{"id":18415,"date":"2007-05-23T13:12:57","date_gmt":"2007-05-23T13:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18415"},"modified":"2007-05-23T13:12:57","modified_gmt":"2007-05-23T13:12:57","slug":"o-desenvolvimento-da-economia-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18415","title":{"rendered":"O desenvolvimento da economia da cultura"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Por&nbsp;Guilherme Jeronymo<\/em><\/span><em><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Jornalista, na forma&ccedil;&atilde;o e nos per&iacute;odos em que trabalhou na Folha de S&atilde;o Paulo, no Jornal do Brasil e no Jornal dos Sports, S&eacute;rgio S&aacute; Leit&atilde;o enveredou pelos caminhos da gest&atilde;o em cultura, com p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas (USP) e Marketing (Ibmec). Desde ent&atilde;o foi, entre 2003 e 2006, Chefe de Gabinete do Ministro da Cultura e Secret&aacute;rio de Pol&iacute;ticas Culturais do Minist&eacute;rio da Cultura, onde coordenou programas como o M&uacute;sica do Brasil, CulturaPrev e os programas de Economia da Cultura.<\/span><\/em><em><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Hoje, aos 40 anos, &eacute; Assessor da Presid&ecirc;ncia do BNDES, cargo que ocupa desde maio de 2006, onde foi um dos respons&aacute;veis pela cria&ccedil;&atilde;o do Departamento de Economia da Cultura e do Programa de Apoio &agrave; Cadeia Produtiva do Audiovisual, atividades que divide com a cadeira de professor da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Gest&atilde;o Cultural da Universidade C&acirc;ndido Mendes e de membro do Conselho Consultivo dos Projetos Setoriais de Exporta&ccedil;&atilde;o de Artes Visuais e Produ&ccedil;&atilde;o Independente de TV, da Apex, al&eacute;m de produzir v&iacute;deos e de ter publicado cinco livros.<\/span><\/em><em><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Na entrevista que nos cedeu, o assessor apresenta os mecanismos de fomento e investimento do BNDES em cultura, fala sobre os programas e a estrutura do Departamento de Economia da Cultura, contextualiza as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para a &ldquo;economia da cultura&rdquo; e a import&acirc;ncia do setor no mundo e para o Brasil, d&aacute; dire&ccedil;&otilde;es de quais ser&atilde;o as posturas da gest&atilde;o de Luciano Coutinho para a &aacute;rea, fala do potencial n&atilde;o explorado do Brasil nessa economia da criatividade e da inova&ccedil;&atilde;o e d&aacute; pinceladas na participa&ccedil;&atilde;o do banco em programas de fomento &agrave; radiodifus&atilde;o comercial e p&uacute;blica e &agrave; TV Digital.<\/span><\/em><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>CulturaeMercado &#8211; Na conjuntura atual, o que podemos considerar &ldquo;economia da cultura&rdquo;?<br \/><\/strong><\/span><span>S&eacute;rgio S&aacute; Leit&atilde;o &#8211; Do ponto de vista da economia, a express&atilde;o &ldquo;economia da cultura&rdquo; identifica o conjunto de atividades econ&ocirc;micas relacionadas &agrave; cultura, incluindo a cria&ccedil;&atilde;o e o fazer cultural. Do ponto de vista da cultura, o conjunto das atividades culturais que t&ecirc;m algum impacto econ&ocirc;mico. Pode-se incluir neste conjunto qualquer pr&aacute;tica direta ou indiretamente cultural que gere valor econ&ocirc;mico, al&eacute;m do valor cultural. A economia &eacute;, portanto, uma das dimens&otilde;es da cultura. E a &ldquo;economia da cultura&rdquo; constitui um campo da economia.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>As atividades geradoras de valor econ&ocirc;mico deste &ldquo;setor cultural e criativo&rdquo; s&atilde;o as que constituem o campo da &ldquo;economia da cultura&rdquo; e influenciam outros setores, como os de ci&ecirc;ncia e tecnologia e de eletro-eletr&ocirc;nicos.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quais s&atilde;o as principais caracter&iacute;sticas deste &ldquo;setor cultural e criativo&rdquo;?<br \/><\/strong><\/span><span>Pesquisas recentes indicam que a &ldquo;economia da cultura&rdquo; &eacute;, atualmente, o setor que mais cresce, gera renda, exporta e emprega, e o que melhor remunera. &Eacute; ainda o que mais impacta outros setores igualmente vitais. E produz maior valor adicionado. Est&aacute; baseado no uso de recursos inesgot&aacute;veis (como a criatividade) e consome cada vez menos recursos naturais esgot&aacute;veis. Apresenta um uso intenso de inova&ccedil;&otilde;es e impacta o desenvolvimento de novas tecnologias. Finalmente, seus produtos geram bem-estar, estimulam a forma&ccedil;&atilde;o do capital humano e refor&ccedil;am os v&iacute;nculos sociais e a identidade.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Este campo inclui apenas as ind&uacute;strias culturais?<br \/><\/strong><\/span><span>As ind&uacute;strias culturais e seus servi&ccedil;os derivados s&atilde;o a vitrine deste campo. Refiro-me &agrave; ind&uacute;stria editorial, &agrave; ind&uacute;stria do audiovisual e &agrave; ind&uacute;stria da m&uacute;sica, entre outras. Tais setores estruturam-se como cadeias produtivas. Basicamente, dizem respeito &agrave; cria&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e consumo de conte&uacute;dos e experi&ecirc;ncias culturais. Mas h&aacute; tamb&eacute;m as atividades econ&ocirc;micas relacionadas &agrave; cultura que se estruturam como arranjos ou sistemas produtivos locais. E as de car&aacute;ter individual, associativo e institucional.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Al&eacute;m do setor industrial da cultura, que inclui os segmentos do audiovisual, da m&uacute;sica e da publica&ccedil;&atilde;o de livros, entre outros, o estudo inclui, no campo da &ldquo;economia da cultura&rdquo;, a ind&uacute;stria da m&iacute;dia (imprensa, r&aacute;dio e TV), o campo criativo (moda, arquitetura, publicidade, design gr&aacute;fico, design de produtos e design de interiores), o turismo cultural e as express&otilde;es art&iacute;sticas e institui&ccedil;&otilde;es culturais (artes c&ecirc;nicas, artes visuais, cultura popular, patrim&ocirc;nio material, museus, arquivos, bibliotecas, eventos, festas e exposi&ccedil;&otilde;es). <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Qual &eacute; o tamanho da &ldquo;economia da cultura&rdquo; no mundo?<br \/><\/strong><\/span><span>Segundo o &ldquo;Global Entertainment &amp; Media Outlook 2006-2010&rdquo;, da Price Waterhouse Coopers, o setor passar&aacute; de US$ 1,3 tri em 2005 a US$ 1,8 tri em 2010, crescendo 6,6% ao ano, bem acima da m&eacute;dia da economia mundial (5%). Na Am&eacute;rica Latina, espera-se um crescimento anual m&eacute;dio de 8,5%, com o mercado passando de US$ 40 bi em 2005 para US$ 60 bi em 2010.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Qual &eacute; a import&acirc;ncia da &ldquo;economia da cultura&rdquo; para a gera&ccedil;&atilde;o de renda no pa&iacute;s atualmente?<br \/><\/strong><\/span><span>O Brasil tem o maior potencial de crescimento no continente, por dois fatores: mercado interno expressivo e a riqueza e a diversidade da nossa cultura. Deve-se tratar de &ldquo;economia da cultura&rdquo; no Brasil pensando n&atilde;o apenas na situa&ccedil;&atilde;o existente, mas, sobretudo, no potencial n&atilde;o-realizado, assim como nas oportunidades que se colocam. De acordo com o &ldquo;Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es e Indicadores Culturais&rdquo; (IBGE\/MinC, 2006), o &ldquo;setor cultural e criativo&rdquo; respondia em 2003 por 5,7% dos empregos formais, 6,2% do n&uacute;mero de empresas, 6% do valor adicionado geral e 4,4% das despesas m&eacute;dias das fam&iacute;lias. Estima-se que a participa&ccedil;&atilde;o no PIB seja de 5%.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Por que a &ldquo;economia da cultura&rdquo; &eacute; um setor estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s?<br \/><\/strong><\/span><span>A &ldquo;economia da cultura&rdquo; &eacute; um novo front de desenvolvimento, por sua grande capacidade de gera&ccedil;&atilde;o de renda e emprego, por seu impacto na forma&ccedil;&atilde;o do capital humano e no desenvolvimento de novas tecnologias, e por seus efeitos sociais positivos. O crescimento do setor no Brasil tem sido muito expressivo, mesmo que os valores absolutos ainda sejam modestos, se comparados aos que se verificam nos pa&iacute;ses desenvolvidos. Segundo a Price Waterhouse Coopers, a &ldquo;economia da cultura&rdquo; no Brasil passou de US$ 11,548 bi em 2001 para US$ 14,648 bi em 2005. O estudo projeta que o setor atingir&aacute; a marca de US$ 21,917 bi em 2010, com uma taxa de crescimento anual estimada em 8,4%, ou quase o dobro da estimativa de crescimento do PIB brasileiro.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>E como estimular o desenvolvimento da &ldquo;economia da cultura&rdquo; no Brasil?<br \/><\/strong><\/span><span>O poder p&uacute;blico j&aacute; acordou para a &ldquo;economia da cultura&rdquo; e o que ela pode representar em termos de desenvolvimento. Em 2005, coordenei no MinC a formula&ccedil;&atilde;o do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec), que a partir de 2006 passou a integrar o Plano Plurianual e ganhou recursos pr&oacute;prios. Entre as a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas destaca-se o apoio aos Programas de Exporta&ccedil;&atilde;o de M&uacute;sica, Cinema e Produ&ccedil;&atilde;o Independente de TV, realizados em parceria com a Apex, o Sebrae e entidades setoriais. O ministro Gilberto Gil tem sido um ap&oacute;stolo desta causa, e h&aacute; cada vez mais adeptos.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>E o que o BNDES pode fazer nesta &aacute;rea?<br \/><\/strong><\/span><span>O BNDES criou em junho de 2006 o Departamento de Economia da Cultura, a partir de uma proposta que apresentei quando fui convidado a trabalhar na Assessoria da Presid&ecirc;ncia. Cerca de cinco meses depois, lan&ccedil;amos o Programa de Apoio &agrave; Cadeia Produtiva do Audiovisual (Procult\/Audiovisual), or&ccedil;ado em R$ 175 milh&otilde;es. Antes, em 2004, o BNDES havia criado duas linhas de cr&eacute;dito, uma para salas de cinema e outra para edi&ccedil;&atilde;o de livros, a partir de um processo de di&aacute;logo com o MinC do qual tive a felicidade de participar, ao lado de Leopoldo Nunes, M&aacute;rio Diamante e Galeno Amorim. Tais linhas foram fundamentais para produzir massa cr&iacute;tica interna e abrir caminho para o Decult.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quase um ano depois, pode-se dizer que o Departamento de Economia da Cultura esteja maduro para atender aos objetivos do BNDES e &agrave;s demandas do setor?<br \/><\/strong><\/span><span>Penso que o Decult apresenta um desempenho significativo, gra&ccedil;as ao empenho e &agrave; qualidade de sua pequena equipe, e ao respaldo da Diretoria e da Presid&ecirc;ncia. O BNDES aprovou em fevereiro um financiamento de R$ 7 milh&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o, em S&atilde;o Paulo, de um complexo de est&uacute;dios e servi&ccedil;os voltado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de filmes, s&eacute;ries de TV e outros conte&uacute;dos audiovisuais. Foi a primeira opera&ccedil;&atilde;o do Decult. Na semana passada, aprovamos a segunda, no valor de R$ 2 milh&otilde;es, para a constru&ccedil;&atilde;o de seis salas de cinema em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde h&aacute; claramente uma reduzida oferta de lazer.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Al&eacute;m do financiamento aos projetos da Quanta e da CineSystem, h&aacute; mais 20 opera&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise. A performance inicial indica que o BNDES acertou ao apostar no potencial de expans&atilde;o do setor e tomar medidas relativamente ousadas, como a cria&ccedil;&atilde;o de um departamento exclusivo e a adapta&ccedil;&atilde;o de suas regras gerais &agrave;s peculiaridades deste mercado. A tarefa n&atilde;o &eacute; simples, pois trata-se de uma iniciativa nova; e o setor, embora emergente, ainda demonstra elevada depend&ecirc;ncia de incentivos e baixa capacita&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Que mecanismos de financiamento foram criados a partir do Decult, e qual sua import&acirc;ncia pol&iacute;tica para as cadeias produtivas da cultura?<br \/><\/strong><\/span><span>H&aacute; dois programas em andamento: o Procult\/Audiovisual e o Protvd\/Conte&uacute;do. O primeiro re&uacute;ne linhas de cr&eacute;dito para empresas de produ&ccedil;&atilde;o, comercializa&ccedil;&atilde;o, exibi&ccedil;&atilde;o e infra-estrutura de audiovisual. O patamar para opera&ccedil;&otilde;es diretas &eacute; R$ 1 milh&atilde;o; os juros variam de 1,8% a 3,8% ao ano + TJLP (hoje em 6,5% ao ano). O objetivo central do BNDES &eacute; fazer com que pequenas, m&eacute;dias e grandes empresas da cultura usem seus mecanismos de est&iacute;mulo ao crescimento, j&aacute; dispon&iacute;veis para outros setores da economia.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>O Decult pode usar outros mecanismos? <\/span><span>O BNDES lida basicamente com quatro mecanismos: cr&eacute;dito de longo prazo a juros baixos, participa&ccedil;&atilde;o no capital de empresas, investimento de risco atrav&eacute;s de fundos, como os Funcines, e cr&eacute;dito de curto e m&eacute;dio prazos para aquisi&ccedil;&atilde;o de bens de produ&ccedil;&atilde;o (Cart&atilde;o BNDES). Este &eacute; o &ldquo;arsenal&rdquo; do Decult.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Para usar este arsenal, o primeiro desafio do departamento era compreender as singularidades da &ldquo;economia da cultura&rdquo; e adaptar as regras da nossa pol&iacute;tica operacional para que os programas voltados ao &ldquo;setor cultural e criativo&rdquo; tivessem efetividade. O segundo era ter uma postura ativa, ir ao mercado divulgar as linhas e prospectar opera&ccedil;&otilde;es. Foi o que fizemos nos &uacute;ltimos meses, e os resultados est&atilde;o aparecendo aos poucos.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O Decult vai ficar apenas no segmento do audiovisual?<br \/><\/strong><\/span><span>O Decult est&aacute; atualmente analisando v&aacute;rias opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito no &acirc;mbito do Procult, investir&aacute; em novos fundos devotados &agrave; ind&uacute;stria do audiovisual, como o Funcine RB 1, da Rio Bravo, e tem procurado estimular o uso do Cart&atilde;o BNDES. Sua pr&oacute;xima tarefa ser&aacute; a formula&ccedil;&atilde;o de um programa para a cadeia da m&uacute;sica, com meta an&aacute;loga &agrave; do audiovisual: apoiar a expans&atilde;o das empresas do setor, elevando sua capacidade de gerar renda, emprego e inclus&atilde;o ao consumo. O Procult\/Audiovisual, por sua vez, ser&aacute; aperfei&ccedil;oado, em especial no que diz respeito &agrave; produ&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso flexibilizar ainda mais as garantias, incluindo a precifica&ccedil;&atilde;o de obras, e encarar o risco, desde que haja confian&ccedil;a no projeto e na empresa. A op&ccedil;&atilde;o pelo audiovisual foi uma quest&atilde;o de estrat&eacute;gia. Vamos avan&ccedil;ar.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>E o Protvd?<br \/><\/strong><\/span><span>O Decult tamb&eacute;m &eacute; o respons&aacute;vel por analisar opera&ccedil;&otilde;es de conte&uacute;do no &acirc;mbito do Programa de Apoio &agrave; Implementa&ccedil;&atilde;o do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Protvd), criado para apoiar, via financiamento ou participa&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria, a implanta&ccedil;&atilde;o do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T). O Protvd contempla fornecedores de infra-estrutura e radiodifusores, que podem financiar hardware\/software e produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do e est&aacute; or&ccedil;ado em R$ 1 bilh&atilde;o. &Eacute; importante frisar que o spread &eacute; menor caso a empresa de radiodifus&atilde;o compre produ&ccedil;&atilde;o independente.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Al&eacute;m do projeto do SBT, h&aacute; outros empr&eacute;stimos para radiodifusoras comerciais sendo avaliados?<br \/><\/strong><\/span><span>O SBT foi a primeira empresa de radiodifus&atilde;o a submeter um projeto no &acirc;mbito do Protvd. Mas este projeto, at&eacute; agora, diz respeito &agrave; migra&ccedil;&atilde;o de infra-estrutura. Est&aacute;, portanto, sob an&aacute;lise do Departamento de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. O Decult j&aacute; recebeu uma consulta preliminar sobre o Protvd\/Conte&uacute;do. Espero que prospere. Penso, por&eacute;m, que a TV digital vai al&eacute;m da radiodifus&atilde;o. Vista sob um prisma mais amplo, ela abre um vasto horizonte para a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo de conte&uacute;dos audiovisuais. Pode-se falar em TV na Internet e no celular. O Procult foi pensado para lidar com este novo cen&aacute;rio.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Como &eacute; a estrutura do Decult?<br \/><\/strong><\/span><span>O Decult tem duas ger&ecirc;ncias. Uma, que j&aacute; existia previamente, ligada ao Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o, lida com patroc&iacute;nio a projetos culturais, atrav&eacute;s das leis de incentivo ou de recursos pr&oacute;prios. Esta ger&ecirc;ncia cuida do Programa de Apoio &agrave; Revitaliza&ccedil;&atilde;o do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Arqueol&oacute;gico, do Programa de Apoio a Projetos de Preserva&ccedil;&atilde;o de Acervos, do Projeto Quintas no BNDES e do Programa de Apoio &agrave; Produ&ccedil;&atilde;o de Filmes de Longa-Metragem. A outra ger&ecirc;ncia, criada h&aacute; pouco, &eacute; a de investimentos, que cuida do Procult, do Protvd\/Conte&uacute;do e dos Funcines, entre outros instrumentos. O Decult tamb&eacute;m ap&oacute;ia eventos setoriais focados em neg&oacute;cios, reflex&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><span><br \/><strong>O Decult tem, como se v&ecirc;, uma peculiaridade: a dupla fun&ccedil;&atilde;o de patrocinador, ligado ao marketing, e de banco de fomento, atrav&eacute;s de diversas ferramentas como empr&eacute;stimos a juros baixos. Por que tratar essas duas vertentes do financiamento &agrave; atividade cultural juntas?<br \/><\/strong><\/span><span>Penso que as fun&ccedil;&otilde;es de patrocinador e financiador podem e devem ser complementares. Tanto que o Decult est&aacute; estudando agora a possibilidade de combinar recursos reembols&aacute;veis (pr&oacute;prios) e n&atilde;o-reembols&aacute;veis (atrav&eacute;s das leis de incentivo), de modo a viabilizar opera&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o comportem o uso exclusivo de financiamento. O principal papel que o BNDES pode desempenhar &eacute; o de apoiar o desenvolvimento da &ldquo;economia da cultura&rdquo;. E setor algum se desenvolve apenas com incentivo fiscal. De qualquer modo, &eacute; preciso dizer que a dimens&atilde;o do marketing jamais foi priorit&aacute;ria para o BNDES.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O patroc&iacute;nio pode ser um fator de desenvolvimento?<br \/><\/strong><\/span><span>A atua&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico na &aacute;rea da cultura baseou-se, historicamente, num sistema de financiamento que destina apenas recursos n&atilde;o-reembols&aacute;veis, oriundos de or&ccedil;amento ou de ren&uacute;ncia fiscal, a projetos culturais. Este sistema mostrou-se adequado para viabilizar uma parte da nossa produ&ccedil;&atilde;o cultural, mas insuficiente para estimular de modo sustent&aacute;vel o desenvolvimento das ind&uacute;strias culturais brasileiras (e tamb&eacute;m a necess&aacute;ria expans&atilde;o do consumo). Penso que o BNDES est&aacute; ajudando a suprir uma lacuna.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Como medir o retorno de um investimento em cultura? &Eacute; poss&iacute;vel pensar al&eacute;m dos ganhos intang&iacute;veis, como diversidade cultural, ou de ganhos em marketing?<\/strong> <br \/><\/span><span>O impacto de um empreendimento cultural pode ser medido de v&aacute;rios modos. Para o BNDES, a quest&atilde;o central &eacute; a do desenvolvimento, tanto do setor quanto do pa&iacute;s. Al&eacute;m de aspectos pr&oacute;prios de um financiamento, como capacidade de pagamento e hist&oacute;rico de desempenho, o BNDES analisa o que o projeto significa em termos de gera&ccedil;&atilde;o de emprego, renda e inclus&atilde;o ao consumo. Queremos saber ainda como o projeto contribui para a estrutura&ccedil;&atilde;o de sua cadeia produtiva e se estimula a produtividade e a inova&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Neste sentido, como voc&ecirc;s consideram a quest&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o nas cadeias produtivas da cultura? H&aacute; alguma mudan&ccedil;a com o in&iacute;cio da gest&atilde;o do Luciano Coutinho?<br \/><\/strong><\/span><span>O novo presidente sinalizou claramente em seu discurso de posse a necessidade de o BNDES abordar o conjunto das cadeias produtivas da economia e seus v&aacute;rios elos. Tamb&eacute;m destacou que &eacute; preciso incentivar a internacionaliza&ccedil;&atilde;o das empresas brasileiras e a eleva&ccedil;&atilde;o da produtividade, do grau de inova&ccedil;&atilde;o, do uso de novas tecnologias e do valor adicionado. O crescimento do pa&iacute;s ainda se ap&oacute;ia em atividades de baixa produtividade e baixo valor adicionado. &Eacute; preciso mudar este quadro. A &ldquo;economia da cultura&rdquo; &eacute; um setor que se caracteriza pelo grande potencial de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, pela alta produtividade e influ&ecirc;ncia na inova&ccedil;&atilde;o, e pelo uso intenso de novas tecnologias.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Como ficam as TVs p&uacute;blicas na atual situa&ccedil;&atilde;o? Elas tamb&eacute;m podem captar recursos nas novas linhas? Em seu discurso no encerramento do F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas, o presidente Lula colocou a necessidade de participa&ccedil;&atilde;o do BNDES na forma&ccedil;&atilde;o da rede p&uacute;blica, atrav&eacute;s de um PAC da cultura. Como isso est&aacute; sendo recebido pelo banco?<br \/><\/strong><\/span><span>O caso da TV p&uacute;blica &eacute; diferente do caso da radiodifus&atilde;o privada. N&atilde;o creio que uma linha de cr&eacute;dito tradicional fa&ccedil;a sentido. &Eacute; preciso pensar outras formas. Representei o BNDES no Grupo de Financiamento do F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas (leia mais sobre o f&oacute;rum) e pude estudar o assunto em profundidade. A TV p&uacute;blica deve aproveitar o contexto da migra&ccedil;&atilde;o para rever sua estrutura e seu modelo de gest&atilde;o, financiamento e programa&ccedil;&atilde;o. Deve abrir-se &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente e expandir-se para Internet e celular. A exist&ecirc;ncia de uma TV p&uacute;blica eficiente e contempor&acirc;nea &eacute; chave para a sa&uacute;de da democracia brasileira. O BNDES est&aacute; atento e participar&aacute; do processo. Mas devemos buscar tamb&eacute;m outras fontes, como os fundos de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Penso que o Procult e o Protvd s&atilde;o um PAC da cultura.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O BNDES tem aumentado sua participa&ccedil;&atilde;o em Funcines. Como funcionam estes mecanismos, e para que tipo de investidores pode ser rent&aacute;vel investir em cultura?<br \/><\/strong><\/span><span>Acho que o momento n&atilde;o poderia ser mais adequado para o capital de risco descobrir a &ldquo;economia da cultura&rdquo; no Brasil. As chances de crescimento s&atilde;o claras. Os Funcines tendem a ser o melhor instrumento, no que diz respeito ao audiovisual. Para os investidores, a presen&ccedil;a do incentivo fiscal mitiga o risco e potencializa o retorno. Para o setor, a busca do retorno e a gest&atilde;o profissional s&atilde;o fatores estruturantes. O BNDES est&aacute; feliz com o Funcine em que investiu e espera apoiar outros. O RB Cinema 1 (veja mat&eacute;ria de Carlos Minuano sobre o fundo) j&aacute; investiu em oito filmes e na cria&ccedil;&atilde;o de uma distribuidora internacional de filmes brasileiros. Nosso objetivo &eacute; consolidar o instrumento e atrair investidores privados e gestores.<br \/><\/span><\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;permitida a publica&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte original.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDeve-se tratar a economia da cultura pensando em seu potencial n\u00e3o realizado\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[249],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18415"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18415\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}