{"id":18251,"date":"2007-04-24T17:13:52","date_gmt":"2007-04-24T17:13:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18251"},"modified":"2007-04-24T17:13:52","modified_gmt":"2007-04-24T17:13:52","slug":"entidades-cobram-carater-publico-das-emissoras-de-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18251","title":{"rendered":"Entidades cobram car\u00e1ter p\u00fablico das emissoras de TV"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Para feministas, meios de comunica&ccedil;&atilde;o devem ser plurais, abertos &agrave;s cr&iacute;ticas da sociedade e cumprir o papel de concession&aacute;rios p&uacute;blicos que possuem. <\/em><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>S&Atilde;O PAULO &ndash; A conven&ccedil;&atilde;o da ONU que trata da elimina&ccedil;&atilde;o de todas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o contra a mulher n&atilde;o traz nenhum artigo em espec&iacute;fico sobre a m&iacute;dia, mas exp&otilde;e de forma clara os pap&eacute;is da sociedade e do Estado na luta contra padr&otilde;es culturais que refor&ccedil;am preconceitos e estere&oacute;tipos. No caso das emissoras de r&aacute;dio e TV, portanto, este papel &eacute; duplo. Por um lado, por serem empresas e, por outro, por serem concession&aacute;rias de um servi&ccedil;o p&uacute;blico, elas n&atilde;o podem atuar de forma a refor&ccedil;ar as desigualdades presentes na sociedade. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Existe uma discrimina&ccedil;&atilde;o estrutural milenar contra a mulher. Sua subalterna&ccedil;&atilde;o &eacute; hist&oacute;rica e atual, no Brasil e no mundo&rdquo;, avalia Silvia Pimentel, professora de Filosofia do Direito na PUC-SP, conselheira do Comit&ecirc; Latino-Americano e do Caribe para Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) e membro do Cedaw, comit&ecirc; da ONU respons&aacute;vel pelo cumprimento da conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o tema. &ldquo;Por isso, n&atilde;o estamos pedindo nenhum favor, gentileza ou concess&atilde;o aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Estamos exigindo um direito&rdquo;, afirma. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Para as feministas, a m&iacute;dia &eacute; o espa&ccedil;o onde as reivindica&ccedil;&otilde;es das mulheres encontram menos resson&acirc;ncia &ndash; se comparado, por exemplo, aos poderes Executivo, Legislativo e at&eacute; Judici&aacute;rio. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Parece que falamos sozinhas, somos ignoradas. A maioria dos ve&iacute;culos &eacute; imperme&aacute;vel, trilha seu caminho sozinha. N&atilde;o t&ecirc;m diversidade e n&atilde;o t&ecirc;m cr&iacute;tica&rdquo;, afirma Jacira Melo, diretora do Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o &ndash; Comunica&ccedil;&atilde;o e M&iacute;dia. &ldquo;Eles dizem que o controle remoto &eacute; um equipamento forte de controle de qualidade, mas uma sociedade democr&aacute;tica exige mecanismos participativos n&atilde;o somente em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado mas tamb&eacute;m aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, em especial &agrave; TV. No Brasil n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o p&uacute;blico de debate sobre estas quest&otilde;es, espa&ccedil;os de soma e articula&ccedil;&atilde;o das cr&iacute;ticas &agrave; programa&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; perverso, porque, assim, nossa cr&iacute;tica &eacute; silenciada. Por isso viemos ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal&rdquo;, explicou Jacira durante a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada nesta segunda (23).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Para as feministas, as emissoras deveriam ser, inclusive, respons&aacute;veis pelas propagandas que veiculam quando essas ofendem a imagem da mulher brasileira e atingem n&iacute;veis &ldquo;exorbitantes&rdquo; de explicita&ccedil;&atilde;o da mercantiliza&ccedil;&atilde;o da mulher. Se a l&oacute;gica das emissoras &eacute; ser sustentada pela propaganda, os canais deveriam, portanto, ser responsabilizados tamb&eacute;m pelos an&uacute;ncios que veiculam. <\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p><span><strong>Uma quest&atilde;o de direitos humanos<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span>A quest&atilde;o da invisibilidade da diversidade feminina na m&iacute;dia e sua estereotipa&ccedil;&atilde;o nos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada por especialistas como uma forma de viol&ecirc;ncia e de viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos. No caso da mulher negra, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais grave, porque envolve componentes de racismo, que acabam por determinar o lugar que as negras ocupam na televis&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Quando n&atilde;o &eacute; invis&iacute;vel, a mulher negra consegue uma visibilidade perversa na m&iacute;dia. Nas novelas, por exemplo, elas nunca est&atilde;o no n&uacute;cleo principal. Surgem no secund&aacute;rio, desempenhando um papel subalterno aos brancos. Aparecem trabalhando muito, mas em posi&ccedil;&otilde;es inferiores&rdquo;, relata a advogada Rebeca Duarte, da Articula&ccedil;&atilde;o de Mulheres Negras. &ldquo;O que ocorre na TV &eacute;, portanto, um crime perpetuado pela naturaliza&ccedil;&atilde;o deste papel. A sociedade racista naturalizou o fato das pessoas assistirem &agrave; novela, com a mulher negra sempre desempenhando este tipo de papel, sem se indignar&rdquo;, completa.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Ou seja, se, por um lado, a condi&ccedil;&atilde;o da mulher negra na m&iacute;dia &eacute; uma reprodu&ccedil;&atilde;o constante da viol&ecirc;ncia sexista e racista que existe na sociedade brasileira, por outro, avaliam, h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre a reprodu&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica feita das negras e a viol&ecirc;ncia e preconceito permanentes que sofrem na sociedade.<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><span><br \/>&ldquo;A forma como as mulheres s&atilde;o retratadas na m&iacute;dia &eacute; inconceb&iacute;vel e humilhante para qualquer ser humano. Temos que mostrar essas humilha&ccedil;&otilde;es e as possibilidades dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas, cumprirem com sua responsabilidade social e respeitarem os limites da legisla&ccedil;&atilde;o p&aacute;tria&rdquo;, defende Teresa Cristina Nascimento Souza, da Secretaria Nacional de Pol&iacute;ticas para as Mulheres.<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>&ldquo;A comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito humano, que pressup&otilde;e falar e ouvir, ver e ser visto. Se vemos TV, queremos nos ver na TV. N&atilde;o somos s&oacute; a zona sul do Rio de Janeiro. Um retrato mais fiel acusa a nossa realidade: uma diversidade maior do que a mostrada na TV. Somos diversas em conflitos, em reivindica&ccedil;&otilde;es. Mostrar tudo isso amplia o espectro de forma&ccedil;&atilde;o da nossa subjetividade e &eacute; um passo pra consolida&ccedil;&atilde;o da nossa democracia&rdquo;, conclui Raque Moreno, do Observat&oacute;rio da Mulher.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><em><a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=13939\">A mat&eacute;ria original est&aacute; dispon&iacute;vel clicando aqui.<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para feministas, meios de comunica\u00e7\u00e3o devem ser plurais, abertos \u00e0s cr\u00edticas da sociedade e cumprir o papel de concession\u00e1rios p\u00fablicos que possuem.  <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[192],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18251"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18251\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}