{"id":18459,"date":"2007-06-01T11:29:23","date_gmt":"2007-06-01T11:29:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18459"},"modified":"2007-06-01T11:29:23","modified_gmt":"2007-06-01T11:29:23","slug":"rctv-fora-do-ar-um-dia-historico-para-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18459","title":{"rendered":"RCTV fora do ar: um dia hist\u00f3rico para a humanidade"},"content":{"rendered":"<p><span>Com a RCTV, cai tamb&eacute;m boa parte da credibilidade das corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia em todo o mundo. Seja a CNN, que falsificou imagens de protestos; sejam as ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias ligadas a Washington ou as emissoras privadas da Am&eacute;rica Latina, que apoiaram o golpe na Venezuela em 2002. No Brasil, o &iacute;mpeto contra Hugo Ch&aacute;vez j&aacute; coleciona distor&ccedil;&otilde;es, meias verdades e mentiras inteiras. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Por exemplo, a primeira p&aacute;gina da Folha de S. Paulo desta quarta-feira (30) registra que a concess&atilde;o da RCTV foi &quot;cassada&quot; por Hugo Ch&aacute;vez. N&atilde;o &eacute; verdade. A concess&atilde;o terminou e n&atilde;o foi renovada; ela n&atilde;o foi cassada. A TV Globo, por sua vez, em praticamente todos os seus telejornais d&aacute; a entender que o governo venezuelano fechou a emissora arbitrariamente, comprometendo a liberdade de imprensa e a democracia.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Os demais ve&iacute;culos corporativos seguem pelo mesmo caminho. Com alguma dificuldade, assumem que houve um golpe de Estado contra Ch&aacute;vez, em abril de 2002. Mas, do jeito que noticiam, fica parecendo que o golpe surgiu por gera&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea. N&atilde;o apontam respons&aacute;veis, embora os conhe&ccedil;am. N&atilde;o revelam a participa&ccedil;&atilde;o da CIA, embora existam provas fartas. N&atilde;o oferecem, sequer, a vers&atilde;o do outro lado, conforme ensinam seus pr&oacute;prios manuais de reda&ccedil;&atilde;o. Jamais divulgam que a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o de uma concess&atilde;o de radiodifus&atilde;o est&aacute; amplamente respaldada pela Constitui&ccedil;&atilde;o da Venezuela que, assim como a brasileira, afirma que o espectro radioel&eacute;trico &eacute; um bem p&uacute;blico, concedido a entes privados durante um tempo pr&eacute;-determinado. Quem n&atilde;o cumpre a lei, como foi o caso da RCTV l&aacute; e &eacute; o caso de todas as emissoras privadas aqui, perde o direito sobre este bem p&uacute;blico.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Naquela sexta-feira, 11 de abril de 2002, Arnaldo Jabor comemorou o golpe contra Ch&aacute;vez atirando bananas para o alto, em seu coment&aacute;rio para o Jornal Nacional. A revista Veja tamb&eacute;m ficou satisfeita: &quot;cai o presidente falastr&atilde;o&quot;, disse sua edi&ccedil;&atilde;o daquele final de semana. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Mas o que est&aacute; por tr&aacute;s da atual campanha contra Hugo Ch&aacute;vez n&atilde;o &eacute; nem o presidente venezuelano em si. &Eacute; tamb&eacute;m, mas vai al&eacute;m dele. Atravessa-o. O que est&aacute; em jogo &eacute; o controle de um bem p&uacute;blico que confere um poder nunca antes sonhado pelas elites. Hoje, na Era da Informa&ccedil;&atilde;o, o poder de produzir e transmitir imagens e palavras &eacute; a premissa b&aacute;sica para se alcan&ccedil;ar todas as riquezas imagin&aacute;veis. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Aquilo que os exploradores de hoje perceberam h&aacute; pelo menos cinq&uuml;enta anos, s&oacute; recentemente os movimentos sociais come&ccedil;aram a entender. O ponto chave &eacute;: quem controla a subjetividade, controla a hegemonia. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa constituem a institui&ccedil;&atilde;o com maior poder de produzir subjetividades. Atrav&eacute;s de suas mensagens, determinam formas de pensar, agir, sentir e viver de toda uma comunidade, regi&atilde;o ou pa&iacute;s. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; por isso que as corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia, a servi&ccedil;o da explora&ccedil;&atilde;o dos povos, articulam uma campanha sem precedentes contra Hugo Ch&aacute;vez. Porque ao n&atilde;o renovar a concess&atilde;o de uma dessas corpora&ccedil;&otilde;es e, al&eacute;m disso, conceder seu controle a grupos populares, Ch&aacute;vez atinge substancialmente a fonte de poder daquelas corpora&ccedil;&otilde;es. Por isso o dia da n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o da RCTV, 27 de maio de 2007, ser&aacute; lembrado como um grande avan&ccedil;o na hist&oacute;ria da humanidade.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A TV Globo, que apoiou a ditadura que seq&uuml;estrou, torturou e assassinou milhares de brasileiros &#8211; repito, milhares de brasileiros &#8211; agora acusa Hugo Ch&aacute;vez de violar a liberdade de imprensa. A Folha de S. Paulo, que emprestou autom&oacute;veis para &oacute;rg&atilde;o da repress&atilde;o, agora acusa Ch&aacute;vez de agredir a democracia. Est&atilde;o desesperados. Porque o governo venezuelano abriu um precedente perigos&iacute;ssimo para as classes exploradoras, mas bel&iacute;ssimo para todos que acreditam numa humanidade mais humana.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Neste m&ecirc;s de maio, vencem dezenas de outorgas de r&aacute;dio e televis&atilde;o no Brasil. S&atilde;o cinco da Globo, duas da Bandeirantes e uma da Record, sem contar as emissoras afiliadas. O levantamento foi feito pelo F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o e pode ser lido aqui.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em junho do ano passado, em plena Copa do Mundo, o presidente Lula assinou um decreto ilegal entregando novas concess&otilde;es p&uacute;blicas de televis&atilde;o digital para as mesmas empresas que j&aacute; transmitem em sinal anal&oacute;gico. Se os movimentos sociais n&atilde;o quiserem continuar sendo massacrados pelas corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia, a hora de agir &eacute; agora. &Eacute; preciso compreender a import&acirc;ncia hist&oacute;rica desse momento e ir para as ruas. Movimento Negro, MST, MTST, Marcha das Mulheres, Estudantes acampados na USP e em outras universidades, professores, sindicatos, todos, sem exce&ccedil;&atilde;o, precisam ir para as ruas e, mais que pressionar, precisam obrigar nossos representantes a n&atilde;o renovarem essas concess&otilde;es e a anularem o decreto da televis&atilde;o digital.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>O que est&aacute; acontecendo na Venezuela n&atilde;o &eacute; um ato isolado. S&atilde;o as conseq&uuml;&ecirc;ncias da fal&ecirc;ncia das pol&iacute;ticas neoliberais, que concentram as riquezas em poucas m&atilde;os e distribuem a mis&eacute;ria para a maioria. &Eacute; poss&iacute;vel reverter esse quadro, como o governo venezuelano est&aacute; mostrando. At&eacute; porque o fracasso desse modelo derruba tamb&eacute;m a credibilidade de seus interlocutores, ou seja, das corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia. E um dos momentos mais lindos da hist&oacute;ria humana &eacute; quando os oprimidos deixam de acreditar nas palavras dos exploradores e se levantam, sem medo, dispostos a enfrent&aacute;-los. <\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a RCTV, cai tamb&eacute;m boa parte da credibilidade das corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia em todo o mundo. Seja a CNN, que falsificou imagens de protestos; sejam as ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias ligadas a Washington ou as emissoras privadas da Am&eacute;rica Latina, que apoiaram o golpe na Venezuela em 2002. 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