{"id":18248,"date":"2007-04-24T15:18:34","date_gmt":"2007-04-24T15:18:34","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18248"},"modified":"2007-04-24T15:18:34","modified_gmt":"2007-04-24T15:18:34","slug":"lan-houses-ameacadas-pela-ofensiva-dos-softwares-proprietarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18248","title":{"rendered":"Lan Houses amea\u00e7adas pela ofensiva dos softwares propriet\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><span>Sigo rumo &agrave; terceira zona residencial de Praia Grande, o lado de l&aacute; da pista para aqueles que desfrutam os jardins da orla dessa cidade do litoral paulista. O objetivo &eacute; encontrar um velho amigo, Ramiro, velho companheiro de campanhas passadas. H&aacute; mais de ano que n&atilde;o o vejo, e lembrei-me de ter dito ter aberto uma dessas casas de acesso &agrave; internet, uma lan house, na Vila do Sapo, &aacute;rea perif&eacute;rica de Praia Grande.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Fato &eacute; que a lojinha de Ramiro cresceu. O que come&ccedil;ou com tr&ecirc;s computadores usados j&aacute; conta com 13 m&aacute;quinas trabalhando em rede. Entre as hist&oacute;rias de maravilhas e tristezas de seu neg&oacute;cio, ele conta que o momento de maior dificuldade foi quando come&ccedil;ou a comprar mais computadores e, por l&aacute;, apareceram dois funcion&aacute;rios da Microsoft. O aviso foi claro: ou ele comprava as licen&ccedil;as de uso dos softwares que ele havia adquirido como c&oacute;pias n&atilde;o autorizadas ou a empresa, propriet&aacute;ria dos direitos de c&oacute;pia dos softwares, entraria com uma a&ccedil;&atilde;o contra o micro e informal empres&aacute;rio.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O fen&ocirc;meno comercial e de inclus&atilde;o digital proporcionado pela disseminada presen&ccedil;a de lan houses nas regi&otilde;es perif&eacute;ricas brasileiras n&atilde;o &eacute; diferente desse pequeno caso de Praia Grande. No Rio de Janeiro, por exemplo, j&aacute; passam de 50 casas de internet na Rocinha e 20 na Cidade de Deus. Esses centros de acesso p&uacute;blico pago &agrave; rede j&aacute; s&atilde;o considerados o principal meio de uso das classes C, D e E. Apenas os internautas das classes D e E s&atilde;o respons&aacute;veis por quase 50% dos acessos, conforme pesquisa do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (leia mais).<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-RIO, o fen&ocirc;meno demonstra que esses espa&ccedil;os, onde &eacute; cobrado de R$ 0,50 a R$ 2,00 por hora de uso, mostram ser mais eficientes do que os telecentros. &ldquo;N&atilde;o que os telecentros sejam ruins. Pelos contr&aacute;rio, s&atilde;o essenciais. Mas s&atilde;o poucos e &eacute; caro mant&ecirc;-los. Assim, as lan houses tornam-se uma grande alternativa nos lugares mais isolados e carentes&rdquo;, aponta.<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>Os ca&ccedil;a-mukifos<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span><br \/>O que aconteceu quando os donos do Windows, Word, MSN e Cia. descobriram o pequeno neg&oacute;cio em expans&atilde;o de Ramiro em Praia Grande n&atilde;o se diferencia de toda a realidade das lan houses em todo o pa&iacute;s. &ldquo;As grandes empresas de software agem com seus agentes locais e est&atilde;o fechando esses leg&iacute;timos atores de inclus&atilde;o digital&rdquo;, destaca Lemos.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Victor Proc&oacute;pio, 27 anos, narra na comunidade da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Lan House (ABLH), no orkut, toda sua saga contra o que ele chama de mukifo (sic): &ldquo;Denunciei e derrubei nove &lsquo;mukifos&rsquo; em menos de um m&ecirc;s. Aqui na minha regi&atilde;o (Belo Horizonte) tem uma portaria que regulariza a freq&uuml;&ecirc;ncia de menores em lan houses. Para adquirir um alvar&aacute; judicial &eacute; necess&aacute;rio planta de inc&ecirc;ndio, vistoria do corpo de bombeiros e inscri&ccedil;&atilde;o estadual com visto da Receita Estadual. Como eu consegui tudo, fui l&aacute; no minist&eacute;rio p&uacute;blico e denunciei todos para a promotoria. Disse que se n&atilde;o fosse tomada nenhuma atitude por parte dos &oacute;rg&atilde;os, eu iria levar o caso at&eacute; a corregedoria. Resultado: em menos de um m&ecirc;s, nove &lsquo;mukifos&rsquo; fechados e aumento no meu rendimento&rdquo;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O jovem empres&aacute;rio ainda clama: &ldquo;Denuncie! &lsquo;Mukifos&rsquo; n&atilde;o pagam impostos, aluguel, n&atilde;o s&atilde;o registrados, n&atilde;o t&ecirc;m gastos com contador, com advogado e muitas vezes nem t&ecirc;m gatos de energia. (&#8230;) N&atilde;o aceite isso! (&#8230;) Aqui na minha horta, &lsquo;mukifo&rsquo; roda pior que azeitona na boca de banguelo&rdquo;.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Conforme a descri&ccedil;&atilde;o da comunidade da ABLH no orkut (leia aqui), &ldquo;a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Lan House, &eacute; uma entidade n&atilde;o governamental sem fins lucrativos, que deseja organizar, normalizar, combater o &quot;dumping&quot; que est&aacute; destruindo nossa classe em todo Brasil e lutar a favor dos empres&aacute;rios s&eacute;rios deste setor que est&aacute; perdendo o prest&iacute;gio perante a sociedade e o governo. Lutamos pelo reconhecimento de nossa atividade a n&iacute;vel federal e a normaliza&ccedil;&atilde;o correta perante a lei, evitando que sejam criadas as leis locais&rdquo;.<\/span><span><strong>&nbsp;<\/strong><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>Alternativa livre<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span><\/p>\n<p>A pauta do software livre como alternativa circunda os t&oacute;picos de conversa&ccedil;&atilde;o, mas o maior problema enfrentado ainda &eacute; a incompatibilidade do GNU\/LINUX com os jogos de mais sucesso. O ga&uacute;cho Carlos Henrique Gg&uuml;ntzel, um dos organizadores da ABLH, diz em um desses debates abertos que &ldquo;o que realmente existe &eacute; uma falta de informa&ccedil;&atilde;o, pois podemos jogar praticamente todos os jogos no Linux e suas distribui&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Na p&aacute;gina eletr&ocirc;nica sobre inclus&atilde;o digital do governo federal (visite aqui), raras s&atilde;o as refer&ecirc;ncias de pesquisas sobre lan houses, e n&atilde;o existe nenhum programa espec&iacute;fico para esse meio de inclus&atilde;o. Enquanto isso, o Minist&eacute;rio da Cultura j&aacute; tem programa de incentivo para desenvolvimento de jogos abertos (conhe&ccedil;a aqui), que podem vir a ser alternativos aos jogos quase sempre ilegais instalados nessas casas.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O Sebrae ainda desenvolve algum pensamento e incentiva o empreendedorismo das lan houses. No entanto, as informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o direcionadas a uma empresa de consultoria que vende um guia de &ldquo;como montar sua lan house&rdquo; que usa softwares de gerenciamento de c&oacute;digo fechado. Via Sebrae, ainda &eacute; poss&iacute;vel garantir financiamento em bancos estatais para iniciar um neg&oacute;cio.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Essa boa not&iacute;cia que se espalha pelo Brasil &eacute; um grande fen&ocirc;meno de empreendedorismo. E o governo federal n&atilde;o faz nada com isso. Ao menos, deixem as lan houses em paz, porque s&atilde;o elas que est&atilde;o fazendo uma verdadeira inclus&atilde;o digital no pa&iacute;s&rdquo;, conclui Lemos.<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p><span><a href=\"http:\/\/www.agenciacartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=13928\">A mat&eacute;ria original pode ser acessada clicando aqui<\/a><br \/><\/span><\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casas de acesso p\u00fablico pago \u00e0 internet j\u00e1 se tornaram os maiores empreendimentos de inclus\u00e3o digital nas periferias brasileiras. No entanto, ofensiva dos donos dos c\u00f3digos e de softwares propriet\u00e1rios amea\u00e7a esse neg\u00f3cio em expans\u00e3o ainda informal.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[105],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18248"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18248\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}