{"id":18242,"date":"2007-04-24T12:21:59","date_gmt":"2007-04-24T12:21:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18242"},"modified":"2007-04-24T12:21:59","modified_gmt":"2007-04-24T12:21:59","slug":"aos-10-anos-caros-amigos-continua-icone-do-jornalismo-progressista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18242","title":{"rendered":"Aos 10 anos, Caros Amigos continua \u00edcone do jornalismo progressista"},"content":{"rendered":"<p>S&Atilde;O PAULO &ndash; Abril de 1997, auge do neoliberalismo de FHC. Nas bancas de S&atilde;o Paulo aparece uma nova revista, grande, em preto e branco, muitas letras e poucas figuras. Diferente e at&eacute; um pouco dificultosa para os olhos. Mas a vantagem da novidade era que nem se tinha necessidade de espiar dentro para saber o que estava a nossa espera. Na capa mesmo, os nomes: Mylton Severiano, Luis Fernando Ver&iacute;ssimo, Frei Betto, Ign&aacute;cio de Loyola Brand&atilde;o, Pl&iacute;nio Marcos, Jos&eacute; Hamilton Ribeiro, Roberto Freire, J&uacute;lio Medaglia, M&aacute;rio Prata, Emiliano Jos&eacute;, Paulo Freire, Ricardo Kotscho, Diogo Pacheco, Matthew Shirts, Jaguar. Caros Amigos &#8230; <\/p>\n<p>Quando Caros Amigos nasceu, era quase inacredit&aacute;vel: estava tudo l&aacute;, a hist&oacute;ria viva da resist&ecirc;ncia pol&iacute;tica da Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o com Frei Betto; Roberto Freire, o cara da Soma, do Sem Tes&atilde;o n&atilde;o h&aacute; Solu&ccedil;&atilde;o; o maestro Diogo Pacheco,falando de futebol; Pl&iacute;nio Marcos e seu submundo teatral; Z&eacute; Hamilton, que perdeu a perna cobrindo a guerra do Vietn&atilde;; Jaguar, o s&iacute;mbolo m&aacute;ximo da boemia e do humor dos bons tempos. A revista, desde o in&iacute;cio, provocou algo na gente que fazia correr at&eacute; a banca todo m&ecirc;s e colecionar. <\/p>\n<p>Passado um tempinho, Caros Amigos se firmou como trincheira do pensamento progressista, destoante do sup&eacute;rfluo e neoliberal meio jornal&iacute;stico. Ser um Caro Amigo era prestigioso, e ningu&eacute;m perguntava muito ao S&eacute;rgio de Souza &#8211; o Serj&atilde;o, que at&eacute; hoje senta &agrave; cabeceira da revista &#8211; se e quanto ganharia para escrever. Colaborar com Caros Amigos dava status. <\/p>\n<p>Passaram-se dez anos, Fernando Henrique apeou do poder, Lula, o entrevistado da capa de setembro de 2000, montou, muita gente saiu da revista, muita gente entrou, e alguns velhos amigos, como Diogo Pacheco e Pl&iacute;nio Marcos, morreram neste tempo. Mas Caros Amigos continuou a simbolizar uma nova liberdade de ler e fazer jornalismo, que inclusive abriu espa&ccedil;o para muita coisa boa que veio depois. <\/p>\n<p>Neste seu d&eacute;cimo anivers&aacute;rio, todos n&oacute;s, caros amigos, jornalistas, leitores e resistente de maneira geral, temos muito a comemorar com Caros Amigos. &Eacute; uma bonita hist&oacute;ria, sobre a qual S&eacute;rgio de Souza falou um pouco &agrave; Carta Maior (por correio eletr&ocirc;nico, porque n&atilde;o gosta de dar entrevistas). <\/p>\n<p><strong>Carta Maior &ndash; A Caros Amigos, quando surgiu, se destacou por conta dos nomes de peso do jornalismo, da cultura e da pol&iacute;tica que come&ccedil;aram a escrever na revista. Quem eram os &#39;caros amigos&#39; iniciais, e qual o seu prop&oacute;sito com a cria&ccedil;&atilde;o da revista?<\/strong> <br \/><strong>S&eacute;rgio de Souza<\/strong> &#8211; A id&eacute;ia de uma revista independente e de mat&eacute;rias de autor me perseguia havia muitos anos. At&eacute; que em 1997, como s&oacute;cio de uma micro editora que fundei junto com outros companheiros, pude ver realizado o velho plano. Os &#39;caros amigos&#39; que participaram das primeiras reuni&otilde;es de concep&ccedil;&atilde;o da revista eram Jo&atilde;o Noro, Roberto Freire, Jorge Brolio, Francisco Vasconcelos, Jos&eacute; Carlos Mar&atilde;o, Alberto Dines (que deunome &agrave; revista), H&eacute;lio de Almeida e Mathew Shirts. A partir do n&uacute;mero 1, ficaram apenas os quatro primeiros e eu. O meu prop&oacute;sito era criar uma publica&ccedil;&atilde;o de interesse geral que se posicionasse contrariamente ao &#39;pensamento &uacute;nico&#39; que ent&atilde;o transpirava de toda a grande imprensa do pa&iacute;s, seguidora fiel do governo privatista de Fernando Henrique Cardoso. Havia outras propostas para a Caros Amigos, como a de uma revista &#39;futurista&#39;, que tratasse de um mundo novo oferecido pelo avan&ccedil;o galopante da tecnologia, ou uma revista para-liter&aacute;ria. Ao final daquelas poucas reuni&otilde;es acabou vingando a minha id&eacute;ia de criar uma publica&ccedil;&atilde;o mensal, de autor, que partiria do conceito que coloquei a&iacute; atr&aacute;s e trouxesse reportagens, artigos, colunas, se&ccedil;&otilde;es, humor, fotografia e uma grande entrevista que batizei de &#39;explosiva&#39;, para brincar com a cl&aacute;ssica &#39;exclusiva&#39;, e que, ali&aacute;s, se tornaria o prato forte de Caros Amigos . Todos os trabalhos publicados levariam assinatura, n&atilde;o seriam admitidos pseud&ocirc;nimos e os autores &eacute; que decidiriam que tema abordar, partindo de uma proposta simples: fale sobre algo que o esteja incomodando muito ou agradando muito. Somente as reportagens e a entrevista de capa eram decididas em reuni&atilde;o de pauta. O esquema funcionou e a&iacute; est&aacute; de p&eacute; at&eacute; hoje, passados 10 anos. <\/p>\n<p><strong>CM &#8211; Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, v&aacute;rias iniciativas similares a Caros Amigos, ve&iacute;culos progressistas e independentes, acabaram fracassando depois de pouco tempo. Por que acha que Caros Amigos continua a&iacute;?<\/strong> <br \/><strong>S&eacute;rgio de Souza <\/strong>&#8211; A f&oacute;rmula do sucesso &eacute; um segredo de Estado que posso revelar a voc&ecirc; com exclusividade: o amor &agrave; camisa. N&atilde;o fosse a grande maioria dos autores, sobre os quais se assenta pelo menos a metade do conte&uacute;do da revista, colaborarem sem receber um centavo, e ela n&atilde;o teria chegado at&eacute; aqui. Pois al&eacute;m de tudo a revista &eacute; descapitalizada de nascen&ccedil;a. Sem contar as equipes de reda&ccedil;&atilde;o, do comercial e de administra&ccedil;&atilde;o, que trabalham por sal&aacute;rios inferiores aos das editoras em geral. Um segundo segredo &eacute; a total liberdade de opini&atilde;odos autores das mat&eacute;rias, o pr&oacute;prio fato de a revista ter opini&atilde;o e a independ&ecirc;ncia quanto a patr&otilde;es ou capitalistas. <\/p>\n<p><strong>CM &#8211; Como definiria a Caros Amigos politicamente?<\/strong> <br \/><strong>S&eacute;rgio de Souza<\/strong> &#8211; Politicamente, Caros Amigos &eacute; uma revista de esquerda, como estamos declarando nos poucos an&uacute;ncios que estamos conseguindo colocar na m&iacute;dia (alguns poucos ve&iacute;culos, como a R&aacute;dio Eldorado, a MTV e uma ou outra revista). Imparcialidade &eacute; uma pseudo-virtude inventada para mascarar os interesses pessoais ou grupais dos propriet&aacute;rios ou concession&aacute;rios dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. Um engana-trouxa que, com a veloc&iacute;ssima dissemina&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o que estamos vivendo, ilude, cada vez mais, menos pessoas. <\/p>\n<p><strong>CM &#8211; Caros Amigos &eacute; uma revista mensal, de grande circula&ccedil;&atilde;o, tem um nome no mercado editorial. Por ser de esquerda, por trabalhar com colaboradores n&atilde;o-pagos, &eacute; um ve&iacute;culo &#39;alternativo&#39;?<\/strong> <br \/><strong>S&eacute;rgio de Souza<\/strong> &#8211; Caros Amigos se coloca como uma publica&ccedil;&atilde;o institucional e n&atilde;o alternativa pelas seguintes raz&otilde;es, como declarei recentemente em resposta a perguntas de Jornalistas &amp; Cia.: ela pertence a uma editora registrada na Junta Comercial; ela tem seu t&iacute;tulo, Caros Amigos, registrado no Inpi &#8211; Instituto Nacional de Propriedade Industrial; ela &eacute; membro da Aner &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Editores de Revistas; ela tem periodicidade e chega &agrave;s bancas do pa&iacute;s inteiro por interm&eacute;dio da Dinap &#8211; Distribuidora Nacional de Publica&ccedil;&otilde;es, do grupoAbril, tida como a maior distribuidora de revistas do Brasil, sendo que isso ocorre religiosamente h&aacute; 10 anos; ela tem uma tabela de pre&ccedil;os do espa&ccedil;o publicit&aacute;rio a ser comercializado em suas p&aacute;ginas; ela &eacute; produzida por profissionais tanto na &aacute;rea editorial quanto na comercial e administrativa, na sede que tem endere&ccedil;o f&iacute;sico, paga aluguel, contas de luz, &aacute;gua e telefone; ela mant&eacute;m um site na internet; ela j&aacute; foi premiada por v&aacute;rias entidades de reconhecida express&atilde;o no cen&aacute;rio nacional, assim como o site; ela consome toneladas de papel e de tinta gr&aacute;fica mensalmente; ela circula nos meios que pensam o pa&iacute;s, como a universidade, os col&eacute;gios (corpos docente e discente), as c&acirc;maras municipais e assembl&eacute;ias legislativas, os executivos municipais e estaduais, o judici&aacute;rio, o Congresso Nacional e o Pal&aacute;cio do Planalto. <\/p>\n<p><strong>CM &#8211; Qual &eacute;, na sua opini&atilde;o, o maioro desafio dos ve&iacute;culos que pensam e trabalham no espectro das esquerdas no Brasil? <br \/>S&eacute;rgio de Souza<\/strong> &#8211; O desafio &eacute; manter a dist&acirc;ncia apropriada do poder, seja ele pol&iacute;tico-partid&aacute;rio, seja econ&ocirc;mico. Dist&acirc;ncia apropriada no sentido de independ&ecirc;ncia de opini&atilde;o, que significa, no caso de Caros Amigos , id&eacute;ias e coloca&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o costumam fazer parte do universo da m&iacute;dia grande, sempre conservadora e comprometida at&eacute; as entranhas com o establishment. Nosso papel &eacute; o papel reservado ao jornalismo numa sociedade democr&aacute;tica, qual seja: informar, de modo a n&atilde;o apenas manter as pessoas a par dos fatos que ocorrem no cotidiano das cidades e pa&iacute;ses, mas, principalmente, tratar de interpretar o significado dos fatos mais relevantes, o que acaba por promover a consci&ecirc;ncia do leitor, espectador ou ouvinte, de forma a olhar o seu meio e o mundo com mais acuidade, maior capacidade de julgamento. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S&Atilde;O PAULO &ndash; Abril de 1997, auge do neoliberalismo de FHC. Nas bancas de S&atilde;o Paulo aparece uma nova revista, grande, em preto e branco, muitas letras e poucas figuras. Diferente e at&eacute; um pouco dificultosa para os olhos. 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