{"id":18276,"date":"2007-04-27T11:19:00","date_gmt":"2007-04-27T11:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18276"},"modified":"2007-04-27T11:19:00","modified_gmt":"2007-04-27T11:19:00","slug":"brasil-perpetua-se-como-inimigo-numero-um-da-propriedade-intelectual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18276","title":{"rendered":"Brasil perpetua-se como &#8220;inimigo n\u00famero um&#8221; da propriedade intelectual"},"content":{"rendered":"<p>Publicado pela primeira vez na revista americana Wired , artigo de Julian Dibbell de 2004 apontava o Brasil como principal na&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-software livre do mundo, movimento que tem como &iacute;cone o ping&uuml;im da Linux. O motivo da vanguarda e de &#39;lealdade ao ping&uuml;im&#39;: a nossa cultura mais arraigada. No brilhante texto de Dibbell ( leia na &iacute;ntegra ), o ministro da Cultura, Gilberto Gil, j&aacute; atacava &#39;os fundamentalistas do controle absoluto sobre a propriedade&#39; e o seu iminente fracasso. <\/p>\n<p>&#39;Um mundo aberto pelas comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o pode se manter fechado em uma vis&atilde;o feudal de propriedade&#39;, diz. &#39;Nenhum pa&iacute;s, nem os Estados Unidos, ou a Europa, pode ficar no caminho. &Eacute; uma tend&ecirc;ncia global. &Eacute; parte do pr&oacute;prio processo de civiliza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a abund&acirc;ncia sem&acirc;ntica do mundo moderno, do mundo p&oacute;s-moderno &ndash; e n&atilde;o h&aacute; por que resistir a isso&#39;. <\/p>\n<p>Com esse pensamento compartilhado por uma parte do governo Lula e com o F&oacute;rum Internacional de Software Livre (fisl) realizado em abril pela oitavavez em Porto Alegre, o Brasil continua como um dos maiores inimigos da propriedade intelectual como a conhecemos hoje na ind&uacute;stria do conhecimento capitalista, como j&aacute; vem sendo noticiado pelo mundo todo. <\/p>\n<p>O Biodiesel do Futuro A tend&ecirc;ncia segue os padr&otilde;es de identidade individual em uma esp&eacute;cie de movimento antropof&aacute;gico virtual. M&aacute;rio Teza, um dos idealizadores do fisl (www.fisl.org.br), afirma que o Brasil tem muitos dos melhores t&eacute;cnicos do mundo no setor, tornando o pa&iacute;s uma grande pot&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. &#39;Na quest&atilde;o do software livre, o Brasil j&aacute; fez um reposicionamento mundial. Hoje, a nossa ind&uacute;stria de tecnologia tem o mesmo potencial que o biodiesel no futuro, em seus respectivos setores&#39;, avalia, comparando a mercadoria do s&eacute;culo, a informa&ccedil;&atilde;o, com o biocombust&iacute;vel. <\/p>\n<p>Teza explica que os programas de c&oacute;digo aberto desenvolveram-se bastante no Brasil, mas as empresas ainda n&atilde;o s&atilde;o capazes de absorver esses mecanismos. &#39;H&aacute; uma fuga de c&eacute;rebros&#39;, afirma, mostrando, por exemplo, o estande da Google montado no fisl8.0. A empresa de informa&ccedil;&atilde;o estadunidense seleciona no estande profissionais brasileiros para trabalhar com essa tecnologia. <\/p>\n<p>&#39;Discuss&otilde;es que come&ccedil;amos aqui no FISL foram parar no Vale do Sil&iacute;cio&#39;, diz, com certo orgulho, referindo-se &agrave; regi&atilde;o dos Estados Unidos onde est&atilde;o muitas das principais empresas &#39;ponto com&#39; do mundo. <\/p>\n<p>Ainda avaliando o papel do F&oacute;rum de Software Livre, Teza diz que o importante &eacute; o debate permanente desse &#39;evento-conceito, de troca, n&atilde;o de venda&#39;: &#39;N&atilde;o somos o maior evento de software livre do mundo em n&uacute;mero de pessoas. A Alemanha, por exemplo, tem grandes eventos. Mas estamos entre os mais importantes&#39;. <\/p>\n<p>O Governo do Ping&uuml;im J&aacute; &eacute; comum o trabalho com c&oacute;digos abertos em empresas estatais e projetos do governo federal. Pioneiro, ainda na gest&atilde;o de FHC, o Banco do Brasil j&aacute; economizou cerca de R$ 50 milh&otilde;es e a Caixa Econ&ocirc;mica Federal j&aacute; passa de R$ 60 mi. A economia pela op&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o trabalhar com softwares propriet&aacute;rios n&atilde;o chega a ser um fator preponderante. A principal raz&atilde;o dos bancos desenvolverem-se com software livre &eacute; a seguran&ccedil;a. <\/p>\n<p>Segundo o gerente do N&uacute;cleo de Software Livre do BB, Vilson Carlos Pastro, a op&ccedil;&atilde;o por c&oacute;digos abertos do banco foi a melhor solu&ccedil;&atilde;o para as necessidades de seguran&ccedil;a: &#39;Imagine se o sistema do Banco do Brasil fica fora do ar por um dia, qual o tamanho do preju&iacute;zo. E qual seria a desconfian&ccedil;a dos investidores&#39;. O or&ccedil;amento anual para Tecnologia de Informa&ccedil;&atilde;o do BB &eacute; de R$ 1 bilh&atilde;o, e trabalha com plataformas abertas desde 2000. <\/p>\n<p>O Banco do Brasil economizou cerca de 20 milh&otilde;es de reais em 2006 com uso de software livre nos cerca de 65 mil terminais da institui&ccedil;&atilde;o financeira, segundo o vice-presidente de tecnologia e infra-estrutura, Manoel Gimenez. O valor da economia refere-se ao montante que seria gasto com licen&ccedil;as de programas, caso o banco utilizasse sistemas propriet&aacute;rios em seus terminais. <\/p>\n<p>A vice-presidente de tecnologia da CEF, Clarice Copete, diz que &#39;se n&atilde;o tivesse um custo-benef&iacute;cio alto, nigu&eacute;m escolhia o software livre&#39;. De 65 mil terminais internos de atendimento, o banco migrou 45 mil deles para programas de c&oacute;digo aberto. <\/p>\n<p>Como a Caixa foi pioneira no desenvolvimento de um sistema que une apostas lot&eacute;rias e servi&ccedil;os banc&aacute;rios, o programa tornou-se alvo de interesse internacional, especialmente por conta da seguran&ccedil;a contra fraudes. &#39;Chile, Panam&aacute;, Rep&uacute;blica Dominicana, Israel e &Iacute;ndia j&aacute; vieram nos visitar para conhecer o sistema&#39;, conta. <\/p>\n<p>Uma quest&atilde;o que por algum tempo atrasou a op&ccedil;&atilde;o de transferir para os programas livres os sistemas dos dois bancos foi a facilidade de se conseguir suporte t&eacute;cnico. Pastro, do BB, lembra que &#39;em 2001 t&iacute;nhamos essa sombra. Mas agora j&aacute; existe muito suporte especializado &#8211; e jamais far&iacute;amos a mudan&ccedil;a sem seguran&ccedil;a de que ter&iacute;amos esse suporte&#39;. Na Caixa, Copete conta que, atualmente, o pre&ccedil;o por hora que pagam pelo suporte t&eacute;cnico em sistemas antigos &eacute; at&eacute; maior, em alguns casos, do que para os novos sistemas em software livre. <\/p>\n<p>Aprofundando o exemplo brasileiro, Jorge Troya Fuertes, coordenador do Sistema de Informaci&oacute;n para la Gobernabilidad Democr&aacute;tica (Sigob), &oacute;rg&atilde;o vinculado &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Equador, em reuni&atilde;o no in&iacute;cio de abril, com S&eacute;rgio Rosa, diretor do Serpro, em Bras&iacute;lia, afirmou que seu pa&iacute;s est&aacute; adotando o software livre como pol&iacute;tica de Estado. <\/p>\n<p>Uma delega&ccedil;&atilde;o equatoriana, liderada pelo presidente Rafael Correa, j&aacute; passou pelo pa&iacute;s para assinatura de acordos que buscam promover o desenvolvimento e a integra&ccedil;&atilde;oentre os dois pa&iacute;ses. Um desses 15 acordos, j&aacute; assinados, aborda as &#39;Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o para a Gest&atilde;o P&uacute;blica e Governabilidade Democr&aacute;tica&#39;. <\/p>\n<p>Comunica&ccedil;&atilde;o e tecnologia A Radiobras, empresa de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (www.radiobras.gov.br) do governo federal, foi totalmente reestruturada baseada nos conceitos do conhecimento livre e do direito do cidad&atilde;o &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Rodrigo Savazoni, editor-chefe da Ag&ecirc;ncia Brasil, um dos bra&ccedil;os da Radiobras, explica que quando o governo Lula assumiu em 2003, a empresa encontrava-se completamente defasada em softwares e equipamentos: &#39;O South Park materializou bem quando eles encontraram o elo perdido: era o homem de 1996 tentando acessar &agrave; Internet. Assim encontramos a Radiobras.&#39; <\/p>\n<p>Depois, a equipe, chefiada por Eugenio Bucci iniciou um processo de acabar com o jornalismo chapa branca e oficial da ag&ecirc;ncia para tornar a not&iacute;cia p&uacute;blica. &#39;Replanejamos a linha editorial, o conte&uacute;do, para depois pensarmos na plataforma tecnol&oacute;gica para colocar todos os conceitos livres em pr&aacute;tica&#39;. Hoje, da fonte utilizada no saite ao servidor, tudo &eacute; produzido e reproduzido livremente. <\/p>\n<p>&#39;Optar pelo software livre &eacute; optar pela salva&ccedil;&atilde;o, pela inova&ccedil;&atilde;o&#39;, pontua Savazoni, lembrando que esse deve ser o suporte de uma comunica&ccedil;&atilde;o que se diz p&uacute;blica e a fatura deve ser cobrada da sociedade no sentido de inseri-la no debate. <\/p>\n<p>Savazoni lembra ainda das disputas que est&atilde;o por vir e que a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica tem de dialogar mais com a do software livre. Quest&otilde;es fundamentais como o midleware que ser&aacute; utilizado no setup box para a convers&atilde;o dos aparelhos de tev&ecirc; para o sistema digital. Savazoni acredita que essa discuss&atilde;o e outras articula&ccedil;&otilde;es entre os movimentos de software livre e comunica&ccedil;&atilde;o acontecer&atilde;o no F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas, que ser&aacute; realizado em Bras&iacute;lia entre os dias 8 e 11 de maio. <\/p>\n<p><em>* com informa&ccedil;&otilde;es da <a href=\"http:\/\/www.agenciabrasil.gov.br\" target=\"_blank\">Ag&ecirc;ncia Brasil<\/a>, em com <a href=\"http:\/\/www.culturaemercado.com.br\" target=\"_blank\">Cultura e Mercado<\/a> , que possibilitou o envio de um rep&oacute;rter desta ag&ecirc;ncia a Porto Alegre paraa cobertura de alguns dos principais debates do 8&ordm; F&oacute;rum Internacional de Software Livre.<\/em> <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;Reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado pela primeira vez na revista americana Wired , artigo de Julian Dibbell de 2004 apontava o Brasil como principal na\u00e7\u00e3o pr\u00f3-software livre do mundo, movimento que tem como \u00edcone o ping\u00fcim da Linux.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[144],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18276"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18276\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}