{"id":18468,"date":"2007-06-02T19:53:23","date_gmt":"2007-06-02T19:53:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18468"},"modified":"2007-06-02T19:53:23","modified_gmt":"2007-06-02T19:53:23","slug":"caso-rctv-golpe-de-estado-ii-o-retorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18468","title":{"rendered":"Caso RCTV: Golpe de Estado II, o Retorno"},"content":{"rendered":"<p><em>* Freddy Fernandez &eacute; jornalista, escritor e diretor da Ag&ecirc;ncia Bolivariana de Not&iacute;cias (www.abn.info.ve)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<span>A estrat&eacute;gia &eacute; muito clara: a oposi&ccedil;&atilde;o venezuelana e os aparatos de intelig&ecirc;ncia do governo dos Estados Unidos est&atilde;o montando um programa de televis&atilde;o para comover a OEA. Os ensaios j&aacute; foram realizados e se parecem com uma mobiliza&ccedil;&atilde;o estudantil. A Assembl&eacute;ia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos ocorre a partir do pr&oacute;ximo domingo (3) e termina na quarta, dia 5 de junho. A oposi&ccedil;&atilde;o venezuelana, vestida de estudante, convocou mobiliza&ccedil;&otilde;es durante os dias 3, 4 e 5 de junho de 2007. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Durante a semana passada assistimos apenas aos ensaios. Os atores est&atilde;o cada vez mais identificados com seus personagens. Neste momento, o t&iacute;tulo da obra &eacute; &ldquo;Repress&atilde;o violenta na Venezuela&rdquo;. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A trama funciona gra&ccedil;as a mecanismos muito sens&iacute;veis. Os personagens s&atilde;o jovens que o p&uacute;blico deve identificar como &ldquo;estudantes&rdquo;. &Eacute; melhor n&atilde;o mencionar as institui&ccedil;&otilde;es onde eles estudam, ainda que em algumas ocasi&otilde;es n&atilde;o haja outra op&ccedil;&atilde;o sen&atilde;o identific&aacute;-los como provenientes da Universidade Cat&oacute;lica, da Santa Maria, &ldquo;San Ignacio de Loyola&rdquo;, ou seja, de institui&ccedil;&otilde;es educativas privadas e privilegiadas. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Eles s&atilde;o os bons. Os maus s&atilde;o os policiais. Para os bons, as palavras chaves s&atilde;o &ldquo;espont&acirc;nea&rdquo; e &ldquo;pac&iacute;fica&rdquo;. Essas palavras s&atilde;o repetidas insistentemente pelo canal venezuelano Globovisi&oacute;n, as emissoras privadas de r&aacute;dio e pelo canal estadunidense CNN. Para os maus, as palavras chaves, com as quais devem ser identificados, s&atilde;o &ldquo;brutal&rdquo;, &ldquo;repress&atilde;o&rdquo;, &ldquo;armas&rdquo; e &ldquo;violenta&rdquo;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O cen&aacute;rio &eacute; uma rua venezuelana por onde avan&ccedil;a uma manifesta&ccedil;&atilde;o &ldquo;estudantil&rdquo; &ldquo;espont&acirc;nea e pac&iacute;fica&rdquo; que s&oacute; &eacute; interrompida por uma barricada policial. O fato &eacute; transmitido ao vivo com v&aacute;rias unidades m&oacute;veis de televis&atilde;o. Quando o encontro ocorre, os &ldquo;dirigentes estudantis&rdquo; explicam a uma c&acirc;mera de televis&atilde;o que eles est&atilde;o exercendo o seu direito a protestar mas &ldquo;est&atilde;o sendo impedidos de realizar esse direito em fun&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a policial&rdquo;. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Enquanto o dirigente faz sua &ldquo;declara&ccedil;&atilde;o&rdquo;, reiterando o car&aacute;ter &ldquo;pac&iacute;fico&rdquo; da mobiliza&ccedil;&atilde;o, ali perto, a pol&iacute;cia come&ccedil;a a &ldquo;reprimir brutalmente e sem justifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Durante os dias do encontro da OEA, as c&acirc;meras v&atilde;o mostrar a pol&iacute;cia atuando. O &ldquo;sonho&rdquo; estaria plenamente realizado se essas mesmas c&acirc;meras puderem &ldquo;captar&rdquo; a utiliza&ccedil;&atilde;o de armas de fogo. Tudo ser&aacute; transmitido ao vivo. As c&acirc;meras ser&atilde;o t&atilde;o cuidadosas que nunca mostrar&atilde;o nenhuma a&ccedil;&atilde;o violenta por parte dos manifestantes. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Ser&aacute; uma repeti&ccedil;&atilde;o do comportamento da televis&atilde;o privada na Venezuela desde a &uacute;ltima semana de maio. Somente a Venezuelana de Televis&atilde;o, canal do Estado venezuelano, mostrou os &ldquo;estudantes&rdquo; lan&ccedil;ando pedras e outros objetos, e identificou sujeitos violentos amplamente conhecidos em nosso pa&iacute;s. As c&acirc;meras da Globovisi&oacute;n n&atilde;o. Elas s&oacute; obtinham imagens de manifestantes ajoelhados, com as m&atilde;os ao alto, nos quais a pol&iacute;cia atirava &aacute;gua desde carros-pipa. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Com toda probabilidade, mas omitindo as a&ccedil;&otilde;es mais violentas dos manifestantes, as cenas v&atilde;o se repetir na CNN e na Globovisi&oacute;n, de segunda a quarta. Os estudantes &ldquo;desarmados, em uma manifesta&ccedil;&atilde;o &ldquo;espont&acirc;nea e pac&iacute;fica&rdquo; sofrer&atilde;o &ldquo;a arremetida brutal da repress&atilde;o policial&rdquo; sem que sejamos informados das causas. No Panam&aacute;, durante a Assembl&eacute;ia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos, algum representante do Per&uacute;, Costa Rica ou El Salvador, pedir&aacute; a palavra para solicitar que seja discutida, em car&aacute;ter de&nbsp; urg&ecirc;ncia, a situa&ccedil;&atilde;o da Venezuela.O notici&aacute;rio ter&aacute; sido visto por todos. As consultas ser&atilde;o dif&iacute;ceis e se tomar&aacute; uma decis&atilde;o contra a Venezuela. Tudo est&aacute; montado numa jogada magistral dos Estados Unidos. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; por isso que os venezuelanos n&atilde;o compreendem com facilidade a simbologia da mobiliza&ccedil;&atilde;o &ldquo;estudantil&rdquo;. A bandeira invertida, de acordo com um enlatado de Hollywood, &eacute; usada pela marinha dos Estados como sinal de emerg&ecirc;ncia, como um S.O.S. Se trata, pois, de uma solicita&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&atilde;o. As m&atilde;os para cima, de joelhos, como se estiv&eacute;ssemos diante de um grupo rendido e desarmado que&nbsp; est&aacute; sendo maltratado, funciona como elemento de &ecirc;nfase do supl&iacute;cio por uma interven&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Na TV, os manifestantes estar&atilde;o vestido com roupas brancas, em que se poder&aacute; ler a frase de Sim&oacute;n Bolivar: &ldquo;Maldito seja o soldado que dispara contra o seu povo&rdquo;. As mensagens n&atilde;o s&atilde;o para os venezuelanos, s&atilde;o para a comunidade internacional. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O filme j&aacute; conta com quase tudo: loca&ccedil;&otilde;es, adere&ccedil;os, ilumina&ccedil;&atilde;o, c&acirc;meras, atores e atrizes. O roteiro parece s&oacute;lido e repete a hist&oacute;ria de 11 de abril de 2002. Os espectadores podem eleger o t&iacute;tulo entre &ldquo;A rebeli&atilde;o de Maio&rdquo; ou &ldquo;O Golpe de Estado II&rdquo;. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O pior &eacute; que os mortos, se houver, n&atilde;o morrer&atilde;o apenas na televis&atilde;o.<\/span> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Freddy Fernandez &eacute; jornalista, escritor e diretor da Ag&ecirc;ncia Bolivariana de Not&iacute;cias (www.abn.info.ve) &nbsp;A estrat&eacute;gia &eacute; muito clara: a oposi&ccedil;&atilde;o venezuelana e os aparatos de intelig&ecirc;ncia do governo dos Estados Unidos est&atilde;o montando um programa de televis&atilde;o para comover a OEA. Os ensaios j&aacute; foram realizados e se parecem com uma mobiliza&ccedil;&atilde;o estudantil. 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