{"id":18348,"date":"2007-05-10T16:06:23","date_gmt":"2007-05-10T16:06:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18348"},"modified":"2007-05-10T16:06:23","modified_gmt":"2007-05-10T16:06:23","slug":"a-hora-da-tv-publica-o-contraponto-necessario-a-hegemonia-comercial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18348","title":{"rendered":"A hora da TV p\u00fablica: o contraponto necess\u00e1rio \u00e0 hegemonia comercial"},"content":{"rendered":"<p><em>Exposi&ccedil;&atilde;o apresentada por Laurindo Lalo Leal Filho (foto) na mesa do debate sobre&nbsp;a &quot;&nbsp;Miss&atilde;o das TVs P&uacute;blicas e perspectivas para o trabalho integrado&quot; no I F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas, realizado em Bras&iacute;lia, em maio de 2007.<br \/><\/em><br \/>*<\/p>\n<p>Antes de mais nada &eacute; preciso constatar que h&aacute; um espa&ccedil;o vazio no espectro eletromagn&eacute;tico brasileiro. Aquele que deveria ter sido ocupado por uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o e nunca foi. Trataremos aqui desse deserto e das possibilidades concretas de verdej&aacute;-lo num futuro pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Pesquisadores franceses ordenam a hist&oacute;ria da televis&atilde;o europ&eacute;ia em tr&ecirc;s etapas sucessivas e articuladas, segundo padr&otilde;es institucionais: o servi&ccedil;o p&uacute;blico original em situa&ccedil;&atilde;o monopolista, a televis&atilde;o comercial aberta ainda dominante e a televis&atilde;o paga em fase de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Esse percurso, se aplicado ao Brasil, teria em comum apenas a sua parte intermedi&aacute;ria: a hegemonia da TV comercial. As iniciativas em torno da implanta&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o p&uacute;blico e a oferta de televis&atilde;o por assinatura podem ser consideradas marginais, diante da despropor&ccedil;&atilde;o da abrang&ecirc;ncia de acesso existente entre elas e o sistema dominante.<\/p>\n<p>Como resultado, a aus&ecirc;ncia de uma televis&atilde;o p&uacute;blica forte no Brasil impediu a forma&ccedil;&atilde;o de um p&uacute;blico mais cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; TV comercial, resultado da absoluta falta de modelos alternativos. Tamb&eacute;m impossibilitou a cria&ccedil;&atilde;o de uma massa cr&iacute;tica capaz de exigir da televis&atilde;o, no m&iacute;nimo, o respeito aos preceitos constitucionais que determinam a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de informa&ccedil;&atilde;o, cultura e entretenimento.<\/p>\n<p>No Brasil, ao contr&aacute;rio do que ocorreu na Europa, as t&iacute;midas iniciativas para implantar servi&ccedil;os p&uacute;blicos de radiodifus&atilde;o foram sempre subordinadas ao modelo comercial, atuando de forma complementar a ele. Ou seja, ocuparam os espa&ccedil;os que n&atilde;o atraiam os interesses da iniciativa privada.<\/p>\n<p>Por isso a hist&oacute;ria da radiodifus&atilde;o p&uacute;blica no Brasil &eacute; minguada. Em quase 57 anos de televis&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel destacar apenas cinco momentos significativos. S&atilde;o eles: a funda&ccedil;&atilde;o da R&aacute;dio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923; a implanta&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Padre Anchieta em S&atilde;o Paulo, em 1969; a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, em 1988, com a id&eacute;ia da complementaridade entre os modelos p&uacute;blico, privado e estatal de radiodifus&atilde;o; a aprova&ccedil;&atilde;o da lei n&uacute;mero 8.977, conhecida como Lei do Cabo, em 1995, geradora das TVs de acesso p&uacute;blico e agora, de forma quase concomitante, o lan&ccedil;amento pelo Minist&eacute;rio da Cultura do 1&ordm;. F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas e a decis&atilde;o do governo federal de impulsionar a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede p&uacute;blica nacional de televis&atilde;o.<\/p>\n<p>Se outro m&eacute;rito n&atilde;o tiver este F&oacute;rum, um est&aacute; garantido. A TV P&uacute;blica entrou na pauta do debate nacional. H&aacute; dez anos, quando conclui meus estudos sobre o modelo brit&acirc;nico de televis&atilde;o, falar sobre ele aqui no Brasil exigia um grande sacrif&iacute;cio. O sentimento era de estar tratando de um fen&ocirc;meno surrealista, tal a dist&acirc;ncia entre a nossa realidade e o modelo desenvolvido na Europa desde os anos 1920, nos prim&oacute;rdios do r&aacute;dio. Em pouco tempo &ndash; o que s&atilde;o dez anos ? &ndash; o quadro mudou e estamos aqui tratando seriamente da TV P&uacute;blica.<\/p>\n<p>Com defini&ccedil;&otilde;es claras, como aquela apresentada pelo Secret&aacute;rio Orlando Senna e publicada no primeiro caderno deste F&oacute;rum. Vale a pena lembr&aacute;-la e coment&aacute;-la. Ele define a TV P&uacute;blica como &quot;uma janela de acesso estrat&eacute;gico para o contato da popula&ccedil;&atilde;o com a mais vasta gama de bens e servi&ccedil;os culturais, constituindo um canal privilegiado para a valoriza&ccedil;&atilde;o e a universaliza&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio simb&oacute;lico nacional. A rede de emissoras p&uacute;blicas &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de grande potencial como ve&iacute;culo difusor da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual oriunda dos distintos agentes culturais da sociedade, assegurando a express&atilde;o de nossa rica diversidade cultural e a pr&aacute;tica da democracia.&quot;<\/p>\n<p>Essa cita&ccedil;&atilde;o contempla tr&ecirc;s quest&otilde;es chaves, ainda pouco desenvolvidas, a respeito do papel da TV P&uacute;blica na sociedade. S&atilde;o elas: a socializa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de bens simb&oacute;licos produzidos no pa&iacute;s, o formato de transmiss&atilde;o em rede e a rela&ccedil;&atilde;o TV P&uacute;blica-democracia.<\/p>\n<p>A primeira diz respeito a hegemonia do modelo comercial, regido por &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia &ndash; mera san&ccedil;&atilde;o do mercado, no dizer do soci&oacute;logo franc&ecirc;s Pierre Bourdieu &ndash; que impede o acesso &agrave; televis&atilde;o de bens culturais n&atilde;o transformados em mercadoria. A sociedade v&ecirc;-se, dessa forma, privada de conhecer e reconhecer a sua pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica. N&atilde;o cabe aqui detalhar os preju&iacute;zos decorrentes dessa pr&aacute;tica, mas eles podem ser intu&iacute;dos. V&atilde;o desde a fragiliza&ccedil;&atilde;o da identidade nacional &agrave; inibi&ccedil;&atilde;o do surgimento de novas anifesta&ccedil;&otilde;es culturais e art&iacute;sticas, v&iacute;timas da falta de reconhecimento p&uacute;blico.<\/p>\n<p>A segunda quest&atilde;o levantada pela defini&ccedil;&atilde;o de TV P&uacute;blica aqui citada &eacute; que pela primeira vez, na democracia brasileira, l&ecirc;-se num documento oficial a express&atilde;o &quot;rede de emissoras p&uacute;blicas&quot;, fen&ocirc;meno desconhecido no pa&iacute;s, como j&aacute; vimos. Ainda que o texto n&atilde;o avance no assunto, n&atilde;o deixa de ser significativo que tal empreendimento deixe de ser visto como fruto de iniciativas isoladas e venha a se congregar numa rede de emissoras, &uacute;nica forma capaz de dar sentido efetivamente nacional &agrave; TV P&uacute;blica.<\/p>\n<p>E quanto &agrave; circunst&acirc;ncia da rede p&uacute;blica assegurar a pr&aacute;tica da democracia, trata-se de algo auto-evidente. O hist&oacute;rico do modelo de televis&atilde;o de mercado oferecido &agrave; sociedade brasileira estabeleceu uma forma de pensamento uniformizado, reprodutor das id&eacute;ias dominantes e disseminadas a partir dos centros do capitalismo global. <\/p>\n<p>Individualismo, consumismo, enfraquecimento do papel do Estado, tornaram-se matrizes ideol&oacute;gicas da produ&ccedil;&atilde;o televisiva. A elas, no modelo hegem&ocirc;nico, n&atilde;o cabem alternativas. A sa&iacute;da, respeitado o jogo democr&aacute;tico, &eacute; a TV P&uacute;blica. Cabe a ela, no dizer de Jay Blumler, professor em&eacute;rito da Universidade de Leeds, desenvolver uma &quot;&eacute;tica da abrang&ecirc;ncia&quot;, ou seja, procurar atender &agrave;s expectativas de todo o tipo de p&uacute;blico existente no raio de sua atua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para exemplificar essa id&eacute;ia, o pesquisador brit&acirc;nico&nbsp;&ndash; ele foi diretor do Centro de Pesquisas de Televis&atilde;o daquela universidade &ndash; contrap&otilde;e o modelo de televis&atilde;o p&uacute;blica existente na Europa ao dos Estados Unidos. Diz ele que este &uacute;ltimo pode ser definido como &quot;uma ilha de bem-estar num mar de comercialismo&quot;. Nos Estados Unidos &ndash; prossegue &#8211; seriados como Dallas s&atilde;o exclusivos da televis&atilde;o comercial, enquanto recitais de &oacute;pera t&ecirc;m como ve&iacute;culo a televis&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p>O modelo europeu, por sua vez, procura &quot;abranger&quot; os dois p&uacute;blicos, da&iacute; a id&eacute;ia da &eacute;tica da abrang&ecirc;ncia. Algo pr&oacute;ximo do conceito de uma televis&atilde;o generalista, fundamental para atender diferentes gostos e necessidades simb&oacute;licas.<\/p>\n<p>Lendo documentos produzidos em diferentes televis&otilde;es europ&eacute;ias nota-se que seus fundadores as conceberam como instrumentos respons&aacute;veis por sustentar e renovar as caracter&iacute;sticas culturais b&aacute;sicas da sociedade, capazes de oferecer aos atores, m&uacute;sicos, escritores, teatr&oacute;logos e intelectuais de modo geral a oportunidade de disseminarem de forma ampla seu trabalho criativo. E de possibilitar aos ouvintes e telespectadores a oportunidade de acesso ao produto desses talentos.<\/p>\n<p>O primeiro diretor-geral da BBC, o escoc&ecirc;s John Reith, dizia que o objetivo do r&aacute;dio era de &quot;levar para dentro do maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de lares tudo o que de melhor existe em cada parte do esfor&ccedil;o e realiza&ccedil;&atilde;o humana&quot;. Cerca de 50 anos depois, nos anos 1980, outro diretor da BBC, Alsdair Milne, afirma que o &quot;o servi&ccedil;o p&uacute;blico de r&aacute;dio e televis&atilde;o deve tornar o popular respeit&aacute;vel e o que &eacute; respeit&aacute;vel popular&quot;. Um belo desafio para os nossos produtores.<\/p>\n<p>Mas vale a pena mencionar outras preocupa&ccedil;&otilde;es dessas emissoras. Elas t&ecirc;m em comum a obriga&ccedil;&atilde;o de &quot;despertar o p&uacute;blico para id&eacute;ias e gostos culturais menos familiares, ampliando mentes e horizontes, e talvez desafiando suposi&ccedil;&otilde;es existentes acerca da vida, da moralidade e da sociedade. A televis&atilde;o pode, tamb&eacute;m, elevar a qualidade de vida do telespectador, em vez de pux&aacute;-lo para dentro do rotineiro&quot;. S&atilde;o id&eacute;ias que est&atilde;o at&eacute; hoje integradas em programas considerados, internacionalmente, de alta qualidade &quot;concebidos como forma de capacitar o telespectador para uma enriquecedora experi&ecirc;ncia de vida&quot;, no dizer do professor Blumer.<\/p>\n<p>E n&atilde;o estamos falando de programas elitistas ou ma&ccedil;antes, como alguns detratores da televis&atilde;o p&uacute;blica gostam de rotul&aacute;-los. Prova disso s&atilde;o os &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia. Em v&aacute;rios pa&iacute;ses da Europa, passada a mar&eacute; privatista dos anos 1980, as televis&otilde;es p&uacute;blicas seguem dividindo ao meio as audi&ecirc;ncias. &Eacute; sempre bom lembrar que para as emissoras p&uacute;blicas a audi&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser obsess&atilde;o &ndash; como se d&aacute; com as emissoras comerciais &ndash; mas tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser desprezada, afinal trata-se do uso de dinheiro p&uacute;blico que, em qualquer circunst&acirc;ncia, deve ser bem aplicado.<\/p>\n<p>Mas apenas para ilustrar, eis alguns n&uacute;meros de audi&ecirc;ncia na Europa.<\/p>\n<p>ALEMANHA: Canais P&uacute;blicos (40,5%), Canais Privados Nacionais (41,5%), Outros &ndash; cabo, sat&eacute;lite, locais, etc. (18%)<\/p>\n<p>ESPANHA: P&uacute;blicos (30,5%), Privados (43%), Outros (26,5%) (1)<\/p>\n<p>FRAN&Ccedil;A: P&uacute;blicos (41,5%), Privados (47,5%), Outros (11%)<\/p>\n<p>IT&Aacute;LIA: P&uacute;blicos (45%), Privados (44%), Outros (11%)<\/p>\n<p>REINO UNIDO: P&uacute;blicos (46%) (2), Privados (30%), Outros (24%)<\/p>\n<p>PA&Iacute;SES BAIXOS*: P&uacute;blicos (36%), Privados (41,5%), Outros (22,5%)<\/p>\n<p>PORTUGAL*: P&uacute;blicos (26,5%), Privados (63%), Outros (10,5%)<\/p>\n<p>* Para esses pa&iacute;ses o ano de refer&ecirc;ncia &eacute; 2002<br \/>(1) dos quais 18% atrav&eacute;s dos canais &quot;auton&ocirc;micos&quot; das principais<br \/>prov&iacute;ncias, transmitidos de modo terrestre.<br \/>(2) dos quais 10% pelo Channel 4<\/p>\n<p>Os dados s&atilde;o de 2003 e foram publicados no livro &ldquo;La T&egrave;l&egrave;vision&rdquo;, de R&eacute;gine Chaniac e Jean Pierre J&eacute;z&eacute;quel, em 2005.<\/p>\n<p>Claro que para chegar a esses &iacute;ndices &eacute; indispens&aacute;vel uma boa e permanente fonte de recursos. Mas n&atilde;o s&oacute;. No caso de uma TV P&uacute;blica &eacute; fundamental tamb&eacute;m a sua independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a interesses particularistas, sejam eles pol&iacute;ticos, comerciais, religiosos.<\/p>\n<p>Vinculando-se a qualquer um deles, a TV P&uacute;blica perde n&atilde;o s&oacute; a sua autonomia, mas tamb&eacute;m sua identidade e o que &eacute; pior, a sua<br \/>credibilidade. Em outro texto, publicado no segundo caderno deste F&oacute;rum trato desses assuntos. N&atilde;o cabe aprofund&aacute;-los agora.<\/p>\n<p>Cabe, isto sim, ressaltar a import&acirc;ncia desses fatores para a quest&atilde;o central, deles decorrente: o conte&uacute;do da programa&ccedil;&atilde;o. Afinal &eacute; ela a ponta final de todo o processo, aquilo que efetivamente chega &agrave; casa do elespectador.<\/p>\n<p>Financiamento consistente e controle democr&aacute;tico s&atilde;o pressupostos b&aacute;sicos para a garantia de um conte&uacute;do de qualidade. Conte&uacute;do que, entre outras coisas d&ecirc;, por exemplo, um amplo espa&ccedil;o aos criadores brasileiros, espalhados por todo o pa&iacute;s, e impedidos pelo oligop&oacute;lio de mostrar o que fazem. <\/p>\n<p>Abrir para a experimenta&ccedil;&atilde;o e a criatividade deve ser a miss&atilde;o central da televis&atilde;o p&uacute;blica, dando conta da diversidade cultural do pa&iacute;s. Fugindo do monop&oacute;lio estabelecido pelo eixo Rio-S&atilde;o Paulo, como fazem as emissoras comerciais.<\/p>\n<p>Mas vamos a algumas hip&oacute;teses mais concretas de programa&ccedil;&atilde;o, deixando de lado, ainda que brevemente, as generalidades. Poderia ser definida, por exemplo, uma faixa de programas musicais para as 20hs, de segunda &agrave; sexta. A cada dia da semana esse hor&aacute;rio seria preenchido por uma emissora p&uacute;blica de qualquer estado, capaz de produzir um musical de qualidade. Seria a grande oportunidade do brasileiro, finalmente, conhecer o que se faz em outros pontos do seu pr&oacute;prio pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Outra hip&oacute;tese seria a da rede tendo como miss&atilde;o dar ao p&uacute;blico um cinema de bom n&iacute;vel, nacional e estrangeiro, exibido sem intervalos. Algo que alguns canais a cabo j&aacute; fazem para poucos privilegiados (menos de 10% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira). Para n&atilde;o falar da necessidade de uma programa&ccedil;&atilde;o infantil sedutora, com conte&uacute;do educativo, mas sem loiras, pr&ecirc;mios ou merchandisings. E um jornalismo cr&iacute;tico e independente, capaz de oferecer ao telespectador informa&ccedil;&otilde;es que o habilitem a tomar, ele pr&oacute;prio, suas decis&otilde;es. O dono da verdade deve ser o p&uacute;blico e n&atilde;o a emissora.<\/p>\n<p>Com isso estaria sendo dada oportunidade ao p&uacute;blico de experimentar e de se acostumar com o &ldquo;biscoito fino&rdquo;, no dizer de Oswald de Andrade. Sem conhecer o que &eacute; bom fica dif&iacute;cil exigir o melhor. O resultado de uma programa&ccedil;&atilde;o desse tipo seria n&atilde;o s&oacute; de dar<br \/>diretamente ao p&uacute;blico o melhor da arte, da cultura e da informa&ccedil;&atilde;o existentes no pa&iacute;s, mas tamb&eacute;m o de levar a televis&atilde;o comercial a rever seus padr&otilde;es.<\/p>\n<p>A TV p&uacute;blica cumprir&aacute; dessa forma um duplo papel positivo: oferecer ao seu telespectador uma programa&ccedil;&atilde;o de qualidade e, ao mesmo tempo, provocar mudan&ccedil;as para melhor na televis&atilde;o comercial. Situa&ccedil;&otilde;es como essa justificam, sem muito esfor&ccedil;o, os investimentos necess&aacute;rios para criar e manter uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o, capaz de servir de refer&ecirc;ncia de qualidade para todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Tentei tra&ccedil;ar algumas das caracter&iacute;sticas do que considero um &quot;tipo ideal&quot; de TV P&uacute;blica, apropriando-me sem muito pudor do instrumental te&oacute;rico weberiano. Claro que algumas delas, aqui apresentadas, n&atilde;o se concretizar&atilde;o. Outras, n&atilde;o mencionadas, far&atilde;o parte do modelo. Isso n&atilde;o importa muito. O que realmente conta &eacute; a possibilidade, concreta que o pa&iacute;s tem, desta vez, de por fim ao apartheid televisivo existente desde quando a televis&atilde;o por assinatura chegou por aqui. A televis&atilde;o p&uacute;blica come&ccedil;ar&aacute; a cumprir sua miss&atilde;o quando se tornar a televis&atilde;o paga dos que n&atilde;o podem pagar por ela. E eles s&atilde;o apenas cerca 160 milh&otilde;es de brasileiros, nossos conterr&acirc;neos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exposi&ccedil;&atilde;o apresentada por Laurindo Lalo Leal Filho (foto) na mesa do debate sobre&nbsp;a &quot;&nbsp;Miss&atilde;o das TVs P&uacute;blicas e perspectivas para o trabalho integrado&quot; no I F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas, realizado em Bras&iacute;lia, em maio de 2007.* Antes de mais nada &eacute; preciso constatar que h&aacute; um espa&ccedil;o vazio no espectro eletromagn&eacute;tico brasileiro. 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