{"id":18250,"date":"2007-04-24T16:46:36","date_gmt":"2007-04-24T16:46:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18250"},"modified":"2007-04-24T16:46:36","modified_gmt":"2007-04-24T16:46:36","slug":"feministas-e-emissoras-de-tv-iniciam-dialogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18250","title":{"rendered":"Feministas e emissoras de TV iniciam di\u00e1logo"},"content":{"rendered":"<p><span>S&Atilde;O PAULO &ndash; Uma mobiliza&ccedil;&atilde;o que teve in&iacute;cio no 8 de mar&ccedil;o deste ano, Dia Internacional da Mulher, resultou num momento considerado hist&oacute;rico pelas feministas na tarde desta segunda-feira (23). Em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica promovida pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidad&atilde;o em S&atilde;o Paulo, dezenas de entidades do movimento de mulheres conseguiram abrir um di&aacute;logo importante com as emissoras de radiodifus&atilde;o acerca da representa&ccedil;&atilde;o feminina naquele que &eacute; o meio de comunica&ccedil;&atilde;o em massa com maior influ&ecirc;ncia no pa&iacute;s: a televis&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>No m&ecirc;s passado, diversas entidades iniciaram a coleta de assinaturas para uma representa&ccedil;&atilde;o feita junto ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal solicitando que, durante uma semana, as emissoras de TV exibissem um direito de resposta que garantisse a veicula&ccedil;&atilde;o de concep&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es das mulheres alternativas &agrave;s tradicionalmente pelos canais comerciais. A representa&ccedil;&atilde;o foi entregue, foi aberto um procedimento administrativo e a procuradora Adriana Fernandes decidiu ent&atilde;o pela realiza&ccedil;&atilde;o de uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica para coletar subs&iacute;dios para uma eventual a&ccedil;&atilde;o contra a programa&ccedil;&atilde;o de TV.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Defendemos a liberdade de express&atilde;o e valorizamos a tv, que faz parte do cotidiano das mulheres. Por outro lado, nos valorizamos diante da TV: somos 52% da popula&ccedil;&atilde;o, compomos a maioria da audi&ecirc;ncia e somos respons&aacute;veis por 80% das decis&otilde;es de consumo das fam&iacute;lias. No entanto, mesmo assim, n&atilde;o nos vemos representadas na televis&atilde;o em toda a nossa diversidade&rdquo;, explica a psic&oacute;loga Raquel Moreno, do Observat&oacute;rio da Mulher.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Sabemos que a TV n&atilde;o inventa comportamentos, tend&ecirc;ncias ou valores. Mas ela captura comportamentos e decide a quais dar visibilidade, legitimidade, import&acirc;ncia. A partir da&iacute;, produz apelos eficientes e valora estilos de vida. De acordo com esses valores, vende produtos, modelos de beleza, vende at&eacute; felicidade. Faz isso atrav&eacute;s de personagens de novela, de entrevistadas, de mat&eacute;rias jornal&iacute;sticas. Como formamos opini&atilde;o a partir do que vemos e como a televis&atilde;o exerce uma influ&ecirc;ncia fundamental na forma&ccedil;&atilde;o da subjetividade &#8211; posso n&atilde;o ser igual &agrave; Gisele Bunchen, mas quero ser um pouco &ndash;, &eacute; fundamental que a mulher seja retratada de acordo com esta diversidade&rdquo;, afirma Raquel. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>De acordo com as organiza&ccedil;&otilde;es que participaram da audi&ecirc;ncia, al&eacute;m de muitos perfis de mulheres serem invis&iacute;veis &agrave; m&iacute;dia &ndash; somente em 16% das reportagens a mulher &eacute; centro das not&iacute;cias e somente 15% das mat&eacute;rias destacam a desigualdade de g&ecirc;nero &ndash;, aquele que &eacute; refor&ccedil;ado as retrata de forma estereotipada. Para elas, o modelo feminino disseminado &eacute; o da mulher bonita e burra. H&aacute;, por exemplo, mais loiras na televis&atilde;o brasileira do que na francesa.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>As conseq&uuml;&ecirc;ncias desta pr&aacute;tica s&atilde;o ser&iacute;ssimas. As brasileiras s&atilde;o as que mais se sacrificam para serem belas. Em 2003, R$ 17 bilh&otilde;es foram gastos no pa&iacute;s em cosm&eacute;ticos e produtos. Os levantamentos recentes sobre n&uacute;mero de cirurgias pl&aacute;sticas colocam o Brasil no topo do mundo. Em paralelo, as tramas novel&iacute;sticas seguem retratando a mulher com base nas rela&ccedil;&otilde;es afetivas que constroem, enquanto o trabalho, por exemplo, n&atilde;o &eacute; valorizado como forma de realiza&ccedil;&atilde;o da mulher. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Ao mesmo tempo em que, no jornalismo, h&aacute; um aumento de mat&eacute;rias esclarecedoras sobre o papel da mulher, as novelas e os programas de TV mant&ecirc;m padr&otilde;es de 30 anos atr&aacute;s. Ainda passam para os jovens o casamento e a maternidade como &uacute;nicos objetivos de vida das mulheres. A realiza&ccedil;&atilde;o da menina se d&aacute;, portanto, quando ela arrumar um homem. Que sociedade &eacute; essa que estamos construindo quando passamos para os adolescentes que a mulher s&oacute; vale pelo seu corpo, pelo que compra ou pelo homem que tem do lado?&rdquo;, questiona a jornalista Terezinha Vicente Ferreira, da Marcha Mundial das Mulheres.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Na opini&atilde;o de Jacira Melo, diretora do Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o &ndash; Comunica&ccedil;&atilde;o e M&iacute;dia, a televis&atilde;o n&atilde;o precisa ser 24 horas por dia educativa, mas &eacute; intoler&aacute;vel que seja anti-educativa diante da influ&ecirc;ncia que exerce nas novas gera&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Uma coisa sou eu assistir a imagem de uma loira magra na TV como modelo de beleza. Outra s&atilde;o crian&ccedil;as vendo essa imagem e os estere&oacute;tipos de subordina&ccedil;&atilde;o representados na m&iacute;dia. Como o Brasil vai vencer a viol&ecirc;ncia contra a mulher quando a TV sempre coloca a mulher em uma rela&ccedil;&atilde;o de subordina&ccedil;&atilde;o diante do homem? Se queremos um outro Brasil, se queremos enfrentar a viol&ecirc;ncia contra a mulher, a desigualdade e o preconceito, temos que brigar muito com o padr&atilde;o de mulher apresentado na TV&rdquo;, acredita. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O outro lado<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>As emissoras presentes &agrave; audi&ecirc;ncia p&uacute;blica desta segunda &ndash; a &uacute;nica que n&atilde;o enviou representante foi a Rede Globo, principal alvo das cr&iacute;ticas das feministas &ndash; foram un&acirc;nimes ao afirmar que n&atilde;o existe nenhuma pol&iacute;tica de discrimina&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher dentro de suas respectivas programa&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><br \/>&ldquo;Nosso jornalismo &eacute; feito com total isen&ccedil;&atilde;o. Cerca de 79% das pessoas que trabalham na emissora s&atilde;o mulheres. Na produ&ccedil;&atilde;o, 174 de 274 funcion&aacute;rios s&atilde;o mulheres&rdquo;, disse o representante do SBT. &ldquo;Posso at&eacute; concordar que as ag&ecirc;ncias de publicidade utilizem formas erradas de representa&ccedil;&atilde;o da mulher, mas &agrave;s vezes somos obrigados at&eacute; a veicular o que n&atilde;o queremos&rdquo;, justificou. &nbsp;<\/p>\n<p>Record, Rede TV! e TV Bandeirantes, assim como as demais, se disseram abertas ao di&aacute;logo. Mas somente a Rede Mulher e a TV Gazeta j&aacute; se dispuseram a participar de uma mesa de trabalho permanente, com participa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, para analisar a programa&ccedil;&atilde;o das emissoras. As demais enviar&atilde;o uma resposta do MPF. Nenhuma, no entanto, se disp&ocirc;s a abrir sua grade para o direito de resposta solicitado pelas entidades feministas.&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Comercialmente &eacute; dif&iacute;cil conseguir espa&ccedil;o pra isso na grade. Temos espa&ccedil;os abertos pra fazer este debate no jornalismo e em programas de media&ccedil;&atilde;o. Tenho orgulho de falar com certa tranq&uuml;ilidade da TV Gazeta, onde trabalho, porque l&aacute; n&atilde;o seguimos nem refor&ccedil;amos os estere&oacute;tipos da TV comercial&rdquo;, afirmou a advogada Nicole Hoedemaker, do departamento jur&iacute;dico da emissora.&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Na avalia&ccedil;&atilde;o das feministas, &eacute; &ldquo;&oacute;bvio&rdquo; que as emissoras n&atilde;o t&ecirc;m a inten&ccedil;&atilde;o de discriminar as mulheres, &ldquo;mas discriminam, porque essa &eacute; a ideologia discriminat&oacute;ria da sociedade, que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o absorvem de forma acr&iacute;tica&rdquo;, disse Tatau Godinho. &ldquo;Se esta audi&ecirc;ncia p&uacute;blica n&atilde;o servir para os representantes das emissoras pensarem como reproduzem estes preconceitos, avan&ccedil;amos pouco&rdquo;, completa.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em><a href=\"http:\/\/www.agenciacartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=13936\">Para ter acesso &agrave; mat&eacute;ria original, clique aqui.<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em audi\u00eancia no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal realizada em S\u00e3o Paulo, organiza\u00e7\u00f5es feministas criticaram a representa\u00e7\u00e3o da mulher feita nos meios de comunica\u00e7\u00e3o em massa, especialmente na TV. Proposta \u00e9 criar mesa permanente de di\u00e1logo com emissoras e anunciantes.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[191],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18250"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18250"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18250\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}