{"id":18300,"date":"2007-05-04T11:17:05","date_gmt":"2007-05-04T11:17:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18300"},"modified":"2007-05-04T11:17:05","modified_gmt":"2007-05-04T11:17:05","slug":"os-desafios-de-alvarez-no-comando-da-inclusao-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18300","title":{"rendered":"Os desafios de Alvarez no comando da inclus\u00e3o digital"},"content":{"rendered":"<p>Com v&aacute;rias iniciativas espalhadas por nove minist&eacute;rios, quatro estatais e uma funda&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, o governo Lula, embora tenha conseguido colocar a inclus&atilde;o digital na pauta do pa&iacute;s, avan&ccedil;ou muito menos do que poderia. Por falta de coordena&ccedil;&atilde;o, nem sempre os recursos foram usados da forma mais eficiente poss&iacute;vel, h&aacute; iniciativas sobrepostas e falta sinergia entre os projetos. Agora, o quadro pode mudar. Na semana passada, Cezar Alvarez, assessor especial da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, foi indicado para a fun&ccedil;&atilde;o. &nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o se trata de uma surpresa. A indica&ccedil;&atilde;o era esperada pois Alvarez acumulou credenciais para exercer essa espinhosa fun&ccedil;&atilde;o, que envolve a articula&ccedil;&atilde;o entre v&aacute;rios minist&eacute;rios e &aacute;reas de governo. Sem falar nas estatais. Ele foi o respons&aacute;vel por colocar em marcha o programa Computador para Todos, uma das mais bem sucedidas iniciativas do governo nessa &aacute;rea; e &eacute; tamb&eacute;m o coordenador do programa Um Computador por Aluno, o UCA, que desenvolve experi&ecirc;ncias-piloto com tr&ecirc;s modelos de computador educacional em quatro escolas p&uacute;blicas do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A coordena&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de inclus&atilde;o digital, reivindicada pelo ministro H&eacute;lio Costa logo depois que assumiu o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, em 2005, chegou a ser entregue a ele pelo presidente Lula. Mas Costa, de fato, nunca chegou a exercer a fun&ccedil;&atilde;o. E acabou abrindo m&atilde;o dela, pela dificuldade de um ministro de um setor interferir em programas de outros setores. Mas insiste em que as a&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; infra-estrutura de comunica&ccedil;&otilde;es, por serem de responsabilidade de sua pasta, ser&atilde;o conduzidas por ele.&nbsp;<\/p>\n<p>Se a falta de coordena&ccedil;&atilde;o j&aacute; era um problema para levar &agrave; frente os programas de inclus&atilde;o digital, ela passou a ser estrat&eacute;gica com a decis&atilde;o do governo Lula, neste segundo mandato, de estabelecer, como prioridade n&uacute;mero um, a qualidade do ensino, que tem, como subprograma, a instala&ccedil;&atilde;o de computadores em todas as 170 mil escolas p&uacute;blicas at&eacute; 2010, e a sua conex&atilde;o em banda larga &agrave; internet. O Plano de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o, lan&ccedil;ado pelo presidente da Rep&uacute;blica ontem, dia 24 de abril, tem seu foco na melhoria da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, mas contempla um conjunto de 42 medidas que atingem tamb&eacute;m o ensino superior, especialmente no que diz respeito ao acesso. Entre as 14 medidas mais relevantes do PDE, que vem sendo chamado de PAC da educa&ccedil;&atilde;o, est&aacute; a informatiza&ccedil;&atilde;o das escolas. Mas, l&aacute;, a medida envolve apenas a compra de computadores e oferta de conte&uacute;do did&aacute;tico, para a130 mil escolas p&uacute;blicas at&eacute; 2010, o que vai movimentar recursos da ordem de R$ 650 milh&otilde;es.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O desafio de conectar as escolas<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>A conex&atilde;o das escolas em banda larga (e tamb&eacute;m a sua informatiza&ccedil;&atilde;o) integra um outro programa, em desenvolvimento pelo N&uacute;cleo de Assuntos Estrat&eacute;gicos &#8211; NAE da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Ainda em vers&atilde;o provis&oacute;ria, o programa prev&ecirc; o uso de recursos do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es. Seriam R$ 9,7 bilh&otilde;es em cinco anos, sendo sendo R$ 4,4 bilh&otilde;es em inform&aacute;tica (R$ 3,2 bilh&otilde;es em investimento e R$ 1,1 bilh&atilde;o em custeio) e R$ 5,3 bilh&otilde;es em conex&atilde;o ( R$ 2,7 bilh&otilde;es em investimento de rede e conex&atilde;o e R$ 2,5 bilh&otilde;es em custeio).&nbsp;<\/p>\n<p>Certamente, o grande desafio que se coloca para o novo coordenador de programas de inclus&atilde;o digital do governo Lula &eacute; ajustar os dois programas &ndash; j&aacute; que os n&uacute;meros do NAE para informatiza&ccedil;&atilde;o das escolas s&atilde;o muito superiores aos do MEC, que s&oacute; conta com recursos pr&oacute;prios e n&atilde;o incluem o custeio, a cargo de estados e munic&iacute;pios. E trabalhar na constru&ccedil;&atilde;o, junto com o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e com o NAE, de um programa de banda larga para o pa&iacute;s. &nbsp;<\/p>\n<p>A proposta do NAE se casa com a rede p&uacute;blica de telecomunica&ccedil;&otilde;es, proposta pelo Minist&eacute;rio do Planejamento e aprovada pelo presidente Lula. Em princ&iacute;pio, essa rede ser&aacute; constru&iacute;da em cima do backbone &oacute;ptico da Eletronet (a empresa faliu em 2003, mas continuou em opera&ccedil;&atilde;o), a ser comprado pelo governo. O backbone da Eletronet seria conectado a 12 capitais para transportar dados das redes do governo federal como Serpro (seu principal cliente &eacute; o Minist&eacute;rio da Fazenda), Dataprev, Datasus, entre outras. A compra dos ativos (basicamente pagamento a credores) mais o investimento necess&aacute;rio para por a rede para operar totalizariam R$ 236 milh&otilde;es. Mas a id&eacute;ia evoluiu, e existe a proposta de que ela seja usada para tamb&eacute;m interconectar todas as escolas p&uacute;blicas do pa&iacute;s.&nbsp;<br \/><strong><br \/>Qual o melhor caminho?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Dar &agrave; rede estatal de telecom a dimens&atilde;o nacional, proposta que n&atilde;o est&aacute; ainda fechada, ter&aacute; um grande impacto sobre o modelo de telecomunica&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s, constru&iacute;do a partir da privatiza&ccedil;&atilde;o. A proposta elaborada pelo NAE n&atilde;o faz nenhuma simula&ccedil;&atilde;o sobre os conflitos, nem sobre os eventuais impactos e custos para a Uni&atilde;o, se houver o desequil&iacute;brio econ&ocirc;mico-financeiro das concession&aacute;rias locais, que s&atilde;o obrigadas a arcar com as metas de universaliza&ccedil;&atilde;o da telefonia. Limita-se a constatar que as metas de universaliza&ccedil;&atilde;o, definidas pela Uni&atilde;o, n&atilde;o atendem &agrave;s demandas estabelecidas a partir da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, mundo cujo principal insumo &eacute; a banda larga e n&atilde;o o servi&ccedil;o telef&ocirc;nico fixo comutado, o &uacute;nico universalizado no pa&iacute;s. S&oacute; 1,9 mil munic&iacute;pio do pa&iacute;s contam com infra-estrutura de banda larga.&nbsp; <\/p>\n<p>O que o governo Lula ter&aacute; que decidir &ndash; e a&iacute; a exist&ecirc;ncia de um coordenador de inclus&atilde;o digital far&aacute; toda a diferen&ccedil;a &ndash; &eacute; se o melhor caminho, para a difus&atilde;o de banda larga no pa&iacute;s e conex&atilde;o das escolas, em primeiro lugar (e dos demais servi&ccedil;os p&uacute;blicos), &eacute; construir uma nova rede, estatal, ou utilizar a infra-estrutura das operadoras privadas, e lev&aacute;-la a todos os munic&iacute;pios. Por que a exist&ecirc;ncia de um coordenador &eacute; importante? Porque enquanto o NAE desenha o atendimento &agrave;s escolas a partir da rede da Eletronet, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es fecha uma proposta alternativa de atendimento &agrave;s metas de universaliza&ccedil;&atilde;o dos novos contratos de concess&atilde;o onde, no lugar de instalar postos de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es (8,2 mil em tr&ecirc;s anos), como prev&ecirc;em os novos contratos de concess&atilde;o, as concession&aacute;rias locais levariam a conectividade &agrave; internet (backhaul) a todos os munic&iacute;pios brasileiros. <\/p>\n<p>Em um pa&iacute;s com poucos recursos como o nosso, n&atilde;o faz nenhum sentido duplicar infra-estrutura de rede, ainda mais em n&iacute;vel nacional. O programa de banda larga tem de seguir um &uacute;nico caminho, com metas claras e escalonadas. Certamente, uma articula&ccedil;&atilde;o eficiente dos projetos, constru&iacute;da a partir de um debate democr&aacute;tico envolvendo os diferentes atores do governo, da iniciativa privada e da sociedade, vai permitir desenhar um programa de banda larga que otimize os recursos e leve o pa&iacute;s a dar um salto em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;<\/font>publica&ccedil;&atilde;o autorizada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com v&aacute;rias iniciativas espalhadas por nove minist&eacute;rios, quatro estatais e uma funda&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, o governo Lula, embora tenha conseguido colocar a inclus&atilde;o digital na pauta do pa&iacute;s, avan&ccedil;ou muito menos do que poderia. 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