{"id":18458,"date":"2007-05-31T16:46:48","date_gmt":"2007-05-31T16:46:48","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18458"},"modified":"2007-05-31T16:46:48","modified_gmt":"2007-05-31T16:46:48","slug":"a-nova-gestao-da-funarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18458","title":{"rendered":"A nova gest\u00e3o da Funarte"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Celso Frateschi &eacute; ator, diretor e autor teatral, ator de televis&atilde;o e cinema e produtor de cinema, e j&aacute; soma mais de trinta anos de carreira. No campo acad&ecirc;mico, atualmente &eacute; professor licenciado da Escola de Artes Dram&aacute;ticas da Universidade de S&atilde;o Paulo, da qual tamb&eacute;m era vice-diretor. Na gest&atilde;o p&uacute;blica, j&aacute; foi secret&aacute;rio de Cultura em Santo Andr&eacute; e, em S&atilde;o Paulo, durante a gest&atilde;o Marta Suplicy, foi diretor do Departamento de Teatro e, em seguida, Secret&aacute;rio Municipal de Cultura. Desde o final de abril, &eacute; o presidente da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Arte (Funarte), &oacute;rg&atilde;o independente ligado ao Minist&eacute;rio da Cultura e respons&aacute;vel por tornar reais boa parte das pol&iacute;ticas por ele geradas. <\/em><\/span><em><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em sua atua&ccedil;&atilde;o como gestor, Frateschi realizou projetos de fomento ao teatro e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cultural na periferia, trabalhou uma agenda conjunta com a Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o, especialmente nos CEUs, e criou o Museu Afro-brasileiro. <\/span>De seu gabinete na Funarte, falou-nos sobre as diretrizes da cultura na gest&atilde;o Lula\/Gil, de democracia participativa, de fomento aos produtores independentes, teceu elogios ao programa Cultura Viva e cr&iacute;ticas &agrave; estrutura de dire&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria Funarte, al&eacute;m de apontar alguns malef&iacute;cios do atual modelo de fomento &agrave; Cultura.<\/em>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Leia os melhores momentos da entrevista:<\/u>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CulturaeMercado &ndash; Parte da imprensa noticiou que o senhor assumiria a presid&ecirc;ncia da Funarte com carta-branca do Ministro Gilberto Gil. O que isso significa? Como ela se traduzir&aacute; no seu projeto para a Funarte?<br \/><\/strong>Celso Frateschi &ndash; Em primeiro lugar, eu nunca pedi, portanto nunca recebi, nem me interessa receber carta-branca do ministro. Pelo contr&aacute;rio, quero o envolvimento do Minist&eacute;rio e do ministro em todos os projetos que for realizar aqui na Funarte. A carta-branca, se me d&aacute; liberdade, ao mesmo tempo tira o compromisso daqueles que eu quero que se comprometam a fazer os projetos comigo.&nbsp;Em pol&iacute;tica, n&atilde;o tenho interesse em desenvolver um projeto pessoal, e n&atilde;o propus projetos pessoais quando estive nos governos de Santo Andr&eacute; e de S&atilde;o Paulo. Entro nesta gest&atilde;o por acreditar no projeto coletivo por ela proposto, e n&atilde;o tenho pretens&atilde;o, expectativa ou quer&ecirc;ncia de ter carta-branca. Acho que tem sim uma contribui&ccedil;&atilde;o pessoal minha, algo com que eu possa colaborar, mas isso dentro de um projeto coletivo. Tenho sim muita liberdade de propor e de executar, como tamb&eacute;m muito compromisso com este projeto.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O senhor j&aacute; afirmou, em entrevista anterior, acreditar em dois pontos de vista diferentes para se encarar o processo da cultura: como direito de cidadania ou como atividade econ&ocirc;mica. A &uacute;ltima gest&atilde;o da Funarte, at&eacute; por ter tido a tarefa de praticamente se reerguer do nada, privilegiou a estrutura&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, inclusive com uma pol&iacute;tica setorialista. O plano agora &eacute; o de aprofundar essa vis&atilde;o, estruturando-a melhor, ou o de diversific&aacute;-la, pensando no acesso do cidad&atilde;o tamb&eacute;m aos bens de produ&ccedil;&atilde;o de cultura?<br \/><\/strong>O trip&eacute; do governo Lula em Cultura, capitaneado pelo Gil, define tr&ecirc;s grandes linhas: o desenvolvimento da cultura na quest&atilde;o simb&oacute;lica, a cultura como direito de cidadania e a cultura como atividade econ&ocirc;mica. A equa&ccedil;&atilde;o que o governo prop&otilde;e coloca essas tr&ecirc;s dimens&otilde;es do trabalho cultural interagindo e alimentando-se, provocando-se mutuamente. N&atilde;o concordo que o Grassi [Ant&ocirc;nio Grassi, presidente anterior da Funarte] tenha inclinado-se de maneira desequilibrada a essa parte econ&ocirc;mica. Foi uma preocupa&ccedil;&atilde;o, mas se ele pretendeu desequilibrar foi para o lado da cidadania cultural ao reavivar a Funarte com projetos amplos procurando atender o Brasil como um todo e em v&aacute;rias &aacute;reas art&iacute;sticas. N&atilde;o pretendo mudar essa linha, nem me contrapor a esse trip&eacute;. Pelo contr&aacute;rio. E pretendo colocar minha experi&ecirc;ncia para desenvolver isso da forma mais ampla poss&iacute;vel.&nbsp;Num primeiro momento analisamos os editais da gest&atilde;o anterior, e agora estamos priorizando a federaliza&ccedil;&atilde;o, com iniciativas como a de realizar pr&ecirc;mios que tem disputa por Estado, n&atilde;o deixando prevalecer a concentra&ccedil;&atilde;o de pr&ecirc;mios e verbas em projetos do eixo RJ-SP. Os projetos de um determinado Estado disputar&atilde;o entre si. N&atilde;o chegamos a uma vers&atilde;o definitiva deste modelo, mas avan&ccedil;amos bastante. Uma coisa &eacute; certa: para desenvolver as tr&ecirc;s vertentes, ser&aacute; necess&aacute;rio trabalharmos integrados com o Minist&eacute;rio e com o Governo como um todo.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Qu&atilde;o independente &eacute; a Funarte para fugir da l&oacute;gica do est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o dependente das leis de fomento? <\/strong><br \/>Sabe, n&oacute;s precisamos relativizar um pouquinho esse conceito de depend&ecirc;ncia ou independ&ecirc;ncia. N&oacute;s temos interesse inclusive de intervir na l&oacute;gica dos Programas Nacionais de Cultura, e j&aacute; intervimos em sua pr&aacute;tica. O Pronac, por exemplo, tem boa parte dos pareceres vindos da Funarte, ficando as decis&otilde;es para o CNIC e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, para o Ministro. Se nos colocarmos como independentes, acabar&iacute;amos n&atilde;o participando dessas discuss&otilde;es de crit&eacute;rios da Lei Rouanet e de formas para melhor&aacute;-la. Isso n&atilde;o pode acontecer, pois queremos estar dentro do Governo, sugerindo a&ccedil;&otilde;es e propostas para que a arte e a cultura estejam em pauta no conjunto do Governo, assim como queremos ser permeados tamb&eacute;m pelo governo. Hoje, a Cultura &eacute; discutida de uma forma estrat&eacute;gica. A participa&ccedil;&atilde;o do ministro em pautas como a da TV P&uacute;blica demonstra isso.&nbsp;&Eacute; preciso uma certa independ&ecirc;ncia sim, para que n&atilde;o haja interfer&ecirc;ncia das outras &aacute;reas na atua&ccedil;&atilde;o do artista. Estamos num processo, num momento, em que a Cultura j&aacute; n&atilde;o &eacute; tratada mais como ap&ecirc;ndice da educa&ccedil;&atilde;o. Mas isso n&atilde;o significa que n&atilde;o devemos ter um trabalho org&acirc;nico com a educa&ccedil;&atilde;o. A cultura por muito tempo foi vista como uma a&ccedil;&atilde;o meramente ligada a eventos, como uma a&ccedil;&atilde;o cultural ou institucional, de governo ou de empresas. S&atilde;o a&ccedil;&otilde;es que limitam a fun&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, e que estamos superando. S&atilde;o a&ccedil;&otilde;es muito vis&iacute;veis, principalmente quando a cultura vira subproduto, quando, na verdade, ela &eacute; o produto principal, n&atilde;o precisando travestir-se de nada para ser importante ou estrat&eacute;gica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a Funarte articula-se e qual seu potencial de articula&ccedil;&atilde;o com pol&iacute;ticas externas &agrave; sua estrutura como a lei Rouanet, os Funcines e o Fundo de Cultura?<\/strong> <br \/>Ela tem institucionalmente essa fun&ccedil;&atilde;o. Agora, nem sempre ela pode faz&ecirc;-lo. &Eacute; preciso lembrar que a Funarte foi destru&iacute;da no governo Collor e abandona na gest&atilde;o FHC. Mas ela tem, sim, como interferir nas discuss&otilde;es do Programa Nacional de Apoio &agrave; Cultura &#8211; Pronac e da Comiss&atilde;o Nacional de Incentivo &agrave; Cultura &#8211; CNIC, por ser quem avalia a maior parte dos projetos que pedem recursos em seu &acirc;mbito. Estamos discutindo as Instru&ccedil;&otilde;es Normativas que definem as pol&iacute;ticas de fomento e tendo assento nestes f&oacute;runs, dos quais, antes, n&atilde;o particip&aacute;vamos. Agora, nesta gest&atilde;o, parece-me que estamos conseguindo um tr&acirc;nsito bastante positivo no conjunto do Minist&eacute;rio da Cultura e de suas secretarias.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Neste sentido, o recente Requerimento 69\/2007 da Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura da C&acirc;mara, de autoria do Deputado Paulo Rubem Santiago, convidando o senhor e uma s&eacute;rie de Secret&aacute;rios do MinC e os presidentes da Ancine e do Iphan para debater o Plano Nacional de Cultura &eacute; uma atitude positiva?<br \/><\/strong>Claro que &eacute; positiva. &Eacute; fundamental que estejamos numa inst&acirc;ncia t&atilde;o importante quanto a C&acirc;mara, nem que seja para explicitar nossas mazelas e dificuldades todas num &oacute;rg&atilde;o que pode ser um grande aliado para desenvolver nossas a&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&Eacute; demais imaginar uma Funarte como mais do que uma &ldquo;ag&ecirc;ncia&rdquo; de fomento, indo um passo al&eacute;m da reestrutura&ccedil;&atilde;o que marcou os &uacute;ltimos quatro anos e atuando como geradora, articuladora e executora de pol&iacute;ticas publicas, inclusive atuando na proposi&ccedil;&atilde;o de um modelo pol&iacute;tico para as artes?<br \/><\/strong>A quest&atilde;o &eacute; que, como ag&ecirc;ncia de fomento, ela &eacute; geradora e executora tamb&eacute;m. Mas esse &eacute;, sem d&uacute;vida, apenas um dos aspectos da Funarte, e todo o esfor&ccedil;o do Minist&eacute;rio &eacute; para que ela atue na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas estruturantes para o futuro do pa&iacute;s. A nossa miss&atilde;o &eacute; executar de uma maneira mais efetiva o Plano Nacional de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura, j&aacute; consagrado em discuss&otilde;es na gest&atilde;o anterior deste governo. A Funarte vai ter uma grande participa&ccedil;&atilde;o na efetiva&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas, e isso significa discutir e ter planos conjuntos com Estados e munic&iacute;pios seja com os editais da Funarte, seja com os Pontos de Cultura. Agora, o esfor&ccedil;o &eacute; o de alcan&ccedil;ar a consagra&ccedil;&atilde;o definitiva do Sistema e do Plano.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a greve dos servidores da Cultura, baseada sobretudo no Rio de Janeiro, afeta a Funarte, qual a posi&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o e que desafios ficam evidenciados?<\/strong><br \/>&Eacute; evidente que a greve afeta de uma maneira bastante importante as atividades da Funarte. E &eacute; esse o sentido dela. Ela &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o para que o Governo, como um todo, responda &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es e o Minist&eacute;rio tem se posicionado de maneira bastante expl&iacute;cita como favor&aacute;vel &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es dos funcion&aacute;rios, que est&atilde;o sendo discutidas com o Governo. O Minist&eacute;rio tem pressionado para que essa negocia&ccedil;&atilde;o com o Minist&eacute;rio do Planejamento seja realizada, e torne-se poss&iacute;vel o cumprimento do acordo realizado entre servidores e Governo em 2005. Temos uma rela&ccedil;&atilde;o bastante &ldquo;civilizada&rdquo; com os funcion&aacute;rios da Cultura em todos os locais onde atuamos, e essa greve nos prejudica bastante.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais a sua vis&atilde;o da abrang&ecirc;ncia do programa &ldquo;Cultura Viva&rdquo; em sua utiliza&ccedil;&atilde;o como campo de articula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que visem &agrave; &ldquo;cidadania&rdquo; por meio da arte, articulada com a educa&ccedil;&atilde;o e com perspectivas de sustentabilidade econ&ocirc;mica?<br \/><\/strong>Acho que o Cultura Viva &eacute; o grande sucesso da gest&atilde;o Gil, e ele vem se implantando com uma rapidez muito grande. Passa aos poucos a ter um car&aacute;ter mais federativo e a posi&ccedil;&atilde;o do C&eacute;lio Turino tem sido muito positiva neste sentido. &Eacute; um programa amplo, completamente n&atilde;o restritivo no sentido de linguagens e de formas e que, por isso mesmo, tem muito o que expandir. A tend&ecirc;ncia &eacute; ganhar uma escala federal maior do que a que atingiu at&eacute; agora.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como pode este programa levar em conta as necessidades culturais da popula&ccedil;&atilde;o sem deixar de levar em conta as necessidades dos produtores? Qual destes setores &eacute; melhor contemplado?<br \/><\/strong>S&atilde;o setores que podem ter um atendimento complementar neste projeto, mas o Cultura Viva n&atilde;o tem como objetivo os produtores. Ele est&aacute; preocupado com outras coisas, e talvez seja o programa em que a cidadania cultura &eacute; mais atendida. Quanto ao produtor, h&aacute; projetos, a pr&oacute;pria Lei Rouanet e editais, voltados para eles. O Cultura Viva parece-me um projeto bastante amplo em que o produtor tamb&eacute;m se inclui, quando engajado, em resolver as quest&otilde;es propostas pela popula&ccedil;&atilde;o.&nbsp;Mas isso depende da forma como se define produtor. Se encararmos esse termo em lato sensu, de que produtor &eacute; quem faz cultura, ent&atilde;o o programa atende bem mais aos produtores. Se no stricto sensu, pensando os produtores como os que se sustentam com a cultura, ent&atilde;o eles ganham neste programa s&oacute; quando a popula&ccedil;&atilde;o necessita.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&Eacute; poss&iacute;vel um &ldquo;choque de democratiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; est&eacute;tica no pa&iacute;s, multiplicando o acesso e a produ&ccedil;&atilde;o da arte como alternativa econ&ocirc;mica concreta para comunidades locais, ou seja, fazer a Funarte chegar &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, ao inv&eacute;s de manter uma postura passiva de &oacute;rg&atilde;o que recebe projetos?<br \/><\/strong>Essa &eacute; um pouco a miss&atilde;o da Funarte, e o que estamos fazendo. N&atilde;o digo com termos bomb&aacute;sticos como &ldquo;choque&rdquo;, mas de constru&ccedil;&atilde;o da democracia, de um ambiente no qual a arte chegue &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, tanto no seu fazer como no seu fluir. E vamos trabalhar nesse sentido, construindo bases para que esta pol&iacute;tica de democratiza&ccedil;&atilde;o avance de forma significativa nos pr&oacute;ximos quatro anos.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Linhas de fomento que visem &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente como alternativa econ&ocirc;mica est&atilde;o em pauta neste novo momento da Funarte?<br \/><\/strong>Estamos estudando uma forma de atuar em grande escala no fomento de pequenos projetos. Est&aacute; em discuss&atilde;o, na Funarte e no Minist&eacute;rio, trabalhar com projetos que necessitem de at&eacute; R$ 15 mil, principalmente em cidades de at&eacute; 50 mil habitantes. Mas isso ainda est&aacute; em estudo e n&atilde;o podemos dizer ainda que haver&aacute; algum plano. H&aacute;, por&eacute;m, a inten&ccedil;&atilde;o de ter uma destas linha ativa at&eacute; o final de 2007. H&aacute; outros projetos que estamos estudando tamb&eacute;m nesse sentido de levar a cultura para a popula&ccedil;&atilde;o. Um dos projetos &eacute; o de colocar o acervo da Funarte &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, at&eacute; em parceria com projetos de outros Minist&eacute;rios e de Secretarias Estaduais.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&Eacute; poss&iacute;vel escapar das pol&iacute;ticas setorialistas, ampliando programas e projetos como os Pontos de Cultura para serem pensados como espa&ccedil;os culturais de participa&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de cultura?<br \/><\/strong>Sim, e a participa&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os como estes vai ser ampliada. Temos agora o interesse da Funarte de trabalhar mais junto do Cultura Viva e dos Pontos de Cultura. Nos Pontos de Cultura, a quest&atilde;o inclusive &eacute; a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de pequenos projetos, direto com o produtor. N&atilde;o se estar&aacute; mais fomentando uma ONG, mas o pr&oacute;prio artista, algo pr&oacute;ximo do VAI de S&atilde;o Paulo, programa de fomento que n&atilde;o tem um edital por &aacute;rea ou um corte por linguagem. O que &eacute; julgado l&aacute; &eacute; a qualidade do que o artista prop&otilde;e, independente da linguagem que utiliza ou na qual se ancora.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por sua caracter&iacute;stica pr&oacute;pria como Funda&ccedil;&atilde;o, praticamente uma ag&ecirc;ncia, &eacute; poss&iacute;vel e almejado que a Funarte atue como um ponto de gera&ccedil;&atilde;o de sinergias entre governo, terceiro setor, iniciativa privada e movimentos? O que falta para isso, e quais os modelos de gest&atilde;o cultura que podem emergir da&iacute;?<br \/><\/strong>Claro que &eacute; essa a preocupa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio como um todo. E a Funarte est&aacute; pensando e agindo neste sentido. Mas temos que ir com calma, como aquela sacada do Garrincha ao perguntar pro t&eacute;cnico se o advers&aacute;rio j&aacute; tinha concordado com o esquema t&aacute;tico. &Eacute; necess&aacute;rio antes acordar e sensibilizar os futuros parceiros, e a gest&atilde;o Gil tem estado atenta a este sentido. H&aacute; grupo de estudo entre os Minist&eacute;rios da Cultura e Educa&ccedil;&atilde;o, trabalhos com outros Minist&eacute;rios, e isso est&aacute; levando a resultados. Mas &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o a longo prazo, um processo que &eacute; demorado, e n&atilde;o h&aacute; ilus&atilde;o de que isso aconte&ccedil;a magicamente.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como pensar, do ponto de vista econ&ocirc;mico, solu&ccedil;&otilde;es para os problemas de difus&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o dos produtos culturais? Quais as ferramentas que podem ser melhoradas e quais se fazem necess&aacute;rias neste sentido?<br \/><\/strong>Est&aacute; a&iacute; outra coisa que temos de come&ccedil;ar a mudar. Temos os modelos da Rouanet e seus editais e existe uma cultura hoje no Brasil que refor&ccedil;a a produ&ccedil;&atilde;o, muito concentrada no eixo sul-sudeste e RJ-SP, e pensado pouco no p&uacute;blico. Com o modelo atual, normalmente se pensa em um show que ser&aacute; apresentado em um dia, ou uma pe&ccedil;a de cinco semanas. E, com isso, parece at&eacute; que a atividade econ&ocirc;mica que caracteriza a Cultura sumiu. Diferente de 10, 15 anos atr&aacute;s, quando havia pe&ccedil;as que realizavam at&eacute; oito sess&otilde;es semanais, hoje a grande maioria mant&eacute;m-se com duas ou tr&ecirc;s apenas.&nbsp;Mudar isso &eacute; uma coisa complicada, e temos poucas formas de faz&ecirc;-lo, mas cada vez mais temos pensado em formas de fazer o produtor pensar em seu p&uacute;blico. Hoje, vivemos uma l&oacute;gica em que o produtor vive de e pensando em seu pr&oacute;ximo financiamento. Temos estudado isso, na discuss&atilde;o das Institui&ccedil;&otilde;es Normativas inclusive, para saber como mudar o foco da produ&ccedil;&atilde;o pura e simples para o foco no p&uacute;blico, para crescer o consumo de pe&ccedil;as, shows, espet&aacute;culos e etc. Temos pensado em como podemos estimular isso, mas n&atilde;o existe nenhuma m&aacute;gica ainda n&atilde;o, nenhuma varinha de cond&atilde;o, at&eacute; porque, da forma que o modelo est&aacute; colocado, ele acaba resolvendo a quest&atilde;o do dinheiro do produtor. Muitas vezes, com uma pequena temporada paga, vale mais a pena pensar na pr&oacute;xima temporada do que atender a um p&uacute;blico maior. Paradoxalmente temos mais produ&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m em um mercado que n&atilde;o se amplia ou talvez at&eacute; se restrinja.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Apesar da m&aacute; recep&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia a projetos como a Ancinav, &eacute; poss&iacute;vel se pensar nesta gest&atilde;o em mecanismos de controle p&uacute;blico e gest&atilde;o participativa na Cultura, at&eacute; como os conselhos dos CEUs e experi&ecirc;ncias como o Or&ccedil;amento Participativo e o VAI funcionaram em S&atilde;o Paulo durante a gest&atilde;o Marta Suplicy?<br \/><\/strong>Tenho trabalhado esse ponto aqui na Funarte. A nossa id&eacute;ia &eacute; criar uma forma, um conselho p&uacute;blico de controle, at&eacute; porque n&atilde;o temos. A nossa proposta de mudan&ccedil;a do Estatuto parte por a&iacute;. Na gest&atilde;o, tudo tende a melhorar com o controle p&uacute;blico. A Democracia Participativa tem demonstrado ser uma ferramenta que traz grande vitalidade &agrave;s gest&otilde;es. Na minha gest&atilde;o na Secretaria Municipal da Cultura em S&atilde;o Paulo, implantei diversos mecanismos de controle p&uacute;blico, como o Conselho Municipal de Cultura, o Parlamento Municipal de Cultura e os conselhos locais, todos muito importantes para a gest&atilde;o da Arte e da Cultura.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como assim uma reforma no Estatuto?<br \/><\/strong>O regimento da Funarte n&atilde;o tem um conselho curador, que &eacute; um exemplo de ferramenta para controle p&uacute;bico. O controle das a&ccedil;&otilde;es da Funda&ccedil;&atilde;o est&aacute; restrito aos seus diretores. Esse e alguns outros pontos est&atilde;o em estudo para serem alterados, no sentido de tornar a Funarte um organismo mais republicano.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais as id&eacute;ias na Funarte para o apoio &agrave;s vanguardas, tanto em artes e modelos de arte consagrados como em novas tecnologias, em especial as digitais, pouco discutidas nas pol&iacute;ticas de fomento &agrave; Cultura.<br \/><\/strong>Sabe, a Funarte sempre foi considerada elitista. Sempre foi considerada uma institui&ccedil;&atilde;o que apoiou mais a vanguarda do que a cultura popular. N&atilde;o foi verdade, como n&atilde;o &eacute; verdade que vamos deixar de apoiar as vanguardas. Hoje se tem, na arte e na m&uacute;sica especialmente, nas artes c&ecirc;nicas tamb&eacute;m, apoio a grupos de ponta. Na &aacute;rea de novas tecnologias, realmente temos de trabalhar mais a cultura digital, o que &eacute; uma proposta do pr&oacute;prio Minist&eacute;rio. Estamos nos organizando para tanto por meio do canal virtual, que est&aacute; j&aacute; estruturado, com equipamentos novos. &Eacute; um programa que j&aacute; existia, mas que ainda n&atilde;o se colocou publicamente de forma mais definitiva, e que trabalha com novas tecnologias na produ&ccedil;&atilde;o e na difus&atilde;o. Estamos trabalhando bastante tamb&eacute;m na perspectiva do que poder&aacute; ser feito com a TV Digital, na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do para ela. Mas ainda h&aacute; muito com o que trabalhar.&nbsp;<span>Um outro ponto que &eacute; importante pensar &eacute; que n&atilde;o &eacute; mais urgente nem fazer chegar o que j&aacute; existe nem criar o novo ou a partir do novo. N&atilde;o s&atilde;o coisas excludentes, e t&atilde;o importante quanto fazer cultura &eacute; receber produtos culturais.<br \/><\/span><\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;autorizada a publiza&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte original.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Vamos trabalhar a quest\u00e3o simb\u00f3lica, a cultura como direito e como atividade econ\u00f4mica&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[265,266],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18458"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18458\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}