{"id":18220,"date":"2007-04-19T16:17:37","date_gmt":"2007-04-19T16:17:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18220"},"modified":"2007-04-19T16:17:37","modified_gmt":"2007-04-19T16:17:37","slug":"radios-comunitarias-ate-quando-marginais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18220","title":{"rendered":"R\u00e1dios comunit\u00e1rias: at\u00e9 quando marginais?"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>A press&atilde;o popular contra o fechamento da R&aacute;dio Heli&oacute;polis pela Pol&iacute;cia Federal em 20 de julho do ano passado deflagrou um processo que estava embara&ccedil;ado h&aacute; anos. At&eacute; hoje, as r&aacute;dios comunit&aacute;rias estiveram ilegais em S&atilde;o Paulo n&atilde;o por op&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria ou neglig&ecirc;ncia, mas pela aus&ecirc;ncia de qualquer outra op&ccedil;&atilde;o. Desde 1998, quando a lei 9.612 regulamentou o funcionamento das r&aacute;dios comunit&aacute;rias, o munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo esperava por um aviso de habilita&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, documento oficial que convoca as entidades interessadas em obter autoriza&ccedil;&atilde;o para este tipo de servi&ccedil;o em determinado munic&iacute;pio. Sem isso, n&atilde;o havia como se legalizar. Em 7 de dezembro de 2006, mais de oito anos depois da promulga&ccedil;&atilde;o da lei, o aviso para o munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo foi finalmente publicado. O que parecia ser o fim de uma hist&oacute;ria mostrou-se apenas um longo primeiro cap&iacute;tulo. O aviso de habilita&ccedil;&atilde;o j&aacute; deu in&iacute;cio a outro, que prenuncia ser t&atilde;o complicado quanto o primeiro, e mostra como a regulamenta&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias &eacute; feita de modo a inviabilizar a sua exist&ecirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>A situa&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo merece ser observada com aten&ccedil;&atilde;o por dois motivos: primeiro, por ter particularidades que fazem da cidade um caso especial &ndash; a exist&ecirc;ncia de leis municipais espec&iacute;ficas sobre o tema, a forma&ccedil;&atilde;o de uma ampla frente de apoio &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios (com participa&ccedil;&atilde;o de diversas entidades, Defensoria P&uacute;blica, vereadores e deputados), al&eacute;m da alta densidade populacional aliada &agrave; alta demanda. Em segundo lugar, por ser um exemplo claro da esquizofrenia do Estado, que prop&otilde;e a legaliza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o a viabiliza, trabalhando pelo fechamento de r&aacute;dios que est&atilde;o participando do processo e ainda se v&ecirc; em meio a diverg&ecirc;ncias entre os poderes federal e municipal.<\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong>O caso paulistano<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>As especificidades legais de S&atilde;o Paulo come&ccedil;am na pr&oacute;pria aloca&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o reservado &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias. At&eacute; 2004, o munic&iacute;pio n&atilde;o tinha nem canal designado, j&aacute; que o canal 200, apontado pela Anatel para ser usado para a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria, teria interfer&ecirc;ncia de outra emissora (R&aacute;dio Gazeta), que ocupa o canal 201. A escolha do canal 198 s&oacute; se deu depois de anos de estudo da Funda&ccedil;&atilde;o CPqD, que indicou a viabilidade t&eacute;cnica de se ocupar a freq&uuml;&ecirc;ncia 87,5 MHz &#8211; ainda que houvesse o temor de que ela estivesse fora do dial de alguns r&aacute;dios anal&oacute;gicos.<\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Em 2004, na revis&atilde;o do Plano Diretor municipal aprovado dois anos antes, foi inclu&iacute;da a obriga&ccedil;&atilde;o do Executivo desenvolver um Plano Diretor de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria, abrangendo, entre outros pontos, &ldquo;a defini&ccedil;&atilde;o das regras a serem observadas para instala&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dios comunit&aacute;rias, de acordo com a legisla&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria e com base em processo participativo&rdquo; e o &ldquo;desenvolvimento de sistema p&uacute;blico de controle e cadastro georreferenciado&rdquo;. Esse plano deveria ser incorporado ao Plano Diretor Estrat&eacute;gico na revis&atilde;o de 2006 &#8211; que ficou para 2007 -, mas at&eacute; agora o Executivo Municipal n&atilde;o apresentou nenhuma proposta nesse sentido. <\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>A &uacute;ltima especificidade legal &eacute;, possivelmente, a mais importante. Em junho de 2005, foi aprovada a lei 14.013, que disciplina a explora&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria em S&atilde;o Paulo. A municipaliza&ccedil;&atilde;o traz para o Poder Executivo local a responsabilidade pela autoriza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios. Al&eacute;m disso, diferentemente da lei federal, que limita o patroc&iacute;nio a apoios culturais e os restringe a empresas localizadas na &aacute;rea de presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o (1 km de raio), a lei de S&atilde;o Paulo permite inser&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria, e n&atilde;o restringe o an&uacute;ncio aos estabelecimentos situados pr&oacute;ximos &agrave; r&aacute;dio. Uma longa batalha jur&iacute;dica continua sendo travada para garantir a aplica&ccedil;&atilde;o desta lei, j&aacute; que a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileiras de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o &#8211; Abert ingressou no STF com uma ADIN &#8211; A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade questionando a Lei. Por enquanto, nada. O aviso de habilita&ccedil;&atilde;o que saiu no final de 2006 &eacute; totalmente baseado na lei federal.<\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Al&eacute;m dessas especificidades legais, S&atilde;o Paulo se destaca por conta da ampla mobiliza&ccedil;&atilde;o que se organizou em torno do tema. Entidades como a Obor&eacute;, o Escrit&oacute;rio Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, da PUC-SP, e a Defensoria P&uacute;blica do Munic&iacute;pio (entre outras) se uniram a especialistas t&eacute;cnicos e parlamentares como os vereadores Soninha e Carlos N&eacute;der (que exerceu por um tempo o mandato de deputado estadual) e o deputado estadual Sim&atilde;o Pedro, formando uma Mesa de Trabalho para dialogar com o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e apoiar as r&aacute;dios no processo do pedido de autoriza&ccedil;&atilde;o &#8211; extremamente burocr&aacute;tico e rigoroso. 39 entidades, 21 deputados estaduais, 12 vereadores e 2 deputados federais, al&eacute;m de dezenas de indiv&iacute;duos assinaram um compromisso de honra com as r&aacute;dios comunit&aacute;rias, comprometendo-se em apoiar as r&aacute;dios comunit&aacute;rias de S&atilde;o Paulo e lutar pela democracia na comunica&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Essa iniciativa mostrou a inten&ccedil;&atilde;o da sociedade civil e de parte do legislativo em contribuir para que o processo pudesse correr da melhor forma poss&iacute;vel, potencializando o n&uacute;mero de r&aacute;dios inscritas e viabilizando o di&aacute;logo do minist&eacute;rio com o conjunto das r&aacute;dios. At&eacute; abril de 2007, foram realizadas nove mesas de trabalho. Nas primeiras reuni&otilde;es, o minist&eacute;rio esteve presente. A certa altura, passou a se ausentar do processo sem justificativa. Assim, aquele que, em tese, seria o maior interessado nessa articula&ccedil;&atilde;o &ndash; que dava apoio no processo extremamente trabalhoso de facilita&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo com o conjunto das emissoras &ndash; n&atilde;o mandou mais not&iacute;cias. <\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>J&aacute; n&atilde;o houvesse suficiente complexidade, gra&ccedil;as ao apoio desse amplo grupo de entidades, 154 r&aacute;dios responderam ao aviso de habilita&ccedil;&atilde;o no prazo (5 de mar&ccedil;o) e encaminharam a documenta&ccedil;&atilde;o ao minist&eacute;rio, o que se transformou numa boa, mas desafiadora, not&iacute;cia. Essa alta demanda soma-se a uma alta densidade de r&aacute;dios no munic&iacute;pio, que complica a aloca&ccedil;&atilde;o das autoriza&ccedil;&otilde;es. A lei 9.612 determina que deve haver apenas uma r&aacute;dio por regi&atilde;o, e nacionalmente um &uacute;nico e espec&iacute;fico canal, e o decreto 2.615 (que a regulamenta), define que sua cobertura deve estar limitada a at&eacute; 1 km de raio. Num mapa de situa&ccedil;&atilde;o feito pelas entidades que ap&oacute;iam as r&aacute;dios fica claro que n&atilde;o haver&aacute; espa&ccedil;o para todas. O que acontecer&aacute;, ent&atilde;o?<\/p>\n<p><\/span><strong><span>Esquizofrenia estatal e legal<\/span> <\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>S<\/span><span>e prevalecesse a l&oacute;gica de viabilizar e potencializar o funcionamento das emissoras comunit&aacute;rias, a resposta &agrave; pergunta acima certamente seria: &ldquo;tudo ser&aacute; feito para que o maior n&uacute;mero de r&aacute;dios possa obter a autoriza&ccedil;&atilde;o&rdquo;. O problema &eacute; que h&aacute; v&aacute;rios sujeitos atuando nesse processo, representando diferentes faces do Estado. O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, de um lado, prop&ocirc;s o aviso de habilita&ccedil;&atilde;o, mas ausentou-se do processo das mesas de trabalho e parece n&atilde;o ter interesse em ampliar o n&uacute;mero de r&aacute;dios beneficiadas. A Anatel e a Pol&iacute;cia Federal, por sua vez, mesmo depois de os processos j&aacute; terem sido encaminhados ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, desencadearam a &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Interfer&ecirc;ncia&rdquo;, que apreendeu equipamentos de 19 r&aacute;dios em S&atilde;o Paulo, incluindo tr&ecirc;s r&aacute;dios que n&atilde;o estavam no ar. Duas delas &ndash; a Dimens&atilde;o e a Alitavi &ndash; est&atilde;o entre as 154 que responderam ao aviso de habilita&ccedil;&atilde;o e estavam esperando resposta do Minist&eacute;rio. Parece surreal que at&eacute; as r&aacute;dios que est&atilde;o h&aacute; meses sem funcionar e que agora esperam a resposta do minist&eacute;rio sobre seu processo de autoriza&ccedil;&atilde;o sofram a repress&atilde;o das pr&oacute;prias for&ccedil;as estatais. <\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>No entanto, a esquizofrenia n&atilde;o est&aacute; apenas nas a&ccedil;&otilde;es do Estado. A pr&oacute;pria lei 9.612 e suas regulamenta&ccedil;&otilde;es (Decreto 2.615\/98 e Norma 02\/98) j&aacute; cont&ecirc;m contradi&ccedil;&otilde;es internas que criam empecilhos para o funcionamento das r&aacute;dios e estabelecem uma rela&ccedil;&atilde;o fratricida entre aquelas interessadas em atuar de maneira legal. O exemplo de S&atilde;o Paulo mostra que quatro pontos s&atilde;o especialmente question&aacute;veis:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><br \/>1)&nbsp;&nbsp;<\/span><span>A defini&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico e espec&iacute;fico canal para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias gera uma enorme despropor&ccedil;&atilde;o entre os sistemas p&uacute;blico e comercial. Enquanto h&aacute; mais de 25 canais comerciais, reserva-se espa&ccedil;o para apenas um &uacute;nico canal comunit&aacute;rio. Al&eacute;m disso, a lei prev&ecirc; que, em caso de haver mais de uma entidade comunit&aacute;ria interessada na mesma &aacute;rea de cobertura, haja a tentativa de composi&ccedil;&atilde;o entre elas. Se n&atilde;o houver composi&ccedil;&atilde;o, somam-se pontos obtidos com as declara&ccedil;&otilde;es de apoio individuais (1 ponto cada) e institucionais (5 pontos cada) enviadas no processo. Em S&atilde;o Paulo, praticamente todas as 154 r&aacute;dios colidem com pelo menos mais uma em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &aacute;rea de cobertura. A id&eacute;ia de composi&ccedil;&atilde;o, embora interessante do ponto de vista dos interesses comunit&aacute;rios, &eacute; ing&ecirc;nua, e parte de uma falsa premissa: a de que n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para todos. N&atilde;o h&aacute; porque manter quase 30 r&aacute;dios comerciais funcionando por toda a cidade e obrigar as r&aacute;dios comunit&aacute;rias a uma briga fratricida entre elas para ocupar uma regi&atilde;o de 1 km de raio. Uma solu&ccedil;&atilde;o simples seria reservar mais espectro para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Nos Estados Unidos, por exemplo, 4 MHz (de 88 a 92 MHz) s&atilde;o reservados ao conjunto das emissoras p&uacute;blicas de r&aacute;dio. Aqui, poderia se come&ccedil;ar de maneira simples, ampliando para tr&ecirc;s os canais reservados &agrave; radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. Esses canais n&atilde;o devem ser os mesmos em todas as regi&otilde;es; como aponta o engenheiro Marcus Manh&atilde;es em seu texto &ldquo;Direitos Alien&aacute;veis&rdquo;, deve haver &ldquo;atribui&ccedil;&atilde;o de canaliza&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, vinculada num planejamento de freq&uuml;&ecirc;ncias que admita evolu&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica&rdquo;. <\/span><\/p>\n<p><span>2)&nbsp;<\/span><span>Ao estabelecer o limite de 25 W, 1 km de raio e m&iacute;nimo de 3,5 km entre as antenas das emissoras, a regulamenta&ccedil;&atilde;o desconsidera a flexibilidade necess&aacute;ria para qualquer plano de outorgas. Em zonas rurais, essa pot&ecirc;ncia e alcance s&atilde;o baixos demais. Em zonas urbanas densamente povoadas, como &eacute; o caso de S&atilde;o Paulo, poderia ser interessante ter diferentes classes de pot&ecirc;ncia, que viabilizassem a melhor distribui&ccedil;&atilde;o dos canais, considerando as diferentes condi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e sociais. Al&eacute;m disso, a lei considera que o conceito de comunidade &eacute; apenas geogr&aacute;fico, desconsiderando outros poss&iacute;veis arranjos de interesses comuns. <\/span><\/p>\n<p><span>3)&nbsp;&nbsp;<\/span><span>Como j&aacute; foi apontado, a legisla&ccedil;&atilde;o restringe o financiamento das r&aacute;dios ao proibir publicidade comercial e permitir somente apoio cultural de estabelecimentos na mesma &aacute;rea de cobertura da r&aacute;dio. Na pr&aacute;tica, a inexist&ecirc;ncia de fundos p&uacute;blicos de financiamento da r&aacute;dio &#8211; alimentados seja por taxa&ccedil;&atilde;o da publicidade negociada pelas r&aacute;dios comerciais seja pelo dinheiro do Tesouro &#8211; faz com que essas regras praticamente inviabilizem o funcionamento das r&aacute;dios. Legalmente, elas ficam restritas &agrave; m&iacute;ngua.<\/span><\/p>\n<p><span>4)&nbsp; <\/span><span>Por fim, a regulamenta&ccedil;&atilde;o cria condi&ccedil;&otilde;es completamente desiguais para as r&aacute;dios. Diferentemente das comerciais, as emissoras comunit&aacute;rias n&atilde;o est&atilde;o protegidas de nenhuma interfer&ecirc;ncia. Por sua vez, s&atilde;o absolutamente proibidas de provocar qualquer interfer&ecirc;ncia em outro sistema de telecomunica&ccedil;&otilde;es, sob pena de perderem a autoriza&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Em virtude de todos esses limitantes, diversas r&aacute;dios comunit&aacute;rias em opera&ccedil;&atilde;o preferiram n&atilde;o entrar com o pedido de autoriza&ccedil;&atilde;o, continuando ilegais, mas ao menos mantendo a possibilidade de sobreviv&ecirc;ncia. Isso mostra o qu&atilde;o asfixiante &eacute; a regulamenta&ccedil;&atilde;o em vigor.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><strong><br \/><\/strong><\/span><span><strong>Os desafios presentes<\/strong><\/span>&nbsp; <br \/><span>O processo de S&atilde;o Paulo segue; e a esquizofrenia tamb&eacute;m. No momento em que esse texto est&aacute; sendo escrito, aguarda-se a publica&ccedil;&atilde;o oficial, pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, da listagem de todas as entidades que responderam ao aviso de habilita&ccedil;&atilde;o e do mapa com a localiza&ccedil;&atilde;o (incluindo as coordenadas) de todas elas. Mas o minist&eacute;rio n&atilde;o tem participado das mesas de trabalho e nem deu sinal de quando vai oficialmente divulgar esses dados.<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>As entidades que comp&otilde;em a mesa de trabalho mant&ecirc;m o constante apoio &agrave;s r&aacute;dios, mas dependem de m&iacute;nimas condi&ccedil;&otilde;es para poder avan&ccedil;ar. Para a equipe t&eacute;cnica, &eacute; necess&aacute;rio um mapa digitalizado em tr&ecirc;s dimens&otilde;es, com a topografia da cidade, para que se possa buscar a otimiza&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima do uso do espectro, viabilizando a autoriza&ccedil;&atilde;o do maior n&uacute;mero de r&aacute;dios. Embora j&aacute; tenha solicitado o mapa aos poderes executivos municipal e federal, nenhum dos &oacute;rg&atilde;os que poderiam t&ecirc;-lo se disp&ocirc;s a ceder o software.<\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Al&eacute;m disso, enquanto a Anatel e a Pol&iacute;cia Federal trabalham para fechar pequenas r&aacute;dios que nem operando est&atilde;o, o canal 198 &eacute; atualmente ocupado por uma r&aacute;dio n&atilde;o legalizada, a r&aacute;dio Samba FM, que transmite numa pot&ecirc;ncia suficiente para ser ouvida em toda a cidade e inviabiliza a legaliza&ccedil;&atilde;o de qualquer das 154 r&aacute;dios. <\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Em rela&ccedil;&atilde;o ao Plano Diretor, durante a &uacute;ltima mesa de trabalho, o representante da Secretaria de Planejamento do munic&iacute;pio declarou que o Executivo n&atilde;o est&aacute; trabalhando numa proposta para o Plano Diretor de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria e que, pasmem, espera que a proposta venha das pr&oacute;prias entidades participantes da mesa de trabalho.&nbsp; <\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Por fim, a amplia&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de freq&uuml;&ecirc;ncias reservadas &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias esbarra, em um primeiro momento, na quest&atilde;o legal e, num segundo, na vontade pol&iacute;tica em enfrentar o poder das r&aacute;dios comerciais. Uma possibilidade real seria a libera&ccedil;&atilde;o da freq&uuml;&ecirc;ncia 98,1 MHz (canal 251), hoje ocupada pela R&aacute;dio Terra FM, de Paulo Abreu (empres&aacute;rio que &eacute; dono de cinco r&aacute;dios que transmitem para a capital paulista, a maioria delas com sede em munic&iacute;pios lim&iacute;trofes). Isto porque uma regra geralmente adotada nos planos de canaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; que o canal que fica 10,6 MHz distante da freq&uuml;&ecirc;ncia designada, chamado de canal tabu, n&atilde;o deva ser usado na mesma &aacute;rea, por haver o risco de interfer&ecirc;ncia pelo batimento de freq&uuml;&ecirc;ncias. Se liberado esse espa&ccedil;o em S&atilde;o Paulo, seria poss&iacute;vel adotar um plano mais racional de canaliza&ccedil;&atilde;o, alternando a ocupa&ccedil;&atilde;o do canal 198 e do 251. Mas isso depende da disposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em se enfrentar interesses privados, entre eles o de Paulo Abreu.<\/span><\/p>\n<p><span>&nbsp;<\/span>&nbsp; <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Enquanto tudo permanece como est&aacute;, com a lei e a ordem ao lado das emissoras comerciais, as r&aacute;dios comunit&aacute;rias de S&atilde;o Paulo seguem em sua condi&ccedil;&atilde;o marginal e ilegal, resistindo &agrave; esquizofrenia estatal e &agrave; gan&acirc;ncia do setor comercial. &Agrave;s r&aacute;dios que est&atilde;o participando do processo de habilita&ccedil;&atilde;o restam poucas alternativas. Mas &eacute; preciso manter a mobiliza&ccedil;&atilde;o, fortalecer a press&atilde;o pol&iacute;tica e seguir lutando por mudan&ccedil;as nessa legisla&ccedil;&atilde;o absurda, na&nbsp;briga por mais espa&ccedil;o e condi&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia para as emissoras comunit&aacute;rias. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A saga das organiza\u00e7\u00f5es que buscam a legaliza\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo em meio \u00e0 esquizofrenia estatal \u00e9 um exemplo claro de que tanto a legisla\u00e7\u00e3o brasileira quanto os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos fazem de tudo para que as emissoras comunit\u00e1rias simplesmente n\u00e3o existam.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18220"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18220\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}