{"id":18387,"date":"2007-05-16T19:30:23","date_gmt":"2007-05-16T19:30:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18387"},"modified":"2007-05-16T19:30:23","modified_gmt":"2007-05-16T19:30:23","slug":"os-desafios-da-convergencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18387","title":{"rendered":"Os desafios da converg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>Por Br&aacute;ulio Ribeiro, especial para o Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o.<br \/><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>O deputado J&uacute;lio Semeghini (PSDB-SP) assumiu a presid&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica da C&acirc;mara&nbsp; dos Deputados nos primeiros meses do ano, quebrando uma tradi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da comiss&atilde;o: a de ter como presidente um radiodifusor ou aliado das emissoras comerciais de televis&atilde;o. Atuando h&aacute; mais 20 anos no setor de inform&aacute;tica e telecomunica&ccedil;&otilde;es, Semeghini est&aacute; em&nbsp; sua 3&ordf; legislatura e, ao contr&aacute;rio de seus antecessores na presid&ecirc;ncia do &oacute;rg&atilde;o, parece disposto a estar na linha de frente do processo de constru&ccedil;&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio para o campo das comunica&ccedil;&otilde;es.<br \/><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><em><span>Em<\/span><span>&nbsp;entrevista exclusiva concedida ao Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, o deputado discorre sobre os principais desafios da comiss&atilde;o, como a quest&atilde;o das concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV, da inclus&atilde;o digital e da pr&oacute;pria lei geral de comunica&ccedil;&otilde;es. E n&atilde;o tergiversa: &eacute; favor&aacute;vel &agrave; taxa&ccedil;&atilde;o das emissoras comerciais de radiodifus&atilde;o. Confira os melhores trechos da entrevista.<\/span><\/em><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; O sr. assumiu este ano a presid&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. Quais s&atilde;o os desafios e as pautas para a comiss&atilde;o em 2007?<\/strong><\/span> <br \/><span><strong>J&uacute;lio Semeghini <\/strong>&#8211; Na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o, a quest&atilde;o principal &eacute; a revis&atilde;o do conceito de converg&ecirc;ncia, sobretudo no que diz respeito ao conte&uacute;do, nesse mundo integrado com telecomunica&ccedil;&otilde;es, Internet e agora com as TVs e r&aacute;dios digitais. O grande desafio &eacute; entender como ser&aacute; a conviv&ecirc;ncia disso, assegurando os espa&ccedil;os de cada um, daqueles que j&aacute; est&atilde;o estruturados, mas permitindo que o avan&ccedil;o de novas oportunidades e parcerias d&ecirc;em mais oportunidades para as pessoas no Brasil. Por exemplo, o impacto da introdu&ccedil;&atilde;o da TV digital est&aacute; imediatamente fazendo com que se reveja toda a cadeia de comunica&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio e TV no Brasil. &Eacute; necess&aacute;rio imaginar quais s&atilde;o as oportunidades, como criar o papel do operador de rede, como permitir e incentivar toda a gera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional, sobretudo regional. Certamente teremos que definir o marco regulat&oacute;rio, mas n&atilde;o s&oacute; isso: &eacute; preciso discutir com a sociedade o modelo que o Brasil quer e como isso ser&aacute; feito, e a partir disso como ser&atilde;o viabilizadas essas oportunidades, como ser&atilde;o constitu&iacute;das as TVs p&uacute;blicas, como elas ter&atilde;o seus meios de financiamento, tanto o investimento para a digital como tamb&eacute;m para os novos produtos, da forma mais descentralizada poss&iacute;vel.&nbsp;<\/span><span>Por outro lado, &eacute; importante avan&ccedil;ar em quest&otilde;es mais espec&iacute;ficas, como a terceira gera&ccedil;&atilde;o de telefones celulares, porque o mercado e as ind&uacute;strias est&atilde;o ficando sem op&ccedil;&atilde;o e, se n&atilde;o houver estrutura adequada, as empresas que se estabeleceram no Brasil podem desmontar parte do seu parque industrial e ir embora por falta do que produzir. &Eacute; importante que seja definido tamb&eacute;m como faremos as licita&ccedil;&otilde;es para o WiMax, para avan&ccedil;armos na quest&atilde;o da banda larga. Agora, o mais importante &eacute; que o Brasil assegure a universaliza&ccedil;&atilde;o dessas tecnologias. N&atilde;o como foi feito no caso dos celulares, quando se permitiu seu avan&ccedil;o (hoje existem mais de 100 milh&otilde;es de celulares no pa&iacute;s) mas que fez com que 2.400 cidades ainda n&atilde;o tenham uma &uacute;nica torre; Ainda hoje existe uma s&eacute;rie de comunidades rurais que precisam de um telefone.<\/span> <\/p>\n<p><span><strong><br \/>E a quest&atilde;o da inclus&atilde;o digital? O que fazer com o Fust (Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es)?<\/strong><\/span> <br \/><span>Esse &eacute; outro ponto importante da pauta. N&oacute;s temos uma grande soma de recursos, mais de R$ 5 bilh&otilde;es, e o governo sugere, entre outras coisas, que ele seja usado para as escolas, iniciativa que n&oacute;s apoiamos. Mas em seguida diz que o dinheiro do Fust ser&aacute; usado para financiar a TV p&uacute;blica. Tudo agora depende do dinheiro do Fust e do Fistel, e eu acho que n&atilde;o deve ser assim. Quando se estrutura uma cadeia, &eacute; preciso gerar renda de quem a utiliza, e parte dessa renda tem que ser taxada. Ent&atilde;o, como as telecomunica&ccedil;&otilde;es ir&atilde;o se conectar com as TVs abertas e por assinatura ou com a rede de computadores, &eacute; claro que os recursos tamb&eacute;m ter&atilde;o que ser integrados, mas &eacute; muito importante que n&atilde;o percamos de vista o projeto de inclus&atilde;o digital que existe no Brasil e que n&atilde;o est&aacute; avan&ccedil;ando. Avan&ccedil;amos em coisas pontuais, mas j&aacute; h&aacute; cinco anos este dinheiro est&aacute; parado e, se voc&ecirc; pensar bem, em cinco anos j&aacute; passou uma gera&ccedil;&atilde;o pela escola p&uacute;blica que saiu sem ter contato com essas tecnologias. Portanto, o projeto de inclus&atilde;o que cobramos &eacute; um projeto do tamanho do Brasil, que atenda a todas as escolas p&uacute;blicas, e outras coisas, como bibliotecas, os deficientes, as comunidades rurais, enfim, &eacute; necess&aacute;rio aplicar esses recursos num grande projeto de universaliza&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p><span><strong><br \/>E como ficar&aacute; a quest&atilde;o das concess&otilde;es?<\/strong><\/span> <br \/><span>Uma subcomiss&atilde;o j&aacute; est&aacute; fazendo o trabalho de avalia&ccedil;&atilde;o dos procedimentos de concess&otilde;es, outorgas e renova&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dios e TVs. Queremos dar mais transpar&ecirc;ncia e agilidade para que essas coisas fluam com menos interesses partid&aacute;rios ou locais, que o processo de escolha fique claro. &Eacute; importante que aqueles que ter&atilde;o o direito de explorar os servi&ccedil;os tenham tamb&eacute;m a contrapartida da responsabilidade, e tenham representatividade nas comunidades. O que n&atilde;o podemos esquecer &eacute; que dentro do mundo da converg&ecirc;ncia, o que ir&aacute; definir uma grande parte do modelo de neg&oacute;cios &eacute; a Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o Social Eletr&ocirc;nica. A pauta da comiss&atilde;o &eacute; extensa e &eacute; muito importante que o Brasil esteja atento para assegurar as coisas que sempre quisemos, como aumentar o n&uacute;mero de r&aacute;dios, melhorar a qualidade de canais e de programas, consolidar a m&iacute;dia independente, incentivar a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos de forma localizada, fortalecer os canais universit&aacute;rios e comunit&aacute;rios que agora poder&atilde;o se integrar com redes p&uacute;blicas mais amplas. Acredito que ser&aacute; um ano de muito debate e das primeiras tomadas de decis&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, quais os princ&iacute;pios que devem fazer parte de uma Lei Geral das Comunica&ccedil;&otilde;es?<\/strong><\/span> <br \/><span>Ainda n&atilde;o temos claro todos os princ&iacute;pios, mas temos pontos importantes que devem ser tratados. Em uma lei de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, &eacute; preciso estabelecer formas de parcerias: como as entidades, atrav&eacute;s de seus canais, podem se associar com outras no mundo digital, permitindo uma conectividade mais ampla. Depois disso, &eacute; importante criar figuras que ainda n&atilde;o existem, como a que ir&aacute; prover a estrutura: se haver&aacute; apenas uma grande rede e ela alugar&aacute; o que for transmitido ou se construiremos uma rede independente, um gestor que permita que v&aacute;rios possam transmitir, criando algo que ainda n&atilde;o existe, que &eacute; a infra-estrutura que transporta esses conte&uacute;dos. Mas a&iacute; &eacute; importante que fique bem claro o papel de cada um, para que um n&atilde;o use a for&ccedil;a de outro para fazer press&atilde;o.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>E a quest&atilde;o das TVs P&uacute;blicas, n&atilde;o entra?<\/strong><\/span> <br \/><span>Essa &eacute; outra quest&atilde;o importante, pois sendo p&uacute;blico, mais do que um conselho que d&ecirc; transpar&ecirc;ncia, &eacute; importante que exista uma forte participa&ccedil;&atilde;o da sociedade na defini&ccedil;&atilde;o de quem precisa ser ouvido, levantando as principais necessidades. N&atilde;o adianta que esses conselhos fiquem &agrave;s portas fechadas com especialistas definindo o que o Brasil tem que assistir. N&oacute;s esperamos que o conselho seja neutro, mas que tenha um canal de comunica&ccedil;&atilde;o com a sociedade e traga esses anseios. &Eacute; uma grande mudan&ccedil;a para a democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, mas &eacute; preciso tamb&eacute;m assegurar os recursos, para que o Brasil tenha uma m&iacute;dia forte. O pa&iacute;s j&aacute; escolheu fortalecer os bancos e, depois, recuperar as ind&uacute;strias. Agora &eacute; a vez da m&iacute;dia, para que ela seja democr&aacute;tica, participativa e representativa dos anseios da sociedade.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>Como lidar com a entrada do capital estrangeiro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; prote&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do nacional?<\/strong><\/span> <br \/><span>Temos que discutir o que est&aacute; sendo transmitido, assegurar a quantidade de conte&uacute;do nacional, inclusive nos hor&aacute;rios de maior valor, o hor&aacute;rio nobre. Tudo isso tem que ser regulamentado para garantir n&atilde;o s&oacute; a produ&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento, mas tamb&eacute;m a distribui&ccedil;&atilde;o, as prioridades do conte&uacute;do nacional. Em rela&ccedil;&atilde;o ao capital, s&oacute; tem um jeito: &eacute; preciso definir o que o Brasil quer. Se na gera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do &eacute; necess&aacute;rio que a empresa seja nacional, o gestor da rede, que &eacute; quem vai fazer a fiscaliza&ccedil;&atilde;o da grade, seja nacional, talvez n&atilde;o possa ser de capital totalmente internacional, porque os interesses dele ser&atilde;o outros. O Brasil ter&aacute; que considerar isso tudo.<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong><br \/>Mudando um pouco de assunto, existem muitos parlamentares, inclusive da CCTCI, que tem liga&ccedil;&atilde;o direta ou indireta com empresas de radiodifus&atilde;o. Ou s&atilde;o s&oacute;cios, ou s&atilde;o donos, ou s&atilde;o parentes de propriet&aacute;rios. O artigo 54 da Constitui&ccedil;&atilde;o pro&iacute;be que parlamentares, detentores de cargos p&uacute;blicos, detenham concess&otilde;es p&uacute;blicas. Como o sr. v&ecirc; essa quest&atilde;o, principalmente dentro da CCTCI, e como evitar que interesses particulares prevale&ccedil;am sobre o debate p&uacute;blico do interesse maior da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Existe uma preocupa&ccedil;&atilde;o muito grande com isso, pois sempre passa a impress&atilde;o que o Congresso descumpre a pr&oacute;pria lei que faz. J&aacute; consultei os consultores da Casa, que por escrito me esclareceram de que n&atilde;o h&aacute; ilegalidade em um parlamentar que detenha a&ccedil;&otilde;es, ou mesmo seja propriet&aacute;rio de uma r&aacute;dio ou de uma TV, se candidate para um cargo p&uacute;blico. O que ele n&atilde;o pode &eacute; estar na gest&atilde;o da empresa enquanto exerce o cargo de &nbsp;parlamentar. Mas &eacute; evidente que, mesmo que de forma indireta, ele est&aacute; l&aacute;, fazendo press&atilde;o, tendo inger&ecirc;ncia na gest&atilde;o daquele &oacute;rg&atilde;o. Ent&atilde;o, &eacute; preciso esclarecer que n&atilde;o &eacute; ilegal, mas n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o seja imoral, mas nesse caso n&atilde;o se pode fazer nada, pois s&atilde;o coisas dadas anteriormente. Mas o trabalho da subcomiss&atilde;o deve apontar propostas tamb&eacute;m para a quest&atilde;o&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span><br \/><strong><br \/>Como por exemplo um deputado que vota na renova&ccedil;&atilde;o da outorga da sua pr&oacute;pria concess&atilde;o&#8230;<\/strong><\/span> <br \/><span>Voc&ecirc; tem raz&atilde;o, pois ele estaria fazendo a gest&atilde;o sobre si mesmo. Nesse caso, ele n&atilde;o poderia votar. Isso est&aacute; sendo estudado na comiss&atilde;o, mas &eacute; um detalhe, pois o problema n&atilde;o &eacute; o parlamentar ser propriet&aacute;rio e estar aqui votando ou defendendo. A quest&atilde;o &eacute; maior, de inger&ecirc;ncia &ldquo;de marketing&rdquo;, que significa, na verdade, defender sua pr&oacute;pria concess&atilde;o. &Eacute; isso que estamos analisando. O mais importante &eacute; evitar que, de forma indireta, esses pol&iacute;ticos tenham uma participa&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o desses meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>Justamente sobre essa quest&atilde;o da renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es, o sr. n&atilde;o acha que esse processo &eacute; estritamente t&eacute;cnico e que deveria haver tamb&eacute;m uma an&aacute;lise mais ampla do papel que a concess&atilde;o tem cumprido na comunidade em termos de garantir a diversidade de opini&otilde;es, os espa&ccedil;os para produ&ccedil;&atilde;o local, enfim, aquilo que est&aacute; colocado na Constitui&ccedil;&atilde;o? O sr. n&atilde;o acha que esse processo deveria ser qualificado no sentido de torn&aacute;-lo mais pol&iacute;tico e n&atilde;o s&oacute; t&eacute;cnico?<\/strong><\/span> <br \/><span>N&atilde;o exatamente mais pol&iacute;tico, mas mais qualificado. Al&eacute;m de exigir o cumprimento das documenta&ccedil;&otilde;es e exig&ecirc;ncias da lei, &eacute; necess&aacute;rio haver uma an&aacute;lise da qualidade, de como realmente se exerce o papel previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o por qualquer das concess&otilde;es que s&atilde;o dadas, que &eacute; um processo muito mais dif&iacute;cil. O Brasil vinha passando por um processo de desconcentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o para que houvesse mais r&aacute;dios e TVs comunit&aacute;rias e educativas, mas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s comerciais acabou com essa an&aacute;lise mais criteriosa, de saber se o grupo estava preparado para aquela concess&atilde;o, e transformou em uma negocia&ccedil;&atilde;o comercial: faz-se um leil&atilde;o e aquele que tiver a melhor oferta, compra. Isso d&aacute; transpar&ecirc;ncia ao processo, mas n&atilde;o garante que o resultado seja o melhor para aquela regi&atilde;o. Estamos estudando um novo modelo para conseguir avan&ccedil;ar, porque &eacute; claro que tem que ser avaliado o conte&uacute;do e a qualidade do que se distribui. O Congresso n&atilde;o tem mecanismos para averiguar isso, &eacute; importante que exista algum &oacute;rg&atilde;o capacitado, que possa cumprir essa tarefa, atrav&eacute;s de um conselho social ou algo do g&ecirc;nero.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Mas parece imposs&iacute;vel trazer esta atribui&ccedil;&atilde;o para a CCTCI, porque sen&atilde;o ela faria apenas isso&#8230;<\/strong><\/span> <br \/><span>E nem disso ela daria conta.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Em sua exposi&ccedil;&atilde;o durante o F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas, o sr. falou sobre as poss&iacute;veis fontes de financiamento para o sistema p&uacute;blico. Claramente em contraposi&ccedil;&atilde;o ao posicionamento apresentado pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, o sr. se colocou a favor da taxa&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es comerciais como forma de subsidiar um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o mais amplo no Brasil. O sr. reafirma essa posi&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/span> <br \/><span>N&oacute;s ainda n&atilde;o temos um estudo concreto sobre isso, o que n&oacute;s temos certeza &eacute; que se queremos consolidar uma rede de TVs p&uacute;blicas, teremos que levantar os meios de financiamento, sen&atilde;o continuaremos tendo uma rede em apenas alguns pontos do Brasil, distante de se tornar universal. Sobre o debate no F&oacute;rum, a pergunta foi muito objetiva: se eu concordava que uma parte dos recursos oriundos das outorgas financiasse esse conceito de universaliza&ccedil;&atilde;o e viabilizasse uma rede que tem menos recursos, a p&uacute;blica. Defendi que os recursos das outorgas, o dinheiro recolhido pelo governo n&atilde;o v&aacute;, em sua totalidade, para o caixa geral da Uni&atilde;o, para pagar d&iacute;vidas e outros gastos. O sentido disso n&atilde;o est&aacute; apenas em financiar a infra-estrutura, mas pegar parte dos recursos para financiar investimentos, pagar o custeio, e mesmo para formar a m&atilde;o-de-obra necess&aacute;ria para entrar nesse mundo digital.&nbsp;<\/span><span>Defendo, por isso, que parte desses recursos venha das r&aacute;dios e TVs (comerciais). Esse &eacute; o modelo que eu acredito que funcione. Al&eacute;m disso, uma pequena taxa do com&eacute;rcio de equipamentos mais sofisticados, que atendem a um p&uacute;blico de poder aquisitivo mais alto poderia financiar, inclusive, a pesquisa para que se possa ter mais produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional, equipamentos, treinamento de pessoal. &Eacute; o mesmo conceito que pensamos para o Funttel, que &eacute; um fundo de pesquisas em telecomunica&ccedil;&otilde;es onde uma parte dos recursos de alguns equipamentos garante a pesquisa na &aacute;rea. Se n&atilde;o soubermos desenvolver tecnologia e agregar valor a ela, ficaremos para tr&aacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span><br \/><strong>Para finalizar, o que o sr. achou da transfer&ecirc;ncia dos tr&ecirc;s projetos de Lei Geral que estavam na CCTCI com o deputado Jorge Bittar como relator, para a Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico?<\/strong><\/span> <br \/><span>Acho razo&aacute;vel que v&aacute;rios deputados queiram levar para as suas comiss&otilde;es esse debate, porque ele &eacute; muito amplo e tem impacto sobre o desenvolvimento econ&ocirc;mico. No entanto, o grande problema &eacute; que esse tema j&aacute; deveria ter tramitado no Congresso h&aacute; algum tempo, mas o debate n&atilde;o foi feito. Hoje, se todas as comiss&otilde;es quiseram dar o seu parecer, levar&aacute; muito tempo e n&atilde;o teremos novamente projeto algum. H&aacute; urg&ecirc;ncia nesse processo. &Eacute; claro que os debates s&atilde;o importantes, mas temos que fechar um acordo de forma a construir uma comiss&atilde;o especial, onde se juntem todos e o debate aconte&ccedil;a. O que n&atilde;o podemos permitir &eacute; que se leve de uma comiss&atilde;o para outra num processo intermin&aacute;vel, pois sabemos que h&aacute; pessoas interessadas em que os projetos n&atilde;o andem.<\/span> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;<em>autorizada a publica&ccedil;&atilde;o, desde que citada a fonte.<\/em><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira o que pensa o presidente da Comiss\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18387"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}