{"id":18330,"date":"2007-05-09T09:17:51","date_gmt":"2007-05-09T09:17:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18330"},"modified":"2007-05-09T09:17:51","modified_gmt":"2007-05-09T09:17:51","slug":"governo-e-sociedade-civil-vao-apontar-diretrizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18330","title":{"rendered":"Governo e sociedade civil v\u00e3o apontar diretrizes"},"content":{"rendered":"<p><span>BRAS&Iacute;LIA &#8211; Apesar da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal prever a exist&ecirc;ncia complementar dos sistemas privado, estatal e p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o no seu Artigo 223, a situa&ccedil;&atilde;o do principal meio do pa&iacute;s, a televis&atilde;o, evidencia um forte desequil&iacute;brio favor&aacute;vel ao setor privado. As emissoras comerciais somam 80% das 350 TVs existentes no brasil, obt&ecirc;m mais de 90% da audi&ecirc;ncia e arrecadam 95% das receitas dispon&iacute;veis ao setor. Mas a condi&ccedil;&atilde;o de primo pobre dos ve&iacute;culos n&atilde;o comerciais come&ccedil;a a mudar. Teve in&iacute;cio nesta ter&ccedil;a (8) em Bras&iacute;lia o I F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas, encontro que re&uacute;ne as entidades de TVs legislativas, universit&aacute;rias, educativas e comunit&aacute;rias, al&eacute;m de integrantes do governo e representantes da sociedade civil.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Como explicaram as autoridades governamentais presentes &agrave; abertura do evento, ele &eacute; o &aacute;pice de um processo iniciado em setembro de 2006 (leia mat&eacute;ria &quot;Campo das TVs p&uacute;blicas monta F&oacute;rum para fortalecer setor&quot;). Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;sticos das entidades que comp&otilde;em o que foi apelidado de campo p&uacute;blico e da realiza&ccedil;&atilde;o de grupos de trabalho para elabora&ccedil;&atilde;o de propostas em diversos temas, a reuni&atilde;o aberta agora vai tentar produzir acordos entre os presentes de linhas gerais para a televis&atilde;o p&uacute;blica no pa&iacute;s. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>As falas da solenidade de abertura j&aacute; deram mostra de que o principal assunto do evento dever&aacute; ser o formato da rede p&uacute;blica anunciada pelo governo federal. Inicialmente apresentada pelo ministro das comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, a iniciativa foi deslocada para a responsabilidade do rec&eacute;m-nomeado ministro da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Franklin Martins. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em sua fala na cerim&ocirc;nia e em entrevistas, Martins afirmou que o governo j&aacute; possui algumas defini&ccedil;&otilde;es preliminares sobre como funcionar&aacute; a nova rede. Ela ser&aacute; comandada por uma cabe&ccedil;a-de-rede do governo federal constitu&iacute;da a partir da fus&atilde;o das emissoras da Radiobr&aacute;s com as TVEs do Rio de Janeiro e do Maranh&atilde;o, todas vinculadas ao Executivo Federal. O seu car&aacute;ter p&uacute;blico dever&aacute; ser garantido por uma gest&atilde;o democr&aacute;tica que a proteja tanto do mercado quanto dos governos. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;A id&eacute;ia &eacute; tirar da m&atilde;o de qualquer pal&aacute;cio o controle de qualquer decis&atilde;o&rdquo;, explicou Franklin Martins. N&atilde;o estando em nenhum destes dois p&oacute;los, o controle seria feito pelo p&uacute;blico a partir de um conselho formado por representantes da sociedade civil, que ter&aacute; papel de orientador, fiscalizador e operativo ao mesmo tempo. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras P&uacute;blicas, Educativas e Culturais (Abepec), Jorge da Cunha Lima, afirmou que a garantia do car&aacute;ter p&uacute;blico de uma TV s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se a mesma for &ldquo;intelectual e administrativamente independente&rdquo;. Isso inclui o desafio de impedir que o financiamento seja uma forma da autonomia formal n&atilde;o se concretizar, como ocorre em diversas emissoras educativas que, embora tenham conselhos representativos de gest&atilde;o, acabam cedendo a press&otilde;es dos governos estaduais por serem estes a ter a chave do cofre. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Embora a proposta de financiamento da rede p&uacute;blica n&atilde;o esteja pronta, Franklin Martins adiantou que h&aacute; acordo em garantir que as receitas venham de diversas fontes para diminuir a depend&ecirc;ncia das verbas or&ccedil;ament&aacute;rias. Entre outras fontes de financiamento estariam, al&eacute;m dos recursos do or&ccedil;amento, a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, o patroc&iacute;nio de empresas, doa&ccedil;&otilde;es e verbas de fundos j&aacute; existentes. Questionado sobre a possibilidade de publicidade na rede, reivindica&ccedil;&atilde;o apresentada pelas educativas nas discuss&otilde;es iniciais do F&oacute;rum, tanto Franklin Martins quanto Gilberto Gil afirmaram n&atilde;o ser uma boa op&ccedil;&atilde;o pelo risco de desvirtuar a l&oacute;gica da rede p&uacute;blica. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A busca por recursos tem como motiva&ccedil;&atilde;o principal o objetivo de dotar a rede p&uacute;blica de condi&ccedil;&otilde;es para desenvolver uma programa&ccedil;&atilde;o de qualidade. Para o ministro Gilberto Gil, o conte&uacute;do veiculado na rede deve ter &ldquo;qualidade est&eacute;tica, mas sem abrir m&atilde;o da &eacute;tica&rdquo;. Na fala do titular da pasta da Cultura e de outros debatedores do primeiro dia do F&oacute;rum, se repetiu a defesa de uma TV generalista, que produza e difunda informa&ccedil;&atilde;o, cultura, arte e dramaturgia. O &uacute;nico tipo de conte&uacute;do que ainda divide os presentes &eacute; o entretenimento, defendido em uma nova dimens&atilde;o por uns e relegado &agrave; produto exclusivo das TVs comerciais por outros. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Independente dos g&ecirc;neros e formatos, outro consenso que transpareceu nas exposi&ccedil;&otilde;es &eacute; a necessidade da TV p&uacute;blica ser um espa&ccedil;o de divulga&ccedil;&atilde;o da diversidade brasileira. Na opini&atilde;o de Gilberto Gil, a melhor forma de cumprir esta finalidade &eacute; abrir espa&ccedil;o para a produ&ccedil;&atilde;o independente. &ldquo;A produ&ccedil;&atilde;o independente atende aos requisitos fundamentais por que ela pode ser coisa mais representativa da diversidade regional e do pensamento. Ela expressa mais livremente o pensamento da sociedade brasileira. Ela &eacute; mais democr&aacute;tica, mais barata&rdquo;, defendeu. As pol&iacute;ticas de governo, continuou, devem propiciar n&atilde;o s&oacute; o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura, mas tamb&eacute;m aos meios e equipamentos para produzi-los, aproveitando as possibilidades de novas tecnologias como a internet.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Cronograma<br \/><\/strong><\/span><span>Uma das preocupa&ccedil;&otilde;es surgidas &eacute; como garantir que esta j&aacute; velha agenda sobreviva na chegada de novos tempos, mais especificamente na transi&ccedil;&atilde;o da TV anal&oacute;gica para a digital. &ldquo;Se a TV p&uacute;blica n&atilde;o se estruturar como rede nacional de TV p&uacute;blica pra isso [a chegada da TV digital], ter&aacute; perdido o ultimo trem&rdquo;, alertou Franklin Martins. Ele afirmou &agrave; imprensa que a id&eacute;ia do governo &eacute; estar com a rede em funcionamento, mesmo que experimental, quando da entrada das primeiras emissoras na transi&ccedil;&atilde;o para o sistema digital, marcado para dezembro deste ano para os ve&iacute;culos da cidade de S&atilde;o Paulo. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo o cronograma apresentado pelo ministro, em at&eacute; 60 dias o governo espera ter uma proposta mais acabada para enviar um Projeto de Lei ao Congresso em agosto ou setembro. Para que isso aconte&ccedil;a, um dos principais n&oacute;s que j&aacute; come&ccedil;a a ser desatado no F&oacute;rum &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre o governo federal e as emissoras educativas estaduais existentes. Franklin Martins defendeu como &ldquo;natural&rdquo; a lideran&ccedil;a do governo para a forma&ccedil;&atilde;o da rede, mas afirmou que ela n&atilde;o se dar&aacute; de maneira &ldquo;imperial&rdquo;. Ser&aacute;, sim, uma constru&ccedil;&atilde;o coletiva. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O presidente da Abepec, Jorge da Cunha Lima, deu um recado sutil, mas certo. &ldquo;A rede p&uacute;blica n&atilde;o nasce de decreto, mas da conven&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos, da soma da capacidade de produzir de cada estado e da relevante transmiss&atilde;o disso em car&aacute;ter nacional&rdquo;. As educativas n&atilde;o querem ser coadjuvantes, mas concretizar que seu papel ser&aacute; relevante na constru&ccedil;&atilde;o da rede. <\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Se conseguir equalizar esta tens&atilde;o, o governo ter&aacute; dado um importante passo para a constitui&ccedil;&atilde;o da rede p&uacute;blica. Correndo por fora, as demandas das emissoras legislativas, universit&aacute;rias e comunit&aacute;rias ainda continuam nos documentos e nos bastidores. Em meio &agrave; for&ccedil;a do debate sobre a rede do governo, estes setores ter&atilde;o de correr para colocar suas pautas na Carta de Bras&iacute;lia, documento final do encontro, e n&atilde;o assistirem que o F&oacute;rum reservado ao campo p&uacute;blico finalize com propostas para apenas uma parte deste.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=14056\"><em>Para acessar o link original, clique aqui.<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abertura do I F\u00f3rum de TVs P\u00fablicas evidencia que formato, programa\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e financimento da futura rede deve dominar os debates. Demandas de emissoras legislativas, universist\u00e1rias e comunit\u00e1rias ainda n\u00e3o ganharam import\u00e2ncia no evento.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[216],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18330"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18330\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}