{"id":18268,"date":"2007-04-26T16:36:12","date_gmt":"2007-04-26T16:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18268"},"modified":"2007-04-26T16:36:12","modified_gmt":"2007-04-26T16:36:12","slug":"cade-nega-cautelar-no-caso-tvatelefonica-mas-aponta-riscos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18268","title":{"rendered":"Cade nega cautelar no caso TVA\/Telef\u00f4nica, mas aponta riscos"},"content":{"rendered":"<p>A ABTA n&atilde;o conseguiu do Cade uma decis&atilde;o cautelar que impedisse a venda conjunta de pacotes da TVA com a Telef&ocirc;nica. A associa&ccedil;&atilde;o havia manifestado sua oposi&ccedil;&atilde;o, com pedido de cautelar, ao ato de concentra&ccedil;&atilde;o entre a TVA e a Telef&ocirc;nica que corre no Cade.<\/p>\n<p>O despacho do conselheiro relator Ricardo Cueva foi julgado nesta quarta, 25, e em linhas gerais entendeu que n&atilde;o havia perigo de dano irrepar&aacute;vel ou irrevers&iacute;vel, e por isso n&atilde;o h&aacute;, nesse momento, a necessidade de uma cautelar. O conselho do Cade homologou o despacho por unanimidade.<\/p>\n<p>Mas as boas not&iacute;cias para a TVA e para a Telef&ocirc;nica s&atilde;o apenas estas. Isso porque ao despacho do conselheiro Cueva foi incorporado o parecer da Procuradoria do Cade que, ainda que tamb&eacute;m n&atilde;o veja a necessidade de uma medida cautelar, identificou uma s&eacute;rie de riscos na possibilidade de compra da TVA pela Telef&ocirc;nica, e isso poder&aacute; se refletir no relat&oacute;rio final sobre o ato de concentra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Considero que a opera&ccedil;&atilde;o desperta fundadas preocupa&ccedil;&otilde;es do ponto de vista concorrencial&quot;, disse o procurado Arthur Badin. &quot;Parecem-me bastante veross&iacute;meis os argumentos trazidos pela ABTA contra a concentra&ccedil;&atilde;o, nas m&atilde;os da Telef&ocirc;nica, do controle sobre as plataformas de cabo e MMDS&quot;, diz o procurador em seu parecer. Segundo o documento, acolhido integralmente pelo conselheiro Cueva, a Abril e a Telef&ocirc;nica argumentam que a aquisi&ccedil;&atilde;o da TVA pela Telef&ocirc;nica permitiria &agrave; tele a oferta de servi&ccedil;os triple-play e a possibilidade de contrata&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do Abril por uma empresa que concorreria com a Net, que tem principalmente conte&uacute;do Globo. &quot;O conte&uacute;do pode ser contratado do grupo Abril independente da parceria, e Telef&ocirc;nica j&aacute; disp&otilde;e de outros meios para oferecer triple play&quot;, diz Badin. Ele entende tamb&eacute;m que &quot;o controle sobre a &uacute;nica licen&ccedil;a de MMDS no munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo (TVA) e da &uacute;nica rede de cabo paralela &agrave; Net exclui a possibilidade de entrada de um terceiro concorrente &agrave; Net e &agrave; pr&oacute;pria Telef&ocirc;nica na oferta de servi&ccedil;os triple play&quot;. Badin lembra ainda que ap&oacute;s a parceria, a TVA descontinuou a oferta de servi&ccedil;o de VoIP.<\/p>\n<p><strong>Monop&oacute;lio do MMDS<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Badin, a Net concorre com a Telef&ocirc;nica em um ter&ccedil;o dos domic&iacute;lios da cidade de S&atilde;o Paulo, que &eacute; onde est&aacute; a rede de cabos da Net, &quot;e o MMDS &eacute; o &uacute;nico meio hoje dispon&iacute;vel para um entrante contestar o poder de monop&oacute;lio da Telef&ocirc;nica no mercado de voz dos domic&iacute;lios em que n&atilde;o h&aacute; rede de cabo instalada&quot;. Ou seja, o procurador do Cade, e tamb&eacute;m o conselheiro Ricardo Cueva, est&atilde;o considerando preocupante o fato de a Telef&ocirc;nica assumir o controle total sobre a faixa de MMDS na cidade de S&atilde;o Paulo, o que seria a porta para a tecnologia WiMax. Ali&aacute;s, essa quest&atilde;o do controle do MMDS foi destacada tamb&eacute;m pelo conselheiro Paulo Furquim. &quot;Segundo dados que foram trazidos aqui pela Telcomp, o mais preocupante dessa concentra&ccedil;&atilde;o &eacute; o controle do MMDS, pelas novas possibilidades tecnol&oacute;gicas inerentes&quot;. Furquim se refere ao uso do MMDS para WiMax. Vale lembrar que na cidade de S&atilde;o Paulo h&aacute; outras faixas j&aacute; licenciadas para WiMax, inclusive a faixa de 3,5 GHz, onde h&aacute; duas empresas licenciadas: Embratel e Brasil Telecom. Mas tamb&eacute;m vale lembrar que o MMDS (que est&aacute; na faixa de 2,5 GHz) tem 180 MHz de banda e que as faixas na casa dos 3,5 GHz t&ecirc;m apenas 15 MHz de largura.<\/p>\n<p>Badin tamb&eacute;m considerou que a aus&ecirc;ncia de concorr&ecirc;ncia entre as tr&ecirc;s plataformas (cabo, MMDS e ADSL) retiraria da Telef&ocirc;nica o incentivo de investir em sua pr&oacute;pria rede e capacit&aacute;-la a ampliar a banda para a transmiss&atilde;o de dados e oferecer TV por assinatura por IPTV.<\/p>\n<p><strong>Sem risco imediato<\/strong><\/p>\n<p>O Cade entendeu que n&atilde;o existe nenhuma evid&ecirc;ncia, contudo, de que as parcerias comerciais entre Telef&ocirc;nica e TVA resultem em algum risco irrepar&aacute;vel &agrave; concorr&ecirc;ncia. &quot;A parceria pode trazer riscos, mas n&atilde;o irrepar&aacute;veis ou irrevers&iacute;veis&quot;, disse Cueva, que considerou inclusive que a parceria comercial pode at&eacute; ajudar a TVA a crescer, caso as empresas mantenham as opera&ccedil;&otilde;es separadas, como est&aacute; hoje.<\/p>\n<p>Cueva disse que n&atilde;o vai aguardar o parecer da Anatel para iniciar a instru&ccedil;&atilde;o do caso, e que desde j&aacute; solicitar&aacute; &agrave;s empresas que informem periodicamente os dados referentes ao desempenho de vendas para que o Cade possa saber se existe algo que justifique uma cautelar ex-oficio (por iniciativa pr&oacute;pria).<\/p>\n<p>Segundo Arnaldo Tibyri&ccedil;&aacute;, diretor jur&iacute;dico do grupo Abril, &quot;Ficamos muito felizes com essa decis&atilde;o do Cade, pois este resultado favorecer&aacute; a decis&atilde;o da Anatel, refor&ccedil;ando que TVA e Telef&ocirc;nica est&atilde;o se associando dentro da legalidade e a favor da saud&aacute;vel concorr&ecirc;ncia neste novo mercado convergente&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>TVA comemora decis&atilde;o e diz que disputa &eacute; na Anatel<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Leila Loria, diretora superintendente da TVA, a decis&atilde;o do Cade de n&atilde;o acatar o pedido de cautelar da ABTA &eacute; excelente not&iacute;cia para a empresa. &quot;A ABTA estava querendo colocar o carro na frente dos bois e adiantar o debate concorrencial, mas o Cade viu que n&atilde;o havia nenhum risco de mantermos as parcerias comerciais atuais&quot;. <\/p>\n<p>Segundo Leila Loria, o foco da discuss&atilde;o, no momento, &eacute; a regulat&oacute;ria, que corre na Anatel. &quot;Apensa depois que a Anatel der a anu&ecirc;ncia pr&eacute;via para a compra da TVA pela Telef&ocirc;nica nos termos propostos &eacute; que far&aacute; algum sentido discutirmos os impactos concorrenciais, porque at&eacute; l&aacute; as duas empresas est&atilde;o separadas&quot;, diz Loria. Para ela, o fato de o Cade ter decidido inciar a instru&ccedil;&atilde;o do ato de concentra&ccedil;&atilde;o independentemente da manifesta&ccedil;&atilde;o da Anatel n&atilde;o &eacute; problem&aacute;tico. &quot;J&aacute; estamos prestando todas as informa&ccedil;&otilde;es requeridas pelo Cade e pela Anatel e continuaremos a faz&ecirc;-lo. &Eacute; evidente que n&atilde;o houve concentra&ccedil;&atilde;o do mercado de banda larga ou voz, em S&atilde;o Paulo, e nem da TV por assinatura. E o Cade, por mais que se informe agora, s&oacute; julgar&aacute; o caso depois de a Anatel se manifestar e depois de julgar outros casos complicados, como a fus&atilde;o da Vivax com a Net, por exemplo&quot;.<\/p>\n<p><strong>Informa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Loria n&atilde;o comenta o parecer do procurador Arthur Badin, at&eacute; porque ainda n&atilde;o conhece a &iacute;ntegra. Badin, que reconhece que n&atilde;o h&aacute; riscos que justifiquem a cautelar, tece uma s&eacute;rie de considera&ccedil;&otilde;es sobre a concentra&ccedil;&atilde;o em si, de maneira n&atilde;o favor&aacute;vel &agrave; Telef&ocirc;nica. &quot;Ainda nem tivemos a chance de colocar nossos argumentos para a procuradoria do Cade, porque n&atilde;o era o momento de faz&ecirc;-lo. O Cade ter&aacute; as audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas sobre o mercado de comunica&ccedil;&atilde;o para tamb&eacute;m construir opini&atilde;o mais bem fundamentada, ent&atilde;o tenho certeza de que a procuradoria ter&aacute; uma vis&atilde;o mais ampla adiante&quot;.<\/p>\n<p><strong>WiMax<\/strong><\/p>\n<p>Um dos pontos destacados pelo procurador do Cade Arthur Badin e pelo conselheiro Pauo Furquim durante a sess&atilde;o de discuss&atilde;o do despacho sobre a cautelar foi a concentra&ccedil;&atilde;o do MMDS na cidade de S&atilde;o Paulo. &quot;&Eacute; claro que isso n&atilde;o &eacute; um problema, porque h&aacute; outras faixas que permitem o WiMax, como a faixa de 3,5 GHz, onde a Telmex tem licen&ccedil;as em &acirc;mbito nacional inclusive&quot;.<\/p>\n<p><strong>&Iacute;ntegra<\/strong><\/p>\n<p>Confira a &iacute;ntegra do parecer da Procuradoria do Cade em rela&ccedil;&atilde;o ao pedido de cautelar da ABTA no link <a href=\"http:\/\/www.teletime.com.br\/arquivos\/Parecer_procade.pdf\">www.teletime.com.br\/arquivos\/Parecer_procade.pdf<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_normal_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ABTA n&atilde;o conseguiu do Cade uma decis&atilde;o cautelar que impedisse a venda conjunta de pacotes da TVA com a Telef&ocirc;nica. 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