{"id":18471,"date":"2007-06-04T14:46:15","date_gmt":"2007-06-04T14:46:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18471"},"modified":"2007-06-04T14:46:15","modified_gmt":"2007-06-04T14:46:15","slug":"campanha-quer-restricao-a-anuncios-para-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18471","title":{"rendered":"Campanha quer restri\u00e7\u00e3o a an\u00fancios para crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><span>As &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es colocaram na agenda p&uacute;blica o tema da &eacute;tica no jornalismo. Com os debates em torno da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa de obras audiovisuais, a discuss&atilde;o se estendeu para o campo do entretenimento. E agora, chega ao espinhoso terreno da publicidade, com a disputa pela regulamenta&ccedil;&atilde;o dos an&uacute;ncios voltados &agrave;s crian&ccedil;as. Enquanto as empresas fabricantes de produtos infantis e publicit&aacute;rios fazem lobby para manter a aus&ecirc;ncia de normas, entidades da sociedade civil dos campos da pediatria, psicologia e comunica&ccedil;&atilde;o se mobilizam para regulamentar a publicidade infantil. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;O principal malef&iacute;cio causado &agrave;s crian&ccedil;as &eacute; que a publicidade age na subjetividade. &Eacute; feita para trabalhar com a forma&ccedil;&atilde;o de desejos e transportar o que &eacute; necessidade para o campo do desejo. Seria leviano afirmar que as propagandas mexem com a sa&uacute;de mental das crian&ccedil;as, porque n&atilde;o h&aacute; comprova&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica disso, mas podemos afirmar que &eacute; perverso fazer propagandas para crian&ccedil;as ou de produtos adultos com apelos infantis sob o argumento de que a crian&ccedil;a tem alto grau de influ&ecirc;ncia na decis&atilde;o de compra da fam&iacute;lia&rdquo;, afirma o pesquisador Edgard Rebou&ccedil;as, da Universidade Federal de Pernambuco, integrante da Campanha Quem financia a baixaria &eacute; contra a cidadania. Rebou&ccedil;as defende que n&atilde;o haja intervalos comerciais em programas infantis. &ldquo;&Eacute; muito mais f&aacute;cil atingir uma crian&ccedil;a, porque ela n&atilde;o tem os filtros sociais que os adultos t&ecirc;m. &Eacute; a&iacute; que reside a perversidade dos publicit&aacute;rios que se valem disso&rdquo;, diz. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Mantendo a postura hist&oacute;rica pela n&atilde;o-regulamenta&ccedil;&atilde;o da atividade publicit&aacute;ria, o Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria) rebate as cr&iacute;ticas e afirma que &ldquo;a educa&ccedil;&atilde;o se d&aacute; com a informa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o com a falta dela&rdquo; e que a proibi&ccedil;&atilde;o de propaganda infantil &eacute; um &ldquo;atentado &agrave; liberdade de express&atilde;o comercial&rdquo;. &ldquo;A propaganda contribui para que os cidad&atilde;os exer&ccedil;am bem o direito de fazer escolhas. Informa&ccedil;&atilde;o editorial e informa&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria s&atilde;o complementares&rdquo;, afirma Gilberto Leifert, presidente da entidade.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Rebou&ccedil;as faz a defesa de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o ampla da publicidade destinada a crian&ccedil;as e adolescentes. &ldquo;Lutamos para que n&atilde;o sejam usadas crian&ccedil;as em comerciais, e que o an&uacute;ncio n&atilde;o seja destinado a elas usando personagens ou personalidades que fazem parte de seu universo. E que o apelo seja direcionado aos pais&rdquo;, diz. &ldquo;N&atilde;o somos contra que haja publicidade de leite em p&oacute;, desde que seja direcionada para os pais. N&atilde;o somos contra que exista propaganda do Mc Donald&#39;s, mas que fale aos pais&rdquo;, completa.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Por isso, o professor afirma que o ideal seria se n&atilde;o houvesse nenhum tipo de comercial durante um programa infantil. &ldquo;Principalmente na primeira fase da inf&acirc;ncia, uma crian&ccedil;a n&atilde;o consegue identificar o que &eacute; comercial. Em outras fases, ela passa a ter outra percep&ccedil;&atilde;o, mas fica mais condicionada a consumir os produtos anunciados do que se divertir, se educar e se informar com os programas. A TV deve seguir alguns princ&iacute;pios b&aacute;sicos: educar, informar e divertir. Neste caso, est&aacute; servindo para vender&rdquo;, diz. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Frentes de atua&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><\/span><span>Segundo Rebou&ccedil;as, a busca da regulamenta&ccedil;&atilde;o dos an&uacute;ncios destinados &agrave;s crian&ccedil;as tem atualmente&nbsp; tr&ecirc;s frentes. A primeira delas est&aacute; na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor da C&acirc;mara dos Deputados: um substitutivo da deputada Maria do Carmo Lara, feito a partir do projeto de lei de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) que sugeria a proibi&ccedil;&atilde;o da publicidade destinada a crian&ccedil;as. &ldquo;O estava tramitando para ser votado com a proibi&ccedil;&atilde;o, mas a Campanha entrou na discuss&atilde;o e ponderou que ele teria poucas chances de passar. Assim, come&ccedil;amos a brigar pela regulamenta&ccedil;&atilde;o. Houve audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas em alguns estados, mas o projeto foi para o final da pauta. Seria interessante que voltasse a tramitar&rdquo;, informa o professor.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A segunda frente &eacute; implementada pela Anvisa (Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria), que colocou em consulta p&uacute;blica a regulamenta&ccedil;&atilde;o de publicidade de alimentos de baixo valor nutritivo e de alimentos com quantidades elevadas de a&ccedil;&uacute;car, gordura saturada, gordura trans, s&oacute;dio e bebidas com baixo teor nutricional. Al&eacute;m da consulta, a Anvisa realiza, no pr&oacute;ximo dia 12, na Comiss&atilde;o de Sa&uacute;de do Senado, uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica para discutir obesidade infantil. &ldquo;Estar&atilde;o presentes pesquisadores e profissionais dos campos da pediatria, cardiologia e psicologia, al&eacute;m de empres&aacute;rios da ind&uacute;stria aliment&iacute;cia&rdquo;, informa Rebou&ccedil;as, que vai &agrave; audi&ecirc;ncia apresentar uma pesquisa sobre como outros pa&iacute;ses regulamentam a publicidade infantil.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A terceira frente &eacute; a da regulamenta&ccedil;&atilde;o de publicidade de bebidas alco&oacute;licas. Pela lei, para publicidade, s&atilde;o bebidas alco&oacute;licas aquelas com teor alco&oacute;lico acima de 13 graus. Ou seja: a cerveja, que tem de 4 a 5 graus, n&atilde;o &eacute;. &ldquo;Uma portaria que regulamenta a publicidade de bebida alco&oacute;lica est&aacute; em consulta p&uacute;blica, mas a portaria n&atilde;o &eacute; superior &agrave; lei, ent&atilde;o, &eacute; muito dif&iacute;cil que adiante algo, a n&atilde;o ser que seja alterada a lei&rdquo;, informa Rebou&ccedil;as.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Exposi&ccedil;&atilde;o exagerada<br \/><\/strong><\/span><span>Com a digitaliza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o, este cen&aacute;rio pode piorar, j&aacute; que dentro do pr&oacute;prio programa a crian&ccedil;a vai poder acessar hiperlinks de consumo. Mas, hoje em dia, mesmo sem a implanta&ccedil;&atilde;o da TV digital, as crian&ccedil;as est&atilde;o submetidas a uma avalanche de comerciais. Segundo pesquisa do Rio M&iacute;dia realizada em 2006, em uma semana de programa&ccedil;&atilde;o infantil matinal, tr&ecirc;s emissoras de TV aberta do pa&iacute;s exibiram 447 comerciais, o equivalente a cerca de tr&ecirc;s horas e 45 minutos da faixa hor&aacute;ria oferecida (8,76%). No topo da lista dos produtos anunciados est&atilde;o brinquedos, rem&eacute;dios de emagrecimento, jogos de aposta, CDs de m&uacute;sica, mensagens via celular, cereais e comidas fast-food. O levantamento analisou os intervalos das &uacute;nicas emissoras comerciais de TV aberta que oferecem, pela manh&atilde;, programas destinados &agrave;s crian&ccedil;as. S&atilde;o elas: Rede Globo, Rede TV e SBT. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m das propagandas em intervalos de programas infantis, an&uacute;ncios de produtos adultos usam apelos para crian&ccedil;as. &ldquo;Desde os anos 40, os publicit&aacute;rios descobriram que crian&ccedil;as t&ecirc;m influ&ecirc;ncia na percep&ccedil;&atilde;o de compra da fam&iacute;lia. Em um estudo cl&aacute;ssico dos anos 60, afirma que as crian&ccedil;as t&ecirc;m influencia de 60% nas compras das fam&iacute;lias. De qualquer tipo de compra, desde alimento a m&oacute;veis e eletrodom&eacute;sticos. Os publicit&aacute;rios se valeram deste dado e fazem uma publicidade indireta &agrave;s crian&ccedil;as, o que tamb&eacute;m &eacute; extremamente perverso&rdquo;, explica Rebou&ccedil;as.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Os limites da auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><\/span><span>Para Leifert, do Conar, as tentativas de regulamenta&ccedil;&atilde;o revelam que o Estado n&atilde;o acredita no poder de discernimento do cidad&atilde;o. &ldquo;&Eacute; um evidente paradoxo. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; publicidade, temos insistido nessa tecla: muitas vezes o projeto de lei ou a interven&ccedil;&atilde;o do Estado sugere que o cidad&atilde;o &eacute; considerado plenamente capaz apenas para constituir fam&iacute;lia, eleger representantes pol&iacute;ticos, pagar impostos, mas seria incapaz de fazer escolhas a partir da publicidade&rdquo;, afirma.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Tentando dar conta da press&atilde;o pela regulamenta&ccedil;&atilde;o da propaganda infantil, em setembro de 2006, o Conar colocou em pr&aacute;tica novas normas &eacute;ticas para a publicidade de alimentos e de produtos destinados a crian&ccedil;as e adolescentes. Para Leifert, o balan&ccedil;o &eacute; positivo. &ldquo;Houve consenso que crian&ccedil;as e adolescentes merecem tratamento diferenciado e resultado pode ser medido pela ampla ades&atilde;o &agrave;s novas normas adotadas em junho de 2006 e que entraram em vigor em setembro. O pequeno n&uacute;mero de processos &eacute;ticos abertos desde ent&atilde;o tamb&eacute;m confirma essa impress&atilde;o&rdquo;. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Rebou&ccedil;as, por&eacute;m, &eacute; ponderado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; efici&ecirc;ncia da auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o. &ldquo;No artigo reformulado, a entidade coloca uma s&eacute;rie de aconselhamentos para os publicit&aacute;rios sobre o uso de crian&ccedil;as, personagens, produtos destinados a crian&ccedil;as. J&aacute; &eacute; um avan&ccedil;o, porque antes n&atilde;o havia nem isso. Mas o Conar n&atilde;o &eacute; inst&acirc;ncia do Estado para regulamentar, &eacute; uma entidade de auto-regula&ccedil;&atilde;o de empres&aacute;rios de comunica&ccedil;&atilde;o, empresas de publicidade e anunciantes. &Eacute; um clube que tem varias atua&ccedil;&otilde;es louv&aacute;veis e interessantes, mas defendem interesses pr&oacute;prios e como suas determina&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tem for&ccedil;a de lei, se algu&eacute;m do clube n&atilde;o quiser seguir as normas, a san&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima &eacute; ser exclu&iacute;do do clube&rdquo;, diz Rebou&ccedil;as. &ldquo;O Conar modificou sua regulamenta&ccedil;&atilde;o justificando que deveriam ser formados consumidores conscientes. Temos que formar cidad&atilde;os conscientes e n&atilde;o consumidores conscientes&rdquo;, aponta o professor.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>Links:<\/p>\n<p><\/span><span>Substitutivo da deputada Maria do Carmo Lara<br \/><\/span><span>(<\/span><span><a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/sileg\/Prop_Detalhe.asp?id=326953)d\">http:\/\/www.camara.gov.br\/sileg\/Prop_Detalhe.asp?id=326953)<\/a><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Projeto de Lei de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que sugere a proibi&ccedil;&atilde;o da publicidade destinada a crian&ccedil;as <br \/>(<\/span><span><a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/sileg\/MostrarIntegra.asp?CodTeor=24887)e\">http:\/\/www.camara.gov.br\/sileg\/MostrarIntegra.asp?CodTeor=24887)<\/a><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Consulta p&uacute;blica da Anvisa sobre o regulamento para a publicidade de alimentos<br \/><\/span><span>(<\/span><span><a href=\"http:\/\/www4.anvisa.gov.br\/base\/visadoc\/CP\/CP[16556-1-0].PDF\">http:\/\/www4.anvisa.gov.br\/base\/visadoc\/CP\/CP%5B16556-1-0%5D.PDF<\/a><\/span><span>)<\/span><\/p>\n<p><span>Pesquisa do Rio M&iacute;dia<br \/>(<a href=\"http:\/\/www.multirio.rj.gov.br\/riomidia\/\">http:\/\/www.multirio.rj.gov.br\/riomidia\/<\/a>)<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;<\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discuss\u00e3o sobre o conte\u00fado ganha for\u00e7a e chega ao terreno da publicidade, com a disputa pela regulamenta\u00e7\u00e3o dos an\u00fancios para as crian\u00e7as. 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