{"id":18263,"date":"2007-04-26T11:54:41","date_gmt":"2007-04-26T11:54:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18263"},"modified":"2007-04-26T11:54:41","modified_gmt":"2007-04-26T11:54:41","slug":"fragmentacao-versus-convergencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18263","title":{"rendered":"Fragmenta\u00e7\u00e3o versus converg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>H&aacute; algum tempo parece haver uma contradi&ccedil;&atilde;o entre a inevit&aacute;vel converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica nas comunica&ccedil;&otilde;es e a crescente fragmenta&ccedil;&atilde;o que tem ocorrido na pesquisa e na forma&ccedil;&atilde;o profissional do campo da Comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; fato conhecido e estudado que a chamada revolu&ccedil;&atilde;o digital diluiu as fronteiras entre as telecomunica&ccedil;&otilde;es, a comunica&ccedil;&atilde;o de massa e a inform&aacute;tica, provocando uma converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica que est&aacute; tendo repercuss&otilde;es importantes na economia pol&iacute;tica, na legisla&ccedil;&atilde;o e no amplo espa&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o e exerc&iacute;cio profissional do setor. &nbsp;<\/p>\n<p>A pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o conceitual do campo parece ser melhor expressa pelo plural comunica&ccedil;&otilde;es que reuniria, numa &uacute;nica palavra, &aacute;reas hoje integradas que at&eacute; h&aacute; pouco tempo estavam diferenciadas pelas antigas tecnologias. &nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; no quadro de refer&ecirc;ncia dessa converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica que se postula a necessidade de um novo marco regulat&oacute;rio, de um novo modelo de neg&oacute;cios e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, de uma rediscuss&atilde;o das formas tradicionais de forma&ccedil;&atilde;o profissional &ndash; em boa parte ainda orientadas pela clivagem das antigas tecnologias.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sentido oposto<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma r&aacute;pida panor&acirc;mica sobre o ensino e a pesquisa da Comunica&ccedil;&atilde;o, no entanto, revela uma aus&ecirc;ncia de sintonia com o que est&aacute; a ocorrer na economia pol&iacute;tica, na legisla&ccedil;&atilde;o e nas profiss&otilde;es do setor.&nbsp;<\/p>\n<p>A principal entidade cient&iacute;fica de Comunica&ccedil;&atilde;o, a Intercom &ndash; Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunica&ccedil;&atilde;o, inclui entre os objetos de seus n&uacute;cleos de pesquisa conte&uacute;dos que v&atilde;o desde a fic&ccedil;&atilde;o seriada at&eacute; o turismo e a hospitalidade.&nbsp;<\/p>\n<p>J&aacute; a Comp&oacute;s &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o dos Programas de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o, lista em seu s&iacute;tio na internet cerca de duas d&uacute;zias de programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o surgidos no pa&iacute;s da d&eacute;cada de 1970 at&eacute; hoje. H&aacute; informa&ccedil;&atilde;o de que, pelo menos, 25 desses programas est&atilde;o em funcionamento. Talvez n&atilde;o seja exagero afirmar que a caracter&iacute;stica principal deles &eacute; a diversidade de seu conte&uacute;do e de suas linhas de pesquisa, que v&atilde;o da semi&oacute;tica &agrave;s tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o. &nbsp;<\/p>\n<p>Tanto os n&uacute;cleos de pesquisa quanto os programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o padecem da aus&ecirc;ncia de uma &quot;converg&ecirc;ncia&quot; em torno de um objeto que os articule e os identifique como constituidores de um campo espec&iacute;fico de estudo e pesquisa.&nbsp;<\/p>\n<p>Os &uacute;ltimos anos assistiram tamb&eacute;m ao surgimento de diversas associa&ccedil;&otilde;es que re&uacute;nem pesquisadores em sub&aacute;reas autodefinidoras de seus respectivos interesses e objetos de pesquisa: Sociedade Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo (SBPJor); F&oacute;rum Nacional de Professores de Jornalismo; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Pesquisadores em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cibercultura; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Pesquisadores de Comunica&ccedil;&atilde;o e Pol&iacute;tica; e a Uni&oacute;n Latina de Econom&iacute;a Pol&iacute;tica de la Informaci&oacute;n, la Comunicaci&oacute;n y la Cultura, que embora n&atilde;o seja exclusivamente brasileira, re&uacute;ne pesquisadores brasileiros identificados com esta &aacute;rea.&nbsp;<\/p>\n<p>Numa importante institui&ccedil;&atilde;o de ensino e pesquisa &ndash; a Universidade Federal da Bahia &ndash; houve at&eacute; mesmo a separa&ccedil;&atilde;o formal entre os estudos da comunica&ccedil;&atilde;o e da cultura com a cria&ccedil;&atilde;o do Programa Multidisciplinar de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Cultura e Sociedade. Esse foi um movimento, registre-se, em sentido oposto ao que deu origem ao importante Center for Contemporary Cultural Studies, na Inglaterra dos anos 1960, at&eacute; hoje uma refer&ecirc;ncia para os estudos do campo.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Claro que essa fragmenta&ccedil;&atilde;o revela o estado de efervesc&ecirc;ncia do campo da Comunica&ccedil;&atilde;o. Anualmente h&aacute; um sem-n&uacute;mero de congressos, encontros, semin&aacute;rios e, consequentemente, centenas de trabalhos e relatos de pesquisa podem ser apresentados e discutidos. H&aacute; novas publica&ccedil;&otilde;es e novos s&iacute;tios na internet dessas diferentes entidades e programas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira conseq&uuml;&ecirc;ncia desse quadro de fragmenta&ccedil;&atilde;o e aus&ecirc;ncia de identidade, todavia, aparece na qualidade da forma&ccedil;&atilde;o profissional que predomina na Comunica&ccedil;&atilde;o. A revista Caros Amigos n&ordm; 121 traz longa mat&eacute;ria sobre o que pensam os estudantes brasileiros de jornalismo. A reportagem deveria servir de alerta n&atilde;o s&oacute; para as muitas centenas de respons&aacute;veis pelos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em comunica&ccedil;&atilde;o (jornalismo) &ndash; p&uacute;blicos e privados &ndash;, como para todos aqueles que se interessam pelo futuro do jornalismo no pa&iacute;s.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Sem jornalistas com forma&ccedil;&atilde;o human&iacute;stica s&oacute;lida e consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica, como avan&ccedil;ar em quest&otilde;es &ndash; como, por exemplo, a credibilidade &ndash; com que se defronta o jornalismo brasileiro?&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A segunda conseq&uuml;&ecirc;ncia, ali&aacute;s j&aacute; sentida faz tempo, &eacute; a impressionante aus&ecirc;ncia institucional dos programas e entidades de Comunica&ccedil;&atilde;o do debate sobre as defini&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas por que passa o setor. Onde est&aacute; a contribui&ccedil;&atilde;o que anos e anos de estudo e pesquisa acumuladas t&ecirc;m a oferecer ao pa&iacute;s?&nbsp;<\/p>\n<p>Forma&ccedil;&atilde;o profissional e participa&ccedil;&atilde;o na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas s&atilde;o quest&otilde;es sabidamente complexas e pol&ecirc;micas. Uma reflex&atilde;o se imp&otilde;e, sobretudo no momento em que se discute o futuro do setor e a sociedade brasileira precisa, por isso, da contribui&ccedil;&atilde;o de todos para fazer avan&ccedil;ar a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es. &nbsp; <\/p>\n<p>&Eacute; hora de cada um colocar na mesa o que tem e pode oferecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font>&nbsp;publica&ccedil;&atilde;o autorizada, desde que citada a fonte original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; algum tempo parece haver uma contradi&ccedil;&atilde;o entre a inevit&aacute;vel converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica nas comunica&ccedil;&otilde;es e a crescente fragmenta&ccedil;&atilde;o que tem ocorrido na pesquisa e na forma&ccedil;&atilde;o profissional do campo da Comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.&nbsp; &Eacute; fato conhecido e estudado que a chamada revolu&ccedil;&atilde;o digital diluiu as fronteiras entre as telecomunica&ccedil;&otilde;es, a comunica&ccedil;&atilde;o de massa e a &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18263\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Fragmenta\u00e7\u00e3o versus converg\u00eancia<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18263"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}