{"id":18380,"date":"2007-05-16T11:36:09","date_gmt":"2007-05-16T11:36:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18380"},"modified":"2007-05-16T11:36:09","modified_gmt":"2007-05-16T11:36:09","slug":"em-reportagem-globo-ataca-comunidade-quilombola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18380","title":{"rendered":"Em &#8220;reportagem&#8221;, Globo ataca comunidade quilombola"},"content":{"rendered":"<p>A Comunidade S&atilde;o Francisco do Paragua&ccedil;u, de Cahoeira, na Bahia, acusa a Globo de veicular uma reportagem racista, no Jornal Nacional desta segunda-feira (14), contra os moradores negros daquela regi&atilde;o do rec&ocirc;ncavo baiano. <\/p>\n<p>Segundo a comunidade,&nbsp;a reportagem tem o claro objetivo de desqualificar a Comunidade S&atilde;o Francisco do Paragua&ccedil;u e seus moradores, justamente no momento em que o Estado brasileiro est&aacute; para reconhec&ecirc;-los como descendentes de quilombolas. <\/p>\n<p>A nota tamb&eacute;m critica a distor&ccedil;&atilde;o dos fatos para criminalizar os moradores da comunidade. &quot;Estamos decepcionados com a falta de dignidade do jornalista que exp&ocirc;s seu nome numa reportagem fraudulenta, pois as imagens do desmatamento de madeira apresentado na reportagem n&atilde;o foram filmadas em nossa comunidade&quot;.<\/p>\n<p>Confira a &iacute;ntegra da nota:<\/p>\n<p align=\"left\"><strong><u>COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO S&Atilde;O FRANCISCO DO PARAGUA&Ccedil;U<\/u><\/strong><\/p>\n<p>As falsidades veiculadas pelo Jornal Nacional da Rede Globo de Televis&atilde;o, no dia 14 de maio deste ano, &quot;Crime no quilombo &#8211; suspeitas de fraude e extra&ccedil;&atilde;o de madeira de Mata Atl&acirc;ntica&quot;, repetem na hist&oacute;ria o que significou o 14 de maio de 1888 para a popula&ccedil;&atilde;o negra no Brasil, dia seguinte &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o oficial da escravatura. O dia 14 daquela &eacute;poca significou o acirramento das rela&ccedil;&otilde;es escravistas, da viol&ecirc;ncia racial contra negras e negros, e a tentativa de extermin&aacute;-los atrav&eacute;s de in&uacute;meras medidas de exclus&atilde;o e apartheid, dando continuidade ao processo de exclus&atilde;o social e criminaliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra. <\/p>\n<p>Passados cem anos continuamos a assistir &agrave;s pr&aacute;ticas racistas, novamente a covardia daqueles que atacam as comunidades negras utilizando as estruturas poderosas de domina&ccedil;&atilde;o que se manifestam atrav&eacute;s da veicula&ccedil;&atilde;o de uma reportagem fraudulenta e tendenciosa, sem oferecer &agrave; comunidade nenhuma oportunidade para se defender. <\/p>\n<p>Nossa comunidade assistiu a reportagem exibida no Jornal Nacional da Rede Globo com profunda indigna&ccedil;&atilde;o diante da atitude racista expressa na m&aacute; f&eacute; e na falta de &eacute;tica de um meio de comunica&ccedil;&atilde;o poderoso que est&aacute; submetido a interesses perversos e tenta esmagar uma comunidade negra historicamente exclu&iacute;da. <\/p>\n<p>J&aacute; esper&aacute;vamos por esta reportagem, pois fomos testemunhas do teatro que foi armado por ocasi&atilde;o das filmagens, onde boa parte da comunidade envolvida na luta pela regulariza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio quilombola nem sequer foi ouvida, visto que a equipe de reportagem se recusou a registrar qualquer vers&atilde;o contr&aacute;ria aos interesses dos fazendeiros, cortando falas e utilizando de m&eacute;todos persuasivos, j&aacute; que demonstrou expressamente o objetivo de manipular e deturpar a realidade, inclusive. Tentamos conversar com os prepostos da TV Bahia, filial da rede Globo, mas fomos ignorados. Logo vimos a vincula&ccedil;&atilde;o da reportagem com os poderosos locais que tentam explorar nossa comunidade. <\/p>\n<p>Diante deste sentimento de indigna&ccedil;&atilde;o com a reportagem fraudulenta exibida hoje vimos a p&uacute;blico divulgar as verdades que Globo n&atilde;o divulga: <\/p>\n<p>Historicamente, nossa comunidade ocupa este territ&oacute;rio. Os relatos dos mais idosos remetem nossa presen&ccedil;a a muitas gera&ccedil;&otilde;es. Ali sempre praticamos um modo de vida fruto de uma longa tradi&ccedil;&atilde;o deixada por nossos ancestrais. Extra&iacute;mos da Floresta a Pia&ccedil;ava, o Dend&ecirc;, a Castanha, e tantos outros produtos. Extra&iacute;mos tantos tipos de cip&oacute;s diferentes que usamos para fazer cofos, cestos e tantos outros artesanatos aprendidos com nossos av&oacute;s. N&oacute;s amamos a floresta e a defendemos. Nossa luta para defender a floresta causa a ira de poderosos interesses que desejam o desmatamento para a grande cria&ccedil;&atilde;o de gado que cresce no rec&ocirc;ncavo. <\/p>\n<p>Estamos decepcionados com a falta de dignidade do jornalista que exp&ocirc;s seu nome numa reportagem fraudulenta, pois as imagens do desmatamento de madeira apresentado na reportagem n&atilde;o foram filmadas em nossa comunidade, sendo que a pessoa flagrada no corte de madeiras n&atilde;o pertence &agrave; comunidade de S&atilde;o Francisco do Paragua&ccedil;u, confirmando a manipula&ccedil;&atilde;o dolosa, visto que as falas foram cortadas e editadas com o objetivo de transmitir uma mensagem mentirosa e caluniosa. Perguntamos aos respons&aacute;veis pela mat&eacute;ria: por que n&atilde;o relataram as vultosas multas n&atilde;o pagas ao IBAMA pelos fazendeiros? Por que n&atilde;o mostraram os mangues cercados que inviabilizam a sobreviv&ecirc;ncia da comunidade? <\/p>\n<p>Desta maneira, os poderosos que nos oprimem preferem partir para a cal&uacute;nia, fraude e abuso do poder econ&ocirc;mico. Tentam assim dissimular, j&aacute; que sabem da for&ccedil;a da verdade e do nosso direito. O Sr. Ivo, que aparece na reportagem e se diz dono da nossa &aacute;rea, &eacute; um m&eacute;dico com forte influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica na regi&atilde;o; &agrave; frente de seus interesses est&aacute; o seu Genro, conhecido como L&uacute; Cachoeira, filho de um ex-prefeito e eterno candidato a prefeito. Lu Cachoeira tem um cargo de confian&ccedil;a no Governo do Estado como assessor especial na CAR (Coordena&ccedil;&atilde;o de A&ccedil;&atilde;o Regional) e utiliza sua influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica para perseguir a comunidade. Esta fam&iacute;lia poderosa tem feito v&aacute;rias investidas contra a comunidade utilizando, inclusive, capangas, pistoleiros, amea&ccedil;ando a comunidade, violentando crian&ccedil;as, perseguindo idosos, inclusive, utilizando m&eacute;todos torpes refletidos nas a&ccedil;&otilde;es violentas de policiais militares n&atilde;o fardados a servi&ccedil;o da fam&iacute;lia Santana que pode ser comprovado atrav&eacute;s de relat&oacute;rio da Pol&iacute;cia Federal que j&aacute; teve diversas vezes na comunidade para nos defender. <\/p>\n<p>Imbu&iacute;dos do sentimento de justi&ccedil;a, n&atilde;o podemos compactuar com atitudes que visam reverter as conquistas democr&aacute;ticas de reconhecimento de direitos da popula&ccedil;&atilde;o negra, um verdadeiro afronte aos artigos 215, 216 e o artigo 68 das Disposi&ccedil;&otilde;es Transit&oacute;rias da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. O povo negro e as comunidades quilombolas, cientes de que o caminho de repara&ccedil;&atilde;o das injusti&ccedil;as raciais &eacute; irrevers&iacute;vel e que o direito constitucional &agrave; propriedade de seus territ&oacute;rios tradicionalmente ocupados &eacute; uma conquista da democracia brasileira, n&atilde;o sucumbir&aacute; aos interesses poderosos que durante toda hist&oacute;ria do Brasil promoveram atitudes autorit&aacute;rias e de desrespeito ao Estado Democr&aacute;tico de Direito. <\/p>\n<p>Lamentamos a covardia daqueles que usam o poder da m&iacute;dia e do dinheiro para oprimir e perseguir comunidades tradicionais. J&aacute; estamos acostumados com esta pr&aacute;tica perversa. Nosso povo resistiu at&eacute; aqui enfrentando o peso da escravid&atilde;o. FI&Eacute;IS A NOSSOS ANCESTRAIS, CONTINUAREMOS FIRMES, DE P&Eacute;, LUTANDO PELA LIBERDADE! <\/p>\n<p>Pela vergonhosa manipula&ccedil;&atilde;o dos fatos e depoimentos, QUEREMOS DIREITO DE RESPOSTA E QUE O INCRA E A FUNDA&Ccedil;&Atilde;O CULTURAL PALMARES SE PRONUNCIEM. <\/p>\n<p>Pedimos &agrave;s entidades, institui&ccedil;&otilde;es e movimentos solid&aacute;rios com a luta do povo quilombola que manifestem rep&uacute;dio &agrave; Rede Globo de Televis&atilde;o e ao Jornal Nacional mandando e-mails e\/ou cartas para os seguintes endere&ccedil;os: Rua Von Martius, n&ordm; 22 &#8211; Jardim Bot&acirc;nico &#8211; CEP: 22.460-040 &#8211; RJ. E-mail: <a href=\"mailto:jn@redeglobo.com.br\">jn@redeglobo.com.br<\/a> <\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>Reportagem do Jornal Nacional: <br \/><\/strong><a href=\"http:\/\/jornalnacional.globo.com\/Jornalismo\/JN\/0,,AA1539615-3586-676535,00.html\"><strong>http:\/\/jornalnacional.globo.com\/Jornalismo\/JN\/0,,AA1539615-3586-676535,00.html<\/strong><\/a><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>V&iacute;deo com a realidade da comunidade: <br \/><\/strong><a href=\"http:\/\/www.grifocomunicacao.com.br\/doc-quilombo.htm\"><strong>www.grifocomunicacao.com.br\/doc-quilombo.htm<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comunidade S&atilde;o Francisco do Paragua&ccedil;u, de Cahoeira, na Bahia, acusa a Globo de veicular uma reportagem racista, no Jornal Nacional desta segunda-feira (14), contra os moradores negros daquela regi&atilde;o do rec&ocirc;ncavo baiano. 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