{"id":18488,"date":"2007-06-05T17:53:43","date_gmt":"2007-06-05T17:53:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18488"},"modified":"2007-06-05T17:53:43","modified_gmt":"2007-06-05T17:53:43","slug":"transmissoes-comecam-sem-oferta-de-recursos-interativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18488","title":{"rendered":"Transmiss\u00f5es come\u00e7am sem oferta de recursos interativos"},"content":{"rendered":"<p><span>Apresentada por membros do governo federal e pesquisadores como uma das caracter&iacute;sticas fundamentais da TV digital brasileira, a interatividade n&atilde;o deve sair do papel, pelo menos nos pr&oacute;ximos anos. Isso porque as normas enviadas pelo F&oacute;rum de TV Digital (&oacute;rg&atilde;o empresarial respons&aacute;vel por assessorar o governo) ao Comit&ecirc; de Desenvolvimento (conselho de minist&eacute;rios respons&aacute;vel pelas especifica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas do novo sistema) n&atilde;o obrigar&atilde;o os fabricantes a dotar os conversores de elementos capazes de processar a interatividade. A decis&atilde;o ainda n&atilde;o &eacute; definitiva, mas este Observat&oacute;rio apurou que a proposta dos empres&aacute;rios deve ser aceita pelo governo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Na pr&aacute;tica, os conversores mais simples n&atilde;o devem ter um canal de interatividade (que possa dotar a TV digital de conex&atilde;o com um servi&ccedil;o de banda-larga) e um middleware, respons&aacute;vel por &ldquo;rodar&rdquo; os servi&ccedil;os interativos, tornando-os meros seletores de canais. Al&eacute;m disso, o Brasil deixar&aacute; de usar o &uacute;nico desenvolvimento realmente nacional pass&iacute;vel de utiliza&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a defini&ccedil;&atilde;o pelo emprego do padr&atilde;o japon&ecirc;s de modula&ccedil;&atilde;o (ISDB), o middleware Ginga, sistema operacional desenvolvido pela Universidade Federal da Para&iacute;ba e pela PUC do Rio de Janeiro. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Inclus&atilde;o, por enquanto n&atilde;o<br \/><\/strong><\/span><span>Durante tr&ecirc;s anos, pesquisadores brasileiros desenvolveram diversos aplicativos capazes de tornar a TV digital um instrumento de inclus&atilde;o social, com acesso a servi&ccedil;os governamentais (Previd&ecirc;ncia e INSS, por exemplo), servi&ccedil;os banc&aacute;rios, de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, e-mail, entre outros. Mas, com a iminente decis&atilde;o do governo, n&atilde;o &eacute; s&oacute; o potencial democratizante do principal meio de comunica&ccedil;&atilde;o que deixar&aacute; de ser aproveitado com a transi&ccedil;&atilde;o para a televis&atilde;o digital: o sonho de torn&aacute;-la um instrumento de inclus&atilde;o social tamb&eacute;m ser&aacute; desperdi&ccedil;ado. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A conclus&atilde;o tem uma justificativa simples: os conversores incapazes de processar a interatividade devem ser comprados pelos mais pobres, justamente os que mais precisam do oferecimento dos servi&ccedil;os interativos, por n&atilde;o terem acesso &agrave; Internet. &ldquo;A interatividade era o diferencial, j&aacute; que a melhoria da qualidade de imagem &eacute; inexor&aacute;vel &agrave; nova tecnologia. A imagem pode ter uma pl&aacute;stica melhor, mas ser&aacute; a mesma televis&atilde;o. No fundo, o que teremos &eacute; uma reprodu&ccedil;&atilde;o da TV anal&oacute;gica&rdquo;, afirma Israel Bayma, pesquisador no Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Se concretizada a aus&ecirc;ncia da interatividade na TV digital, os radiodifusores vencem mais uma batalha, tornando a TV digital a mais parecida poss&iacute;vel com a televis&atilde;o anal&oacute;gica e evitando que, com o processo de converg&ecirc;ncia, eles passem a sofrer a concorr&ecirc;ncia de outros servi&ccedil;os que tamb&eacute;m disponibilizam programa&ccedil;&atilde;o audiovisual. Por isso, refor&ccedil;am a import&acirc;ncia da alta defini&ccedil;&atilde;o, mas desqualificam a multiprograma&ccedil;&atilde;o e postergam a interatividade. &ldquo;&Eacute; uma confirma&ccedil;&atilde;o da total indisponibilidade do setor em fazer inclus&atilde;o digital&rdquo;, completa Bayma.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Agora, &nbsp;governo diz que&nbsp;interatividade deve ser opcional<br \/><\/strong><\/span><span>Segundo o governo, n&atilde;o h&aacute; como obrigar os fabricantes a dotarem os conversores de capacidade interativa. &ldquo;N&oacute;s n&atilde;o podemos obrigar os fabricantes a incluir o processador de interatividade. Uma pessoa pode n&atilde;o querer a interatividade. &Eacute; uma op&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma Andr&eacute; Barbosa Filho, assessor da Casa Civil que acompanha o processo de implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital no Brasil.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Barbosa assume que a t&atilde;o falada interatividade n&atilde;o estar&aacute; dispon&iacute;vel no in&iacute;cio das transmiss&otilde;es. &ldquo;Tenho pouca esperan&ccedil;a de que em um curto espa&ccedil;o de tempo j&aacute; tenhamos conversores com middleware&rdquo;. Al&eacute;m disso, Barbosa n&atilde;o garante solu&ccedil;&otilde;es para o fato de que a parcela mais pobre da popula&ccedil;&atilde;o, num segundo momento, caso queira utilizar os recursos interativos dispon&iacute;veis, ter&aacute; que comprar um novo conversor. &ldquo;Estamos trabalhando para que a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o precise pagar duas vezes pela caixinha. Tudo isso est&aacute; sendo estudado, embora saibamos que a ind&uacute;stria vai querer vender duas vezes&rdquo;, afirma o assessor da Casa Civil.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>O governo tamb&eacute;m&nbsp;justifica a decis&atilde;o com o argumento de que, com middleware, mem&oacute;ria, disco r&iacute;gido e sa&iacute;da para canal de retorno, o conversor ficaria muito caro. Apesar de verdadeira, a justificativa esconde o fato de que tais quest&otilde;es poderiam ser minimizadas com uma pol&iacute;tica industrial que buscasse solu&ccedil;&otilde;es para o problema. &ldquo;Realmente o terminal de acesso ficar&aacute; mais caro, porque o uso do middleware (que, no caso do Ginga, &eacute; software de c&oacute;digo fonte aberto) implica canal de retorno, mais mem&oacute;ria e at&eacute;, se poss&iacute;vel, um HD. &Eacute; justamente para isso que deveria servir a pol&iacute;tica industrial brasileira, usando de mecanismos como isen&ccedil;&atilde;o de impostos, acordos internacionais que prevejam transfer&ecirc;ncia de tecnologias e o n&atilde;o pagamento de royalties e at&eacute; a subven&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda&rdquo; afirma Gustavo Gindre, coordenador do Intervozes e membro do j&aacute; extinto Conselho Consultivo da TV Digital. &ldquo;Se o governo n&atilde;o for capaz de produzir uma pol&iacute;tica deste tipo ent&atilde;o deveria anunciar sua incompet&ecirc;ncia, mas n&atilde;o prejudicar o usu&aacute;rio de baixa renda&rdquo;, diz.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Desenvolvimento de softwares<br \/><\/strong><\/span><span>Se os conversores n&atilde;o forem dotados de middleware, o Brasil tamb&eacute;m deixar&aacute; de estimular uma ind&uacute;stria de aplicativos (softwares) que rodariam &quot;em cima&quot; do middleware. A grande vantagem da ado&ccedil;&atilde;o de um middleware nacional (Ginga) seria justamente fortalecer a ind&uacute;stria de softwares. &ldquo;Com a massifica&ccedil;&atilde;o da interatividade, a ind&uacute;stria nacional de softwares teria escala para produzir aplicativos de qualidade&rdquo;, afirma Gindre. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Como o middleware brasileiro &eacute; intercambi&aacute;vel com os demais middlewares internacionais (gra&ccedil;as a um conjunto de especifica&ccedil;&otilde;es chamado GEM), e a partir da escala interna, a ind&uacute;stria brasileira de softwares poderia inclusive exportar seu conte&uacute;do. &ldquo;Agora, se n&atilde;o tiver uma base interna s&oacute;lida, como essa ind&uacute;stria poder&aacute; ambicionar o mercado externo?&rdquo;, questiona o pesquisador.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; partilhada pela ABES (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Softwares). O presidente da associa&ccedil;&atilde;o, Jos&eacute; Curcelli, afirma que as empresas de software est&atilde;o trabalhando para desenvolver os aplicativos para serem embarcados nos conversores. &ldquo;Se o Ginga n&atilde;o for obrigat&oacute;rio, isso certamente vai impactar no desenvolvimento dos softwares. As empresas est&atilde;o se preparando com base no que foi dito, que haveria middleware e sa&iacute;da pro canal de retorno&rdquo;, diz.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Curcelli afirma n&atilde;o ser poss&iacute;vel calcular o preju&iacute;zo da ind&uacute;stria de softwares com a n&atilde;o ado&ccedil;&atilde;o imediata do Ginga, &ldquo;mas o retorno do investimento certamente ser&aacute; mais longo, o que acaba desestimulando novos desenvolvimentos&rdquo;. Segundo ele, caso concretizada a n&atilde;o obrigatoriedade do middleware, esta ser&aacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;pria pol&iacute;tica do governo. &ldquo;&Eacute; amb&iacute;guo incentivar a ind&uacute;stria de softwares, como tem sido feito, e n&atilde;o obrigar que os set top boxes venham com aquilo que o software precisa para rodar&rdquo;, afirma.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Interatividade, nem na TV p&uacute;blica<br \/><\/strong><\/span><span>Durante o I&nbsp; F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas, realizado no m&ecirc;s de maio em Bras&iacute;lia, representantes do governo, das emissoras p&uacute;blicas, estatais, universit&aacute;rias e comunit&aacute;rias refor&ccedil;aram a necessidade da garantia da interatividade para o cumprimento integral das finalidades do campo p&uacute;blico de televis&atilde;o. Segundo o pr&oacute;prio assessor da Casa Civil, &ldquo;n&oacute;s temos outra preocupa&ccedil;&atilde;o, que &eacute; usar a TV digital para oferecer servi&ccedil;os p&uacute;blicos, de educa&ccedil;&atilde;o, de sa&uacute;de, de transporte, por exemplo. Banco do Brasil e Caixa Econ&ocirc;mica Federal, inclusive, est&atilde;o se preparando para oferecer servi&ccedil;os parecidos com os da internet. Se for necess&aacute;rio, vamos usar as estatais para lan&ccedil;ar a interatividade na TV p&uacute;blica&rdquo;. O CPqD (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunica&ccedil;&otilde;es) desenvolveu o T-banking, uma solu&ccedil;&atilde;o que permite a realiza&ccedil;&atilde;o de transa&ccedil;&otilde;es financeiras, como consulta a saldos e extratos, transfer&ecirc;ncias de valores, aplica&ccedil;&otilde;es, entre outras, por meio da TV digital. <\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal\" class=\"NormalWeb8\"><span>Mas, por enquanto, o que foi dito durante os &uacute;ltimos quatro anos n&atilde;o se tornar&aacute; realidade e a interatividade n&atilde;o far&aacute; parte da TV digital brasileira. Se tais recursos estar&atilde;o dispon&iacute;veis num futuro pr&oacute;ximo, &eacute; imposs&iacute;vel dizer. A evidente solu&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o construir uma situa&ccedil;&atilde;o irrevers&iacute;vel &eacute; criar uma pol&iacute;tica que garanta que a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre tenha acesso aos conversores capazes de processar a interatividade, mesmo que isso &ldquo;atrase&rdquo; a estr&eacute;ia da TV digital por alguns meses. Mas, como a garantia do interesse p&uacute;blico n&atilde;o acompanhou as decis&otilde;es do governo nas decis&otilde;es acerca da TV digital, &eacute; dif&iacute;cil acreditar que isso aconte&ccedil;a.<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: normal\" class=\"NormalWeb8\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;permitida a replica&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte original.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresentadas pelo governo como caracter\u00edsticas fundamentais da TV digital brasileira, a interatividade e a oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o devem sair do papel, pelo menos nos pr\u00f3ximos anos. Com a iminente decis\u00e3o, quem sai perdendo \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o menos favorecida.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[79],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18488"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18488"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18488\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}