{"id":18303,"date":"2007-05-04T12:38:32","date_gmt":"2007-05-04T12:38:32","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18303"},"modified":"2007-05-04T12:38:32","modified_gmt":"2007-05-04T12:38:32","slug":"o-que-segura-o-avanco-das-tics-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18303","title":{"rendered":"O que segura o avan\u00e7o das TICs no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>A terceira edi&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndice de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o traz boas not&iacute;cias para a Am&eacute;rica Latina, onde diferentes pa&iacute;ses, entre os 122 pesquisados, subiram v&aacute;rias posi&ccedil;&otilde;es. Mas o Brasil mant&eacute;m-se estagnado (chegou a perder uma posi&ccedil;&atilde;o), abaixo dos 50 pa&iacute;ses que melhor fazem uso das TICs.&nbsp; Irene Mia, economista s&ecirc;nior do World Economic Forum, detalha, nesta entrevista, os principais acertos e erros do pa&iacute;s.&nbsp;<br \/><\/em><\/span><\/p>\n<p><span><strong>Por que essa pesquisa?<br \/><\/strong><\/span><span>Irene Mia &#8211; O World Economic Forum faz, desde 79,&nbsp; estudos sobre a competitividade dos pa&iacute;ses, cujos relat&oacute;rios s&atilde;o lan&ccedil;ados anualmente. A partir de&nbsp; 2001, passou a elaborar um estudo sobre o desenvolvimento da Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o (TIC) . Esta edi&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndice de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o 2006\/2007 recolheu informa&ccedil;&otilde;es de 122 pa&iacute;ses. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>As TiCs fazem parte do dia a dia das pessoas. Essa pesquisa retrata a acessibilidade das TICs em cada pa&iacute;s, tanto sob a &oacute;tica dos ambientes governamentais e empresariais, como o seu uso pela popula&ccedil;&atilde;o. O &iacute;ndice mede a capacidade dos pa&iacute;ses em aproveitar as oportunidades da tecnologia para alavancar o seu desenvolvimento e competitividade. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O que voc&ecirc;s pesquisam?<br \/><\/strong><\/span><span>Apuramos indicadores com base em tr&ecirc;s princ&iacute;pios. O primeiro deles &eacute; o ambiente de cada pa&iacute;s no que se refere ao mercado, investimentos, quest&otilde;es regulat&oacute;rias, facilidades para estimular o &ldquo;venture capital&rdquo;, al&eacute;m da infra-estrutura f&iacute;sica e humana. O segundo princ&iacute;pio busca apurar de que forma os tr&ecirc;s atores &ndash; governo, empresas e indiv&iacute;duos &ndash;&nbsp; est&atilde;o preparados para&nbsp;&nbsp; aplicarem as tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o. Os Tigres Asi&aacute;ticos, que est&atilde;o bem colocados no ranking da pesquisa, demonstram, por exemplo, que&nbsp; as a&ccedil;&otilde;es dos governos foram fundamentais para atingirem os patamares atuais. Por fim, pesquisamos tamb&eacute;m o uso dessas tecnologias pelos diferentes atores. Al&eacute;m de usarmos as base de dados econ&ocirc;micas, recolhemos a percep&ccedil;&atilde;o dos diferentes agentes frente &agrave; realidade de cada pa&iacute;s. No Brasil, a pesquisa de opini&atilde;o &eacute; feita em parceria com a Funda&ccedil;&atilde;o Dom Cabral e o Movimento Brasil de Competitividade.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>E qual &eacute; o objetivo final do estudo?<br \/><\/strong><\/span><span>Acreditamos que o trabalho possa servir de ferramenta para o planejamento e atua&ccedil;&atilde;o dos agentes p&uacute;blicos e privados de cada pa&iacute;s. Com os benchmarks, &eacute; poss&iacute;vel construir novos patamares para o desenvolvimento das TICs. Se n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel fazer compara&ccedil;&atilde;o entre as diferentes na&ccedil;&otilde;es &ndash; na lista dos 20 melhores, est&atilde;o, obviamente, as economias mais ricas -,&nbsp; cada pa&iacute;s pode fazer estudos comparativos entre seus iguais, ou mesmo analisar o pr&oacute;prio desempenho de anos anteriores para projetar o futuro. Nesta edi&ccedil;&atilde;o, constatamos, por exemplo, que os Estados Unidos, que estavam em primeiro lugar, ca&iacute;ram cinco posi&ccedil;&otilde;es, ficando em sexto lugar. Os cinco pa&iacute;ses melhores pontuados foram: Dinamarca, Su&eacute;cia, Cingapura, Finl&acirc;ndia, Holanda.&nbsp; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Como est&atilde;o a Am&eacute;rica Latina e o Brasil?<\/strong><\/span><span><br \/>A Am&eacute;rica Latina e Caribe est&atilde;o passando por um momento muito importante. Embora tenham iniciado tarde o seu processo, (s&oacute; come&ccedil;aram a lidar com programas mais agressivos no final da d&eacute;cada de 90), bem depois dos Estados Unidos, Europa ou &Aacute;sia, o importante &eacute; que, agora, a TIC entrou na agenda da maioria dos pa&iacute;ses.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>O Chile continua a ser o pa&iacute;s mais bem classificado, em 31&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o no ranking geral e em primeiro no ranking da Am&eacute;rica Latina e Caribe. Mas diferentes pa&iacute;ses subiram v&aacute;rias posi&ccedil;&otilde;es, como o M&eacute;xico &ndash; que est&aacute; em 49&ordm; lugar &ndash; ou a Rep&uacute;blica Dominicana, que passou a ocupar a 66&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o.&nbsp; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>E o Brasil?<\/strong><\/span><span><br \/>O Brasil &eacute; interessante, com n&uacute;meros bastante intrigantes. Embora tenha come&ccedil;ado mais cedo, em rela&ccedil;&atilde;o a outros pa&iacute;ses latino-americanos, o movimento pelo desenvolvimento das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, sua posi&ccedil;&atilde;o global n&atilde;o &eacute; muito confort&aacute;vel. Embora tenha ca&iacute;do uma posi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa anterior, essa queda n&atilde;o &eacute; importante. O significativo &eacute; que, apesar de todo seu potencial, mant&eacute;m-se abaixo dos 50 melhores pa&iacute;ses. Este ano, est&aacute; em 53&ordm; lugar, contra 52&ordf; posi&ccedil;&atilde;o do ano passado. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quais s&atilde;o os pontos positivos do pa&iacute;s?<\/strong><\/span><span><br \/>O Brasil tem um setor privado forte e competitivo. A taxa de penetra&ccedil;&atilde;o, mesmo da internet, embora menor do que dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, &eacute; significativa, se comparada com outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o. O e-government&nbsp; merece destaque. O pa&iacute;s tem muitos bons exemplos na oferta de servi&ccedil;os digitais de governo para a sua popula&ccedil;&atilde;o. Nesses quesitos, o Brasil se classifica na 18&ordf; posi&ccedil;&atilde;o, quando se analisa a e-participa&ccedil;&atilde;o e 19&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no uso eficiente da TIC pelo governo. <\/span><span><\/p>\n<p><\/span><span><strong>H&aacute; outros quesitos que merecem destaques positivos?<br \/><\/strong><\/span><span>Outro aspecto bastante importante s&atilde;o as universidades de qualidade e suas pesquisa e desenvolvimento,&nbsp; gerando produtos inovadores. A capacidade brasileira para a inova&ccedil;&atilde;o o coloca em 29&ordf; posi&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses pesquisados e em 31&ordf; posi&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses que exportam tecnologia high-tech. Os institutos de pesquisa brasileiros s&atilde;o qualificados, situando-se entre os 36 melhores.&nbsp; <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>E os negativos?<br \/><\/strong><\/span><span>Dois s&atilde;o os maiores problemas do Brasil. A exclus&atilde;o educacional &eacute; o mais grave. Apesar de o pa&iacute;s contar com centros de excel&ecirc;ncia em pesquisa, poucos s&atilde;o os brasileiros que t&ecirc;m acesso &agrave; boa qualidade acad&ecirc;mica. A estrutura educacional &eacute; insuficiente e fr&aacute;gil a partir do sistema b&aacute;sico. O pa&iacute;s figura na 98&ordf; posi&ccedil;&atilde;o na qualidade da educa&ccedil;&atilde;o de matem&aacute;tica e ci&ecirc;ncias; na 112&ordf; posi&ccedil;&atilde;o na qualidade do sistema educacional e na 111&ordf; posi&ccedil;&atilde;o na qualidade das escolas p&uacute;blicas.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>O segundo problema &eacute; o ambiente legal. O pa&iacute;s tem excesso de regula&ccedil;&atilde;o, interven&ccedil;&atilde;o e burocracia. O tempo para se abrir uma empresa o coloca na 115&ordf; posi&ccedil;&atilde;o. O n&uacute;mero de procedimentos necess&aacute;rios para iniciar um neg&oacute;cio o situa&nbsp; no 115&ordm; lugar. Os efeitos dos impostos, em 122&ordm;; e o excesso de regula&ccedil;&atilde;o, em 121&ordm;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O governo lan&ccedil;ou um programa de qualifica&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o brasileira, que inclui levar a banda larga e a internet para todas as escolas p&uacute;blicas.<\/strong><\/span> <br \/><span>&Eacute; claro que tudo o que for feito para ampliar o acesso &agrave; tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; bem-vindo e trar&aacute; efeitos muito importantes. Mas todos sabemos que melhorar o sistema educacional &eacute; um trabalho de longo prazo. A atua&ccedil;&atilde;o mais f&aacute;cil, que ir&aacute; repercutir imediatamente nos indicadores do ranking brasileiro seria, &eacute; claro, cortar a burocracia e melhorar a efici&ecirc;ncia do ambiente estatal&nbsp; brasileiro.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa mostra que pa\u00eds mant\u00e9m-se estagnado no uso das tecnologias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[214,61],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18303"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18303\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}