{"id":18494,"date":"2007-06-06T16:09:20","date_gmt":"2007-06-06T16:09:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18494"},"modified":"2007-06-06T16:09:20","modified_gmt":"2007-06-06T16:09:20","slug":"estudo-busca-compreender-impactos-das-lan-houses-em-comunidades-perifericas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18494","title":{"rendered":"Estudo busca compreender impactos das lan houses em comunidades perif\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<p>O Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito-Rio come&ccedil;ou a mergulhar no universo dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos pagos de acesso &agrave; internet, as lan houses, em comunidades perif&eacute;ricas. Os pesquisadores, inspirados no poss&iacute;vel processo de inclus&atilde;o digital promovido por esses estabelecimentos, adentrar&atilde;o no universo de milhares de crian&ccedil;as e adolescentes que freq&uuml;entam diariamente as lan houses cariocas com o intuito de compreender os impactos que a apropria&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica est&aacute; provocando. <\/p>\n<p>L&iacute;der de projetos do FGV-Rio, Antonio Carvalho Cabral, que participou do III Enecult (<a target=\"_blankhref=&quot;http:\/\/www.culturaemercado.com.br\/setor.php?setor=4&amp;pid=2942&quot;\">leia especial aqui<\/a>), entende que o fen&ocirc;meno da prolifera&ccedil;&atilde;o de casas de acesso &agrave; internet pagas, as lan houses, em comunidades perif&eacute;ricas brasileiras est&aacute; provocando um processo em que as crian&ccedil;as e adolescentes pobres est&atilde;o apropriando-se das tecnologias da inform&aacute;tica com a mesma intensidade que um jovem burgu&ecirc;s de qualquer parte do mundo.<\/p>\n<p><a target=\"_blankname=&quot;conteudo-box-texto&quot;\"><\/a>Fl&aacute;vio Gon&ccedil;alves, coordenador regional do Projeto Casa Brasil e membro do Coletivo Intervozes, coloca, em artigo, que a universaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos do cidad&atilde;o exige pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que invistam recursos em estruturas gratuitas de acesso: &ldquo;N&atilde;o se sup&otilde;e a universaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos como oriundos exclusivamente de estruturas privadas. <a target=\"_blankname=&quot;corpo1&quot;\"><\/a><a target=\"_blankname=&quot;conteudo-box-texto1&quot;\"><\/a>Ao contr&aacute;rio, as entidades defensoras desses direitos afirmam que os planos de sa&uacute;de e as escolas privadas n&atilde;o s&atilde;o capazes de garanti-la, j&aacute; que reproduzem e trabalham dentro da excludente l&oacute;gica do mercado-consumidor&rdquo;.<\/p>\n<p>O economista F&aacute;bio S&aacute; Earp (UFRJ), que tamb&eacute;m participou do Enecult, qualifica o momento atual como uma &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o cultural&rdquo;. Para o professor, &eacute; preciso partir do conceito de que tudo o que fazemos em nosso tempo livre &eacute; cultura. &ldquo;Ficamos com o pensamento de que o jovem vai &agrave; lan house para jogar. Por mais que o jovem queira brincar, ele j&aacute; vai se apropriando das tecnologias da inform&aacute;tica. A partir do momento em que uma crian&ccedil;a de dez anos sai da escola e acessa a internet depois do almo&ccedil;o para atualizar seu blog ou orkut, copiar v&iacute;deos do youtube, baixar m&uacute;sicas em mp3 e se comunicar via MSN, ela est&aacute; fazendo tudo o que um menino de dez anos de idade de classe m&eacute;dia que mora em S&atilde;o Paulo ou em Nova Iorque tamb&eacute;m faz&rdquo;, destaca S&aacute; Earp, diferenciando o papel das lan houses daquele dos telecentros, que pro&iacute;bem, de maneira geral, jogos e acesso a saites de relacionamento como o orkut.<\/p>\n<p><strong>Projeto Pedag&oacute;gico<\/strong><br \/>Como defensor dos telecentros, Fl&aacute;vio Gon&ccedil;alves afirma que um processo de inclus&atilde;o digital precisa ter um projeto pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico: &ldquo;&Eacute; atrav&eacute;s de um processo de constru&ccedil;&atilde;o coletiva que ser&atilde;o definidas atividades, como oficinas de jornalismo comunit&aacute;rio, software livre, direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, governo eletr&ocirc;nico, radioweb, pedagogia de Paulo Freire, economia solid&aacute;ria, entre outras que, ao longo do tempo, s&atilde;o realizadas com o objetivo de apresentar o potencial transformador da tecnologia e sua rela&ccedil;&atilde;o com o nosso cotidiano, respeitando e dialogando com a realidade e com as caracter&iacute;sticas de cada comunidade&rdquo;.<\/p>\n<p>O pesquisador da FGV entende, no entanto, que as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos podem co-existir no espa&ccedil;o privado das lan houses. Em contato com um microempres&aacute;rio de uma comunidade carioca, Cabral interrogou se seria poss&iacute;vel realizar algum curso peri&oacute;dico no local. O propriet&aacute;rio do estabelecimento disse que se o estado der a garantia de que &ldquo;a pol&iacute;cia n&atilde;o vai chegar l&aacute; e quebrar tudo&rdquo;, por ele ser informal, e prestar algum tipo de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica para os equipamentos, a lan house estaria dispon&iacute;vel cerca de tr&ecirc;s horas por dia para atividades programadas.<\/p>\n<p>No momento em que a FGV inicia a pesquisa sobre o fen&ocirc;meno das lan houses nas comunidades cariocas, Cabral j&aacute; articula uma parceria com o Projeto Jovens Urbanos, do Ita&uacute; Cultural (<a target=\"_blankhref=&quot;http:\/\/www.fundacaoitausocial.org.br\/home\/index.htm&quot;\">conhe&ccedil;a aqui<\/a>). A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; fazer um estudo mais formal de mapeamento desses estabelecimentos e provocar parcerias do setor p&uacute;blico, de financiamento p&uacute;blico e licen&ccedil;as simples para o modelo de neg&oacute;cio a cursos ligados a projetos como o Casa Brasil, e at&eacute; do setor privado, negociando licenciamento de softwares com pre&ccedil;os mais baixos.<\/p>\n<p>&ldquo;Esses jovens est&atilde;o em contato com um mundo maior, um mundo colaborativo, que constru&iacute;do coletivamente, onde eles s&atilde;o algu&eacute;m. V&ecirc;-se que os mais velhos n&atilde;o conseguem interagir com a net com a mesma facilidade que essa gera&ccedil;&atilde;o que vive a realidade da rede. E mais, a comunidade tem o senso colaborativo. Trazer os pobres para o universo da web 2.0 (internet colaborativa) &eacute; como dar banana pra macaco. Algu&eacute;m sozinho em uma comunidade perif&eacute;rica n&atilde;o &eacute; ningu&eacute;m. E na web acontece isso. As pessoas precisam relacionar-se. E eles j&aacute; conquistaram isso de forma espont&acirc;nea&rdquo;, acrescenta o pesquisador da FGV.<\/p>\n<p><strong>P&uacute;blico X Privado<\/strong><br \/>Ainda no artigo, o defensor dos telecentros diz que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel a compara&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico gratuito com o espa&ccedil;o p&uacute;blico privado: &ldquo;S&atilde;o espa&ccedil;os conceitualmente diferentes quanto aos seus objetivos e pr&aacute;ticas. Muito menos &eacute; poss&iacute;vel afirmar, como recentemente o fizeram, que &#39;s&atilde;o as lan houses que est&atilde;o, de fato, fazendo a inclus&atilde;o digital neste pa&iacute;s&#39; (<a target=\"_blankhref=&quot;http:\/\/www.culturaemercado.com.br\/setor.php?setor=4&amp;pid=2795&quot;\">leia reportagem aqui<\/a>). Pode-se afirmar que esses espa&ccedil;os est&atilde;o oferecendo acesso ao computador e &agrave; Internet para uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o, mas com um vi&eacute;s muito restrito diante das possibilidades da tecnologia e com uma limita&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m de p&uacute;blico, nesse caso, chamado de &ldquo;consumidor&rdquo;. N&atilde;o h&aacute; nenhuma perspectiva cr&iacute;tica, libertadora ou transformadora no interior de uma lan house. Pelo contr&aacute;rio, ali se reproduz, na sua ess&ecirc;ncia, a rela&ccedil;&atilde;o excludente e individualista do &ldquo;usa quem pode pagar&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; uma forma de empreendedorismo ainda amadora. &Eacute; uma parcela da economia local aonde o tr&aacute;fico n&atilde;o chegou ainda. S&oacute; na Rocinha, s&atilde;o mais de 50 e elas ficam abertas at&eacute; 20 horas por dia. As m&atilde;es dos meninos contaram que barganham: tem que ir na escola para ganhar dois reais por dia para freq&uuml;entar uma lan house. Estamos tentando mostrar que a regulariza&ccedil;&atilde;o desses estabelecimentos podem trazer ganhos para todos: sociedade, governo e empres&aacute;rios&rdquo;, pontua Cabral.<\/p>\n<p>Lembrando a fala do coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, Ronaldo Lemos, no F&oacute;rum Internacional de Software Livre (fisl8.0), h&aacute; a condi&ccedil;&atilde;o de coexist&ecirc;ncia entre os espa&ccedil;os p&uacute;blicos e privados no processo de empoderamento tecnol&oacute;gico da sociedade. O representante do Intervozes considera a defesa das lan houses em comunidades perif&eacute;ricas a repeti&ccedil;&atilde;o da antiga pr&aacute;tica do financiamento privado atrav&eacute;s dos recursos p&uacute;blicos. &ldquo;Cabe &agrave; sociedade organizar-se para exigir dos governantes a efetiva&ccedil;&atilde;o, de forma democr&aacute;tica, da inclus&atilde;o digital. As lan houses ser&atilde;o apenas um ap&ecirc;ndice limitado desse processo necessariamente universalizante e transformador, conclui Gon&ccedil;alves&rdquo;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito-Rio come\u00e7ou a mergulhar no universo dos espa\u00e7os p\u00fablicos pagos de acesso \u00e0 internet, as lan houses, em comunidades perif\u00e9ricas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[105],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18494"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18494\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}