalmente as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Segundo G&ouml;rgen, por press&atilde;o das empresas, dificilmente o novo servi&ccedil;o incluiria a obrigatoriedade de carregar os canais universit&aacute;rios, legislativos e comunit&aacute;rios, e antes que se consolide a televis&atilde;o p&uacute;blica em canal aberto, os canais p&uacute;blicos j&aacute; poder&atilde;o ter sumido. &quot;Este &eacute; um dos assuntos mais s&eacute;rios dos &uacute;ltimos anos. &Eacute; comum a Anatel legislar por portarias e normas, enquanto o Congresso discute uma legisla&ccedil;&atilde;o mais abrangente. Foi exatamente o que ocorreu com a lei do cabo e as normas que regem o DTH e o MDS entre 95 e 97, e que, por sinal, deixaram de fora os canais p&uacute;blicos&quot;, lembra G&ouml;rgen, salientando que agora pode ocorrer o mesmo.<\/p>\n<p><strong>Anatel deveria aguardar a Confer&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Gabriel Priolli, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o Universit&aacute;ria (ABTU), acredita que qualquer medida assemelhada &agrave; que foi anunciada pela Anatel deve aguardar a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Segundo Priolli, tal como foi recomendado para a implanta&ccedil;&atilde;o da rede p&uacute;blica de televis&atilde;o &ndash; que aguardasse o F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas e fossem implementados os resultados e orienta&ccedil;&otilde;es dele surgidas &ndash; tamb&eacute;m no &acirc;mbito da TV por assinatura qualquer resolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode se antecipar &agrave; Confer&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>&quot;Essa Confer&ecirc;ncia deve ser ampla, massiva, democr&aacute;tica, com a participa&ccedil;&atilde;o do maior n&uacute;mero poss&iacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o e de segmentos sociais. N&atilde;o apoiamos uma confer&ecirc;ncia de c&uacute;pula, restritiva, apressada, feita a toque de caixa, em agosto, porque esta certamente n&atilde;o vai produzir o que se espera&quot;, defende o presidente da ABTU. Ele salienta que a Confer&ecirc;ncia precisa ser constru&iacute;da da forma mais plural poss&iacute;vel, porque, de outra forma, &quot;dificilmente conseguir&aacute; resultar num anteprojeto de regulamenta&ccedil;&atilde;o geral eletr&ocirc;nica que atenda a multiplicidade de demandas&quot;, considera.<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia ignora debates do marco regulat&oacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>Preparadas tecnologicamente para prestar os servi&ccedil;os, operadoras de telefonia encontram na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira impedimentos ao ingresso nos servi&ccedil;os de TV por assinatura. A nova licen&ccedil;a poder&aacute; resolver conflitos como os de IPTV (bom para as teles) e restri&ccedil;&otilde;es ao capital estrangeiro (bom para as operadoras a cabo), mas atropela um processo de discuss&atilde;o que necessita envolver bem mais do que os dois setores econ&ocirc;micos e deveria culminar em novo marco regulat&oacute;rio para o setor.<\/p>\n<p>O novo servi&ccedil;o, segundo a Anatel, n&atilde;o acabaria com as outras licen&ccedil;as de TV por assinatura. O grupo de estudos verificar&aacute; a exist&ecirc;ncia de conflitos legais em rela&ccedil;&atilde;o aos outros servi&ccedil;os de TV a cabo j&aacute; existentes, al&eacute;m de flexibilizar as amarras regulat&oacute;rias. Entretanto, ao anunci&aacute;-lo, a ag&ecirc;ncia reguladora antecipa-se &agrave; parte das discuss&otilde;es que se estabelecem entre sociedade civil e governo para a constru&ccedil;&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio da Comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Procurada pelo e-F&oacute;rum para detalhar as caracter&iacute;sticas do novo servi&ccedil;o e do grupo de estudos, a Anatel n&atilde;o se manifestou. Em mat&eacute;rias divulgadas pela imprensa&nbsp; especializada durante a semana, a Ag&ecirc;ncia afirma que os detentores de licen&ccedil;as antigas poder&atilde;o se transportar para a nova. <\/p>\n<p><strong>Abertura para teles e capital estrangeiro<\/p>\n<p><\/strong>Para Alexandre Annenberg, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), esse novo servi&ccedil;o tem o objetivo expl&iacute;cito de contornar os problemas decorrentes da lei do cabo. Entretanto, o empres&aacute;rio considera dif&iacute;cil que um novo regulamento surja para elidir uma lei. &quot;&Eacute; um caminho muito tortuoso. Talvez fosse&nbsp;muito mais f&aacute;cil, mais direto, modificar a lei. Claro que isso tem outras implica&ccedil;&otilde;es e barreiras, que tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o f&aacute;ceis, mas, neste caso, est&aacute; se colocando o carro na frente dos bois, criando a regulamenta&ccedil;&atilde;o para depois criar a lei&quot;, analisa.<\/p>\n<p>Para as operadoras de TV a cabo, segundo Annenberg, o que interessa nesta proposta &eacute; a aus&ecirc;ncia de restri&ccedil;&atilde;o ao capital estrangeiro, item que incomoda na Lei do Cabo. &quot;As outras tecnologias e as teles n&atilde;o t&ecirc;m restri&ccedil;&otilde;es neste sentido, enquanto as TVs a cabo t&ecirc;m. Isso cria uma desigualdade competitiva que tem que ser corrigida, porque para mesmos servi&ccedil;os temos que ter regras iguais, que preservem a competi&ccedil;&atilde;o e respeitem os investimentos j&aacute; feitos&quot;, avalia. Para isso, o empres&aacute;rio considera necess&aacute;rio rever a pr&oacute;pria lei (do cabo) que estabeleceu essas regras.<\/p>\n<p>Ciente de que ao anunciar o novo servi&ccedil;o (ainda por ser estudado) a inten&ccedil;&atilde;o da Anatel &eacute; a de abrir o mercado para a entrada das teles como operadoras tamb&eacute;m dos servi&ccedil;os de TV por assinatura, Annenberg reconhece o caminho sugerido como inexor&aacute;vel. &quot;Sem d&uacute;vida, no mundo inteiro as teles come&ccedil;am a oferecer esses servi&ccedil;os. O problema &eacute; como isso deve acontecer. O risco &eacute; que se a ag&ecirc;ncia reguladora n&atilde;o estabelecer certas regras, as empresas com maior poder de mercado acabam eliminando qualquer possibilidade de concorr&ecirc;ncia. Esse &eacute; um detalhe fundamental que tem mais a ver com uma an&aacute;lise de mercado do que burocr&aacute;tica&quot;, observa. <\/p>\n<p>Annenberg lembra ainda que as teles j&aacute; t&ecirc;m a enorme vantagem de possu&iacute;rem uma infra-estrutura amortizada, capilarizada, extremamente vasta e, portanto, se entrarem sem o cuidado referido, &quot;elas simplesmente asfixiam as TVs a cabo&quot;.<\/p>\n<p>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anatel afirma que pretende conceder uma nova licen\u00e7a para o servi\u00e7o de TV por assinatura, colocando em risco a exist\u00eancia dos canais comunit\u00e1rios, universit\u00e1rios e legislativos previstos na Lei do Cabo. 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