{"id":18376,"date":"2007-05-15T16:45:42","date_gmt":"2007-05-15T16:45:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18376"},"modified":"2007-05-15T16:45:42","modified_gmt":"2007-05-15T16:45:42","slug":"cultura-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18376","title":{"rendered":"Cultura Digital"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Entrevista publicada originalmente no portal Cultura e Mercado &#8211; <a href=\"http:\/\/www.culturaemercado.com.br\/\">www.culturaemercado.com.br<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p><span><em>Por Carlos Minuano<\/em><\/span><\/p>\n<p><span><em>O coordenador de pol&iacute;ticas digitais do Minist&eacute;rio da Cultura, Cl&aacute;udio Prado, &eacute; uma figura singular. No curr&iacute;culo, uma bagagem musical invej&aacute;vel: j&aacute; foi produtor de bandas como Mutantes e Novos Baianos e dos festivais de Glastonbury, maior festival de rock do Reino Unido, e de &Aacute;guas Claras, conhecido como o &quot;Wojosdireitoacotock brasileiro&quot;. Quase sempre trajando roupas coloridas, define-se como hippie, reclama da burocracia que, em grande parte, serve &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, e define seu papel dentro do Minist&eacute;rio como de agente da &ldquo;contracultura&rdquo;. Ele conta, sem esconder uma pitada de orgulho quixotesco, que faz parte do &uacute;nico governo que possui uma &aacute;rea para tratar exclusivamente dos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos sob o prisma cultural. Entre as prioridades, acompanhar o avan&ccedil;o dos debates sobre o tema no Brasil e no mundo e avaliar o impacto do amplo espectro digital nas in&uacute;meras esferas que ele atinge.<\/em><\/span><span><em>&nbsp;<\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>Um amplo universo tamb&eacute;m conhecido como ciberespa&ccedil;o, que abrange temas como direito autoral, patentes, distribui&ccedil;&atilde;o, software livre, entre outros diferentes elementos, todos pressionados a se adaptarem aos novos paradigmas impostos neste come&ccedil;o de s&eacute;culo. &ldquo;Tudo pede novos modelos de neg&oacute;cio, essa &eacute; uma discuss&atilde;o trazida pela converg&ecirc;ncia das tecnologias, mas que tamb&eacute;m traz a necessidade de unificar as agendas dos diferentes temas tocados pelo digital, que at&eacute; ent&atilde;o caminhavam isoladamente&rdquo;, defende. Os obst&aacute;culos s&atilde;o v&aacute;rios, come&ccedil;am, segundo ele, nas pr&oacute;prias contradi&ccedil;&otilde;es da legisla&ccedil;&atilde;o brasileira. &ldquo;H&aacute; um paradoxo na Constitui&ccedil;&atilde;o que op&otilde;e o direito do autor sobre sua produ&ccedil;&atilde;o intelectual e acesso ao conhecimento&rdquo;.<\/em><\/span><span><em>&nbsp;<\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>Pouco antes de embarcar para Bras&iacute;lia, onde participaria do 1&ordm; F&oacute;rum de TVs p&uacute;blicas, realizado entre 8 e 11 de maio, Cl&aacute;udio Prado recebeu em seu apartamento em S&atilde;o Paulo, a reportagem do 100Canais (n&uacute;cleo editorial do Cultura e Mercado) para esta entrevista exclusiva ao Cultura e Mercado. Entre liga&ccedil;&otilde;es e preparativos para a viagem, falou cerca de uma hora sobre diversos assuntos &ndash; sobrou bordoada at&eacute; para o m&uacute;sico Lob&atilde;o, que desistiu dos processos que movia contra a gravadora Sony\/BMG. Mas, apesar do tom &aacute;cido, mostrou-se um otimista vision&aacute;rio declarado: &ldquo;A internet precipita uma revolu&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, ela foi criada por pessoas que n&atilde;o pensaram no pr&oacute;prio bolso, e sim no avan&ccedil;o da humanidade. Neste cen&aacute;rio, os verdadeiros piratas s&atilde;o as grandes gravadoras&rdquo;. Leia, a seguir, trechos da entrevista. <\/em><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>H&aacute; uma previs&atilde;o de que o digital acabar&aacute; com a m&uacute;sica, tal qual a conhecemos hoje, voc&ecirc; acredita nisso? <br \/><\/strong><\/span><span><strong>Cl&aacute;udio Prado<\/strong> &#8211; O digital nos colocou em uma grande encruzilhada, dizem que ele traz preju&iacute;zos, que viabiliza a pirataria, eu discordo frontalmente. Quem afirma isso tem interesse que o modelo anal&oacute;gico continue. O digital sugere novos modelos de neg&oacute;cio. N&atilde;o faz sentido transportar e distribuir CD em caminh&atilde;o, quando isso poderia ser feito por meio de um clic. Seria o mesmo que impedir a cria&ccedil;&atilde;o do motor a vapor, porque danaria a vida do construtor de mastros e velas, alegando-se ser pirataria. A hist&oacute;ria n&atilde;o quer saber dos dramas que o avan&ccedil;o na tecnologia de navega&ccedil;&atilde;o trouxe aos empres&aacute;rios que detinham modelos antigos, ela diz: dane-se! Se o mundo digital acabar&aacute; com a m&uacute;sica, no formato que a conhecemos hoje, fazer o qu&ecirc;? O problema &eacute; que as pessoas est&atilde;o presas a velhas formas de ganhar dinheiro, isso vale, sobretudo, para os intermedi&aacute;rios. O digital elimina os intermedi&aacute;rios que n&atilde;o agregam valor. N&atilde;o faz mais sentido, por exemplo, gravadoras no velho formato que conhecemos. Precisamos de novas intermedia&ccedil;&otilde;es que tornem as minorias poss&iacute;veis. Em vez de apenas cinco gravadoras, monopolizando o mercado, podemos ter 500 mil selos com uma distribui&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sica muito maior. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Voc&ecirc; v&ecirc; algum sinal de mudan&ccedil;a de postura por parte da grande ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica?<br \/><\/strong><\/span><span>H&aacute; uma cat&aacute;strofe, que eles, obviamente, est&atilde;o percebendo, mas eu n&atilde;o creio que possuam capacidade de olhar para um novo paradigma. Novas gravadoras que est&atilde;o surgindo s&atilde;o mais interessantes. Veja o Lob&atilde;o, por exemplo, que voltou a assinar com a Sony\/BMG e anda dizendo que as gravadoras mudaram de mentalidade. N&atilde;o me parece honesto o que est&aacute; fazendo agora em rela&ccedil;&atilde;o ao discurso que manteve durante anos, em minha opini&atilde;o, ele adapta seu discurso &agrave;s necessidades, est&aacute; querendo ganhar dinheiro pelo sistema velho, somente isso. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Em rela&ccedil;&atilde;o ao movimento de software livre, voc&ecirc; acredita na possibilidade de uma articula&ccedil;&atilde;o de atores ligados ao Governo Federal para estrat&eacute;gias conjuntas?<br \/><\/strong><\/span><span>Se n&atilde;o for uma a&ccedil;&atilde;o centralizadora eu acho &oacute;timo, porque o software livre &eacute; justamente o fruto de uma a&ccedil;&atilde;o sem poder central, e um dos pilares de sustenta&ccedil;&atilde;o do novo paradigma do s&eacute;culo 21. Isso gra&ccedil;as a um maluco, Richard Stallman, que prop&ocirc;s uma coisa que ningu&eacute;m acreditou, e que, em si, j&aacute; &eacute; o resultado de uma revolu&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, a internet foi pensada para todo mundo e n&atilde;o para enriquecer ningu&eacute;m. Mas claro que as articula&ccedil;&otilde;es s&atilde;o necess&aacute;rias, e mudan&ccedil;as tamb&eacute;m. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Voc&ecirc; esteve presente no 8&ordm; F&oacute;rum Internacional de Software Livre [Fisl 8.0] (leia aqui), que avan&ccedil;os voc&ecirc; destacaria? Houve algum desdobramento importante no &acirc;mbito do MinC, por exemplo?<br \/><\/strong><\/span><span>O F&oacute;rum de Porto Alegre &eacute; interessante, aborda quest&otilde;es relevantes, mas acho que o mundo do software livre corre um s&eacute;rio perigo de tornar-se uma coisa fundamentalista, fechada em si mesmo, olhando para o pr&oacute;prio umbigo, deixando de enxergar seu papel no mundo. Por exemplo, houve, neste evento, uma redu&ccedil;&atilde;o enorme nas discuss&otilde;es culturais e pol&iacute;ticas, que s&atilde;o quest&otilde;es fundamentais. O software livre est&aacute; sujeito a ficar restrito a um grupo de especialistas e, como tal, virar mais um ramo da ci&ecirc;ncia descontextualizado, que n&atilde;o tem consci&ecirc;ncia daquilo que est&aacute; fazendo, quando &eacute; justamente a ferramenta necess&aacute;ria para que as pessoas tenham autonomia, liberdade, para inventar, produzir, trabalhar, partilhar novos caminhos e percep&ccedil;&otilde;es, na dire&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as necess&aacute;rias para o desenvolvimento do planeta. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Com a preval&ecirc;ncia do posicionamento do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; digitaliza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, ainda h&aacute; espa&ccedil;o para os argumentos do MinC, mais alinhados com a sociedade civil, serem contemplados?<br \/><\/strong><\/span><span>Existe espa&ccedil;o total, o F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas &eacute; uma amostra disso. Ali&aacute;s, ele nasce de lacunas que surgiram no processo de cria&ccedil;&atilde;o da TV digital brasileira que omitiu varias quest&otilde;es em seus debates. Sou um dos representantes do MinC no comit&ecirc; gestor da TV digital, l&aacute; discutimos exaustivamente que modelo de televis&atilde;o queremos. Afinal, o que &eacute; uma TV p&uacute;blica digital? Ela n&atilde;o &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia direta e natural da TV anal&oacute;gica, assim como o computador n&atilde;o foi conseq&uuml;&ecirc;ncia da m&aacute;quina de escrever. N&atilde;o podemos olhar para TV que existe no ar hoje como se ela fosse continuar a mesma, isso seria retr&oacute;grado, seria pensar de uma maneira absolutamente burra. No caso da TV p&uacute;blica, &eacute; preciso olhar para as possibilidades de interatividade de comunica&ccedil;&atilde;o e de regula&ccedil;&atilde;o da canaliza&ccedil;&atilde;o de uma forma totalmente nova, usando as possibilidades que a tecnologia traz para aumentar e democratizar o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o estabelecendo um novo paradigma nas comunica&ccedil;&otilde;es e no acesso. &Eacute; necess&aacute;rio aproximar a televis&atilde;o e a internet, buscando uma simbiose entre elas. N&atilde;o h&aacute; mais raz&atilde;o tecnol&oacute;gica para separar uma coisa da outra. A TV p&uacute;blica precisa ser conjugada com a internet. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Foi criado um grupo pela ONU para trabalhar a quest&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o da internet. Em que n&iacute;vel encontra-se essa discuss&atilde;o? <br \/><\/strong><\/span><span>Hoje os governos correm para tentar a regula&ccedil;&atilde;o da internet, invertendo o processo de uma maneira interessante. Antes as coisas existiam, eram reguladas e tornavam-se p&uacute;blicas, agora &eacute; o contr&aacute;rio. Mas n&atilde;o v&atilde;o conseguir, n&atilde;o h&aacute; como regular a internet. Na realidade, a regula&ccedil;&atilde;o que precisa haver &eacute; a que garanta a liberdade, a autonomia e a neutralidade da rede em rela&ccedil;&atilde;o a governos e corpora&ccedil;&otilde;es. E por tr&aacute;s disso, sou a favor de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica de banda larga, defendida, ali&aacute;s, pelo MinC, que d&ecirc; condi&ccedil;&otilde;es de acesso a todos. Outro ponto relevante &eacute; o seguinte: n&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel discutir o digital localmente, trata-se de uma quest&atilde;o transnacional, s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel pensar a internet mundialmente, mas acho dif&iacute;cil que isso aconte&ccedil;a no &acirc;mbito da ONU, que, obviamente, n&atilde;o tem poderes para isso. &Eacute; preciso criar uma inst&acirc;ncia com poderes efetivos, infelizmente isso ainda n&atilde;o me parece pr&oacute;ximo.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span> <br \/><span><strong><br \/>Qual sua opini&atilde;o sobre o recente conv&ecirc;nio entre a Fapesp e a Microsoft para desenvolvimento de TI?<br \/><\/strong><\/span><span>Um conv&ecirc;nio que prev&ecirc; a obrigatoriedade de patente &eacute; uma burrada, retroage em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quilo que de mais precioso existe hoje, que &eacute; a possibilidade de democratizar acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. A Fapesp, em tese, deveria priorizar a democratiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento e n&atilde;o privilegiar aspectos privados de alguma empresa. N&atilde;o sou contra ganhar dinheiro, mas h&aacute; outros modelos de neg&oacute;cios que transcendem a id&eacute;ia da patente, dos modelos fechados, e que partem de novos paradigmas. Temos que nos livrar dos velhos padr&otilde;es, o s&eacute;culo 20 foi um equ&iacute;voco que deu em um beco sem sa&iacute;da. O s&eacute;culo 21 &eacute; uma nova hist&oacute;ria, &eacute; o contr&aacute;rio do anterior, que apontava para o fim da vida e do planeta, que nos levou a um mundo que produz tr&ecirc;s vezes a quantidade de alimentos necess&aacute;ria para alimentar a todos e, no entanto, metade da popula&ccedil;&atilde;o passa fome enquanto a outra &eacute; obesa. Hoje, a corrup&ccedil;&atilde;o nos governos e nas corpora&ccedil;&otilde;es &eacute; uma constante, podemos praticamente definir o s&eacute;culo 20 como um per&iacute;odo de engano e mentira que n&atilde;o olhou para nada que n&atilde;o fosse dinheiro. S&oacute; poderia dar nisto: em ladr&atilde;o, pirataria. Na minha concep&ccedil;&atilde;o, no mundo da m&uacute;sica, por exemplo, os piratas s&atilde;o as gravadoras, elas que &eacute; que ganham muito dinheiro. N&atilde;o podemos ficar enroscados nessa id&eacute;ia de que s&oacute; a patente oferece garantias ao autor. No caso da medicina e no conhecimento tradicional ind&iacute;gena, sei que h&aacute; patentes engavetadas de rem&eacute;dios que curam, porque outros que n&atilde;o curam ainda n&atilde;o foram pagos, isso &eacute; criminoso.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o coordenador de pol\u00edticas digitais do Minc, &#8220;os verdadeiros piratas s\u00e3o as grandes gravadoras\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18376"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18376\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}