{"id":18499,"date":"2007-06-11T16:46:11","date_gmt":"2007-06-11T16:46:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18499"},"modified":"2007-06-11T16:46:11","modified_gmt":"2007-06-11T16:46:11","slug":"a-dura-verdade-sobre-o-nosso-radio-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18499","title":{"rendered":"A dura verdade sobre o nosso r\u00e1dio digital"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Publicado originalmente no jornal O Estado de S&atilde;o Paulo.<\/em>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>O r&aacute;dio faz parte de minha vida. Ou&ccedil;o r&aacute;dio todos os dias, mesmo depois da chegada da TV, do computador e da internet. Para 95% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, r&aacute;dio &eacute; informa&ccedil;&atilde;o, entretenimento, servi&ccedil;o e cultura. <\/p>\n<p><\/span><span>Do ponto de vista tecnol&oacute;gico, contudo, o r&aacute;dio vive um processo de obsolesc&ecirc;ncia, em especial em ondas m&eacute;dias (OM) e amplitude modulada (AM) e passa por um momento de transi&ccedil;&atilde;o entre os velhos padr&otilde;es anal&oacute;gicos e as novas promessas da digitaliza&ccedil;&atilde;o. Apenas em freq&uuml;&ecirc;ncia modulada (FM) o r&aacute;dio tem boa qualidade.<\/p>\n<p><\/span><span>Por que digitalizar o r&aacute;dio? Por muitas raz&otilde;es, mas, principalmente, porque esse avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico melhora a qualidade das recep&ccedil;&otilde;es, possibilita a converg&ecirc;ncia com outros meios e tecnologias, abre perspectivas de interatividade, de maior estabilidade nas transmiss&otilde;es, de economia de espectro de freq&uuml;&ecirc;ncias e de incont&aacute;veis aplica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O DESAFIO<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Concretizar esse projeto, no entanto, tem sido um dos maiores desafios para todos os pa&iacute;ses que se decidiram a digitalizar sua radiodifus&atilde;o sonora. O Brasil est&aacute;, em princ&iacute;pio, aberto aos testes com todos os padr&otilde;es dispon&iacute;veis no mundo. <\/p>\n<p><\/span><span>Na pr&aacute;tica, contudo, apenas o Iboc (In Band on Channel), criado pela empresa norte-americana Ibiquity, est&aacute; sendo testado por uma d&uacute;zia de emissoras em todo o Pa&iacute;s, tanto em AM como em FM. O DRM (Digital Radio Mondiale), em desenvolvimento por um cons&oacute;rcio europeu, dever&aacute; ser o pr&oacute;ximo, seguido do padr&atilde;o japon&ecirc;s, compat&iacute;vel com o sistema de TV Digital adotado pelo Pa&iacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span>A proposta do Iboc &eacute; vantajosa, pois, evita a duplica&ccedil;&atilde;o de faixas de freq&uuml;&ecirc;ncias e permite que os receptores de r&aacute;dio anal&oacute;gicos sobrevivam por mais 10 ou 15 anos. Mas, depois de quase dois anos, os resultados dos testes do Iboc no Brasil ainda est&atilde;o longe de ser satisfat&oacute;rios. <\/p>\n<p><\/span><span>Dou aqui meu depoimento pessoal, pois utilizo dois receptores de r&aacute;dio digital, um em meu carro e outro no de minha mulher, para avalia&ccedil;&atilde;o das emissoras de AM e FM. Al&eacute;m disso, tenho ouvido muitos especialistas sobre o tema. Todos reconhecem os problemas. Nas emissoras, contudo, raros s&atilde;o os que se disp&otilde;em a falar dos testes.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>OS TESTES<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Comecemos pelo pior caso, que &eacute; o das transmiss&otilde;es em AM. Na express&atilde;o de um t&eacute;cnico, &ldquo;a qualidade do r&aacute;dio digital &eacute; &oacute;tima, desde que funcione.&rdquo; Na verdade, ele funciona de modo razo&aacute;vel apenas durante algumas horas por dia, vencendo com dificuldade os problemas de polui&ccedil;&atilde;o radioel&eacute;trica que dominam a Grande S&atilde;o Paulo. S&atilde;o motores el&eacute;tricos, seis milh&otilde;es de ve&iacute;culos, ind&uacute;strias, sete milh&otilde;es de celulares, emissoras de alta pot&ecirc;ncia e 15 mil r&aacute;dios piratas. Tudo isso torna a Capital e os 37 munic&iacute;pios vizinhos um verdadeiro inferno para a propaga&ccedil;&atilde;o de sinais anal&oacute;gicos ou digitais.<\/p>\n<p><\/span><span>&Agrave; noite, a situa&ccedil;&atilde;o se torna ainda mais problem&aacute;tica, porque aumenta a reflex&atilde;o das ondas na ionosfera, mudando sensivelmente o comportamento dos sinais em AM, gerando interfer&ecirc;ncias em r&aacute;dios distantes. Para as emissoras anal&oacute;gicas, a solu&ccedil;&atilde;o nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas era reduzir a pot&ecirc;ncia do sinal &agrave; metade. Mas nos testes do Iboc, com sinal anal&oacute;gico e digital, surgem novos problemas e a qualidade se torna inaceit&aacute;vel.<\/p>\n<p><\/span><span>Nas transmiss&otilde;es em FM, enfrento outro problema desconfort&aacute;vel: a altern&acirc;ncia de sintonia entre os sinais digital e anal&oacute;gico, tendo que ouvir a transmiss&atilde;o digital com atraso (delay) de 8 segundos, o que causa a repeti&ccedil;&atilde;o e o corte de trechos da informa&ccedil;&atilde;o, seja m&uacute;sica ou not&iacute;cia, em pontos de sombra da Grande S&atilde;o Paulo. Resta-me desligar o sintonizador digital e s&oacute; ouvir a transmiss&atilde;o anal&oacute;gica.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>QUE FAZER?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Nos Estados Unidos, o processo de digitaliza&ccedil;&atilde;o tem sido lento. De um total de 15 mil emissoras, pouco mais de mil est&atilde;o transmitindo efetivamente com a tecnologia Iboc. Muitas das r&aacute;dios AM desligam o sistema digital &agrave; noite.<\/p>\n<p><\/span><span>Do lado das emissoras brasileiras, caso seja adotado o sistema Iboc &ndash; como querem lobistas em Bras&iacute;lia &ndash; &eacute; essencial que a tecnologia esteja exaustivamente testada e plenamente amadurecida. Isso talvez possa ocorrer daqui a um ou dois anos. <\/p>\n<p><\/span><span>Resta ainda o desafio econ&ocirc;mico para as emissoras. Como mais de 80% das 5 mil r&aacute;dios brasileiras s&atilde;o relativamente pobres ou deficit&aacute;rias, poucas ter&atilde;o como investir de US$ 50 mil a 200 mil (R$ 100 mil a 400 mil), em novos equipamentos.<\/p>\n<p><\/span><span>Mais dif&iacute;cil ainda &eacute; o lado dos ouvintes. At&eacute; aqui, a ind&uacute;stria brasileira n&atilde;o tem plano definido para a fabrica&ccedil;&atilde;o de receptores digitais. N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil convencer a maioria dos ouvintes a pagar o equivalente a US$ 100 ou 200 (R$ 200 a 400) por um novo receptor &ndash; faixa de pre&ccedil;o desses aparelhos nos Estados Unidos, onde j&aacute; existe razo&aacute;vel escala, em especial para r&aacute;dios de autom&oacute;veis.<\/p>\n<p><\/span><span>Entidades independentes cobram uma posi&ccedil;&atilde;o mais clara e objetiva do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), sobre o problema.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente no jornal O Estado de S&atilde;o Paulo.&nbsp; O r&aacute;dio faz parte de minha vida. Ou&ccedil;o r&aacute;dio todos os dias, mesmo depois da chegada da TV, do computador e da internet. Para 95% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, r&aacute;dio &eacute; informa&ccedil;&atilde;o, entretenimento, servi&ccedil;o e cultura. 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