{"id":18495,"date":"2007-06-06T16:13:35","date_gmt":"2007-06-06T16:13:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18495"},"modified":"2007-06-06T16:13:35","modified_gmt":"2007-06-06T16:13:35","slug":"estudo-economico-da-cultura-e-fundamental-para-elaboracao-de-politicas-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18495","title":{"rendered":"Estudo econ\u00f4mico da cultura \u00e9 fundamental para elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p>Quando Gilberto Gil assumiu o Minist&eacute;rio da Cultura, a elabora&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas foram divididas em tr&ecirc;s eixos de atua&ccedil;&atilde;o: simb&oacute;lico, cidad&atilde;o e econ&ocirc;mico. Raros s&atilde;o os estudos acad&ecirc;micos que se prop&otilde;em a dialogar sobre economia e cultura com a profundidade que esta complexa dimens&atilde;o da cultura necessita. Um dos motivos da falta de pensamento acerca do tema, de acordo com pesquisadores que participaram do III Enecult, &eacute; a aus&ecirc;ncia de dados estat&iacute;sticos para estudar a chamada ind&uacute;stria criativa. <\/p>\n<p>Como j&aacute; afirmou o ministro, o Estado tem um papel vital no fortalecimento da economia da cultura, seja no levantamento do potencial, seja no planejamento das a&ccedil;&otilde;es, na articula&ccedil;&atilde;o dos agentes econ&ocirc;micos e criativos, na mobiliza&ccedil;&atilde;o da energia social dispon&iacute;vel, no fomento direto, na regula&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre agentes econ&ocirc;micos, na media&ccedil;&atilde;o dos interesses dos agentes econ&ocirc;micos e dos interesses da sociedade, assim como na fiscaliza&ccedil;&atilde;o das atividades. &ldquo;N&atilde;o se trata de reabilitar o Estado produtor de cultura, ou o Estado dirigista. Ao contr&aacute;rio. Parte-se do princ&iacute;pio de que o Estado pode e deve estimular um ambiente favor&aacute;vel ao desenvolvimento de empresas e criadores, para que o mercado possa ampliar-se e realizar seu potencial, n&atilde;o apenas de auto-sustentabilidade, mas de ganhos sociais (emprego, renda, inclus&atilde;o ao consumo de bens culturais)&rdquo;, conclui o ministro, em palestra de 2005.<\/p>\n<p>As atividades culturais j&aacute; constituem um dos setores mais din&acirc;micos da economia mundial. Segundo levantamento da PriceWaterhouse Coopers, a economia da cultura no planeta crescer&aacute; em m&eacute;dia 6,3% ao ano no per&iacute;odo 2004\/2008, para um crescimento geral de 5,7%.<\/p>\n<p>O impacto econ&ocirc;mico da cultura pode ser ainda maior se visto sob uma interpreta&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica mais ampla sobre o que &eacute; cultura. Para o economista F&aacute;bio S&aacute; Earp, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os economistas s&oacute; conseguem ver uma forma de negocia&ccedil;&atilde;o: o com&eacute;rcio, enquanto, segundo o consenso acad&ecirc;mico presente no encontro de Salvador, cultura &eacute; tudo o que fazemos do nosso tempo livre.<\/p>\n<p>Dessa forma, podemos interpretar como economia criativa todo o consumo de conte&uacute;do informativo, da venda de jornais a quanto uma emissora de tev&ecirc; recebe de verbas publicit&aacute;rias; da pechincha de um boneco de mestre Vitalino em uma feira livre, &agrave; escolha de um azulejo para uma cozinha; de uma sess&atilde;o de um filme blockbuster no Cinemark, &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de quatro deved&ecirc;s por dez reais em um camel&ocirc;; da compra direta de um cocar ind&iacute;gena em uma aldeia &agrave; &uacute;ltima roupa da moda na Daslu ou na Daspu.<\/p>\n<p>Para Maria Salete Nery, doutoranda em Ci&ecirc;ncias Sociais da UFBA, h&aacute; &ldquo;um enlace, ou melhor, um engate entre economia e cultura que precisa ser reconhecido, debatido e aprofundado. Discutir moda, por exemplo, significa discutir os rumos do capitalismo&rdquo;. A pesquisadora explica que desenvolveu um estudo que tomou como ponto de partida a produ&ccedil;&atilde;o do vestu&aacute;rio em Salvador. Por&eacute;m, como os caminhos que a curiosidade guiou o olhar, a pesquisa abrangeu um universo muito mais amplo e alcan&ccedil;ou uma discuss&atilde;o cultural central na rela&ccedil;&atilde;o humana: a busca da identidade. <\/p>\n<p>&ldquo;O Brasil n&atilde;o exporta apenas mai&ocirc;s e biqu&iacute;nis &lsquo;made in brazil&rsquo;. Exportamos o jeito de se exibir do ver&atilde;o brasileiro. Mais do que uma pe&ccedil;a de roupa, o que se comercializa nas ind&uacute;strias criativas &eacute; o valor simb&oacute;lico das coisas. E isso &eacute; dif&iacute;cil de medir&rdquo;, pontua Maria Salete.<\/p>\n<p>O economista venezuelno, Daniel Mato, entende que todas as ind&uacute;strias s&atilde;o culturais: &ldquo;Sempre &eacute; poss&iacute;vel fazer uma an&aacute;lise, do que quer que seja, com um olhar cultural&rdquo;. Matos considera que toda rela&ccedil;&atilde;o parte de princ&iacute;pios intang&iacute;veis. Segundo ele, devemos nos questionar por que &eacute; um processo cultural comer uma feijoada em Nova Iorque e em S&atilde;o Paulo n&atilde;o &eacute;. Assim, at&eacute; mesmo os h&aacute;bitos alimentares, da gastronomia de tradi&ccedil;&otilde;es, podem ser inclu&iacute;dos entre as estat&iacute;sticas da cultura.<\/p>\n<p><strong>Indicadores Estat&iacute;sticos<\/strong><\/p>\n<p>Ant&ocirc;nio Carvalho Cabral, FGV Direito &ndash; Rio, diz que &eacute; dif&iacute;cil encontrar informa&ccedil;&otilde;es sobre as ind&uacute;strias culturais: &ldquo;Eles vivem dentro de um mundo paralelo, onde muita coisa acontece de forma informal, como o jab&aacute; nas r&aacute;dios e tev&ecirc;s&rdquo;.<\/p>\n<p>Conforme relat&oacute;rio do BNDES, no Brasil, os dados s&atilde;o incipientes, mas ainda assim reveladores. Segundo o Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica e Aplicada &#8211; Ipea, o setor respondia, em 2004, por 5% dos empregos formais do pa&iacute;s. O Mercosul Cultural informa que, em 2004, o impacto no PIB era de 5%. Pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o Jo&atilde;o Pinheiro, por sua vez, indica que, de 1985 a 1994, as atividades culturais respondiam por 160 novos postos de trabalho por cada R$ 1 milh&atilde;o investidos, superando o turismo, a constru&ccedil;&atilde;o civil e os demais setores.<\/p>\n<p>Economista ligado &agrave; Secretaria de Pol&iacute;ticas Culturais do MinC, Felipe de Oliveira Ribeiro afirma que o estudo econ&ocirc;mico da cultura &eacute; fundamental para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Felipe trabalha atualmente na finaliza&ccedil;&atilde;o do Anu&aacute;rio Estat&iacute;stico da Cultura Brasileira, que deve ser lan&ccedil;ado em setembro, para municiar constantemente o aprofundamento de pesquisas para formula&ccedil;&atilde;o e monitoramento das pol&iacute;ticas culturais.<\/p>\n<p>O representante do Minist&eacute;rio, que tamb&eacute;m apresentou trabalho no III Enecult, explica que o ideal seria abranger nos indicadores as tr&ecirc;s dimens&otilde;es da cultura (simb&oacute;lica, cidad&atilde; e econ&ocirc;mica), por&eacute;m, torna-se praticamente invi&aacute;vel medir a dimens&atilde;o simb&oacute;lica da cultura.<\/p>\n<p>Felipe Ribeiro utiliza como exemplo da complexidade dos estudos a cadeia produtiva da m&uacute;sica, que se d&aacute; atrav&eacute;s de um trip&eacute; produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e consumo. &ldquo;A economia da m&uacute;sica &eacute; baseada em economias de grande escala, em um processo controlado, em sua maior parte, por grandes gravadoras&rdquo;, destaca. Com todo o entendimento j&aacute; comum das pr&aacute;ticas tradicionais da ind&uacute;stria cultural e o estudo de novas pr&aacute;ticas informais de produ&ccedil;&atilde;o (<a target=\"_blankhref=&quot;http:\/\/www.culturaemercado.com.br\/setor.php?setor=4&amp;pid=2762&quot;\">leia mais<\/a>), o pesquisador do MinC acredita que os formuladores de pol&iacute;ticas podem pensar novos modelos de neg&oacute;cios para a cultura, valorizando mais os produtores culturais do que os atravessadores hegem&ocirc;nicos da ind&uacute;stria cultural.<\/p>\n<p><strong>Car&ecirc;ncia dos N&uacute;meros<\/strong><\/p>\n<p>O diretor de cinema e televis&atilde;o argentino, Octavio Getino, lembra que os primeiros estudos sobre economia e cultura datam de 1910, na Alemanha. Ele lembra que, em 99, participou de um estudo sobre as dimens&otilde;es culturais e o processo de integra&ccedil;&atilde;o do Mercosul: &ldquo;Os departamentos de economia dos pa&iacute;ses envolvidos n&atilde;o computavam a movimenta&ccedil;&atilde;o sobre cultura porque simplesmente n&atilde;o sabiam o que poderia ser inserido como cultural&rdquo;.<\/p>\n<p>No ano passado, o IBGE, pela primeira vez, iniciou estudos e j&aacute; est&aacute; desenvolvendo um censo cultural que deve levantar toda a discuss&atilde;o econ&ocirc;mica e estat&iacute;stica da cultura brasileira. Na Bahia, tamb&eacute;m j&aacute; est&aacute; em in&iacute;cio de trabalho o Observat&oacute;rio Internacional para Ind&uacute;strias da Criatividade. Isaura Botelho, que participa da an&aacute;lise dos dados do IBGE afirma que o processo de estudos acad&ecirc;micos n&atilde;o &eacute; t&atilde;o veloz como as pol&iacute;ticas necessitam, mas, em breve, uma an&aacute;lise mais profunda sobre a cultura no Brasil de hoje deve dar sustenta&ccedil;&atilde;o para a urg&ecirc;ncia de novas pol&iacute;ticas de regula&ccedil;&atilde;o para o setor.<\/p>\n<p>(*) Carlos Gustavo Yoda cobriu o III Enecult a convite da organiza&ccedil;&atilde;o do evento.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Gilberto Gil assumiu o Minist\u00e9rio da Cultura, a elabora\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas foram divididas em tr\u00eas eixos de atua\u00e7\u00e3o: simb\u00f3lico, cidad\u00e3o e econ\u00f4mico.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[171],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18495"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18495\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}