{"id":18281,"date":"2007-05-02T11:37:49","date_gmt":"2007-05-02T11:37:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18281"},"modified":"2007-05-02T11:37:49","modified_gmt":"2007-05-02T11:37:49","slug":"igreja-catolica-quer-por-no-ar-3a-tv-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18281","title":{"rendered":"Igreja Cat\u00f3lica quer p\u00f4r no ar 3\u00aa TV nacional"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja Cat&oacute;lica caminha para implantar sua terceira emissora nacional, a partir da TV Aparecida. Em pouco mais de uma d&eacute;cada, numa rea&ccedil;&atilde;o ao avan&ccedil;o das igrejas evang&eacute;licas, surgiram duas redes de televis&atilde;o cat&oacute;licas com cobertura nacional em sinal aberto &#8211; Rede Vida e Can&ccedil;&atilde;o Nova &#8211; e v&aacute;rias emissoras locais e regionais. A velocidade de crescimento da Igreja Cat&oacute;lica, na &aacute;rea televisiva, s&oacute; tem similar com o da Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, nos anos 90, embora os investimentos da Universal em emissoras seja muito maior. <\/p>\n<p>A Universal tem 22 emissoras geradoras, sendo 19 da Rede Record, que disputa o segundo lugar entre as redes comerciais com o SBT. J&aacute; a Igreja Cat&oacute;lica tem 12 emissoras em funcionamento, mas ao menos mais 14 concess&otilde;es j&aacute; autorizadas pelo governo, a serem implantadas. At&eacute; a inaugura&ccedil;&atilde;o da Rede Vida, em 1995, a Igreja Cat&oacute;lica tinha s&oacute; uma emissora, a Sudoeste, no interior do Paran&aacute;, da Ordem dos Frades Menores. Na &eacute;poca, a igreja priorizava r&aacute;dios. Em 1998, entraram no ar a primeira geradora da TV Can&ccedil;&atilde;o Nova (hoje s&atilde;o quatro) e a TV Horizonte, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Um ano depois, surgiu a TV S&eacute;culo 21. Em 2002, a TV Nazar&eacute;, da Arquidiocese de Bel&eacute;m (PA), &agrave; qual se seguiram a TV Educar (Ponte Nova-MG, em 2003) e a TV Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o (Campo Grande-MS, em 2004). Em 2005, foi lan&ccedil;ada a TV Aparecida, com a pretens&atilde;o de ter cobertura nacional. Levantamento feito pela Folha mostra que a igreja reagiu de forma desordenada. Na &acirc;nsia por espa&ccedil;o, aluga canais de terceiros e usa sua influ&ecirc;ncia com o governo para obter TVs educativas, cujas concess&otilde;es s&atilde;o distribu&iacute;das gratuitamente. <\/p>\n<p>O resultado &eacute; uma superposi&ccedil;&atilde;o de meios e gastos e uma programa&ccedil;&atilde;o pouco atrativa, de conte&uacute;do muito religioso e deslocado da realidade. A maioria das concess&otilde;es &eacute; de car&aacute;ter educativo, mas h&aacute; emissoras comerciais (Rede Vida, TV Sudoeste e Can&ccedil;&atilde;o Nova de Sergipe) e um tipo misto de TV aberta com TV paga (TV Horizonte e Can&ccedil;&atilde;o Nova de S&atilde;o Paulo). As emissoras est&atilde;o registradas em nome de funda&ccedil;&otilde;es dirigidas por religiosos e de pessoas f&iacute;sicas. A concess&atilde;o da Rede Vida &eacute; da fam&iacute;lia do empres&aacute;rio Jo&atilde;o Monteiro Barros Filho, de S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Preto, que a obteve do ex-ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es Antonio Carlos Magalh&atilde;es, no fim do governo Sarney (1985-90). Ele prop&ocirc;s &agrave; Confer&ecirc;ncia Nacional dos Bispos do Brasil criar um canal cat&oacute;lico nacional. A CNBB usou sua influ&ecirc;ncia para obter mais de 400 outorgas de retransmiss&atilde;o para a emissora, no primeiro governo Fernando Henrique (1995-98). As dioceses financiaram a implanta&ccedil;&atilde;o dasretransmissoras. Na &eacute;poca, estimou-se o custo de implanta&ccedil;&atilde;o da Rede Vida em US$ 100 milh&otilde;es. <\/p>\n<p>Metade de suas 431 retransmissoras ainda &eacute; mantida por dioceses. A igreja n&atilde;o tem informa&ccedil;&atilde;o sobre o patrim&ocirc;nio das emissoras. Elas pertencem a grupos que t&ecirc;m autonomia, e a CNBB n&atilde;ointerfere nas decis&otilde;es. Segundo o diretor da TV Aparecida, padre C&eacute;sar Moreira, a prolifera&ccedil;&atilde;o de emissoras acontece porque a igreja &#39;&#39;tem v&aacute;rios rostos&#39; e cada um segue um modelo teol&oacute;gico. A Rede Can&ccedil;&atilde;o Nova e a TV S&eacute;culo 21 representam o Movimento da Renova&ccedil;&atilde;o Carism&aacute;tica. Para o arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira Azevedo, a Rede Vida &#39;&#39;deu uma resposta, mas n&atilde;o a resposta toda&#39;, e as novas emissoras refletem a necessidade de regionaliza&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o. A TV Educar, de Ponte Nova (MG), confirma o fen&ocirc;meno. Nasceu por iniciativa dos padres salesianos, que querem implantar uma rede de 14 emissoras educativas em Minas. <\/p>\n<p>A TV Aparecida diz custar R$ 1,5 milh&atilde;o por m&ecirc;s. Tem 200 empregados e dez retransmissoras que levam seus sinais a S&atilde;o Paulo e ao Rio, entre outras cidades. Para crescer, alugou do grupo OESP (que edita o jornal&#39;O Estado de S. Paulo&#39;), retransmissoras em S&atilde;o Paulo e no Maranh&atilde;o, por dois anos. Padre Cesar Moreira, da TV Aparecida, diz estar em negocia&ccedil;&atilde;o para entrar em mais 12 capitais. A emissora &eacute; financiada pelo Santu&aacute;rio de Aparecida e por publicidade. A Rede Vida diz gastar R$ 3 milh&otilde;espor m&ecirc;s. Barros Filho sustenta que os gastos s&atilde;o cobertos com a venda de an&uacute;ncios e de espa&ccedil;o na grade. As dioceses pagam para divulgar seus programas. A TV Horizonte diz ter despesa mensal de R$ 400 mil, que seria coberta com publicidade. A Can&ccedil;&atilde;o Nova e a TV Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o (vinculada &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o Padre Kolbe) n&atilde;o veiculam publicidade. Segundo a dire&ccedil;&atilde;o das emissoras, mant&ecirc;m-se com a doa&ccedil;&atilde;o de fi&eacute;is. <\/p>\n<p><strong>De cada 20 r&aacute;dios, uma pertence &agrave; Igreja Cat&oacute;lica<\/strong><\/p>\n<p>Pelo menos uma de cada 20 emissoras existentes no Brasilpertence&agrave; Igreja Cat&oacute;lica, que continua crescendo neste segmento. A RCR (Rede Cat&oacute;lica de R&aacute;dios) re&uacute;ne 215 concess&otilde;es de r&aacute;dios FM, AM, ondas curtas e ondas tropicais. O n&uacute;mero corresponde a 5% do total de r&aacute;dios em funcionamento no pa&iacute;s (4.546), de acordo com os dados oficiais da Anatel (Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es). O poder dos cat&oacute;licos nesse segmento n&atilde;o tem paralelo nas outras igrejas. <\/p>\n<p>Grande parte das concess&otilde;es de r&aacute;dio da Igreja Cat&oacute;lica foi dada pelo governo nas d&eacute;cadas de 50 e 60, para incentivar projetos de educa&ccedil;&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia, o que explica aexist&ecirc;ncia de 18 r&aacute;dios com o nome de Educadora. Ela ocupa tamb&eacute;m espa&ccedil;o entre as r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Criou a Ancarc (Associa&ccedil;&atilde;o Nacional Cat&oacute;lica de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias) que orienta grupos de cat&oacute;licos no encaminhamento dos pedidos ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. Segundo o presidente da entidade, padre Jos&eacute; Donizetti do Amaral, as emissoras ligadas &agrave; igreja somam 1.200, o que representa 43% do total de 2.792 r&aacute;dios comunit&aacute;rias autorizadas. <\/p>\n<p>O padre Antonio Pinelli, presidente da Unda Brasil, que coordena as emissoras cat&oacute;licas comerciais, diz que &#39;&#39;o r&aacute;dio &eacute;o meio de comunica&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pido e objetivo, porque n&atilde;o &eacute; preciso parar o que se est&aacute; fazendo para ouvi-lo&#39;. Segundo Pinelli, as r&aacute;dios cat&oacute;licas continuam em expans&atilde;o. Ele calcula que haja pelo menos mais 30, de concess&otilde;es recentes outorgadas pelo governo, que est&atilde;o no ar, mas ainda n&atilde;o fazem parte da RCR. A migra&ccedil;&atilde;o das emissoras de r&aacute;dio da tecnologia anal&oacute;gica para a digital &eacute; vista como um grande desafio para a igreja, em raz&atilde;o dos custos. Pinelli calcula que o custo, por emissora, ser&aacute; de, no m&iacute;nimo, R$ 150 mil, o que implicaria um gasto total superiora R$ 30 milh&otilde;es. As r&aacute;dios comerciais da igreja s&atilde;o registradas em nome de padres e bispos. &Eacute; o caso da r&aacute;dio Voz do Vale, em Fartura (SP), que est&aacute; em nome dos padres Jos&eacute; Aparecido Hergesse e Osman Proc&oacute;pio da Silva. O p&aacute;roco de Fartura, Jos&eacute; S&eacute;rgio Lima, administrador da r&aacute;dio, veta m&uacute;sicas que considera &#39;&#39;profanas&#39;. Ele diz que a r&aacute;dio depende financeiramente da publicidade, mas s&oacute; aceita an&uacute;ncios que n&atilde;o conflitem com a igreja. An&uacute;ncio de preservativo, por exemplo, s&atilde;o vetados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja Cat&oacute;lica caminha para implantar sua terceira emissora nacional, a partir da TV Aparecida. 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