{"id":18252,"date":"2007-04-24T20:04:56","date_gmt":"2007-04-24T20:04:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18252"},"modified":"2007-04-24T20:04:56","modified_gmt":"2007-04-24T20:04:56","slug":"rede-publica-tera-autonomia-de-gestao-diz-franklin-martins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18252","title":{"rendered":"Rede p\u00fablica ter\u00e1 autonomia de gest\u00e3o, diz Franklin Martins"},"content":{"rendered":"<p>Confira uma s&iacute;ntese&nbsp;do que defendeu o&nbsp;ministro da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Franklin Martins, em entrevista concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura no &uacute;ltimo dia 23\/4, sobre a proposta de cria&ccedil;&atilde;o de uma rede p&uacute;blica nacional de televis&atilde;o.<\/p>\n<p><em>*<\/em> <\/p>\n<p><em>A televis&atilde;o p&uacute;blica que est&aacute; sendo preconizada pelo Governo Federal certamente n&atilde;o &eacute; uma TV estatal. N&atilde;o &eacute; uma TV que vai ficar fazendo comunica&ccedil;&atilde;o do governo, jornalismo chapa branca ou procurando passar os pontos de vista do governo para a sociedade. &Eacute; uma TV p&uacute;blica, no sentido de que ela n&atilde;o vai se guiar pela l&oacute;gica comercial. Isso significa que ela n&atilde;o precisa estar reunindo, perseguindo e mantendo alt&iacute;ssimos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia e, portanto, repetindo a mesma programa&ccedil;&atilde;o sempre. A TV comercial est&aacute; condenada &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o. A TV p&uacute;blica pode experimentar. Pode ter os v&aacute;rios Brasis dentro do Brasil que &eacute; a televis&atilde;o e pode fazer o que se faz no mundo todo &#8212; ou seja, &eacute; uma TV que tem cultura, tem jornalismo isento, tem debates de assuntos de maneira aprofundada. &Eacute; aberta para a produ&ccedil;&atilde;o independente, &eacute; aberta para a produ&ccedil;&atilde;o regional. E para garantir que n&atilde;o seja o governo controlando tudo isso, ela tem uma forma de gest&atilde;o p&uacute;blica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O decreto que previu a cria&ccedil;&atilde;o da TV digital prev&ecirc; ainda a possibilidade de quatro canais de TV p&uacute;blica &#8211; um de governo, um outro de cidadania, outro de cultura e um &uacute;ltimo de educa&ccedil;&atilde;o. Evidentemente n&oacute;s n&atilde;o vamos come&ccedil;ar com quatro canais. N&oacute;s n&atilde;o temos condi&ccedil;&otilde;es de fazer isso. N&oacute;s vamos come&ccedil;ar com uma TV que vai ter um pouco disso tudo. Ela vai ser basicamente uma TV que vai ter jornalismo, debate, aprofundamento de quest&otilde;es. Vai ter cultura dentro dela, uma abertura para a produ&ccedil;&atilde;o independente que &eacute; fundamental. Ou seja, n&atilde;o &eacute; apenas uma estrutura central ou mesmo televis&otilde;es regionais que produzem conte&uacute;do. Ela tem que ter uma abertura para essa renova&ccedil;&atilde;o que a produ&ccedil;&atilde;o independente traz e vai ter que estar aberta para a produ&ccedil;&atilde;o das diferentes regi&otilde;es, dos diferentes estados. No primeiro momento ela ser&aacute; uma TV de certa forma generalista. Aos poucos pode ser que a gente possa ir dividindo. Evidentemente, j&aacute; no primeiro momento, ela dever&aacute; ter algo tamb&eacute;m de TV educativa no primeiro momento. &Eacute; talvez a primeira TV que possa se desmembrar dessa TV m&atilde;e, digamos assim.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O Governo Federal est&aacute; discutindo exatamente tr&ecirc;s quest&otilde;es que s&atilde;o essenciais para em fun&ccedil;&atilde;o delas voc&ecirc; ter uma TV p&uacute;blica, um modelo de gest&atilde;o, um modelo de financiamento e um modelo de rede p&uacute;blica. Mas a id&eacute;ia &eacute; partir do que o Governo Federal tem no momento atual, isto &eacute;, a Radiobras e a TV educativa do Rio e do Maranh&atilde;o. A id&eacute;ia &eacute; fundir essas estruturas, dar a espinha dorsal para uma programa&ccedil;&atilde;o que ao mesmo tempo se abra para a parceria com um conjunto de TVs culturais, educativas, universit&aacute;rias j&aacute; existentes.&nbsp; Ent&atilde;o a id&eacute;ia &eacute; estabelecer uma parceria que v&aacute; aos poucos formando uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o. N&oacute;s ainda n&atilde;o temos uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o estruturada no Brasil. N&oacute;s temos o qu&ecirc;? V&aacute;rias TVs p&uacute;blicas, universit&aacute;rias, culturais, mas que voc&ecirc; n&atilde;o pode dizer que constituem uma rede p&uacute;blica com um projeto pr&oacute;prio, com uma parceria definida e &eacute; isso que o Governo Federal pretende: exercer um papel de lideran&ccedil;a dentro disso, quer dizer, que seja capaz de convocar, trazer para o mesmo movimento o conjunto de emissoras com esse car&aacute;ter e ser capaz de constituir uma rede p&uacute;blica. <\/em><\/p>\n<p><em>Qual a diferen&ccedil;a entre esse modelo, descrito em linhas gerais, e o modelo seguido por exemplo pela TV Cultura? Eles s&atilde;o modelos semelhantes, s&oacute; que a TV Cultura &eacute; uma TV do Estado de S&atilde;o Paulo e uma TV que dificilmente conseguir&aacute; exercer esse papel nacional de agrupar o conjunto das televis&otilde;es. &Eacute; preciso ver que o Governo Federal joga um papel de lideran&ccedil;a dentro disso. Vai ter que ter parceria com a TV Cultura? Claro, e com a rede Minas, com a TV da Bahia, com cada uma delas, mas evidentemente s&oacute; o Governo Federal possui condi&ccedil;&otilde;es para poder nuclear esse processo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>N&oacute;s temos que ter um modelo de gest&atilde;o, um modelo de gest&atilde;o p&uacute;blico. Ou seja, n&atilde;o &eacute; o estado quem manda. O governo, evidentemente, nomeia, comp&otilde;e os comit&ecirc;s, comp&otilde;e os conselhos etc., mas ele faz isso levando em conta a representa&ccedil;&atilde;o da sociedade, como faz a TV p&uacute;blica no mundo todo. E no mundo todo ela funciona assim e sempre funciona, de vez em quando, tendo problemas, tendo crises. N&atilde;o existe um modelo perfeito que evita qualquer tipo de coisa. Agora, interfer&ecirc;ncia na linha pol&iacute;tica do jornalismo, isso voc&ecirc; tamb&eacute;m tem na TV comercial, vamos ser claros. N&atilde;o &eacute; que a TV comercial faz o jornalismo sempre isento e n&atilde;o tem press&atilde;o e a TV p&uacute;blica tem. O problema existe para todo mundo. Como &eacute; que voc&ecirc; resolve isso? Tendo um modelo de gest&atilde;o p&uacute;blica e, principalmente, tendo um telespectador, um ouvinte, um leitor atento, vigilante que cobra e exige aten&ccedil;&atilde;o. Eu acho que a sociedade quer isen&ccedil;&atilde;o do jornalismo. Ele n&atilde;o quer um jornalismo chapa branca e ele n&atilde;o quer tamb&eacute;m um jornalismo que considere como sua miss&atilde;o a de fazer a oposi&ccedil;&atilde;o ao governo. Ele quer um jornalismo que se baseie naquilo que &eacute; o bom e velho jornalismo, baseado em fatos e n&atilde;o em preconceitos ou not&iacute;cia embrulhada. <\/em><\/p>\n<p><em>N&atilde;o chegamos ainda ao seu modelo de financiamento. A TV p&uacute;blica, ela vai precisar ter um financiamento que garanta que ela v&aacute; funcionar independentemente da press&atilde;o do governo. Porque n&atilde;o &eacute; apenas no modelo de gest&atilde;o que ela garante a sua independ&ecirc;ncia, &eacute; tamb&eacute;m na quest&atilde;o do financiamento. Ent&atilde;o, parte vir&aacute; de dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias, parte vir&aacute; de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os que ela possa cumprir, mas parte vir&aacute; do patroc&iacute;nio de grandes empresas. Eu, por exemplo, sou contra comercial na TV p&uacute;blica. Mas sou a favor do patroc&iacute;nio, ou seja, onde se associa a marca da estatal a determinado programa. Isso j&aacute; vem sendo feito no Brasil, n&atilde;o tem nenhuma novidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m acho que h&aacute; dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias que ela ir&aacute; receber, isso tanto do Governo Federal como da rede p&uacute;blica, e tamb&eacute;m de governos estaduais que eventualmente se somem a essa rede. Teremos presta&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o, porque, por exemplo, a Radiobr&aacute;s, hoje em dia faz comunica&ccedil;&atilde;o de governo. Ela continuar&aacute; uma parte dessa empresa, dessa estrutura que vai surgir com a fus&atilde;o da Radiobras e da TV e prestar&aacute; comunica&ccedil;&atilde;o, continuar&aacute; a fazer a comunica&ccedil;&atilde;o de governo. Mas isso &eacute; um departamento &agrave; parte que vai ser remunerado. Haver&aacute; a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, por exemplo, de programas educativos que s&atilde;o feitos para o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. Agora, a TV p&uacute;blica vai precisar de patroc&iacute;nio e vai precisar tamb&eacute;m se abrir para outras formas poss&iacute;veis. No Brasil n&oacute;s n&atilde;o temos muita tradi&ccedil;&atilde;o de doa&ccedil;&atilde;o. Nos Estados Unidos, por exemplo, boa parte do or&ccedil;amento da TV p&uacute;blica &eacute; mantido com doa&ccedil;&atilde;o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Acho que o governo tem que liderar a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede p&uacute;blica, a rede p&uacute;blica vai fazer muito bem ao pa&iacute;s. No mundo todo onde tem rede p&uacute;blica ela ajuda a televis&atilde;o, inclusive comercial, a ter uma melhor qualidade. Vou te dar um exemplo. N&oacute;s temos um pa&iacute;s em que 30% das pessoas vieram da &Aacute;frica, t&ecirc;m origem na &Aacute;frica. Qual &eacute; o programa sobre a &Aacute;frica que existe na TV comercial brasileira? Digo mais. Qual &eacute; a televis&atilde;o brasileira que tem um correspondente em algum pa&iacute;s da &Aacute;frica? Por que &eacute; que n&oacute;s vivemos de costas para a &Aacute;frica?&nbsp;&nbsp; Eu acho que a TV comercial, pela sua din&acirc;mica, provavelmente jamais far&aacute; isso. Ela n&atilde;o pode fazer isso porque muitas vezes ela est&aacute; comprometida a determinados &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia, ela arrisca pouco e a&iacute; petisca pouco. Acho que n&oacute;s temos que fazer isso. Agora, por outro lado, eu acho que o governo tem que sempre procurar informar melhor. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O Estado Brasileiro tem que procurar informar melhor. Eu acho que informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica deve ser de dom&iacute;nio p&uacute;blico. Evidentemente isso &eacute; um processo que n&atilde;o &eacute; um estalo ar de dedos. Voc&ecirc; tem que ir aos poucos, construindo. O governo tem que ir sendo criticado. O governo tem que ir se abrindo. Agora eu acho que uma coisa n&atilde;o elimina a outra, acho que tem que estruturar e liderar uma TV, uma rede p&uacute;blica e, ao mesmo tempo, tem que sempre botar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da sociedade, e atrav&eacute;s da m&iacute;dia, de modo geral, a informa&ccedil;&atilde;o que &eacute; de dom&iacute;nio p&uacute;blico. H&aacute; uma s&eacute;rie de quest&otilde;es que n&atilde;o se discutem na nossa TV comercial. Por qu&ecirc;? Porque isso de se discutir, num primeiro momento, tira a audi&ecirc;ncia. Ent&atilde;o eu acho muito importante que possa se aprofundar o debate.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Eu acho que podemos fazer um jornalismo muito melhor, aprofundar muito mais. Debater muito mais as quest&otilde;es. N&atilde;o &eacute; apenas publicar uma opini&atilde;o. Por exemplo, a quest&atilde;o do etanol &#8212; eu n&atilde;o tenho visto grandes debates. Voc&ecirc; v&ecirc; reportagem, uma &quot;falinha&quot; de um, sonorinha do outro, mas grandes debates, grandes debates sobre a quest&atilde;o de crescimento econ&ocirc;mico, meio ambiente, como eu estava dizendo n&atilde;o tenho visto. Acho que podemos avan&ccedil;ar muito mais. Eu n&atilde;o estou com essa satisfa&ccedil;&atilde;o toda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; qualidade do que n&oacute;s j&aacute; fazemos como jornalismo. N&oacute;s podemos fazer muito mais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Eu quero ainda dizer o seguinte, que essa hist&oacute;ria de que a publicidade e a rela&ccedil;&atilde;o com a imprensa n&atilde;o podem estar na mesma estrutura, tem nela um pouco de hipocrisia. Primeiro porque no pa&iacute;s inteiro &eacute; assim. A come&ccedil;ar aqui por S&atilde;o Paulo. Ou seja, quem cuida das verbas de publicidade do governo do Estado de S&atilde;o Paulo &eacute; tamb&eacute;m a estrutura que cuida da rela&ccedil;&atilde;o com a imprensa. N&atilde;o &eacute; uma coisa dividida. Foi assim sempre no pa&iacute;s. Por exemplo, no governo Fernando Henrique era assim. S&eacute;rgio Amaral foi porta-voz durante 5 anos, e durante 3 anos e acho que 9 meses ele tamb&eacute;m, ao mesmo tempo, foi o Secret&aacute;rio da SECOM. Quer dizer, ent&atilde;o, que esse &eacute; um modelo que existe. Mais do que isso, eu acho que podem se manter os guich&ecirc;s separados. Os grandes jornais do pa&iacute;s, as grandes televis&otilde;es, as grandes r&aacute;dios, as grandes empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, elas t&ecirc;m uma reda&ccedil;&atilde;o e t&ecirc;m um departamento comercial. Os dois respondem ao mesmo dono. Se os donos conseguem manter os departamentos separado eu n&atilde;o entendo por que &eacute; que a gente acha que o governo n&atilde;o vai conseguir. Agora, se errar, se houver promiscuidade, se houver confus&atilde;o, que haja a cr&iacute;tica. Agora, por antecipa&ccedil;&atilde;o, eu acho um pouco demais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O governo e a imprensa tiveram uma rela&ccedil;&atilde;o muito dura, muito dif&iacute;cil nos &uacute;ltimos tempos. N&oacute;s atravessamos uma crise pol&iacute;tica brutal no &uacute;ltimo ano e meio. Eu diria que essa crise pol&iacute;tica n&atilde;o foi apenas brutal, foi selvagem, valeu tudo, o esfola e mata, o linchamento, paulada para tudo que &eacute; lado. O importante era desqualificar antes para n&atilde;o ter que discutir depois. Quer dizer, essa crise envenenou o pa&iacute;s. E quem &eacute; que decidiu que ia desintoxicar o pa&iacute;s? O eleitor. O eleitor n&atilde;o apenas elegeu o Presidente Lula pelo segundo mandato com a vota&ccedil;&atilde;o de 61%, mais ou menos o mesmo &iacute;ndice que ele teve na elei&ccedil;&atilde;o anterior. Mais do que isso, o eleitor deixou claro longo de toda a campanha que ele queria um debate p&uacute;blico qualificado e que n&atilde;o queria que a desqualifica&ccedil;&atilde;o prevalecesse sobre o debate.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Vamos dar exemplos: todos os candidatos que partiram para um tipo de enfrentamento que passaram do ponto ca&iacute;ram imediatamente nas pesquisas. Aconteceu isso com a candidata Helo&iacute;sa Helena, aconteceu isso com o candidato Geraldo Alckmin. Todos os candidatos que recusaram o debate sofreram, cairam imediatamente nas pesquisas. Aconteceu isso com o candidato Lula quando ele n&atilde;o foi ao debate e caiu nas pesquisas. E aconteceu isso com o candidato Alckmin quando ele se recusou a defender os pontos-de-vista hist&oacute;ricos do partido na quest&atilde;o da privatiza&ccedil;&atilde;o e despencou nas pesquisas. O que o eleitor mostrou o ao longo disso? Ele disse: eu quero um debate qualificado, eu quero discuss&atilde;o dos grandes problemas nacionais. Eu n&atilde;o quero viver nesse clima de esfola e mata. Isso foi um freio de arruma&ccedil;&atilde;o para todos n&oacute;s na sociedade. Foi para o governo, que est&aacute; obrigado a ter uma rela&ccedil;&atilde;o mais tranq&uuml;ila, mais profissional, mais evolu&iacute;da com a imprensa e com a oposi&ccedil;&atilde;o. Foi para a oposi&ccedil;&atilde;o que est&aacute; tendo de procurar o seu rumo porque est&aacute; ficando claro que n&atilde;o basta aquele velho neg&oacute;cio que dizia, sangrar o Lula at&eacute; &agrave; morte, isso n&atilde;o leva a lugar nenhum. Era obrigado a ter proposta. E a m&iacute;dia tamb&eacute;m est&aacute; tendo de refletir sobre o seu papel. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Eu n&atilde;o vou aqui, hoje como Ministro, querer falar sobre o que a m&iacute;dia fez ou deixou de fazer. Mas todos n&oacute;s, jornalistas, sabemos que a m&iacute;dia est&aacute; na berlinda. E a m&iacute;dia quando vai para a berlinda &eacute; ruim para ela. &Eacute; como juiz de futebol que aparece demais em campo, se percebe a presen&ccedil;a dele, mais do que a dos jogadores, h&aacute; algum problema. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o que &eacute; que vai acontecer? Eu acho que a m&iacute;dia vai sair melhor disso. Porque a cr&iacute;tica que a sociedade vai fazer, que o ouvinte, o leitor vai fazer, vai for&ccedil;&aacute;-la a fazer uma reflex&atilde;o e se sair melhor. Ent&atilde;o, esse freio de arruma&ccedil;&atilde;o &eacute; bom para todo mundo. A rela&ccedil;&atilde;o do governo com a m&iacute;dia melhorou j&aacute; nos &uacute;ltimos meses. Melhorou por qu&ecirc;? Porque a sociedade determinou que melhorasse.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>No mundo, a BBC de Londres &eacute; o modelo mais conhecido de TV p&uacute;blica. Independente do estado, &eacute; administrada por um conselho formado por integrantes da sociedade e mantida pela pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o. Criou uma marca de qualidade e reconhecimento com uma programa&ccedil;&atilde;o mais rica de conte&uacute;do que as TVs comerciais. No Brasil, o modelo mais pr&oacute;ximo de TV p&uacute;blica &eacute; o da TV Cultura de S&atilde;o Paulo. Administrada por um conselho Curador e mantida por um misto de verbas p&uacute;blicas, de publicidade e de presta&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os, ela tamb&eacute;m tem uma programa&ccedil;&atilde;o diferenciada com &ecirc;nfase em cultura e cidadania. &nbsp;&nbsp;A discuss&atilde;o sobre a televis&atilde;o p&uacute;blica, que n&atilde;o &eacute; nova, &eacute; retomada agora com o f&oacute;rum nacional de TVs p&uacute;blicas que articula para o m&ecirc;s que vem uma defini&ccedil;&atilde;o sobre o papel, a programa&ccedil;&atilde;o, as formas de financiamento e como montar uma rede nacional de TV p&uacute;blica no Brasil. A id&eacute;ia &eacute; ter essas defini&ccedil;&otilde;es at&eacute; o final do ano, antes da transi&ccedil;&atilde;o para a TV digital. A mudan&ccedil;a de tecnologia pode abrir espa&ccedil;os para mais canais de TV. E &eacute; essa a oportunidade para ampliar os canais alternativos, oferecendo programa&ccedil;&atilde;o de qualidade, mais voltada ao interesse p&uacute;blico do que ao interesse do mercado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das quest&otilde;es fundamentais, a meu ver, dentro da TV p&uacute;blica &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o para a produ&ccedil;&atilde;o independente de um projeto que seja capaz de financiar, atrair, organizar a produ&ccedil;&atilde;o independente em todo o pa&iacute;s. Um dos problemas da televis&atilde;o comercial no Brasil &eacute; que ela, basicamente, produz praticamente tudo ou quase tudo daquilo que ela veicula, diferentemente de outros pa&iacute;ses no mundo. Por exemplo, nos Estados Unidos as emissoras s&atilde;o obrigadas por lei a veicular um percentual elevado de produ&ccedil;&atilde;o independente &#8211; embora, muitas vezes, a produ&ccedil;&atilde;o independente l&aacute; n&atilde;o tenha nada de pequena, seja uma produ&ccedil;&atilde;o de grandes substitu&iacute;dos e etc. Mas se separa a figura de quem produz e quem veicula, de quem dissemina.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Eu acho que no nosso caso, n&oacute;s temos que procurar ter n&atilde;o s&oacute; um fundo como ter uma programa&ccedil;&atilde;o para que voc&ecirc; possa ter produ&ccedil;&atilde;o independente enquanto fornecedor regular de boa parte da grade da TV p&uacute;blica. Isso &eacute; fundamental para qu&ecirc;? Porque voc&ecirc; tem criatividade, inova&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc; traz padr&otilde;es novos. Voc&ecirc; arrisca mais. Quer dizer, a televis&atilde;o p&uacute;blica, ela tem que ser tamb&eacute;m o local de experimenta&ccedil;&atilde;o. Ela tem que ter um local onde a novidade encontra espa&ccedil;o e n&atilde;o apenas a repeti&ccedil;&atilde;o que &eacute;, de certa forma, um padr&atilde;o da TV comercial.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira uma s\u00edntese do que defendeu o ministro da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social, Franklin Martins, em entrevista concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura no \u00faltimo dia 23\/4, sobre a proposta de cria\u00e7\u00e3o de uma rede p\u00fablica nacional de televis\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[193],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18252"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18252\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}