{"id":18423,"date":"2007-05-24T18:47:23","date_gmt":"2007-05-24T18:47:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18423"},"modified":"2007-05-24T18:47:23","modified_gmt":"2007-05-24T18:47:23","slug":"ministerio-publico-pede-a-liberacao-de-radios-comunitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18423","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio P\u00fablico pede a libera\u00e7\u00e3o de r\u00e1dios comunit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, o Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e outras quatro organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil ingressaram esta semana, em S&atilde;o Paulo, com A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica pleiteando que a Uni&atilde;o e a Anatel (Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) permitam o funcionamento provis&oacute;rio das r&aacute;dios comunit&aacute;rias cujas associa&ccedil;&otilde;es aguardam h&aacute; mais 18 meses a autoriza&ccedil;&atilde;o de uso de uma faixa de freq&uuml;&ecirc;ncia. Apesar da a&ccedil;&atilde;o se basear na situa&ccedil;&atilde;o paulista, o pedido reivindica que os efeitos se estendam a todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>De acordo com os autores da a&ccedil;&atilde;o, a iniciativa jur&iacute;dica busca defender o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o de milhares de associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias, negligenciado pela Uni&atilde;o. Durante dois anos, o MPF e as associa&ccedil;&otilde;es investigaram a situa&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de outorga de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria prestado pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e conclu&iacute;ram que tanto a Uni&atilde;o quanto a Anatel postergam, para muito al&eacute;m do prazo razo&aacute;vel exigido pela Lei, a aprecia&ccedil;&atilde;o dos pedidos de autoriza&ccedil;&atilde;o de funcionamento dessas r&aacute;dios.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o processo, h&aacute; mais de duas centenas de requerimentos aguardando h&aacute; quase uma d&eacute;cada a manifesta&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o. O prazo m&eacute;dio de conclus&atilde;o do processo administrativo &eacute; de 3,5 anos. No Estado de S&atilde;o Paulo, 145 munic&iacute;pios jamais foram contemplados com o Aviso de Habilita&ccedil;&atilde;o, ato necess&aacute;rio ao in&iacute;cio do processo de outorga. Em todo o Brasil, s&atilde;o mais de 3.300 Munic&iacute;pios sem uma &uacute;nica r&aacute;dio comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\">Apesar do n&uacute;mero de servidores encarregados da an&aacute;lise dos processos ser irris&oacute;rio (apenas 16 funcion&aacute;rios para avaliar cerca de 7.000 pedidos), o procurador da Rep&uacute;blica S&eacute;rgio Suiama, avalia que o governo federal n&atilde;o pode alegar que n&atilde;o possui recursos humanos para fazer o trabalho de avalia&ccedil;&atilde;o e expedi&ccedil;&atilde;o dos avisos de habilita&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O papel do Estado n&atilde;o &eacute; justificar a n&atilde;o efetiva&ccedil;&atilde;o de um direito, mas garant&iacute;-lo. No momento em que se reconhece que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito, afirma-se que &eacute; &nbsp;dever do Estado prov&ecirc;-lo e n&atilde;o &eacute; razo&aacute;vel que se espere de quatro a cinco anos para obter uma outorga&rdquo;. Para o procurador, a a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pede uma multa ou puni&ccedil;&atilde;o &agrave; Uni&atilde;o, apenas prop&otilde;e que, enquanto o Estado n&atilde;o toma uma decis&atilde;o, as r&aacute;dios funcionem de maneira provis&oacute;ria. &ldquo;O judici&aacute;rio deve apontar um rem&eacute;dio eficaz para o fato do Estado n&atilde;o estar provendo um direito fundamental&rdquo;, afirma Suiama.<\/p>\n<p>Eduardo Ariente, um dos advogados das organiza&ccedil;&otilde;es parcerias do MPF na a&ccedil;&atilde;o, defende&nbsp;que os&nbsp;direitos precisam ter concretude, ser &uacute;teis &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, &quot;caso contr&aacute;rio eles de nada servem&quot;, afirma. &quot;O direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser compreendido como uma mera liberdade formal, mediante a qual somente quem possui dinheiro e influ&ecirc;ncia perante os poderes oficiais pode prevalecer. S&atilde;o necess&aacute;rias medidas governamentais atrav&eacute;s das quais a comunica&ccedil;&atilde;o popular seja garantida e incentivada para que o espectro eletromagn&eacute;tico, que &eacute; um espa&ccedil;o p&uacute;blico, da coletividade, possa ser usado por uma maior quantidade poss&iacute;vel de interessados&quot;, diz o advogado.<\/p>\n<p><strong>Velocidade X Morosidade<br \/><\/strong><br \/>Outro aspecto levantado pela a&ccedil;&atilde;o &eacute; que a inefici&ecirc;ncia do servi&ccedil;o de autoriza&ccedil;&atilde;o de funcionamento de r&aacute;dios comunit&aacute;rias contrasta com a efici&ecirc;ncia com que &eacute; feita a repress&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios n&atilde;o autorizadas. Entre 2002 e 2006, 9.449 r&aacute;dios de baixa pot&ecirc;ncia (com freq&uuml;&ecirc;ncia inferior a 25 watts), foram fechadas por agentes da Anatel, em todo o Brasil. &nbsp;Somente no primeiro semestre de 2006, foram fechadas, em m&eacute;dia, 10 r&aacute;dios comunit&aacute;rias por dia, totalizando 1.800 lacres de janeiro a junho deste ano. &nbsp;Emissoras cujo trabalho social &eacute; refer&ecirc;ncia em todo o Brasil &ndash; como as r&aacute;dios La&uacute;za (BA), Novo Ar (RJ), Heli&oacute;polis (SP) e Alternativa (RN) &ndash; foram fechadas de forma arbitr&aacute;ria e truculenta, com suas lideran&ccedil;as sendo v&iacute;timas de persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, materializada na forma de processos judiciais que criminalizam aqueles que se disp&otilde;em a exercer, na pr&aacute;tica, o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p>Ariente ressalta que os procedimentos administrativos precisam ser c&eacute;leres e&nbsp;impessoais para responder satisfat&oacute;ria e eficazmente aos anseios da sociedade. &quot;Isso, infelizmente n&atilde;o vem ocorrendo.&nbsp; Na medida em que somente 16 funcion&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o respons&aacute;veis pela an&aacute;lise de cerca de 7.000 procedimentos e o Poder P&uacute;blico fecha r&aacute;dios em velocidade 2,5 vezes superior &agrave;quela que realiza outorgas, alguma coisa est&aacute; errada. &Eacute; justamente isso que a A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica pretende realizar: a exig&ecirc;ncia de uma razo&aacute;vel dura&ccedil;&atilde;o dos procedimentos de outorga dos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria perante o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e a efetiva aplica&ccedil;&atilde;o da Lei 9612\/98&quot;, afirma o advogado.&nbsp;<\/p>\n<p>A a&ccedil;&atilde;o &eacute; baseada em reiteradas decis&otilde;es do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a favor&aacute;veis ao funcionamento provis&oacute;rio das r&aacute;dios, em raz&atilde;o da excessiva demora na aprecia&ccedil;&atilde;o dos pedidos de autoriza&ccedil;&atilde;o por parte da Uni&atilde;o. Com a A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal pretende estender os efeitos das decis&otilde;es individuais do STJ a todas as associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias que formularam requerimento ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e que aguardam resposta h&aacute; mais de 18 meses, garantindo o funcionamento das r&aacute;dios at&eacute; a conclus&atilde;o definitiva dos respectivos processos administrativos.<\/p>\n<p>A elabora&ccedil;&atilde;o da A&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se restringiu aos MPF e aos demais autores da a&ccedil;&atilde;o. Outras institui&ccedil;&otilde;es que colaboraram&nbsp;com o processo, como a Amarc (Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias) e a Obor&eacute;, al&eacute;m de alguns parlamentares paulistas, n&atilde;o&nbsp; assinaram o texto por especificidades legais exigidas nesse tipo de&nbsp;a&ccedil;&atilde;o.&nbsp;Apesar disso, as organiza&ccedil;&otilde;es reconhecem na rela&ccedil;&atilde;o com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal a possibilidade de gera&ccedil;&atilde;o de&nbsp; frutos&nbsp;relevantes para&nbsp; a sociedade no que se refere &agrave; garantia e efetiva&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O di&aacute;logo possibilitou a constru&ccedil;&atilde;o de uma in&eacute;dita a&ccedil;&atilde;o em defesa das r&aacute;dios comunit&aacute;rias e do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Permitiu, al&eacute;m disso, que todos os envolvidos ampliassem seus conhecimentos em rela&ccedil;&atilde;o aos v&aacute;rios temas envolvidos, seja do ponto de vista jur&iacute;dico, pol&iacute;tico ou social&rdquo;, afirma Antonio Biondi, jornalista e integrante do Intervozes.&nbsp;<\/p>\n<p>A a&ccedil;&atilde;o &eacute; subscrita pelos procuradores da Rep&uacute;blica Sergio Gardenghi Suiama (PR-SP) e Fernando de Almeida Martins (PR-MG), ambos integrantes do GT de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal. Assinam tamb&eacute;m a a&ccedil;&atilde;o os advogados Eduardo Altomare Ariente e Anna Cl&aacute;udia Pardini Vazzoler que representam as entidades co-autoras: Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Sinerc &ndash; Sindicato das Entidades Mantenedoras do Sistema de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria do Estado de SP, ANCARC &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o Nacional Cat&oacute;lica de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias, Grupo Tortura Nunca Mais e FNDC &#8211; F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"dmdocuments\/arquivo.php?arquivo=acp%20radios%20comunitarias.pdf\">Para acessar o texto completo da A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica, clique aqui.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;* Com informa&ccedil;&otilde;es da Assessoria do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;permitida a publica&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minist\u00e9rio P\u00fablico e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil ingressam com a\u00e7\u00e3o judicial para garantir funcionamento das r\u00e1dios comunit\u00e1rias cujos pedidos aguardam h\u00e1 mais de 18 meses a autoriza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es. 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