{"id":18308,"date":"2007-05-07T10:43:43","date_gmt":"2007-05-07T10:43:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18308"},"modified":"2007-05-07T10:43:43","modified_gmt":"2007-05-07T10:43:43","slug":"a-entrada-da-telefonica-de-espana-na-italia-telecom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18308","title":{"rendered":"A entrada da Telefonica de Espa\u00f1a na Italia Telecom"},"content":{"rendered":"<p><span>A Telefonica de Espa&ntilde;a comprou 42,3% da Olimpia, holding que &eacute; a maior acionista da Italia Telecom, com 18% das a&ccedil;&otilde;es da operadora peninsular. Os demais 57,7% das a&ccedil;&otilde;es da Olimpia ficaram com um mix de bancos italianos e a fam&iacute;lia Benetton. Ao final da opera&ccedil;&atilde;o, a Olimpia (que passar&aacute; a se chamar Telco) ter&aacute; sua participa&ccedil;&atilde;o na Italia Telecom aumentada para 23,6%.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A opera&ccedil;&atilde;o pode ser analisada sobre quatro diferentes &acirc;ngulos.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Perspectiva italiana<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A Italia Telecom vinha apresentando s&eacute;rios problemas, frutos da administra&ccedil;&atilde;o no m&iacute;nimo temer&aacute;ria de Marco Tronchetti Provera, controlador da Pirelli e ex-dono de 80% da holding Olimpia. Com isso, a empresa italiana se tornara um alvo f&aacute;cil para poss&iacute;veis aquisi&ccedil;&otilde;es e o principal interessado era o empres&aacute;rio mexicano Carlos Slim Helu, dono da Telmex (que, no Brasil, opera com as marcas Embratel, Claro e NET).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Foi, ent&atilde;o, que entrou em cena o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, defendendo e articulando uma &ldquo;solu&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia&rdquo;. O resultado da opera&ccedil;&atilde;o tem a marca do governo italiano.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em primeiro lugar, o controle da Italia Telecom continua no interior da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, onde &eacute; mais f&aacute;cil a atua&ccedil;&atilde;o do governo italiano. Em segundo lugar, mesmo sendo a principal acionista na ex-Olimpia, a Telefonica de Espa&ntilde;a tem menos da metade das a&ccedil;&otilde;es (os tais 42,3%), contra 57,7% de um &ldquo;bloco italiano&rdquo; (formado por Mediobanco, Generali, Intesa Sanpaolo e os Benetton).<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><\/p>\n<p><span>De uma s&oacute; vez, o governo de Prodi conseguiu um s&oacute;cio estrat&eacute;gico para a empresa italiana de telecomunica&ccedil;&otilde;es (que passava por dificuldades), manteve na It&aacute;lia a maioria das a&ccedil;&otilde;es e evitou a entrada em seu mercado de uma operadora mexicana famosa pelo apetite nas aquisi&ccedil;&otilde;es.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Como lembra o economista M&aacute;rcio Wohlers, em entrevista para a revista Carta Capital (n&deg; 443), a opera&ccedil;&atilde;o pode ter envolvido, inclusive, uma permuta com o governo de Jos&eacute; Zapatero, que permitiu a entrada da empresa de energia italiana Enel no capital da espanhola Endesa.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Esta opera&ccedil;&atilde;o demonstra, por contraste, que o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s foi, tamb&eacute;m, uma desnacionaliza&ccedil;&atilde;o do nosso mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que hoje assiste no seu pr&oacute;prio quintal a disputa entre Telefonica de Espa&ntilde;a e Telmex. O governo FHC, atrav&eacute;s de seus ent&atilde;o ministros S&eacute;rgio Motta e Mendon&ccedil;a de Barros, agiu conscientemente para enfraquecer a presen&ccedil;a estatal e evitar o surgimento de um grupo nacional com chances de se firmar no cen&aacute;rio internacional.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Agora, imaginemos o que aconteceria se o governo brasileiro atuasse da mesma forma que o seu cong&ecirc;nere italiano. Nossa imprensa colonizada certamente denunciaria um indevida interven&ccedil;&atilde;o no mercado auto-regul&aacute;vel (cuja exist&ecirc;ncia rivaliza com a do coelhinho da P&aacute;scoa e o bicho-pap&atilde;o).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Perspectiva espanhola<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A aquisi&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es da holding Olimpia foi, na verdade, uma a&ccedil;&atilde;o defensiva da Telefonica de Espa&ntilde;a que assim evitou que a Telmex entrasse no mercado europeu e, principalmente, viesse a comprar a operadora de telefonia celular TIM, no Brasil. A TIM &eacute; a segunda maior operadora de telefonia celular do pa&iacute;s (tendo ultrapassado a Claro, de Slim Helu) e a que mais cresce, amea&ccedil;ando a l&iacute;der Vivo (que tem 50% de suas a&ccedil;&otilde;es nas m&atilde;os da Telefonica).<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><span><br \/>Antes da compra das a&ccedil;&otilde;es da Italia Telecom, especulava-se que a Telefonica estaria fazendo caixa para comprar os demais 50% da Vivo, pertencentes &agrave; Portugal Telecom. Agora, n&atilde;o se sabe o que acontecer&aacute; com a Vivo. Pode ser que a Telefonica continue com seu projeto de aquisi&ccedil;&atilde;o total ou que termine vendendo a sua parcela para a Portugal Telecom. Mas, uma coisa &eacute; certa. Qualquer que seja o movimento da Telefonica na Vivo, a operadora de celular dever&aacute; ser blindada contra uma poss&iacute;vel investida de Slim Helu.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A mesma precau&ccedil;&atilde;o a Telefonica tomou em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; TIM. Embora detenha menos de 50% na holding que controla a Italia Telecom, a Telefonica fez incluir um direito de veto sobre qualquer opera&ccedil;&atilde;o de venda de ativos no exterior. Assim, se os s&oacute;cios italianos quiserem vender a TIM no Brasil, a Telefonica pode impedir que a empresa caia nas m&atilde;os da Telmex.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Perspectiva mexicana<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo homem mais rico do mundo, de acordo com levantamento da revista Forbes, Carlos Slim Helu foi o grande prejudicado com a compra das a&ccedil;&otilde;es da Italia Telecom pela Telefonica. Slim perdeu a oportunidade de operar na Europa e viu diminu&iacute;rem suas op&ccedil;&otilde;es no principal mercado latino-americano: o Brasil.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Propriet&aacute;rio da Embratel, da Claro e da NET Servi&ccedil;os<\/span>*<span> (dona da infra-estrutura da principal empresa de TV a cabo no Brasil), Slim agora n&atilde;o pode comprar nem a primeira nem a segunda maiores operadoras de telefonia m&oacute;vel do Brasil e teve que assistir de camarote a movimenta&ccedil;&atilde;o de sua principal concorrente. Sobram poucas op&ccedil;&otilde;es de compra no mercado de telefonia celular no Brasil, notadamente a Telemig e a Amaz&ocirc;nia Celular. O que &eacute; pouco para quem sonha em ser l&iacute;der.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Perspectiva brasileira<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Gra&ccedil;as a engenharia montada durante o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s, e ao contr&aacute;rio dos pa&iacute;ses europeus e do pr&oacute;prio M&eacute;xico, o Brasil deixou de ser ator no campo das telecomunica&ccedil;&otilde;es para se tornar palco da disputa entre gigantes transnacionais. Com isso, a compra das a&ccedil;&otilde;es da Italia Telecom por parte da Telefonica de Espa&ntilde;a ter&aacute; s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias no mercado brasileiro.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em primeiro lugar, o fim da era &ldquo;Tronchetti Provera&rdquo; na Italia Telecom significa uma grande perda para o banqueiro Daniel Dantas, que mantinha rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas com Provera, atrav&eacute;s do mega-especulador Naji Nahas. A rela&ccedil;&atilde;o Provera-Dantas era importante na Brasil Telecom, empresa que j&aacute; esteve sob a gest&atilde;o de Dantas e que hoje &eacute; controlada por fundos de pens&atilde;o de estatais e pelo Citi Bank.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Dantas foi um dos principais benefici&aacute;rios do duvidoso processo de privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s, que, tanto na Brasil Telecom quanto na Telemar, foi realizado com recursos p&uacute;blicos, mas gest&atilde;o privada. Assim, Dantas administrava as a&ccedil;&otilde;es do Citi Bank, dos fundos de pens&atilde;o e da pr&oacute;pria Italia Telecom. E mesmo tendo pouqu&iacute;ssimas a&ccedil;&otilde;es da Brasil Telecom, acabava na posi&ccedil;&atilde;o de mando.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O cen&aacute;rio mudou no governo Lula, quando os fundos de pens&atilde;o alteraram a linha de atua&ccedil;&atilde;o e se uniram ao Citi Bank (agora preocupado em ser processado pelo governo norte-americano por m&aacute; gest&atilde;o na operadora brasileira), assumindo o controle da Brasil Telecom.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Como a Brasil Telecom tamb&eacute;m possui uma opera&ccedil;&atilde;o de telefonia celular, a Italia Telecom teve que se afastar do bloco de controle da empresa, para n&atilde;o entrar em conflito legal com a sua pr&oacute;pria opera&ccedil;&atilde;o na TIM. Mesmo assim, a articula&ccedil;&atilde;o entre Dantas e Provera continuava tentando influenciar os rumos futuros da Brasil Telecom. Agora, tudo muda.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, para que tenhamos uma vis&atilde;o mais clara do novo cen&aacute;rio brasileiro, resta saber a resposta para v&aacute;rias perguntas.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O que far&aacute; a Italia Telecom com suas a&ccedil;&otilde;es na Brasil Telecom, uma vez que a empresa n&atilde;o pode participar do bloco de controle? Vender&aacute;? Para quem?<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O que a Italia Telecom far&aacute; com a TIM? Vai mant&ecirc;-la? Pretende vend&ecirc;-la? Quem seria o comprador, j&aacute; sabendo de antem&atilde;o que a Telefonica n&atilde;o deixar&aacute; que seja a Telmex?<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O que a Telefonica pretende fazer na Vivo? Vai adquirir os 50% da Portugal Telecom? Vai vender sua participa&ccedil;&atilde;o e, por sua vez, comprar a TIM?<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>De qualquer forma, o resultado final dever&aacute; apontar para mais concentra&ccedil;&atilde;o no mercado de telefonia celular. Por isso mesmo, ser&aacute; interessante descobrir o que far&atilde;o a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica (CADE). Isso porque, dessa vez, a opera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se deu diretamente no Brasil. A Telefonica possui 50% da Vivo, mas participa da TIM apenas indiretamente, atrav&eacute;s dos 42,3% que det&eacute;m na ex-Olimpia, que, por sua vez, est&aacute; sediada na It&aacute;lia.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, talvez o mais interessante de todo este processo possa ser o refor&ccedil;o do grupo, dentro do governo, que defende uma interven&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio governo para garantir a fus&atilde;o entre Telemar e Brasil Telecom, a fim de criar uma grande operadora nacional que possa competir com a Telefonica e a Telmex.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A id&eacute;ia pode proliferar porque o exemplo italiano demonstra que o Estado pode, e deve, ter um importante papel neste jogo. E tamb&eacute;m pelo fato de que o Estado brasileiro &eacute; o principal acionista tanto da Brasil Telecom (Previ, Funcef e Petros) quanto na Telemar (Previ, BNDES, Banco do Brasil).<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><span>Contudo, h&aacute; que se ter o cuidado para que uma poss&iacute;vel fus&atilde;o entre Brasil Telecom e Telemar n&atilde;o termine beneficiando os &ldquo;capitalistas&rdquo; que conseguiram comprar as duas empresas sem meter a m&atilde;o no bolso, usando recursos do Estado: como o pr&oacute;prio Daniel Dantas.<\/span><\/p>\n<div>\n<p>* Atrav&eacute;s de uma complexa opera&ccedil;&atilde;o financeira que visa burlar o limite de 49% do capital estrangeiro, imposto pelo Lei 8977\/95, e que contou com a participa&ccedil;&atilde;o de sua s&oacute;cia, as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo.<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;Publica&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Telefonica de Espa&ntilde;a comprou 42,3% da Olimpia, holding que &eacute; a maior acionista da Italia Telecom, com 18% das a&ccedil;&otilde;es da operadora peninsular. 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