{"id":18419,"date":"2007-05-23T18:03:54","date_gmt":"2007-05-23T18:03:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18419"},"modified":"2007-05-23T18:03:54","modified_gmt":"2007-05-23T18:03:54","slug":"internet-brasileira-precisa-de-marco-regulatorio-civil-nao-criminal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18419","title":{"rendered":"Internet brasileira precisa de marco regulat\u00f3rio civil, n\u00e3o criminal"},"content":{"rendered":"<p><span>O projeto de lei de crimes virtuais do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) prop&otilde;e que o primeiro marco regulat&oacute;rio da Internet brasileira seja criminal. Enquanto isso, o caminho natural de regulamenta&ccedil;&atilde;o da rede, seguido por todos os pa&iacute;ses desenvolvidos, &eacute; primeiramente estabelecer um marco regulat&oacute;rio civil, que defina claramente as regras e responsabilidades com rela&ccedil;&atilde;o a usu&aacute;rios, empresas e demais institui&ccedil;&otilde;es acessando a rede, para a partir da&iacute; definir uma regras criminais.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>A raz&atilde;o para isso &eacute; a quest&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o. Para inovar, um pa&iacute;s precisa ter regras civis claras, que permitam seguran&ccedil;a e previsibilidade nas iniciativas feitas na rede (como investimentos, empresas, arquivos, bancos de dados, servi&ccedil;os etc.). As regras penais devem ser criadas a partir da experi&ecirc;ncia das regras civis. Isso de cara eleva o custo de investimento no setor e desestimula a cria&ccedil;&atilde;o de iniciativas privadas, p&uacute;blicas e empresariais na &aacute;rea.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>Isso acontece especialmente pela abrang&ecirc;ncia e incertezas geradas pelo projeto, que usa conceitos vagos e amplos (&quot;dados&quot;, &quot;sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o&quot; e outros) para regular um assunto que demanda discuss&atilde;o t&eacute;cnica pr&eacute;via, que ainda n&atilde;o foi feita no pa&iacute;s.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>Prova disso &eacute; que a Conven&ccedil;&atilde;o de Cibercrimes, que &eacute; citada como &quot;inspira&ccedil;&atilde;o&quot; para o projeto de lei, n&atilde;o foi assinada por nenhum pa&iacute;s latino-americano e nem pela maioria absoluta dos pa&iacute;ses em desenvolvimento (contam-se nos dedos os pa&iacute;ses pobres que assinaram a conven&ccedil;&atilde;o). Os pa&iacute;ses ricos, sigant&aacute;rios da conven&ccedil;&atilde;o, j&aacute; fizeram seu dever de casa de regulamentar a Internet do ponto de vista civil e, somente depois disso, estabeleceram os par&acirc;metros criminais para a rede. O Brasil est&aacute; seguindo a via inversa: est&aacute; criando primeiro puni&ccedil;&otilde;es criminais, sem antes regulamentar t&eacute;cnica e civilmente a Internet.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span><strong>Coisa e dado<\/strong><\/span><span><br \/><\/span><span>O projeto, em seu artigo 183-A, equipara &agrave; &quot;coisa&quot;, para efeitos penais, o dado, informa&ccedil;&atilde;o ou unidade de informa&ccedil;&atilde;o em meio eletr&ocirc;nico. Essa equipara&ccedil;&atilde;o gera efeitos imprevis&iacute;veis no ordenamento jur&iacute;dico brasileiro.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>Isso porque a Internet conta com caracter&iacute;sticas de v&aacute;rias m&iacute;dias, muitas das quais representam comunica&ccedil;&otilde;es ef&ecirc;meras ou transit&oacute;rias. Nesse sentido, uma &quot;conversa telef&ocirc;nica&quot; mantida pela Internet por meio de um programa como o Skype estaria sendo equiparada &agrave; &quot;coisa&quot; para fins penais. O mesmo &eacute; v&aacute;lido para conversas por texto, v&iacute;deos, fluxos de webcams, e-mails, bem como qualquer outra forma de comunica&ccedil;&atilde;o. Essa equipara&ccedil;&atilde;o &agrave; &quot;coisa&quot; sujeita os provedores a medidas judicias que levem &agrave; possibilidade de reconstitui&ccedil;&atilde;o dessas informa&ccedil;&otilde;es transit&oacute;rias, que podem ent&atilde;o ser &quot;apreendidas&quot; e utilizadas em ju&iacute;zo. Isso desrespeita direitos e expectativas b&aacute;sicos com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza dos dados eletr&ocirc;nicos.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m disso, equiparar &quot;dado&quot; &agrave; &quot;coisa&quot; desrespeita a natureza econ&ocirc;mica dos sistemas eletr&ocirc;nicos. Enquanto &quot;coisas&quot; s&atilde;o bens escassos, dados eletr&ocirc;nicos s&atilde;o bens &quot;n&atilde;o-escassos&quot;. Uma &quot;coisa&quot;, ao ser transferida para outra pessoa, deixa de ser daquela pessoa e passa a ser da outra. <\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; os dados possuem natureza fluida, ou seja, o seu envio e aproveitamento por uma pessoa n&atilde;o impede sua utiliza&ccedil;&atilde;o por outra. Utilizando o jarg&atilde;o, dados s&atilde;o bens &quot;n&atilde;o-competitivos&quot; e &quot;n&atilde;o-rivais&quot;. Regulament&aacute;-los juridicamente como se fossem &quot;coisas&quot; vai contra a pr&oacute;pria natureza desses bens e gera conseq&uuml;&ecirc;ncias imprevis&iacute;veis dentro do direito brasileiro.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span><strong>Crimes digitais<\/strong><\/span><span><br \/><\/span><span>O artigo 339-A do projeto criminaliza as atividades de &quot;acessar rede de computadores, dispositivo de comunica&ccedil;&atilde;o ou sistema informatizado, sem autoriza&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo titular, quando exigida&quot; e &quot;obter dado ou informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em rede de computadores, dispositivo de comunica&ccedil;&atilde;o ou sistema informatizado sem autoriza&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo titutlar&quot;, com pena de reclus&atilde;o e deten&ccedil;&atilde;o de 2 a 4 anos. <\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>Trata-se de dispositivo que cria uma conduta criminal capaz de afetar a vida de milhares de pessoas, consistindo em verdadeiro instrumento de &quot;criminaliza&ccedil;&atilde;o de massas&quot;. In&uacute;meras pessoas, do dia para a noite, tornam-se criminosas em potencial caso o projeto do senador Azeredo seja aprovado.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>No &acirc;mbito destes artigos, encontra-se abrangido o acesso a dispositivos como computadores, iPjosdireitoaco, aparelhos celulares, tocadores de DVDs e at&eacute; mesmo conversores de sinais da televis&atilde;o digital. Isso faz com que a ind&uacute;stria de conte&uacute;do possa criminalizar seus consumidores, tal qual aconteceu nos Estados Unidos com a aprova&ccedil;&atilde;o do DMCA (Digital Millennium Copyright Act) em 1998. <\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>Passados quase dez anos da aprova&ccedil;&atilde;o dessa legisla&ccedil;&atilde;o nos EUA, existe consenso de que a mesma, al&eacute;m de absolutamente ineficaz, produziu danos graves para a sociedade e para o interesse p&uacute;blico, a ponto de seus dispositivos estarem sendo flexibilizados cada vez mais a cada ano.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>O projeto de lei do senador Azeredo n&atilde;o s&oacute; vai contra essa evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica de legisla&ccedil;&atilde;o malsucedida nos Estados Unidos, como amplia o escopo do modelo norte-americano. Enquanto nos EUA criminalizou-se &quot;quebrar ou contornar medidas de prote&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica&quot; empregadas pela ind&uacute;stria cultural para proteger bens regidos pelo direito autoral, o projeto do senador Azeredo criminaliza o pr&oacute;prio &quot;acesso&quot;. <\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>Esse modelo proposto pelo senador cria um custo significativo tanto para qualquer usu&aacute;rio da Internet, quanto para qualquer iniciativa p&uacute;blica ou privada na rede, inclusive iniciativas empresariais. Isso porque faz-se necess&aacute;rio verificar quando, como e em que termos se d&aacute; a &quot;autoriza&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo titular&quot; para que o acesso seja exercido.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span><strong>Imp&eacute;rio da autoriza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/span><span><br \/><\/span><span>Em s&iacute;ntese, cria-se um &quot;imp&eacute;rio da autoriza&ccedil;&atilde;o&quot;, agravando um problema not&oacute;rio, que &eacute; a dificuldade pr&aacute;tica de se obter &quot;autoriza&ccedil;&atilde;o&quot; e se verificar quais s&atilde;o exatamente cada um dos seus respectivos termos e modalidades junto aos leg&iacute;timos titulares, tornando dessa forma ainda mais elevado o problema do custo de transa&ccedil;&atilde;o para o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>Por fim, &eacute; cada vez mais not&oacute;rio que a criminaliza&ccedil;&atilde;o e a restri&ccedil;&atilde;o do &quot;acesso&quot;, tal como faz o projeto de lei em quest&atilde;o, contraria interesses p&uacute;blicos e coletivos. Associa&ccedil;&otilde;es de defesa do consumidor de todo mundo, juntamnete com bibliotec&aacute;rios, universidades, empresas e institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas, dentre outras, t&ecirc;m se manifestado de forma consistente quanto ao aumento das barreiras e da burocratiza&ccedil;&atilde;o do acesso. Exemplo disso &eacute; a bem-sucedida press&atilde;o dos consumidores exercida sobre a empresa Apple, que est&aacute; progressivamente abandonando a utiliza&ccedil;&atilde;o de medidas que dificultam o acesso a seus conte&uacute;dos (as chamadas &quot;medidas de prote&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica&quot;). O mesmo ocorre com v&aacute;rios outros sites de distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><span>A situa&ccedil;&atilde;o se agrava quando se tem em mente que a proposta de lei inclui os sinais transmitidos pela televis&atilde;o digital no Brasil (o artigo 339 do projeto define expressamente que os &quot;dispositivos de comunica&ccedil;&atilde;o&quot; abrangem tamb&eacute;m &quot;os receptores e os conversores de sinais de r&aacute;dio ou televis&atilde;o digital&quot;). &Eacute; preciso considerar que as transmiss&otilde;es de TV digital ser&atilde;o feitas por meio de concess&otilde;es p&uacute;blicas, e utilizando um bem igualmente p&uacute;blico, que &eacute; o espectro eletromagn&eacute;tico. Dessa forma, &eacute; inconstitucional criminalizar o &quot;acesso a dispositivo de comunica&ccedil;&atilde;o&quot; como o conversor de TV digital &quot;sem autoriza&ccedil;&atilde;o do leg&iacute;timo titular&quot;. A pr&oacute;pria possibilidade de exig&ecirc;ncia dessa autoriza&ccedil;&atilde;o, definida pelo artigo 339, viola o car&aacute;ter p&uacute;blico das transmiss&otilde;es da televis&atilde;o digital.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span><strong>Vigil&acirc;ncia<\/strong><br \/>No artigo 21 do projeto, s&atilde;o criadas diversas obriga&ccedil;&otilde;es para os provedores de acesso &agrave; Internet. Dentre elas, a obriga&ccedil;&atilde;o de &quot;manter em ambiente controlado e de seguran&ccedil;a os dados de conex&otilde;es realizadas por seus equipamentos&quot;, &quot;pelo prazo de tr&ecirc;s anos&quot;. Tal obriga&ccedil;&atilde;o obriga os provedores a criar instrumentos de monitoramento permanente sobre seus clientes. Conforme mencionado acima, esse monitoramente pode levar &agrave; vigil&acirc;ncia sobre todas as atividades do usu&aacute;rio, o que est&aacute; previsto no artigo IV do artigo 21. Tal artigo prev&ecirc; que o provedor deve &quot;preservar imediatamente, ap&oacute;s a solicita&ccedil;&atilde;o expressa da autoridade judicial, no curso da investiga&ccedil;&atilde;o, os dados de conex&otilde;es realizadas, os dados de identifica&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rio e as comunica&ccedil;&otilde;es realizadas daquela investiga&ccedil;&atilde;o&quot;. Com isso, os provedores s&atilde;o obrigados a construir capacidade t&eacute;cnica para monitorar seus clientes. Conforme mencionado acima, esse monitoramente pode reconstituir comunica&ccedil;&otilde;es ef&ecirc;meras, como chamadas telef&ocirc;nicas pela rede, e-mails, mensagens eletr&ocirc;nicas instant&acirc;neas e quaisquer outros dados trafegados pelo usu&aacute;rio.<span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span>Isso n&atilde;o bastasse, o inciso V do artigo 21 obriga os provedores a &quot;informar, de maneira sigilosa, &agrave; autoridade policial competente den&uacute;ncia da qual tenha tomado conhecimento e que contenha ind&iacute;cios de conduta delituosa na rede de computadores sob sua responsabilidade&quot;. Tal dispositivo cria um sistema de &quot;vigilantes&quot; da Internet. O provedor passa a se tornar um agente de vigil&acirc;ncia, que sempre que provocado por uma &quot;den&uacute;ncia&quot;, deve informar de forma sigilosa &agrave; autoridade policial. Tal dispositivo viola a garantia de ampla defesa e o devido processo legal, configurando-se como inconstitucional. O usu&aacute;rio que est&aacute; sob vigil&acirc;ncia tem amplo direito de ser informado sobre tal vigil&acirc;ncia, o que deriva diretamente de seus direitos constitucionais. Esse sistema de incentivo &agrave; &quot;vigil&acirc;ncia privada&quot;, em conjunto com um regime de sigilo e segredo &eacute; incompat&iacute;vel com o Estado democr&aacute;tico de direito.<span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span>Por fim, o incentivo &agrave; &quot;privatiza&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia&quot; &eacute; refor&ccedil;ado pelo artigo 22 do projeto de lei, que determina que &quot;n&atilde;o constitui viola&ccedil;&atilde;o do dever de sigilo a comunica&ccedil;&atilde;o, &agrave;s autoridades competentes, de pr&aacute;tica de il&iacute;citos penais, abrangendo o fornecimento de informa&ccedil;&otilde;es de acesso, hospedagem e dados de identifica&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rio, quando constatada qualquer conduta crimininosa&quot;. Na pr&aacute;tica, tal artigo simplesmente elimina o sigilo e a inviolabilidade que resguardam as comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. Um dispositivo como esse permitiria, por exemplo, que as comunica&ccedil;&otilde;es eletr&ocirc;nicas realizadas por adolescentes em todo o pa&iacute;s fossem devassadas, na medida em que se constatasse que esses adolescentes estariam trocando m&uacute;sica pela Internet (atividade que pode configurar o il&iacute;cito penal previsto no c&oacute;digo 184 do c&oacute;digo penal, que criminaliza a viola&ccedil;&atilde;o de direito autoral). Essa e outras pr&aacute;ticas s&atilde;o objeto de intensos debates legislativos em todo mundo, muitos deles buscando a reforma da lei. Enquanto essa reforma n&atilde;o acontece, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ignorar o fato de que efetivamente centenas de milhares de pessoas poder&atilde;o ter suas comunica&ccedil;&otilde;es eletr&ocirc;nicas devassadas em raz&atilde;o do projeto de lei do senador Azeredo.<span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span>Dessa forma, o projeto em quest&atilde;o afeta a vida da maioria dos brasileiros, sejam aqueles que possuem telefones celulares, sejam aqueles que acessam a Internet por computadores, ou aqueles que ser&atilde;o futuros espectadores da televis&atilde;o digital. Por essa raz&atilde;o, &eacute; inconceb&iacute;vel que um projeto como esse n&atilde;o seja debatido de forma mais ampla com a sociedade civil e com os representantes dos interesses diretamente afetados. O rol destes &eacute; grande e inclui: provedores de acesso, empresas de tecnologia de modo geral, consumidores, universidades, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o, apenas para elencar alguns.<span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span>E uma vez mais, todo o esfor&ccedil;o de debate p&uacute;blico em torno de um tal projeto de lei, que tem por objetivo regulamentar a Internet do ponto de vista criminal, deveria se voltar &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o civil da rede, definindo claramente o seu marco regulat&oacute;rio e privilegiando a inova&ccedil;&atilde;o, tal qual foi nos pa&iacute;ses desenvolvidos. Privilegiar a regulamenta&ccedil;&atilde;o criminal da Internet antes de sua regulamenta&ccedil;&atilde;o civil tem como conseq&uuml;&ecirc;ncia o aumento de custos p&uacute;blicos e privados, o desincentivo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e sobretudo, a inefic&aacute;cia. Nesse sentido, &eacute; preciso primeiro que se aprenda com a regulamenta&ccedil;&atilde;o civil, para a partir de ent&atilde;o propor medidas criminais que possam alcan&ccedil;ar sua efetividade, sem onerar a sociedade como um todo, como faz o atual projeto de lei do senador Eduardo Azeredo.<span style=\"font-size: 10pt; background: #e5e8eb; color: black; font-family: Arial\"><\/p>\n<p><\/span>* Ronaldo Lemos &eacute; coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV (Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas) do Rio de Janeiro e representante da licen&ccedil;a Creative Commons no Brasil. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto de lei de crimes virtuais do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) prop&otilde;e que o primeiro marco regulat&oacute;rio da Internet brasileira seja criminal. 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