{"id":18417,"date":"2007-05-23T15:13:56","date_gmt":"2007-05-23T15:13:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18417"},"modified":"2007-05-23T15:13:56","modified_gmt":"2007-05-23T15:13:56","slug":"a-luta-das-mulheres-pela-comunicacao-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18417","title":{"rendered":"A luta das mulheres pela comunica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>Rachel Moreno, do Observat&oacute;rio da Mulher, tem atua&ccedil;&atilde;o destacada na defesa dos direitos da mulher. Recentemente, liderou a coleta de assinaturas para um pedido de direito de resposta &agrave;s mulheres na televis&atilde;o e participa ativamente de um movimento que tem pressionado &agrave;s emissoras a reverem a forma como retratam as mulheres na tela. Nesta entrevista exclusiva ao Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, a ativista fala sobre a atua&ccedil;&atilde;o do movimento feminista nas quest&otilde;es relacionadas &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e sobre a representa&ccedil;&atilde;o distorcida da mulher na m&iacute;dia.<\/em> <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span>Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o<\/span><span> &#8211; H&aacute; algumas semanas, o Observat&oacute;rio da Mulher&nbsp;liderou a coleta de assinaturas para solicitar, junto ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico, um direito de resposta na TV. Quando o movimento percebeu a import&acirc;ncia de discutir os temas relacionados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o?<\/span><\/strong><span> <br \/><\/span><span>Rachel Moreno<\/span><span> &#8211; &nbsp;A quest&atilde;o da mulher &eacute; sempre transversal. Em qualquer ambiente, h&aacute; um corte de g&ecirc;nero poss&iacute;vel. E eu, como fiz parte do grupo TVer, n&atilde;o tinha como n&atilde;o ver o quanto a TV &eacute; discriminat&oacute;ria. J&aacute; fiz parte tamb&eacute;m do F&oacute;rum pela &Eacute;tica na TV e da Campanha Quem Financia a Baixaria &eacute; Contra a Cidadania. Em ambos, a gente sempre tinha vontade de n&atilde;o tratar temas de maneira pontual e responder &agrave; reincid&ecirc;ncia de tratamentos pejorativos. Um acompanhamento mais sistem&aacute;tico da TV, por exemplo, nos permite ver que os movimentos sociais sempre s&atilde;o criminalizados pela grande m&iacute;dia. <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Em rela&ccedil;&atilde;o ao tema da mulher, de maneira mais pontual, os grupos feministas reagiram algumas vezes &agrave;s propagandas que consideram depreciativas, em geral propagandas de cerveja e as que mercantilizam a mulher. No &uacute;ltimo Dia Internacional da Mulher, durante a prepara&ccedil;&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es que marcariam a data, colocamos a quest&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o que foi encampada por outras entidades. Aos poucos, fomos percebendo a import&acirc;ncia de prestarmos mais aten&ccedil;&atilde;o no direito a uma imagem fiel, no direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, na import&acirc;ncia de incidir no processo, fazendo controle social dos conte&uacute;dos e discutindo pol&iacute;ticas, como as de concess&atilde;o, por exemplo. Estas quest&otilde;es todas, daqui pra frente, est&atilde;o em pauta entre as feministas envolvidas nesta luta.<br \/><\/span><span><br \/><strong>Quando come&ccedil;aram a acontecer iniciativas como esta? <br \/><\/strong><\/span><span>Esta foi a primeira a&ccedil;&atilde;o que fizemos em conjunto. As demais foram pontuais ou conduzidas por duas ou tr&ecirc;s entidades. Estamos dialogando com as emissoras para discutir uma semana de direito de resposta patrocinada por elas e a instaura&ccedil;&atilde;o de uma mesa de di&aacute;logo permanente. De alguma forma, vamos discutir controle social. &Eacute; o que parece fazer mais sentido na disputa pela forma que gostar&iacute;amos de ser retratadas. Estamos falando de mulher, mas programa&ccedil;&atilde;o infantil, por exemplo, nos diz muito respeito, assim como o debate sobre classifica&ccedil;&atilde;o indicativa. Lamentamos muito n&atilde;o termos conseguido ir ao debate sobre TV P&uacute;blica, pois esta &eacute; uma quest&atilde;o central para n&oacute;s na constru&ccedil;&atilde;o de uma comunica&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;tica. Ali&aacute;s, importante ressaltar que este debate sobre a TV P&uacute;blica n&atilde;o deve substituir o debate sobre a programa&ccedil;&atilde;o na TV aberta. &Eacute; importante que tenhamos os tr&ecirc;s sistemas &#8211; comercial, p&uacute;blico e estatal &#8211; funcionando de forma complementar, e que o controle p&uacute;blico e o interesse p&uacute;blico sejam princ&iacute;pios de todos eles.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Qual a import&acirc;ncia de o movimento feminista discutir os temas relacionados &agrave; m&iacute;dia e &agrave; representa&ccedil;&atilde;o das mulheres na cena p&uacute;blica?<br \/><\/strong><\/span><span>Estamos mexendo com o aparelho ideol&oacute;gico do Estado. O controle acaba sendo gerado pela produ&ccedil;&atilde;o de imagens, valores, atitudes e modelos. E a TV produz e controla cabe&ccedil;as, cora&ccedil;&otilde;es, mentes e bolsos em todo mundo. Neste sentido, a TV acaba entrando definitivamente em todas as casas e em nossas vidas na constru&ccedil;&atilde;o da nossa subjetividade. A TV &eacute; a voz mais socialmente aceita a apresentar a imagem dos fatos e dos valores e isso nos preocupa. Este &eacute; um poder concedido &agrave; pessoas que o exercem com fins comerciais, sem parar pra pensar na responsabilidade social que este poder carrega. N&atilde;o queremos mostrar simplesmente a nossa vers&atilde;o dos fatos, mas o m&iacute;nimo que podemos esperar &eacute; que a TV retrate a diversidade da sociedade em todas as suas dimens&otilde;es, e que todas as pessoas encontrem nela seu espa&ccedil;o, j&aacute; que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; uma via de duas m&atilde;os. N&atilde;o podemos s&oacute; ler e assistir: a comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute; inscrita entre os direitos humanos e todos devem ter o direito de participar. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Qual foi o resultado concreto da audi&ecirc;ncia realizada no Minist&eacute;rio P&uacute;blico e que conseq&uuml;&ecirc;ncias ele traz para a luta feminista?<br \/><\/strong><\/span><span>A audi&ecirc;ncia foi sensacional. Teve gente que foi de curiosidade e saiu convencida de que aquilo era importante e fundamental. Estamos planejando uma programa&ccedil;&atilde;o de semin&aacute;rios e debates para estimular a discuss&atilde;o, porque quando esta proposta passar de direito de resposta pontual para uma poss&iacute;vel mesa de di&aacute;logo, este controle tem que estar enraizado, capilarizado, potencializado e legitimado. Temos tamb&eacute;m entrevistas agendadas nos dias 23, 24 e 25 de maio com representantes das emissoras MTV, Globo, Bandeirantes e estamos dialogando com a Cultura que est&aacute; em transi&ccedil;&atilde;o de diretoria. Est&aacute; se abrindo um caminho com elas. Outro compromisso &eacute; um retorno da audi&ecirc;ncia marcado no Minist&eacute;rio P&uacute;blico para dizer se a quest&atilde;o foi resolvida a contento ou se achamos adequado partir para outro n&iacute;vel de a&ccedil;&atilde;o. Mas se conseguirmos este enraizamento na sociedade e esta abertura por parte das emissoras se mantiver, avan&ccedil;aremos bastante. Queremos que esta a&ccedil;&atilde;o se multiplique, que mais mulheres e outros segmentos se juntem a n&oacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Que rela&ccedil;&atilde;o existe entre os direitos das mulheres e o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Para al&eacute;m da quest&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o, a mulher tem sido amplamente utilizada de forma enviesada, no sentido de que &eacute; mercantilizada e usada como chamariz para venda de produtos que muitas vezes n&atilde;o t&ecirc;m nada a ver com a mulher ou o feminino. &Eacute; objeto de decora&ccedil;&atilde;o, de esc&aacute;rnio, entre outras coisas. Quando afirmo que o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito humano e que o respeito &agrave; pessoa humana tamb&eacute;m &eacute; um direito, a&iacute; esta a rela&ccedil;&atilde;o. &Eacute; fundamental que tenhamos acesso, controle e discuss&atilde;o sobre esta imagem e sobre a participa&ccedil;&atilde;o da mulher na m&iacute;dia. Se n&oacute;s mulheres mudamos o mundo e come&ccedil;amos a acumular fun&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o temos direito de ver na TV a forma como vemos o mundo, que liberdade &eacute; essa? Isso passa pela necessidade de tamb&eacute;m produzirmos comunica&ccedil;&atilde;o e desvendarmos, nesta produ&ccedil;&atilde;o, os problemas, conflitos, as dificuldades e contradi&ccedil;&otilde;es que vivemos na vida. N&atilde;o somos brindes ou chamarizes, queremos uma representa&ccedil;&atilde;o fiel. Estamos fazendo historia e n&atilde;o conseguimos ver nosso peda&ccedil;o da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Existe alguma rela&ccedil;&atilde;o entre a representa&ccedil;&atilde;o das mulheres na m&iacute;dia e a representa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica?<br \/><\/strong><\/span><span>As mulheres s&atilde;o subrepresentadas em termos pol&iacute;ticos tamb&eacute;m. Existem inclusive algumas iniciativas de afirma&ccedil;&atilde;o e campanhas de cotas de mulheres na pol&iacute;tica. Na verdade, quando n&atilde;o se mexe na estrutura, no motivo pelo qual a mulher n&atilde;o tem participado, as coisas n&atilde;o mudam. Nos movimentos sociais e nas organiza&ccedil;&otilde;es, elas s&atilde;o maioria. Na disputa do poder institucional, s&atilde;o minoria. Isso n&atilde;o se d&aacute; somente por machismo ou por uma estrutura herdada, mas tamb&eacute;m porque temos jornada dupla, ganhamos menos, os recursos em partidos s&atilde;o distribu&iacute;dos de forma que n&atilde;o nos privilegiam. Al&eacute;m disso, n&atilde;o somos educados midiaticamente para ver mulheres como lideran&ccedil;as. E a&iacute; come&ccedil;a o ciclo vicioso: quando vem um olhar da m&iacute;dia sobre a mulher na pol&iacute;tica, descreve como se portou a candidata, como se vestiu a deputada, como se maquiou a ministra. Isso &eacute; o mais importante? Isso diminui a import&acirc;ncia da atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da mulher.<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong><br \/>Quais as consequ&ecirc;ncias, para as mulheres, de uma m&iacute;dia concentrada e&nbsp;pouco diversa e, nesse sentido, qual a import&acirc;ncia de termos uma m&iacute;dia mais democr&aacute;tica?<br \/><\/strong><\/span><span>A vis&atilde;o que a sociedade tem de n&oacute;s est&aacute; limitada &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es de um n&uacute;mero restrito de pessoas e que tendem a pensar da mesma forma. Por mais que haja diversos canais de TV, s&atilde;o os mesmos tipos de programas e com o mesmo conte&uacute;do. O controle remoto n&atilde;o permite uma escolha de fato. Se queremos ter um retrato real da sociedade, e que a TV cumpra a voca&ccedil;&atilde;o de janela pro mundo, &eacute; preciso que ela mostre o mundo tal qual ele &eacute;, com sua diversidade. E tudo isso vale n&atilde;o s&oacute; para a TV, mas para toda m&iacute;dia. Quando passamos em uma banca de jornal, temos uma id&eacute;ia de como se v&ecirc; a mulher e sobre o que se pensa que a mulher deseja: peito, bunda e cozinha. Vale pra impresso, r&aacute;dio, TV e internet, mas sabemos que a TV ainda &eacute; o meio mais poderoso na forma&ccedil;&atilde;o das consci&ecirc;ncias.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Somos representadas de forma estereotipada e mercantilizada&#8221; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18417"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18417"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18417\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}