{"id":18455,"date":"2007-05-31T15:13:30","date_gmt":"2007-05-31T15:13:30","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18455"},"modified":"2007-05-31T15:13:30","modified_gmt":"2007-05-31T15:13:30","slug":"acesso-a-informacao-um-direito-tambem-dos-surdos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18455","title":{"rendered":"Acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o: um direito tamb\u00e9m dos surdos"},"content":{"rendered":"<p><span>A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) enfatiza, como fundamentais, o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o essenciais para o exerc&iacute;cio da cidadania. A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito t&atilde;o importante quanto os demais e deve ser oferecida igualmente a todos, de modo claro, impessoal, preciso, sem direcionamentos e sem interesses ocultos. Mas ser&aacute; que ela &eacute; oferecida igualmente a todos?<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Analisando os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, pode-se perceber que todos exigem bom funcionamento dos canais sensoriais. A televis&atilde;o &eacute; um ve&iacute;culo constitu&iacute;do por imagens visuais e sinais auditivos; os jornais e revistas exigem aten&ccedil;&atilde;o visual; o r&aacute;dio pede pelo nosso canal auditivo e a internet acopla situa&ccedil;&otilde;es de leitura, audi&ccedil;&atilde;o e at&eacute; fala. Mas e aquelas pessoas que apresentam alguma defici&ecirc;ncia nos sentidos e n&atilde;o conseguem acessar o conte&uacute;do oferecido pelos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o? Como se informam a respeito das not&iacute;cias de sua cidade, estado, pa&iacute;s e do mundo? Ser&aacute; que elas t&ecirc;m sempre que depender de uma terceira pessoa que possa explicar &ndash; de maneira adequada &ndash; os fatos que s&atilde;o divulgados nos telejornais, revistas, jornais impressos e internet?<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo o &uacute;ltimo censo, realizado em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), hoje h&aacute; no Brasil cerca de 6 milh&otilde;es de pessoas com problemas relacionados &agrave; surdez. Dessas, cerca de 170 mil se declararam surdas e apenas 15% entendedores da l&iacute;ngua portuguesa. Essa porcentagem representa a minoria que consegue captar as not&iacute;cias jornal&iacute;sticas divulgadas pela m&iacute;dia. A maioria, por n&atilde;o ser oralizada, fica exclu&iacute;da do mundo da informa&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Formato inadequado<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Ler um jornal ou uma revista, por exemplo, &eacute; extremamente dif&iacute;cil para surdos que se comunicam apenas pela L&iacute;ngua Brasileira de Sinais (Libras). A Libras &eacute; um idioma pr&oacute;prio, que apresenta uma gram&aacute;tica completamente diferente do portugu&ecirc;s. Para os surdos que usam sinais, a frase &quot;vou para a casa dele&quot; se transforma em &quot;casa dele vou&quot;. Esse &eacute; apenas um pequeno exemplo da barreira que eles t&ecirc;m de transpor ao tentar ler e entender o portugu&ecirc;s. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Para acompanhar os notici&aacute;rios da televis&atilde;o h&aacute; possibilidade, em alguns televisores, de ativa&ccedil;&atilde;o de uma tecla que permite o acesso ao closed caption, sistema de transmiss&atilde;o de legendas via sinal de televis&atilde;o. Ele descreve as falas dos apresentadores e tamb&eacute;m qualquer outro som presente na cena, como palmas, passos, trov&otilde;es. Por&eacute;m, muitas vezes, a captura do &aacute;udio n&atilde;o &eacute; a correta para o som da l&iacute;ngua e ocorre uma distor&ccedil;&atilde;o da mensagem falada, resultando na escrita de uma palavra errada na tela da TV. Al&eacute;m disso, a velocidade acelerada das legendas &eacute; mais um obst&aacute;culo para a compreens&atilde;o da not&iacute;cia.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Outra alternativa utilizada pelas emissoras de TV para a comunica&ccedil;&atilde;o com o surdo, principalmente os que n&atilde;o entendem o portugu&ecirc;s, &eacute; a janela de Libras. Seu formato corresponde a um espa&ccedil;o delimitado no v&iacute;deo onde as informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o interpretadas na l&iacute;ngua brasileira de sinais. Entretanto, nem todos os programas televisivos contam com este recurso e, quando o disponibilizam, n&atilde;o o fazem em um formato adequado. Para compreender a Libras &eacute; necess&aacute;ria a visualiza&ccedil;&atilde;o dos gestos das m&atilde;os e da express&atilde;o facial, mas, normalmente, a veicula&ccedil;&atilde;o da imagem &eacute; feita em pequenas janelas no canto da tela, fugindo do modelo ideal.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O Telelibras<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Algumas leis at&eacute; j&aacute; foram criadas com o objetivo de garantir &agrave; pessoa com defici&ecirc;ncia o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Um exemplo &eacute; a NBR 15.29\/2006, que disp&otilde;e que os programas pol&iacute;ticos, eleitorais, noticiosos, jornal&iacute;sticos, educativos, campanhas institucionais e informativos de utilidade p&uacute;blica devem conter janela com int&eacute;rprete de Libras. Ainda assim, as a&ccedil;&otilde;es para disponibilizar interpreta&ccedil;&atilde;o em Libras em conte&uacute;dos audiovisuais, como cinema, jornais ou novelas, s&atilde;o praticamente inexistentes. Nenhum telejornal veiculado na TV aberta brasileira, por exemplo, utiliza a representa&ccedil;&atilde;o na linguagem de sinais, reconhecida desde 2002 como meio legal de comunica&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o (Lei n&ordm;. 10.436).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Portanto, fica claro que o problema referente ao acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es jornal&iacute;sticas pelas pessoas com defici&ecirc;ncia auditiva existe. Algumas provid&ecirc;ncias j&aacute; foram tomadas, mas muitas ainda precisam ser desenvolvidas.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Um exemplo de que &eacute; poss&iacute;vel oferecer &agrave;s pessoas com defici&ecirc;ncia auditiva um produto jornal&iacute;stico que as informe sobre as principais not&iacute;cias do Brasil e do mundo &eacute; o Telelibras, primeiro telejornal inclusivo da internet brasileira voltado para a comunidade surda e para os interessados em aprender a Libras.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>* <em>Roberta Lage &eacute; radialista, jornalista e especialista em comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e responsabilidade social<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) enfatiza, como fundamentais, o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o essenciais para o exerc&iacute;cio da cidadania. 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