{"id":18422,"date":"2007-05-24T15:33:26","date_gmt":"2007-05-24T15:33:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18422"},"modified":"2007-05-24T15:33:26","modified_gmt":"2007-05-24T15:33:26","slug":"teles-x-globo-o-obvio-ululante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18422","title":{"rendered":"Teles x Globo: o \u00f3bvio ululante"},"content":{"rendered":"<p><span>Dizem que o &oacute;bvio &eacute; sempre &oacute;bvio vinte segundos depois de ser dito. Pois ent&atilde;o, este artigo pretende dizer apenas o &oacute;bvio ao apresentar uma proposta de encaminhamento para a disputa que separa as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es da maior empresa de m&iacute;dia do Brasil: a Globo. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; &oacute;bvio que a implementa&ccedil;&atilde;o de uma solu&ccedil;&atilde;o racional n&atilde;o depende apenas da racionalidade dos atores envolvidos, mas, principalmente, de seus interesses. Muitas vezes, as solu&ccedil;&otilde;es encontradas n&atilde;o t&ecirc;m nada de racional e expressam somente o poderio dos atores dominantes. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Mesmo assim, parece ser interessante enunciar o &oacute;bvio, que muitas vezes termina escondido por entre os discursos p&uacute;blicos dos dois lados, que procuram camuflar seus interesses. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>E, para prosseguir, tomemos o caso da TV paga, atualmente o epicentro do conflito entre teles e Globo.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em primeiro lugar, &eacute; fundamental unificar e ampliar a atual legisla&ccedil;&atilde;o, que &eacute; dispersa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s m&iacute;dias j&aacute; tradicionais (cabo, sat&eacute;lite e MMDS) e ausente nas novas plataformas (como no caso da IPTV).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em segundo lugar, cabe assumir que o processo de converg&ecirc;ncia nos obriga a ter um olhar unificado para o mesmo processo, mesmo que ele ocorra em diferentes plataformas. Ao mesmo tempo, cabe reconhecer que ainda persistem diferentes processos no interior das comunica&ccedil;&otilde;es. Por isso, sugerimos a ado&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica das &ldquo;camadas&rdquo;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Assim, todo o conte&uacute;do audiovisual (independente da plataforma em que circula) &eacute; tratado como uma camada espec&iacute;fica. Bem como a infra-estrutura (seja ela qual for) que permite a circula&ccedil;&atilde;o deste conte&uacute;do tamb&eacute;m &eacute; considerada uma outra camada.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Isso significa que necessitamos de um marco regulat&oacute;rio unificado e uma ag&ecirc;ncia reguladora (uma Ancine ampliada) para todo o conjunto da camada &ldquo;conte&uacute;do&rdquo;, assim como outro marco regulat&oacute;rio unificado e uma outra ag&ecirc;ncia reguladora (uma Anatel ampliada) para a camada &ldquo;infra-estrutura&rdquo;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Dito isto, voltemos ao caso da televis&atilde;o paga. Esse tipo de servi&ccedil;o de m&iacute;dia &eacute; dividido em tr&ecirc;s diferentes neg&oacute;cios: a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual; a programa&ccedil;&atilde;o deste conte&uacute;do na forma da grade de um espec&iacute;fico canal; e a sua transmiss&atilde;o atrav&eacute;s de uma infra-estrutura qualquer. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Os dois primeiros neg&oacute;cios devem ser tratados pelo marco regulat&oacute;rio do &ldquo;conte&uacute;do&rdquo;, assim como o terceiro neg&oacute;cio pertence ao marco regulat&oacute;rio da &ldquo;infra-estrutura&rdquo;. Ainda que os princ&iacute;pios devam ser os mesmos para todas as camadas (universaliza&ccedil;&atilde;o, garantia do direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, etc), as regras devem ser espec&iacute;ficas para cada camada.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>No caso da camada de infra-estrutura n&atilde;o vejo porque impedir a opera&ccedil;&atilde;o das teles. Pelo contr&aacute;rio, elas tendem a trazer concorr&ecirc;ncia em um neg&oacute;cio marcado, em geral, pelo monop&oacute;lio regional. &Eacute; &oacute;bvio que estas opera&ccedil;&otilde;es ter&atilde;o que ser reguladas atrav&eacute;s de regras r&iacute;gidas, como a neutralidade da rede para acesso &agrave; Internet, a n&atilde;o discricionalidade de conte&uacute;do nacional na TV paga e o compartilhamento de redes para evitar a irracionalidade do overbuilding, entre outras. &Oacute;bvio que tais regras n&atilde;o deveriam valer apenas para os entrantes, mas tamb&eacute;m para as atuais operadoras.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>No caso da camada de conte&uacute;do, temos que construir outro tipo de regras. Por exemplo, &eacute; fundamental garantir que a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional seja reservada exclusivamente ao capital nacional. Mas, tamb&eacute;m &eacute; importante sacramentar a divis&atilde;o entre produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o, instituindo cotas de produ&ccedil;&atilde;o independente. Novamente, estas regras valem tanto para as entrantes quanto para os players que j&aacute; est&atilde;o no mercado.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Na pr&aacute;tica, isso significa que as teles estrangeiras (Telmex, Telefonica e TIM) estariam proibidas de ter rela&ccedil;&atilde;o direta ou indireta com empresas de produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual. Para isso, faz-se necess&aacute;rio a constru&ccedil;&atilde;o de um sistema capaz de fiscalizar corretamente e de impedir o aparecimento de testas-de-ferro.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Por outro lado, isso n&atilde;o impediria que teles que tenham o capital votante de origem majoritariamente nacional (casos de Telemar e Brasil Telecom) possam operar na produ&ccedil;&atilde;o e na programa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O grande problema do debate atual (inclusive, dos tr&ecirc;s projetos de lei que tramitam na C&acirc;mara para tratar deste assunto) &eacute; que termina-se por misturar as duas camadas (conte&uacute;do e infra-estrutura) impondo as mesmas regras para fen&ocirc;menos diferentes. Os princ&iacute;pios s&atilde;o os mesmos, porque lidamos com o processo comunicacional em sua completude. Mas, as regras devem ser espec&iacute;ficas para cada camada.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Com isso, superamos as falsas dicotomias criadas pelos discursos p&uacute;blicos dos diferentes atores envolvidos, ao mesmo tempo em que conseguimos definir claramente o papel que cada um pode executar. Bem como, as restri&ccedil;&otilde;es impostas para cada ator.<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Resta saber a quem interessa implementar o &oacute;bvio.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><em>* Gustavo Gindre&nbsp;&eacute; membro eleito do Comit&ecirc; Gestor da Internet e coordenador do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/em>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span>&nbsp;&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;<em>publica&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que o &oacute;bvio &eacute; sempre &oacute;bvio vinte segundos depois de ser dito. 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