{"id":18367,"date":"2007-05-15T12:30:53","date_gmt":"2007-05-15T12:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18367"},"modified":"2007-05-15T12:30:53","modified_gmt":"2007-05-15T12:30:53","slug":"classificacao-e-publicidade-em-defesa-da-lei-da-selva-na-terra-de-ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18367","title":{"rendered":"Classifica\u00e7\u00e3o e Publicidade: em defesa da lei da selva na terra de ningu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><em>Publicado originalmente no Observat&oacute;rio da Imprensa &#8211; <\/em><a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/\"><em>www.observatoriodaimprensa.com.br<\/em><\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">*<\/p>\n<p><span>Os norte-americanos criaram os neo-cons, neo-conservadores, turma da pesada cujo s&iacute;mbolo &eacute; o dedo no gatilho &ndash; primeiro atiram e depois perguntam quem vem l&aacute;. <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>No Brasil, terra dos pudores e manhas, &eacute; dif&iacute;cil achar quem queira assumir-se integralmente como neo-lib, neoliberal. Preferem o uniforme &quot;libert&aacute;rio&quot;, sem se incomodar em parecer os antigos anarquistas que combatiam qualquer a&ccedil;&atilde;o reguladora do Estado.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Estes libero-anarquistas detestam normas, limites e ordena&ccedil;&otilde;es, prostrados aos p&eacute;s do Deus do Mercado e de sua c&ocirc;njuge, a Deusa Livre Iniciativa. Usam o crach&aacute; de democratas, mas desprezam solenemente o bem-comum, o interesse p&uacute;blico, a comunidade e a sociedade.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Esse &eacute; o mix ideol&oacute;gico do estranh&iacute;ssimo lobby que re&uacute;ne os advers&aacute;rios da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa da programa&ccedil;&atilde;o de TV e da regulamenta&ccedil;&atilde;o da publicidade de cervejas na m&iacute;dia eletr&ocirc;nica. O denominador comum &eacute; o rancor contra qualquer tipo de regulamenta&ccedil;&atilde;o. Em nome de uma liberdade imprecisa e indefinida, advogam a lei da selva.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Compromissos esquecidos<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/strong><span><strong>&nbsp;<br \/><\/strong><br \/><\/span><span>A&nbsp;classifica&ccedil;&atilde;o indicativa da programa&ccedil;&atilde;o da TV, assim como o controle sobre a publicidade de bebidas alco&oacute;licas, est&aacute; prevista de forma expl&iacute;cita e insofism&aacute;vel em diversas passagens dos artigos 220 e 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o:<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** &quot;Compete &agrave; lei federal regular as divers&otilde;es e espet&aacute;culos p&uacute;blicos, informar sobre a sua natureza e as faixas et&aacute;rias a que n&atilde;o se recomendem, locais e hor&aacute;rios em que sua apresenta&ccedil;&atilde;o se mostre inadequada (art. 220, par&aacute;grafo 3&ordm;, inciso I). <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** &quot;Compete &agrave; lei federal estabelecer os meios legais que garantam &agrave; pessoa e &agrave; fam&iacute;lia a possibilidade de se defenderem de programas ou programa&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o que contrariem o disposto no artigo 221, bem como da propaganda de produtos, pr&aacute;ticas e servi&ccedil;os que possam ser nocivos &agrave; sa&uacute;de e ao meio ambiente.&quot; (art. 220, par&aacute;grafo 3&ordm;, inciso II).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** &quot;A propaganda comercial de tabaco, bebidas alco&oacute;licas, agrot&oacute;xicos, medicamentos e terapias estar&aacute; sujeita a restri&ccedil;&otilde;es legais nos termos do inciso II do par&aacute;grafo anterior e conter&aacute;, sempre que necess&aacute;rio, advert&ecirc;ncia sobre os malef&iacute;cios decorrentes de seu uso.&quot; (art. 220, par&aacute;grafo 4&ordm;).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O citado artigo 221 prev&ecirc; no seu inciso IV que a produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de r&aacute;dio e TV devem respeitar &quot;os valores &eacute;ticos e sociais da pessoa e da fam&iacute;lia&quot;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O legislador-constituinte n&atilde;o foi casu&iacute;sta, foi preciso. Excepcionalmente claro e objetivo. N&atilde;o deixou qualquer contradi&ccedil;&atilde;o entre a letra e o esp&iacute;rito da lei como muitas vezes acontece. Preocupado com o uso indevido das concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV &ndash; e com as confus&otilde;es costumeiras entre o p&uacute;blico e privado &ndash; amarrou muito bem a regulamenta&ccedil;&atilde;o sobre a programa&ccedil;&atilde;o e sobre a difus&atilde;o de publicidade nociva &agrave; sa&uacute;de. O interesse comercial n&atilde;o pode impor-se ao interesse social, sobretudo numa esfera claramente p&uacute;blica (o espectro da radiodifus&atilde;o).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Os juristas contratados pelas cervejeiras, empresas de radiodifus&atilde;o e de propaganda desta vez precisar&atilde;o suar as suas camisas de seda para encontrar aquelas famosas brechas ou imprecis&otilde;es que convertem nossas leis num emaranhado de lapsos. Estranha muito que o Conar, geralmente apontado como paradigma de auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o, no caso dos comerciais de cerveja esque&ccedil;a os seus compromissos com a sa&uacute;de p&uacute;blica, seduzido pelas fabulosas verbas de publicidade das cervejeiras.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Celebridade instant&acirc;nea<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O governo Lula n&atilde;o inventou coisa alguma em mat&eacute;ria de classifica&ccedil;&atilde;o indicativa. Deu seq&uuml;&ecirc;ncia ao trabalho de Jos&eacute; Gregori ao tempo em que ainda era Secret&aacute;rio de Direitos Humanos do governo FHC, ao igualar a baixaria televisiva a um atentado aos direitos humanos. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Agora os neo-libs nativos, a pretexto de fidelidade libert&aacute;ria, passam ao largo dos compromissos com a preserva&ccedil;&atilde;o dos valores humanos e morais indispens&aacute;veis &agrave; democracia.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Os minist&eacute;rios da Justi&ccedil;a e da Sa&uacute;de e a presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica est&atilde;o certos ao exigir uma regulamenta&ccedil;&atilde;o nessas duas frentes. O &uacute;nico erro foi a proposta de vedar &agrave;s celebridades a participa&ccedil;&atilde;o em comerciais de cerveja. Aqui houve inten&ccedil;&atilde;o de discriminar: a celebridade n&atilde;o tem culpa de ser c&eacute;lebre. Na sociedade do espet&aacute;culo em que vivemos a fabrica&ccedil;&atilde;o da fama &eacute; instant&acirc;nea &ndash; ou quase. Em apenas 15 minutos qualquer pagodeiro desconhecido pode converter-se num celebrado Zeca Pagodinho.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Obra coletiva<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Est&atilde;o errados os neolibert&aacute;rios, liberal&oacute;ides e falsos democratas ao impedir que a sociedade brasileira produza os ant&iacute;dotos necess&aacute;rios &agrave; defesa da sa&uacute;de e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e adolescentes.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Nos EUA, p&aacute;tria do liberalismo e da resist&ecirc;ncia &agrave;s regulamenta&ccedil;&otilde;es, a classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria para a exibi&ccedil;&atilde;o de filmes em cinemas ou teatros tem mais de meio s&eacute;culo. Algumas decis&otilde;es s&atilde;o eventualmente contestadas, mas ningu&eacute;m ousaria opor-se &agrave; id&eacute;ia de eliminar os limites. As redes abertas de TV tamb&eacute;m adotam princ&iacute;pios r&iacute;gidos para compatibilizar sua grade com hor&aacute;rios e faixas et&aacute;rias. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O processo civilizador, como obra coletiva, imp&otilde;e normas. Pretender uma civiliza&ccedil;&atilde;o do tipo vale-tudo leva fatalmente a um intranspon&iacute;vel beco sem sa&iacute;da.<\/span><\/p>\n<p><span><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente no Observat&oacute;rio da Imprensa &#8211; www.observatoriodaimprensa.com.br &nbsp; * Os norte-americanos criaram os neo-cons, neo-conservadores, turma da pesada cujo s&iacute;mbolo &eacute; o dedo no gatilho &ndash; primeiro atiram e depois perguntam quem vem l&aacute;. &nbsp;&nbsp; No Brasil, terra dos pudores e manhas, &eacute; dif&iacute;cil achar quem queira assumir-se integralmente como neo-lib, neoliberal. 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