{"id":18219,"date":"2007-04-19T13:03:47","date_gmt":"2007-04-19T13:03:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=18219"},"modified":"2007-04-19T13:03:47","modified_gmt":"2007-04-19T13:03:47","slug":"tv-digital-uma-farsa-chamada-isdtv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=18219","title":{"rendered":"TV digital: uma farsa chamada ISDTV"},"content":{"rendered":"<p>No final de mar&ccedil;o, a Sociedade de Engenharia de Televis&atilde;o (SET) organizou evento em S&atilde;o Paulo, com a presen&ccedil;a de radiodifusores e do governo, para divulgar as normas t&eacute;cnicas do International System for Digital TV (ISDTV), o novo nome do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Tais normas servir&atilde;o de orienta&ccedil;&atilde;o para a ind&uacute;stria produzir os equipamentos de transmiss&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o da futura televis&atilde;o digital aberta no Brasil. <\/p>\n<p>Com este nome fantasia, radiodifusores e o governo querem demonstrar que n&atilde;o se trata da simples ado&ccedil;&atilde;o de tecnologias importadas (no caso, o ISDB japon&ecirc;s). Segundo o ministro H&eacute;lio Costa, o pa&iacute;s acaba de produzir um sistema &quot;nipo-brasileiro&quot;.&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, as emissoras de TV e os diversos outros meios de comunica&ccedil;&atilde;o a elas associados ir&atilde;o repetir esta hist&oacute;ria ad nauseum, na aposta de que uma mentira contada muitas vezes acaba assumindo ares de verdade. Mas, ser&aacute; mesmo que o ISDTV &eacute; uma produ&ccedil;&atilde;o conjunta do Brasil e do Jap&atilde;o?&nbsp;<\/p>\n<p>Antes, por&eacute;m, cabe analisar onde teria sido produzido o tal ISDTV.&nbsp;<\/p>\n<p>No dia 23 de novembro de 2006 foi criado o F&oacute;rum de TV Digital e seu comit&ecirc; executivo era integrado por uma empresa de software (Potis), quatro outras que far&atilde;o os receptores (Philips, Gradiente, Semp e Samsung), duas ind&uacute;strias de transmissores (Linear e Telavo), quatro radiodifusores (Globo, SBT, Record e Rede TV!) e duas universidades (PUC-Rio e UFRGS). Em momento algum a sociedade civil teve acesso aos debates travados no interior do F&oacute;rum de TV Digital que, n&atilde;o custa lembrar, definia o futuro de um servi&ccedil;o explorado mediante concess&atilde;o p&uacute;blica.&nbsp;<\/p>\n<p>Dias ap&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum de TV Digital, o representante da UFRGS, S&eacute;rgio Bampi, anunciou que se afastaria por estar descontente com o pouco espa&ccedil;o reservado &agrave; comunidade acad&ecirc;mica. E passados somente quatro meses de sua instala&ccedil;&atilde;o, o F&oacute;rum de TV Digital anunciou a conclus&atilde;o dos trabalhos, com a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema &ldquo;nipo-brasileiro&rdquo; de televis&atilde;o digital.&nbsp;<\/p>\n<p>O car&aacute;ter h&iacute;brido desse sistema (japon&ecirc;s e brasileiro) supostamente se deveria ao emprego de tecnologias que foram desenvolvidas pelas universidades brasileiras por conta de recursos recebidos pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), durante a fase de pesquisa do SBTVD.&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que v&aacute;rios cons&oacute;rcios de pesquisadores alcan&ccedil;aram resultados expressivos. A PUC-RS, por exemplo, desenvolveu uma alternativa de padr&atilde;o de modula&ccedil;&atilde;o, conhecido como Sorcer. Mas, a op&ccedil;&atilde;o pelo sistema japon&ecirc;s acabou impedindo a ado&ccedil;&atilde;o do Sorcer e o fato &eacute; que existem pouqu&iacute;ssimas inova&ccedil;&otilde;es brasileiras no interior do tal ISDTV.&nbsp;<\/p>\n<p>Indagados, radiodifusores e representantes do governo s&oacute; conseguem citar duas.&nbsp;<\/p>\n<p>Uma delas teria sido a implanta&ccedil;&atilde;o do codec de compress&atilde;o de v&iacute;deo MPEG-4 (H264) na modula&ccedil;&atilde;o japonesa (BST-OFDM). Mas, ambas as tecnologias s&atilde;o anteriores ao ISDTV e a contribui&ccedil;&atilde;o brasileira, neste caso, se resume a fazer o ISDB japon&ecirc;s utilizar o H264.&nbsp;<\/p>\n<p>A outra seria o middleware [1]&nbsp; Ginga. O Ginga, na verdade, &eacute; a soma de dois outros middlewares, desenvolvidos pela UFPB e pela PUC-Rio. A por&ccedil;&atilde;o paraibana (anteriormente conhecida como FlexTV) &eacute;, em grande medida, a ado&ccedil;&atilde;o da normatiza&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia Globally Executable MHP (GEM). Somente a por&ccedil;&atilde;o carioca (o Maestro), produzida a partir da linguagem Nested Context Language (NCL), pode ser considerada um desenvolvimento realmente nacional.&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, cabe lembrar que nem mesmo a ado&ccedil;&atilde;o do Ginga est&aacute; garantida, uma vez que as normas t&eacute;cnicas do F&oacute;rum de TV Digital tamb&eacute;m inclu&iacute;ram o middleware japon&ecirc;s Broadcast Markup Language (BML).&nbsp;Mas, apenas a inclus&atilde;o do Ginga (ainda que importante) &eacute; muito pouco para que possamos afirmar que se trata de um sistema &ldquo;nipo-brasileiro&rdquo;, como parece desejar o ministro H&eacute;lio Costa.&nbsp;<\/p>\n<p>Cabe lembrar que no interior do sistema DVB, por exemplo, existem diversas implementa&ccedil;&otilde;es diferentes, sem que sejam consideradas como novos sistemas internacionais.&nbsp;<\/p>\n<p>Com o uso do apelido ISDTV, governo e radiodifusores pretendem esconder o fato de que o Brasil adotou, sem compensa&ccedil;&otilde;es comerciais e sem prever transfer&ecirc;ncia de tecnologias, v&aacute;rias tecnologias importadas que se encontram no interior do ISDB e que, para os engenheiros brasileiros, continuar&atilde;o sendo caixas-pretas.&nbsp;<\/p>\n<p>At&eacute; prova em contr&aacute;rio, e apesar da propaganda oficial, existem apenas quatro sistemas de TV digital aberta: ATSC (adotado nos Estados Unidos, Canad&aacute;, M&eacute;xico, Guatemala, Honduras e Cor&eacute;ia do Sul), DVB-T (utilizado em cerca de 60 pa&iacute;ses, incluindo Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, Filipinas, Mal&aacute;sia, Ar&aacute;bia Saudita, Turquia, Vietn&atilde;, Nova Zel&acirc;ndia, Austr&aacute;lia e Ir&atilde;), BMD (chin&ecirc;s) e ISDB (empregado no Jap&atilde;o e no Brasil). <\/p>\n<p>*&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Segundo a Wikip&eacute;dia, middleware, no campo de computa&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da, &eacute; um programa de computador que faz a media&ccedil;&atilde;o entre outros softwares. &Eacute; utilizado para mover informa&ccedil;&otilde;es entre programas ocultando do programador diferen&ccedil;as de protocolos de comunica&ccedil;&atilde;o, plataformas e depend&ecirc;ncias do sistema operacional.<span style=\"font-size: 10pt; font-family: &#39;Times New Roman&#39;\">&nbsp;<\/span>&nbsp;<\/p>\n<p>* Gustavo Gindre &eacute; membro do Coletivo Intervozes, do N&uacute;cleo de Pesquisa, Estudo e Forma&ccedil;&atilde;o (NUPEF), coordenador-executivo do Instituto de Estudos e Projetos em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura (INDECS) e conselheiro eleito do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGIbr).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final de mar&ccedil;o, a Sociedade de Engenharia de Televis&atilde;o (SET) organizou evento em S&atilde;o Paulo, com a presen&ccedil;a de radiodifusores e do governo, para divulgar as normas t&eacute;cnicas do International System for Digital TV (ISDTV), o novo nome do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). 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