{"id":18257,"date":"2007-04-25T12:20:28","date_gmt":"2007-04-25T12:20:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18257"},"modified":"2007-04-25T12:20:28","modified_gmt":"2007-04-25T12:20:28","slug":"mulheres-comunicacao-e-a-construcao-da-reforma-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18257","title":{"rendered":"Mulheres, comunica\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o da Reforma Pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><span>&Eacute; preciso lutar para reverter os quadros de invisibilidade, sub-representa&ccedil;&atilde;o e estereotipagem das mulheres que permeiam tanto o conte&uacute;do quanto as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. Este artigo busca explorar limites e possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o nestes dois &acirc;mbitos, considerando que o sistema pol&iacute;tico tal qual existe &eacute; viciado e a m&iacute;dia, por sua vez, reflete e reproduz este sistema (cuja manuten&ccedil;&atilde;o, de alguma forma, beneficia quem est&aacute; no comando do poder midi&aacute;tico), construindo um debate restrito sobre a sua Reforma. <\/p>\n<p>Nesse sentido, a proposta que tramita no Congresso e &eacute; noticiada pela m&iacute;dia se reduz ao debate pol&iacute;tico-partid&aacute;rio e responde aos interesses de quem quer manter o poder. &Eacute; preciso que as mulheres ajudem a construir uma outra Reforma Pol&iacute;tica (que discuta a democracia tamb&eacute;m em suas vertentes participativa e direta), oportunidade para avan&ccedil;armos tamb&eacute;m na constru&ccedil;&atilde;o de uma outra comunica&ccedil;&atilde;o para o pa&iacute;s.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Quando se afirma a comunica&ccedil;&atilde;o como direito, extrapolam-se conceitos como os de liberdade de express&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. Afirma-se que cada indiv&iacute;duo tem direito de ter acesso, receber informa&ccedil;&otilde;es de qualidade e de forma diversa e plural, de produzir e veicular comunica&ccedil;&atilde;o, e de participar dos processos de tomada de decis&atilde;o pol&iacute;ticos que envolvem esta esfera.<\/p>\n<p><\/span><span>Toma-se a comunica&ccedil;&atilde;o sob a forma de conte&uacute;dos (mensagens), mas tamb&eacute;m sob a forma de esfera p&uacute;blica por onde trafegam estas mensagens, onde se conformam valores e onde fruem os demais direitos. Por isso, afirma-se que, para existir uma sociedade efetivamente democr&aacute;tica, &eacute; condi&ccedil;&atilde;o haver comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, tanto no que diz respeito &agrave;s pol&iacute;ticas, quanto no que diz respeito aos conte&uacute;dos.<\/p>\n<p><\/span><span>Definitivamente, este n&atilde;o &eacute; o cen&aacute;rio no Brasil hoje.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>No campo dos conte&uacute;dos, uma das maiores barreiras para a diversidade de conte&uacute;do e pluralidade de meios &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o. No campo das pol&iacute;ticas, o maior entrave &eacute; a falta de entendimento da comunica&ccedil;&atilde;o como direito e, portanto, a falta de reconhecimento da necessidade de pol&iacute;ticas que regulem o setor, o que permite seu uso como moeda de troca pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><\/span><span>A concentra&ccedil;&atilde;o inibe as diversidades e estabelece uma esp&eacute;cie de mon&oacute;logo, sem direito a um contra discurso. A grande m&iacute;dia (comercial) conservadora e machista reproduz estere&oacute;tipos, discrimina, sub-representa e usa um espa&ccedil;o que &eacute; p&uacute;blico (o espectro eletromagn&eacute;tico, por onde trafegam os sinais de radiodifus&atilde;o) para reproduzir preconceitos e passar vis&otilde;es distorcidas da realidade, que obviamente respondem a seus interesses.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>O fato de as mulheres serem maioria nas novelas e s&eacute;ries n&atilde;o significa que elas est&atilde;o bem representadas. Muito pelo contr&aacute;rio, est&atilde;o sendo exploradas, tendo seus direitos violados e tendo seus corpos transformados em mercadoria em grande parte das vezes. Basta lembrar de um comercial de cerveja recente que produzia loiras em s&eacute;rie para serem consumidas assim como a cerveja.&nbsp;<\/span><span>Esta representatividade &eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da democracia e se reproduz na comunica&ccedil;&atilde;o enquanto conte&uacute;do e ambiente pol&iacute;tico. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em rela&ccedil;&atilde;o aos jornais e &agrave; m&iacute;dia impressa, &eacute; mais complicado afirmar uma possibilidade de interven&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do, a n&atilde;o ser pensando na exist&ecirc;ncia de ombudsman aut&ocirc;nomo ou mesmo de um conselho de leitores e leitoras, porque estas s&atilde;o atividades privadas (ainda que devam necessariamente estar submetidas ao interesse p&uacute;blico e que tenham como limite a dignidade, neste caso, das mulheres; e ainda que sua viola&ccedil;&atilde;o seja pass&iacute;vel de direitos de resposta e outras rea&ccedil;&otilde;es). <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>No entanto, quando o assunto &eacute; radiodifus&atilde;o (televis&atilde;o e r&aacute;dio), que s&atilde;o as m&iacute;dias mais influentes no nosso pa&iacute;s (mais de 90% dos lares brasileiros t&ecirc;m televis&atilde;o, n&uacute;mero maior do que os lares com geladeiras), fica mais claro o papel que estes ve&iacute;culos deveriam ter e a responsabilidade que lhes &eacute; delegada enquanto concession&aacute;rios de servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p><\/span><span>Ora, ent&atilde;o, por que motivos os conte&uacute;dos veiculados nestes espa&ccedil;os p&uacute;blicos respondem aos interesses do que (de maneira equivocada), s&atilde;o considerados donos das emissoras de televis&atilde;o? Por que, muitas vezes, o preconceito e os estere&oacute;tipos s&atilde;o reproduzidos para justificar a audi&ecirc;ncia e o lucro?<\/p>\n<p><\/span><span>No campo da pol&iacute;tica, o problema talvez seja ainda mais complicado. A comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vista como direito permite que processos e servi&ccedil;os sejam usados como moeda de troca. Servem para prestar favores pol&iacute;ticos, s&atilde;o alvo de lobby de grandes radiodifusores e empres&aacute;rios de megacorpora&ccedil;&otilde;es do campo das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>Algu&eacute;m j&aacute; ouviu falar em conselhos municipais de comunica&ccedil;&atilde;o? Em m&iacute;dias efetivamente p&uacute;blicas, com conselhos de gest&atilde;o de programa&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o financeira compostos por integrantes da sociedade civil? Ou mesmo em centrais p&uacute;blicas de produ&ccedil;&atilde;o de m&iacute;dia que possibilitem que mais vozes se projetem na esfera p&uacute;blica?<\/p>\n<p><\/span><span>A falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das causas deste cen&aacute;rio confuso que, na realidade, responde aos interesses de quem opera o poder comunicacional no pa&iacute;s. A Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira prev&ecirc; um sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o, barreiras &agrave; propriedade e ao monop&oacute;lio, concess&otilde;es outorgadas pelo Congresso entre outras coisas. No entanto, pouco ou quase nada &eacute; posto em pr&aacute;tica.<\/p>\n<p><\/span><span>Enquanto o Estado se omite, nove fam&iacute;lias falam e 180 milh&otilde;es de pessoas se calam. S&atilde;o estas nove fam&iacute;lias que decidem o que vamos ver na nossa televis&atilde;o, sob o argumento de que democracia na TV &eacute; controle remoto e controle p&uacute;blico dos meios &eacute; censura. S&atilde;o eles que decide que vamos assistir a programas como Zorra Total e &agrave;s humilhantes &ldquo;pegadinhas&rdquo;, al&eacute;m dos absurdos &ldquo;testes de fidelidade&rdquo;.<br \/><\/span><span><br \/>&Eacute; preciso pensar a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres neste cen&aacute;rio como proposi&ccedil;&atilde;o de um lugar para este sujeito pol&iacute;tico. &Eacute; preciso pensar a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres como constru&ccedil;&atilde;o de uma comunica&ccedil;&atilde;o contra-hegem&ocirc;nica, porque pens&aacute;-la somente nos espa&ccedil;os de poder tal qual eles hoje se constituem (inclusive no campo das comunica&ccedil;&otilde;es) restringe a abrang&ecirc;ncia da transforma&ccedil;&atilde;o que queremos.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Como reverter distor&ccedil;&otilde;es e discrimina&ccedil;&otilde;es que permeiam tanto o conte&uacute;do quanto as pol&iacute;ticas e comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil? A chave para a virada deste jogo est&aacute; na luta pela participa&ccedil;&atilde;o das mulheres, tanto nos conte&uacute;dos midi&aacute;ticos (produzindo, veiculando e circulando comunica&ccedil;&atilde;o), quanto na valoriza&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os pol&iacute;ticos do campo da comunica&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Desequil&iacute;brio na pol&iacute;tica<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>Em pesquisa da Uni&atilde;o Inter-Parlamentar<\/span><span> (UIP), uma organiza&ccedil;&atilde;o de fomento &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o entre as c&acirc;maras nacionais de mais de 140 pa&iacute;ses realizada em 2006 e divulgada no site da BBC Brasil, o Brasil ficou em 107&ordm; lugar em um ranking sobre a percentagem de mulheres nas c&acirc;maras de deputados de 187 pa&iacute;ses at&eacute; o fim de <\/span><span>2005. A<\/span><span> lista foi elaborada a partir dos dados das &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es em cada pa&iacute;s (no Brasil, as de 2002). Ruanda aparece em primeiro lugar.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo o levantamento, os pa&iacute;ses n&oacute;rdicos, reconhecidos pela igualdade de g&ecirc;nero, ocupam as posi&ccedil;&otilde;es seguintes: em segundo, a Su&eacute;cia (45,3%); em terceiro, a Noruega (37,9%); em quarto, a Finl&acirc;ndia (37,5%); em quinto, a Dinamarca (36,9%). Holanda (36,7%), Cuba (36%), Espanha (36%), Costa Rica (35,1%), Argentina (35%) e Mo&ccedil;ambique (34,8%) completam os dez pa&iacute;ses com maior n&uacute;mero de legisladoras.<\/p>\n<p><\/span><span>O Brasil, assim como os Estados Unidos, ficaram abaixo da m&eacute;dia mundial de 16,6% de mulheres na composi&ccedil;&atilde;o da c&acirc;mara dos representantes, com apenas 8,6% brasileiras e 15,2% americanas. A m&eacute;dia brasileira &eacute; pouco superior &agrave; de pa&iacute;ses &aacute;rabes, que t&ecirc;m 6,8% de mulheres nos parlamentos.<\/p>\n<p><\/span><span>Ruanda, o primeiro da lista, tem uma participa&ccedil;&atilde;o de 48,8% de mulheres, seguida de perto pela Su&eacute;cia, com 45,3%. <\/span><span>O Brasil &eacute; o pa&iacute;s sul-americano pior colocado na lista, atr&aacute;s de Argentina (9&ordm;), Guiana (17&ordm;), Suriname (26&ordm;), Peru (55&ordm;), Venezuela (59&ordm;), Bol&iacute;via (63&ordm;), Equador (66&ordm;), Chile (70&ordm;), Col&ocirc;mbia (86&ordm;), Uruguai (92&ordm;) e Paraguai (99&ordm;). <\/span><span>A propor&ccedil;&atilde;o de mulheres no Senado brasileiro &eacute; um pouco mais alta, de 12,3%, mas como v&aacute;rios pa&iacute;ses n&atilde;o t&ecirc;m uma estrutura semelhante, n&atilde;o foi elaborado um ranking espec&iacute;fico.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Invisibilidade na m&iacute;dia<\/strong><\/span><span><strong>&nbsp;<br \/><\/strong><br \/><\/span><span>Al&eacute;m do desequil&iacute;brio na ocupa&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os pol&iacute;ticos, em todo o mundo, as mulheres seguem invis&iacute;veis na m&iacute;dia. A cada ano, o Dia Internacional da Mulher &eacute; um momento para contabilizar o progresso e os desafios a serem enfrentados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; permanente desigualdade de g&ecirc;nero que existe no mundo. Mas o que faz a imprensa no restante do ano? Como os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o contribuem para a igualdade de g&ecirc;nero ou para o refor&ccedil;o de preconceitos?<\/p>\n<p><\/span><span>Desde <\/span><span>1995, a<\/span><span> cada cinco anos, a WACC (World Association for Christian Communication), uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional que promove a comunica&ccedil;&atilde;o como fator de transforma&ccedil;&atilde;o social, realiza um projeto global de monitoramento da m&iacute;dia, onde mapeia a representa&ccedil;&atilde;o de mulheres e homens na imprensa do mundo inteiro. &Eacute; o maior estudo sobre g&ecirc;nero no notici&aacute;rio j&aacute; realizado. O &uacute;ltimo levantamento aconteceu no ano passado, quando, durante um dia, em 76 pa&iacute;ses, cerca de 13 mil not&iacute;cias publicadas em jornais e veiculadas na televis&atilde;o e no r&aacute;dio foram analisadas. Nelas, 25.671 fontes foram ouvidas ou citadas, por 14.273 jornalistas ou apresentadores. <\/p>\n<p>Pela primeira vez, reportagens brasileiras entraram no estudo, numa parceria com a Universidade Metodista de S&atilde;o Paulo e a Rede Mulher de Educa&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>O estudo mostrou que, mesmo constituindo 52% da popula&ccedil;&atilde;o mundial, as mulheres aparecem em apenas 21% das not&iacute;cias. Ou seja, para cada mulher que aparece no notici&aacute;rio, cinco homens s&atilde;o retratados. No r&aacute;dio, este percentual &eacute; ainda menor: 17%. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em dez anos, apesar de toda a revolu&ccedil;&atilde;o no mundo das telecomunica&ccedil;&otilde;es, este total evoluiu muito pouco, aumentando somente <\/span><span>em tr&ecirc;s pontos. Quando<\/span><span> &eacute; feita uma an&aacute;lise qualitativa da presen&ccedil;a de mulheres como fontes em reportagens, o estudo mostra que a opini&atilde;o feminina &eacute; retratada em somente 14% dos artigos sobre pol&iacute;tica e em 20% sobre economia, os dois temas que dominam a agenda dos pa&iacute;ses. Mesmo em Ruanda, o pa&iacute;s que tem a maior propor&ccedil;&atilde;o de mulheres no mundo pol&iacute;tico (49%), elas aparecem em apenas 13% das not&iacute;cias sobre o tema. At&eacute; em hist&oacute;rias que afetam profundamente as mulheres, como a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, globalmente &eacute; a voz do homem que prevalece, em 64% dos casos.<\/p>\n<p><\/span><span>A voz feminina tamb&eacute;m &eacute; preterida quando se trata de ouvir a opini&atilde;o de especialistas. 83% deles s&atilde;o homens. As mulheres, ao contr&aacute;rio, aparecem para relatar experi&ecirc;ncias pessoais (31% dos casos), como exemplos da opini&atilde;o popular (33%) ou quando s&atilde;o celebridades (42%). E s&atilde;o duas vezes mais retratadas como v&iacute;timas do que os homens, mesmo em casos que afetam da mesma forma os dois g&ecirc;neros, como acidentes e conflitos armados.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Apesar da emancipa&ccedil;&atilde;o feminina e do brutal crescimento da participa&ccedil;&atilde;o da mulher no mercado de trabalho, as mulheres continuam sendo identificadas pela imprensa como esposas, m&atilde;es ou filhas. Mesmo quando aparecem desempenhando algum papel profissional, como especialistas de alguma &aacute;rea, as mulheres n&atilde;o escapam da rela&ccedil;&atilde;o com o contexto familiar. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Outro dado interessante &eacute; o que revela que as mulheres dificilmente s&atilde;o o foco central de uma mat&eacute;ria. Apenas 10% das not&iacute;cias mundiais &ndash; apesar de <\/span><span>em pa&iacute;ses como Estados Unidos<\/span><span> e Canad&aacute; chegarem a 20% &#8211; as colocam como o centro do acontecimento a ser destacado. A propor&ccedil;&atilde;o varia de acordo com a pauta. Mulheres s&atilde;o centrais em 17% das not&iacute;cias consideradas &ldquo;leves&rdquo;, e em apenas 3% das not&iacute;cias sobre economia. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Parte deste quadro de aus&ecirc;ncia da vis&atilde;o feminina na imprensa &eacute; resultado do fato de que as not&iacute;cias ainda s&atilde;o relatadas e apresentadas principalmente por homens. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o &eacute; a apresenta&ccedil;&atilde;o televisiva, onde as mulheres representam 57%. Na reportagem, no entanto, as mulheres s&oacute; s&atilde;o maioria na cobertura de assuntos sobre pobreza e bem-estar social e nas previs&otilde;es meteorol&oacute;gicas. Em outros meios, elas s&atilde;o minoria, e o desequil&iacute;brio fica mais evidente em jornais, onde apenas 28% dos artigos s&atilde;o escritos por rep&oacute;rteres femininas. Mesmo neste caso, a tend&ecirc;ncia &eacute; a das mulheres cobrirem temas sociais, como educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de. Apenas 32% das not&iacute;cias sobre pol&iacute;tica e governo s&atilde;o relatadas por jornalistas mulheres.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>De 1995 pra c&aacute;, este percentual tem aumentado. Cresceu de 28 para 37%, mas ainda apresenta desafios. Na televis&atilde;o, por exemplo, as mulheres desaparecem conforme ficam mais velhas. <\/span><\/p>\n<p><span>Na profiss&atilde;o, a apar&ecirc;ncia jovem em muitos casos &eacute; mais valorizada do que a experi&ecirc;ncia. At&eacute; a idade de 34 anos, as mulheres s&atilde;o maioria na TV tanto no posto de apresentadoras como de rep&oacute;rteres. Depois dos 50 anos, somente 17% dos rep&oacute;rteres mulheres, e 7% dos apresentadores.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Ocupar a m&iacute;dia e a pol&iacute;tica<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m de ocupar os espa&ccedil;os comunicativos e pol&iacute;ticos para dar in&iacute;cio ao processo de altera&ccedil;&atilde;o deste quadro de sub-representa&ccedil;&atilde;o e distor&ccedil;&atilde;o, h&aacute; outras formas de atua&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;m sendo levadas a cabo pelo movimento feminista para repara&ccedil;&atilde;o deste cen&aacute;rio.<\/p>\n<p><\/span><span>A Ag&ecirc;ncia Carta Maior noticiou recentemente que um abaixo assinado proposto pelo Observat&oacute;rio da Mulher e contendo mais de 500 assinaturas de ONGs, grupos feministas, sindicalistas e outras organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil foi entregue ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal. Dirigido aos acionistas e diretores das diversas emissoras da TV brasileiras e ao F&oacute;rum pela &Eacute;tica na TV, o documento requer espa&ccedil;o na programa&ccedil;&atilde;o da TV comercial para apresentar uma imagem da mulher brasileira diferente da que &eacute; veiculada de maneira geral pelas emissoras. &quot;A TV &eacute; uma concess&atilde;o p&uacute;blica e, por isso, &eacute; leg&iacute;timo considerar que as concession&aacute;rias t&ecirc;m, no m&iacute;nimo, como contra partida, a responsabilidade de atender os mais altos anseios e interesses do p&uacute;blico que pretendem representar&quot;, diz o documento. <\/p>\n<p><\/span><span>O manifesto afirma ainda que &ldquo;a relativa invisibilidade das mulheres trabalhadoras, intelectuais, especialistas, profissionais liberais e outras, a falta de espa&ccedil;o para a discuss&atilde;o de nossas reivindica&ccedil;&otilde;es e ideais, bem como de nossas conquistas e das mudan&ccedil;as que conseguimos introduzir no mundo, perpetua a reprodu&ccedil;&atilde;o dos estere&oacute;tipos limitantes que influem na forma&ccedil;&atilde;o de uma subjetividade empobrecida e resultam no rebaixamento da auto-estima das mulheres e na busca de sua afirma&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da persegui&ccedil;&atilde;o dos modelos, valores e produtos veiculados&rdquo;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Reforma pol&iacute;tica: uma oportunidade de criar espa&ccedil;os a serem ocupados<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span>A entrada <\/span><span>em pauta da Reforma Pol&iacute;tica<\/span><span> e os debates que est&atilde;o sendo realizados sobre ela no &acirc;mbito da sociedade civil conformam uma oportunidade de se discutir as possibilidades de repara&ccedil;&atilde;o deste quadro de sub-representa&ccedil;&atilde;o da mulher na m&iacute;dia e nas pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Em documento chamado de Plataforma dos movimentos sociais por uma Reforma Pol&iacute;tica Ampla, Democr&aacute;tica e Participativa*, uma articula&ccedil;&atilde;o de diversos movimentos, organiza&ccedil;&otilde;es e setores da sociedade prop&otilde;e que a reforma n&atilde;o se restrinja &agrave; reforma do sistema pol&iacute;tico e eleitoral, que tramita no Congresso e &eacute; noticiada pela grande m&iacute;dia. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>As organiza&ccedil;&otilde;es exigem que a reforma contemple as diversas formas de democracia: participativa, direta e representativa, al&eacute;m de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e da transpar&ecirc;ncia do judici&aacute;rio. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>No eixo que trata da comunica&ccedil;&atilde;o, as organiza&ccedil;&otilde;es prop&otilde;em &#8211; entre outras coisas &#8211; a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o e incentivo a mecanismos de controle p&uacute;blico, tanto dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o (em rela&ccedil;&atilde;o aos conte&uacute;dos), quanto das pol&iacute;ticas, para que sejam criadas e executadas com participa&ccedil;&atilde;o e monitoradas pela sociedade.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>Se na educa&ccedil;&atilde;o, na sa&uacute;de e em outros campos de direitos humanos consolidados, estes espa&ccedil;os de interven&ccedil;&atilde;o est&atilde;o constru&iacute;dos (ainda que precisem ser reestruturados) e precisam ser ocupados pelas mulheres, na comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso participar da luta para constru&iacute;-los, para, em seguida ocup&aacute;-los.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><em>* Resumo da apresenta&ccedil;&atilde;o no Semin&aacute;rio &ldquo;Democratizar a democracia: a reforma pol&iacute;tica e a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres&rdquo;, realizado em Bras&iacute;lia, em 28 de Mar&ccedil;o de 2007.<\/em><\/span><em><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>** Michelle Prazeres &eacute; jornalista, mestre <\/span><span>em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica<\/span><span> pela PUC-SP, assessora de comunica&ccedil;&atilde;o da ONG A&ccedil;&atilde;o Educativa e integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/span><\/em><span><em>&nbsp;<br \/><\/em><\/span><span><br \/><em>***<\/em><\/span><span><em>Leia mais sobre a plataforma e veja o documento completo em <a href=\"http:\/\/www.participacaopopular.org.br\/\">www.participacaopopular.org.br<\/a><\/em><\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; preciso lutar para reverter os quadros de invisibilidade, sub-representa&ccedil;&atilde;o e estereotipagem das mulheres que permeiam tanto o conte&uacute;do quanto as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. Este artigo busca explorar limites e possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o nestes dois &acirc;mbitos, considerando que o sistema pol&iacute;tico tal qual existe &eacute; viciado e a m&iacute;dia, por sua vez, reflete &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18257\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Mulheres, comunica\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o da Reforma Pol\u00edtica<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18257"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18257\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}