{"id":18235,"date":"2007-04-23T15:35:39","date_gmt":"2007-04-23T15:35:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18235"},"modified":"2007-04-23T15:35:39","modified_gmt":"2007-04-23T15:35:39","slug":"uma-constituinte-para-a-televisao-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18235","title":{"rendered":"Uma constituinte para a televis\u00e3o p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><span>O debate sobre uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o articulada pelo Poder Executivo nasceu extempor&acirc;neo, amamentou-se de ignor&acirc;ncia conceitual, acabou vingando no terreno da oposi&ccedil;&atilde;o a qualquer pre&ccedil;o ao Governo Lula e vai crescendo meio torto, parcial, desfocado, sob o perigo de n&atilde;o dar em nada de efetivamente &uacute;til. &Eacute; uma trajet&oacute;ria que faz dele um exemplar t&iacute;pico dos projetos para a comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, sempre condicionados por fort&iacute;ssimos interesses pol&iacute;ticos e corporativos, e sempre carentes de efetivo di&aacute;logo com o suposto interessado maior, o cidad&atilde;o brasileiro. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O nascimento prematuro do debate deve-se ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, que anunciou a proposta da nova rede no in&iacute;cio de fevereiro, em pleno processo de organiza&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas &ndash; uma grande articula&ccedil;&atilde;o de todos os setores da televis&atilde;o n&atilde;o-comercial brasileira, intermediada pelo Minist&eacute;rio da Cultura, a Casa Civil, a Secretaria-Geral da Presid&ecirc;ncia e o pr&oacute;prio Gabinete Pessoal do Presidente. O processo teve in&iacute;cio em setembro de 2006, como decorr&ecirc;ncia da atua&ccedil;&atilde;o conjunta das quatro principais entidades representativas do campo p&uacute;blico da TV &ndash; a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras P&uacute;blicas, Educativas e Culturais (ABEPEC), a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o Universit&aacute;ria (ABTU), a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&otilde;es e R&aacute;dios Legislativas (ASTRAL) e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Canais Comunit&aacute;rioss (ABCCOM) &ndash; e de seu di&aacute;logo permanente e construtivo com a Secretaria do Audiovisual do MinC. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A proposta era de lan&ccedil;ar na mesa de discuss&atilde;o todos os problemas que envolvem a televis&atilde;o n&atilde;o-comercial, na multiplicidade de canais que a constituem. Canais estatais ou p&uacute;blicos, do ponto de vista da gest&atilde;o; canais abertos ou fechados, pelo sistema de transmiss&atilde;o; canais educativos, legislativos, culturais, comunit&aacute;rios, universit&aacute;rios, institucionais, pelo conte&uacute;do; canais de v&aacute;rios tipos e tamanhos, enfim, todos identificados pelo objetivo de prestar servi&ccedil;os de interesse p&uacute;blico sem finalidade de lucro. E identificados, igualmente, pela car&ecirc;ncia dram&aacute;tica de recursos, pela falta de amparo numa legisla&ccedil;&atilde;o clara e coerente, e pelo tratamento subalterno em rela&ccedil;&atilde;o ao dispensado &agrave; televis&atilde;o comercial privada. O F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas surgiu como a inst&acirc;ncia adequada para o equacionamento desses problemas e para o estabelecimento de diretrizes amplas, pactuadas entre canais, estado e sociedade, que possam instruir as m&uacute;ltiplas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas necess&aacute;rias ao ordenamento da televis&atilde;o n&atilde;o-comercial. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Lan&ccedil;ada como id&eacute;ia antes da fase final do F&oacute;rum (as plen&aacute;rias que ocorrer&atilde;o entre 8 e 11 de maio, em Bras&iacute;lia), a Rede Nacional de TV P&uacute;blica foi recebida com as honras de praxe no debate sobre a comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s: conceitos equivocados, informa&ccedil;&otilde;es parciais, ju&iacute;zos apressados e uma boa dose de m&aacute; f&eacute;. &Eacute; justamente o que se quer mudar com o F&oacute;rum, no que diz respeito &agrave; televis&atilde;o n&atilde;o-comercial. O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es bem poderia aguardar o final do processo para, &agrave; luz de suas conclus&otilde;es, propor o que &eacute; plenamente leg&iacute;timo e recomend&aacute;vel, a reforma do sistema estatal de televis&atilde;o em m&atilde;os do poder executivo e sua organiza&ccedil;&atilde;o em rede nacional. Mas n&atilde;o o fez, infelizmente, e o debate eclodiu antes que muitas preliminares fossem aclaradas, resultando em confus&atilde;o generalizada. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>De qualquer forma, a iniciativa teve o m&eacute;rito de colocar o tema da televis&atilde;o p&uacute;blica na agenda do pa&iacute;s. Est&aacute; pautado na m&iacute;dia, nos tr&ecirc;s poderes e na opini&atilde;o popular, o que &eacute;, em si, uma conquista in&eacute;dita para o setor e lhe d&aacute; a certeza de que, de alguma forma, as coisas v&atilde;o mudar. Para o bem do Brasil, ressalte-se, que j&aacute; tem uma televis&atilde;o comercial poderosa, qualificada e amada pela popula&ccedil;&atilde;o, mas que n&atilde;o pode, porque n&atilde;o &eacute; de sua miss&atilde;o e finalidade, fornecer toda a vasta gama de servi&ccedil;os que o meio TV pode oferecer. &Eacute; onde entram os canais estatais e os canais p&uacute;blicos, para atuar complementarmente, como disp&otilde;e com sabedoria o Artigo 223 de Constitui&ccedil;&atilde;o Federal &ndash; mais um dos que, no Cap&iacute;tulo V, da Comunica&ccedil;&atilde;o Social, aguardam regulamenta&ccedil;&atilde;o desde 1988. <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A migra&ccedil;&atilde;o para o sistema digital de transmiss&atilde;o, que ter&aacute; in&iacute;cio ainda neste ano de 2007, abrir&aacute; para a televis&atilde;o brasileira um leque imenso de possibilidades, cujo alcance ainda &eacute; imprevis&iacute;vel em sua totalidade, mas &eacute; certamente promissor. &Eacute; nesse cen&aacute;rio de avan&ccedil;o e reformula&ccedil;&atilde;o que cabe discutir o papel da TV privada, da TV p&uacute;blica e da TV estatal. Primeiro, aclarando as suas diferen&ccedil;as, para depois harmonizar a sua atua&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>A tecnologia nos d&aacute; a oportunidade de utilizar o principal meio de comunica&ccedil;&atilde;o dos brasileiros para aprimorar a educa&ccedil;&atilde;o de nosso povo, a consci&ecirc;ncia de cidadania, o grau de informa&ccedil;&atilde;o, a express&atilde;o de setores sociais hoje marginalizados, o controle sobre os poderes p&uacute;blicos, a oferta de servi&ccedil;os e comodidades, a qualidade do entretenimento. &Eacute; o que est&aacute; em jogo nessa quest&atilde;o da rede p&uacute;blica de televis&atilde;o, e o que merece a maior aten&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel ao F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas. Se fizermos dele a verdadeira Constituinte da televis&atilde;o n&atilde;o-comercial, o pa&iacute;s s&oacute; ter&aacute; a ganhar. <\/span><\/p>\n<p><span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>*Gabriel Priolli &eacute; jornalista e diretor de televis&atilde;o. Preside a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o Universit&aacute;ria.<\/em>&nbsp;<\/span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span>Publicado&nbsp;originalmente no site <a href=\"http:\/\/blogdodirceu.blig.ig.com.br\/\">http:\/\/blogdodirceu.blig.ig.com.br\/<\/a>.&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o articulada pelo Poder Executivo nasceu extempor&acirc;neo, amamentou-se de ignor&acirc;ncia conceitual, acabou vingando no terreno da oposi&ccedil;&atilde;o a qualquer pre&ccedil;o ao Governo Lula e vai crescendo meio torto, parcial, desfocado, sob o perigo de n&atilde;o dar em nada de efetivamente &uacute;til. &Eacute; uma trajet&oacute;ria que faz dele um &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18235\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Uma constituinte para a televis\u00e3o p\u00fablica<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[185],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18235"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18235"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18235\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}