{"id":18482,"date":"2007-06-05T15:36:19","date_gmt":"2007-06-05T15:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18482"},"modified":"2007-06-05T15:36:19","modified_gmt":"2007-06-05T15:36:19","slug":"renovacao-e-cancelamento-de-concessoes-de-radiodifusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18482","title":{"rendered":"Renova\u00e7\u00e3o e cancelamento de concess\u00f5es de radiodifus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>A n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o do servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o do canal RCTV pelo governo da Venezuela, em 28 de maio passado, provocou uma onda de manifesta&ccedil;&otilde;es em defesa da democracia na Am&eacute;rica do Sul. O governo dos Estados Unidos, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e os megagrupos privados globais de m&iacute;dia t&ecirc;m sido un&acirc;nimes em condenar a decis&atilde;o. Entidades representativas dos radiodifusores acusam a amea&ccedil;a &agrave; liberdade de imprensa. At&eacute; mesmo nossos senadores deixaram de lado preocupa&ccedil;&otilde;es mais prementes para aprovar apelo dirigido ao presidente Hugo Ch&aacute;vez no sentido de rever a sua decis&atilde;o que, por sua vez, respondeu ofensivamente ao Congresso Nacional.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Independente do m&eacute;rito e das implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas da n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o h&aacute; um importante aspecto que tem sido pouco lembrado no debate conduzido pela grande m&iacute;dia. Trata-se de que, na Venezuela e no Brasil, as concess&otilde;es de servi&ccedil;o p&uacute;blico s&atilde;o prec&aacute;rias, outorgadas sob determinadas condi&ccedil;&otilde;es e por prazo previamente acertado. Seu eventual cancelamento ou n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o possibilidades inscritas nos respectivos contratos. O concession&aacute;rio &eacute; exatamente o que o nome diz, isto &eacute;, detentor de uma concess&atilde;o. N&atilde;o &eacute; propriet&aacute;rio.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>No Brasil, as condi&ccedil;&otilde;es sob as quais os contratos de concess&atilde;o dos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o s&atilde;o outorgados t&ecirc;m sido objeto de controv&eacute;rsia h&aacute; algum tempo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Dispositivo constitucional<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Recentemente, em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica na Subcomiss&atilde;o Especial da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara dos Deputados destinada a analisar mudan&ccedil;as nas normas de aprecia&ccedil;&atilde;o dos atos de outorga e renova&ccedil;&atilde;o de concess&atilde;o do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o, o procurador da Rep&uacute;blica no Distrito Federal, R&ocirc;mulo M. Conrado, chamou a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade da regulamenta&ccedil;&atilde;o e revis&atilde;o de diversos dispositivos do cap&iacute;tulo da Constitui&ccedil;&atilde;o que trata da Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Dentre outros, o procurador destacou especificamente o &sect; 4&ordm; do Artigo 223, que confere aos contratos firmados entre as emissoras de radiodifus&atilde;o e o Poder Concedente uma natureza diferenciada &uacute;nica em rela&ccedil;&atilde;o a todos os demais contratos de concess&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos. Ele lembrou que, na hip&oacute;tese de identifica&ccedil;&atilde;o de alguma irregularidade grave na presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, o Poder Concedente s&oacute; recuperar&aacute; o direito &agrave; plena tutela sobre o servi&ccedil;o em caso de decis&atilde;o judicial. O &sect; 4&ordm; do artigo 223 diz o seguinte:<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;O cancelamento da concess&atilde;o ou permiss&atilde;o antes de vencido o prazo, depende de decis&atilde;o judicial&quot;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O procurador sugeriu, ent&atilde;o, a necessidade de revoga&ccedil;&atilde;o deste dispositivo constitucional, de modo a equiparar os contratos de outorga de radiodifus&atilde;o aos outros firmados pelo Poder P&uacute;blico. Neles, o concession&aacute;rio se obriga a manter a regularidade jur&iacute;dica e fiscal da entidade por toda a dura&ccedil;&atilde;o do contrato, sob pena de imediata rescis&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>A&ccedil;&otilde;es de fiscaliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O procurador poderia ter mencionado tamb&eacute;m o privil&eacute;gio desses contratos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de sua n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o. De fato, o &sect; 2&ordm; do mesmo Artigo 223 diz que:<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;A n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o ou permiss&atilde;o depender&aacute; de aprova&ccedil;&atilde;o de, no m&iacute;nimo, dois quintos do Congresso Nacional, em vota&ccedil;&atilde;o nominal.&quot; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Na pr&aacute;tica, a norma significa que a n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o de uma concess&atilde;o de radiodifus&atilde;o precisa ser aprovada em sess&atilde;o conjunta do Congresso Nacional pelo voto nominal (aberto) de 238 parlamentares. Qualquer observador que acompanha as atividades nas duas Casas do Legislativo sabe que essa &eacute; uma vota&ccedil;&atilde;o praticamente imposs&iacute;vel de se obter.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Por outro lado, a CCTCI aprovou na quarta-feira (30\/5), relat&oacute;rio com novas regras para a aprecia&ccedil;&atilde;o dos processos de renova&ccedil;&atilde;o e outorga de concess&otilde;es de emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o. A proposta veio exatamente da Subcomiss&atilde;o Especial que tratou do tema nos &uacute;ltimos dois meses. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Nas modifica&ccedil;&otilde;es do Ato Normativo n&ordm; 1 de 1999, que vigoram a partir de julho, fica eliminada a possibilidade de devolu&ccedil;&atilde;o de processos ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es para solu&ccedil;&atilde;o de eventuais pend&ecirc;ncias. Se no prazo de 90 dias as pend&ecirc;ncias detectadas na CCTCI n&atilde;o forem solucionadas pelas concession&aacute;rias, o processo ser&aacute; distribu&iacute;do para relatoria com recomenda&ccedil;&atilde;o pela rejei&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Fica tamb&eacute;m prevista a realiza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de fiscaliza&ccedil;&atilde;o com o aux&iacute;lio do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o sobre os procedimentos adotados pelo Poder Executivo no exame dos processos, e o estabelecimento de dispositivos que vinculem as outorgas para emissoras com fins exclusivamente educativos a institui&ccedil;&otilde;es de ensino, com reconhecimento formal do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. Os processos tamb&eacute;m n&atilde;o poder&atilde;o mais ficar parados indefinidamente na CCTCI. O presidente da comiss&atilde;o requisitar&aacute; os que n&atilde;o forem relatados no prazo de cinco sess&otilde;es para redistribui&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Crit&eacute;rios e condi&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A aprova&ccedil;&atilde;o do novo Ato Normativo constitui um primeiro passo para atua&ccedil;&atilde;o mais ativa e conseq&uuml;ente do Congresso Nacional em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s concess&otilde;es e renova&ccedil;&otilde;es dos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o que, desde a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, vinha sendo meramente formal.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Como se v&ecirc;, no caso brasileiro, as concess&otilde;es, as renova&ccedil;&otilde;es e o cancelamento dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de r&aacute;dio e televis&atilde;o &agrave; iniciativa privada s&atilde;o historicamente regidas por normas que, ao longo do tempo, transformam os concession&aacute;rios praticamente em &quot;propriet&aacute;rios&quot;. S&oacute; agora, por exemplo, um dos poderes concedentes, o Congresso Nacional, define normas mais efetivas para a aprecia&ccedil;&atilde;o das autoriza&ccedil;&otilde;es que v&ecirc;m do Poder Executivo. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o de um canal de TV na Venezuela poderia, portanto, se transformar em excelente ocasi&atilde;o para que se discutissem quais deveriam ser os crit&eacute;rios e as condi&ccedil;&otilde;es para concess&atilde;o, renova&ccedil;&atilde;o e cancelamento do servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o no Brasil.<br \/><\/span><span><\/p>\n<p><\/span><span>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;autorizada a publiza&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte original.<\/span>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A n&atilde;o-renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o do servi&ccedil;o p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o do canal RCTV pelo governo da Venezuela, em 28 de maio passado, provocou uma onda de manifesta&ccedil;&otilde;es em defesa da democracia na Am&eacute;rica do Sul. 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